20 de Março de 2018, por Dra. Ana Caroline Vilela


IDENTIFICAÇÃO DAS CRENÇAS QUE MANTÊM O HÁBITO DE FUMAR

Fumantes diferentes fumam por razões particulares, consomem quantidades desiguais de nicotina e experimentam sintomas de abstinência distintos.

É fundamental a compreensão de que cada fumante desenvolve uma relação específica com o cigarro, sendo que os motivos que levam cada uma a manter o hábito variam de pessoa para pessoa.

Durante o trabalho de aconselhamento no consultório, um dos focos do tratamento é a identificação das crenças e dos comportamentos associados ao hábito de fumar e ajudar o paciente a desfazê-los.


Algumas falsas crenças dos fumantes são:

1. Fumar é meu único prazer!

Muitas vezes o cigarro representa para o fumante uma “válvula de escape”, o momento no qual ele pode fazer o que quiser, e está intimamente relacionado ao prazer. É fundamental identificar outras novas atividades prazerosas que podem ser introduzidas em sua rotina para substituir o velho hábito de fumar.

2. Fumar ajuda a lidar com o estresse

A maioria dos fumantes relata usar o cigarro para lidar com o estresse e, muitas vezes, acredita que ele possui alguma propriedade química para promover relaxamento. Isso se dá por diversos aspectos, como condicionamento, já que muitos fumam sempre nas situações estressantes. Além disso, a hora de fumar é uma parada no tempo. Nas situações estressantes, propicia um intervalo ao paciente.

Por exemplo: “se ao me aborrecer porque o computador não está funcionando, eu dou um tempo para sair para fumar, isso ajuda a distrair e diminuir meu estresse naquele momento”.

É importante que o paciente tenha consciência de que o cigarro não tem qualquer substância relaxante e que é um objeto inanimado.

Não resolve os problemas, não paga conta, nem faz o trânsito andar mais rápido.

3. Sem cigarros eu vou passar muito mal

Crenças em relação aos sintomas de abstinência são muito comuns. Esclareço ao paciente o que é a síndrome de abstinência, seus principais sintomas, o tempo de duração e os apoios farmacológicos para minimizar a abstinência.


4. A vontade de fumar não vai embora nunca

Informações sobre a fissura e mostrar ao paciente que vontade é coisa que “dá e passa” são estratégias efetivas utilizadas durante o tratamento para desfazer a crença.

Pergunto ao paciente o que acontece nos momentos em que tem vontade de fumar mas está impossibilitado por algum motivo. Informamos que a fissura do cigarro dura, em média, de 2 a 5 minutos. E quanto mais tempo ele ficar em abstinência menos intensa e frequente ficará a vontade. Além de reforçar que o uso de medicamentos reduzem os sintomas de abstinência consideravelmente.

Durante anos o ato de fumar foi, equivocadamente, interpretado como um estilo de vida, e reforçado expressivamente pela propaganda. Hoje, ao contrário, existe o entendimento de que o tabagismo é uma doença resultante da dependência à nicotina.

Pesquisas indicam que 80% dos fumantes desejam parar de fumar, mas apenas 3% conseguem sozinhos, demandando tratamento específico.

O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem do paciente. Durante o tratamento, podemos Utilizar a terapia de Reposição de Nicotina (através do adesivo transdérmico, goma de mascar e pastilha), e|ou medicamentos como o cloridrato de Bupropiona e a Vareniclina.

Medicamentos não devem ser utilizados isoladamente, e sim em associação com outras modalidades de tratamento nao medicamentoso, como terapia cognitiva comportamento e atividade física.


Benefícios de para de fumar

Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer, enfisema ou derrame. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar. Veja o que acontece se você parar de fumar agora:

  • Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
  • Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
  • Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
  • Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
  • Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida.
  • Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
  • Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
  • Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Quanto mais cedo você parar de fumar menor o risco de adoecer.

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Dra. Ana Caroline Vilela, CRM 17.189. A utilização deste texto, em totalidade ou em partes, só é permitida com o prévio consentimento da autora.