Durante uma semana, circula nas redes sociais uma notícia viral a dizer que uma nova lei europeia vai proibir completamente o uso de telemóveis nas universidades e que quem não cumprir pode perder a matrícula.
Há vídeos de pessoas a protestar, prints de documentos ‘oficiais’ e influencers a comentar.
Alguns estudantes entram em pânico, outros dizem que é mentira. A universidade ainda não disse nada.”
Na sequência disto, surge entre os alunos a seguinte discussão:
Inês: Já viram isto?! A partir do próximo semestre vão proibir telemóveis nas aulas. Está em todo o lado no Instagram e no TikTok.
Rui: Vi, sim. Mas isso parece-me treta. Onde é que isso saiu primeiro?
Inês: Não sei… vi num vídeo com tipo 200 mil likes. E mostrava um documento da União Europeia.
Marta: Pois, mas likes não são fontes. Mostra lá o tal documento.
Inês: (mostra o telemóvel) Está aqui. Parece oficial…
João: “Parece” é a palavra-chave. Já viste o site? O endereço é meio estranho.
Inês: Mas há imensa gente a falar disto. Não pode ser tudo mentira.
Marta: Claro que pode. Lembram-se da história dos exames cancelados o ano passado?
Rui: Exato. E espalhou-se porque toda a gente partilhou sem confirmar. Ninguém quer ser o primeiro a dizer “esperem lá…”.
Inês: Ok, mas então como é que sabemos se isto é falso?
João: Primeiro: procurar se algum jornal sério falou disso. Segundo: ir ao site oficial da UE. Terceiro: ver se alguém já fez fact-check.
Marta: E quarto: perguntar quem ganha com esta história. Medo dá cliques. Cliques dão dinheiro.
Inês: Estão a dizer que eu caí numa armadilha?
Rui: Não. Estamos a dizer que todos caímos, às vezes. A internet é uma fábrica de ilusões em série.
Marta: A questão não é “fui enganado?”. É: “o que faço depois de perceber que posso estar a ser enganado?”
João: E mais: quando partilhamos, somos só vítimas… ou também passamos a ser parte do problema?
Inês: Ok. Já percebi. Vou apagar o story.
Rui: Vês? Salvámos a democracia. Antes do almoço.
Proposta de trabalho:
Que problema emerge deste diálogo e como pode ser resolvido?
Questões que podem ser utilizadas no debate entre os alunos:
Porque é que queremos tanto acreditar em certas notícias?
O que pesa mais: emoção ou evidência?
Quem é responsável: plataformas, governos, jornalistas… ou nós?
A IA vai tornar isto muito pior ou também pode ajudar?
Devia haver limites à liberdade de partilha?
Como identificar uma fonte de confiança? (generalização a partir do diálogo)
Que erros de análise evitar ao credibilizar uma fonte?
Como investigar a credibilidade de uma teoria da conspiração?
Documentação de apoio ao cenário:
Páginas e projetos de referência
EUvsDisinfo (União Europeia)
Base de dados real de campanhas de desinformação e casos concretos.
Polígrafo / Observador Fact Check / Público Fact Check (Portugal)
Ótimos para mostrar como se desmonta uma notícia falsa na prática.
First Draft News / News Literacy Project
Muito bons em literacia mediática e verificação de fontes.
Para além destas fontes aqui sugeridas, os grupos podem pesquisar outras fontes que os ajudem a apresentar soluções em relação ao cenário apresentado.
SEJAM ANALÍTICOS, CRIATIVOS E TIREM PARTIDO DE UMA DAS FERRAMENTAS MAIS PODEROSAS QUE TRAZEM CONVOSCO:
O PENSAMENTO CRÍTICO.
BOM DEBATE E BOM TRABALHO!