A difração de elétrons tridimensional (3D ED) é uma técnica de caracterização utilizada para determinar a estrutura cristalina de diversos tipos de compostos, usada especialmente quando os cristais são muito pequenos (tipicamente em escala micro- e nanométrica, Fig. 1). Assim como na difração de raios-X, a técnica se baseia na interação entre a radiação incidente e a rede cristalina do material, produzindo padrões de difração que podem ser interpretados para revelar a posição de átomos em sólidos cristalinos (Fig. 2) [1–4].
Figura 1. Típico cristal utilizado para difração de elétrons (escala: 1 μm).
Figura 2. Exemplo de padrões de difração obtidos por difração de elétrons.
Na difração de elétrons, a interpretação dos dados estruturais pode ser feita por meio de dois modelos principais: o refinamento cinemático e o refinamento dinâmico. O refinamento cinemático utiliza uma aproximação semelhante a da difração de raios-X e é amplamente empregado para a obtenção rápida de modelos estruturais (Fig. 3). Já o refinamento dinâmico considera as múltiplas interações entre o feixe de elétrons com o cristal, permitindo uma descrição mais acurada das intensidades de difração e possibilitando a obtenção de modelos estruturais mais precisos, incluindo localização de prótons e a determinação da configuração absoluta em estruras quirais [5–8].
Em conjunto, essas abordagens tornam a difração de elétrons uma ferramenta poderosa para determinação estrutural de moléculas pequenas, especialmente em casos onde o tamanho dos cristais limita o uso de técnicas convencionais como a difração de raios-X. Avanços na instrumentação, métodos computacionais e protocolos experimentais tem ampliado significativamente o acesso e a confiabilidade nesta técnica, permitindo a determinção acurada de estruturas cristalinas nas áreas de química, ciência dos materiais, fármacos, entre outras.
Figura 3. Exemplos de estruturas cristalinas de fármacos obtidos por difração de elétrons.
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