(Trans)Formar a si mesmo com o Espiritismo: uma reflexão[1]
Willian Diego de Almeida
A verdadeira “perfeição [...] está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito”.[2] Esta frase, do capítulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, foi ditada por um espírito protetor no ano de 1863, isto é, há 155 anos. Apesar disso, é possível dizer que ela dialoga com o momento em que vivemos, justamente pelo fato de trazer em seu âmago a ideia da (trans)formação pessoal.
Apesar de o homem ter alcançado avanços na ciência, ultrapassado despenhadeiros considerados intransponíveis, a sua questão moral ainda necessita de uma atenção especial, pois existem muitos infortúnios ocultos que não são cogitados, muitas fronteiras dentro de si mesmo que devem ser superadas. Mas qual a razão de ainda não o serem? São as dificuldades da vida que retardam essa melhoria? Somos nós mesmos que estamos “anestesiados” frente ao encarar a si mesmo que é algo intransferível?
Parece que o segundo questionamento se torna o mais forte. Dizemos isso pelo fato de termos muitas informações, mas agimos com poucos esforços para aplicá-las de maneira prática nossas vidas. É perceptível observar o quanto muitos de nós não têm feito nada para mudar a nossa própria realidade e desvalorizamos aqueles que assim o fazem. O exemplo disso está na luta contra atitudes corruptas do/no outro; apontamos, julgamos acreditando que isso ajudará numa transformação em nosso meio, mas esquecemos de lutar contra as nossas próprias corrupções (morais, intelectuais) que também fazem parte dessa engrenagem chamada sociedade.
O Espiritismo adentra nesse ponto como um dos alicerces para explicar que a transformação significa mudança; portanto, não adianta ficar parado. Nós espíritas que conhecemos (ou ao menos deveríamos conhecer) a doutrina e que acreditamos na evolução espiritual do ser, devemos lembrar o quanto pensar com o estudo kardequiano pode ser primoroso para nos explicar e apontar direcionamentos para essa nossa jornada de mudança pessoal.
Se com o Espiritismo é possível saber, perante a classificação dos diferentes tipos de Espíritos e dos tipos de mundos[3], que a nossa sintonia depende de nós, que ela entra em harmonia com espíritos afins, fica muito fácil compreender a razão de toparmos com pessoas tão negativas ao nosso redor, ou até mesmo adquirirmos tormentos voluntários, atraídos pelas nossas próprias ações, condutas e vibrações deseducadas.
Portanto, entender a si é a chave para se (trans)formar os nossos dias e as nossas atitudes em ações educativas que, partindo do nosso interior, pode um dia contagiar a nossa sociedade. Não vamos ser mais nossos próprios inimigos. É necessário despertar para os nossos compromissos espirituais, não amanhã ou no estudo de uma hora e meia por semana, mas para a eternidade da vida.
Referências
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo: com explicações das máximas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida. 3. ed. Trad.: Guillon Ribeiro. Brasília: FEB, 2013.
[1] Utilizamos do uso dos parênteses para delinear a ideia de que transformar implica formar ideias, ações e práticas enquanto sujeitos.
[2] Cf. Georges, Espírito protetor (Paris, 1863.), no Capítulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo, nas Instruções dos Espíritos: Cuidar do corpo e do espírito, item 11, p. 242.
[3] Kardec (2013, p. 39, 57-66; )