No Dia Aberto, quatro estudantes caminham pelo campus da universidade. A Sofia olha em volta, entusiasmada. O Kevin vai ligeiramente atrás com um caderno nas mãos. O Diogo e a Inês acompanham o grupo como mentores da visita.
Sofia: Uau… isto é mesmo incrível. Sempre imaginei a universidade assim. Pessoas inteligentes, livres, a fazer o que gostam. É aqui que tudo começa a fazer sentido.
Inês (sorrindo): É bom sentir esse entusiasmo. Lembro-me de pensar o mesmo quando participei no meu primeiro dia aberto.
Diogo: Pois… eu também pensava assim! No início, achava que a universidade era um passaporte para a felicidade.
Sofia: E não é? Quer dizer… finalmente somos recompensados pelo esforço, não?
Diogo: Depende do que entendes por recompensa. No meu primeiro semestre, senti-me mais perdido do que nunca. Ninguém te ensina a lidar com a pressão, com o ritmo, com a comparação constante.
(Kevin continua calado, desenhando.)
Inês: O choque do primeiro ano é muito comum. Mudam todas as regras: mais autonomia, mais responsabilidade… e menos apoio familiar, dos amigos e dos professores da escola...
Sofia: Mas se estudarmos muito, organizarmos bem o tempo… isso resolve-se, não?
Diogo: Eu achava que sim. Sempre fui bom aluno. Quando comecei a falhar nos testes e a sentir-me exausto, pensei que o problema era meu. No primeiro semestre chumbei a uma disciplina e tive um ataque de pânico na biblioteca.
(Pausa curta.)
Inês: E isso pesa muito na saúde mental. Aqui fala-se muito de desempenho, mas pouco de bem-estar. Só mais tarde percebi que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
A Inês olha para Kevin e pergunta:
– E tu, o que estás a achar da universidade?
Kevin (encolhe os ombros): É… grande. Bonita. Mas acho que não é para mim. Nunca fui bom aluno e ninguém da minha família andou na universidade. Eu só… passo despercebido.
Sofia: Não digas isso. Toda a gente pode chegar aqui se se esforçar.
Kevin (baixo, mas honesto): Isso é o que todos dizem. Mas nem toda a gente começa do mesmo sítio. Às vezes sinto que já estou atrasado antes de começar.
(Silêncio breve.)
Inês: Sabes, Kevin, na universidade também há pessoas que se sentem invisíveis. Mesmo rodeadas de pessoas. A diferença é quando percebemos que não estamos sozinhos.
Diogo: Se alguém me tivesse dito no secundário que não precisava ser perfeito… talvez tivesse sido diferente.
Sofia (mais pensativa): Nunca pensei que a universidade pudesse ser tão solitária.
Inês: Pode ser. Mas também pode ser um local de crescimento quando existe espaço para falar dos nossos problemas, falhar, recomeçar…
Kevin: E se não entrarmos? Como lidamos com esta frustração?
Inês: A universidade não define o teu valor. É um caminho possível, não o único.
Sofia: Então como provo o meu valor se as minhas notas não forem altas? A pressão é o que me faz estudar.
Diogo: Eu pensava o mesmo até ver que o meu colega de casa dorme 8h, vai ao ginásio e ainda tem notas melhores que as minhas. O sucesso aqui não depende do quanto sofres, mas de como te adaptas.
Inês: Eu também pensava como tu, Sofia, mas as notas não mostram tudo o que és capaz de fazer.
Sofia: Talvez a verdadeira conquista não seja um lugar… mas sentir que somos suficientes.
Diogo: Se eu pudesse voltar atrás, teria cuidado mais de mim do que das notas.
Inês: E é isso que precisamos mudar, precisamos de escolas e universidades que valorizem as pessoas e não só os resultados. O importante é perceber que não estamos sozinhos, podemos sempre pedir ajuda.