Muitos bairros foram formados e/ou constituídos por famílias de operários e trabalhadores vindos de outras partes do Brasil e que trabalhavam nas plantações de café, motoristas, comércio. Os moradores de áreas rurais plantavam arroz, feijão, milho e criavam galinhas e porcos. As crianças em sua maioria iam a pé para escola mais próxima.
A geada de 1975 que afetou Londrina também mudou drasticamente o cenário de Cambé. Muitos moradores de sítios e fazendas migraram para a área urbana. Os moradores que continuaram em áreas rurais viveram dias de sacrifício (foram dois anos para reiniciar os plantios) mas permaneceram com a cultura do café. A carroça era um dos principais meios de locomoção nos sítios. Para adquirir produtos que o sitio não tinha, os moradores se dirigiam à cidade e compravam em armazéns e vendas. Luz elétrica também era raro e se utilizavam de lampião e lamparina a querosene e, ferro de brasa. Nessa época, crianças, jovens e adultos trabalhavam na roça. E as famílias utilizavam fogão a lenha. E as roupas eram lavadas no poço ou no rio. As mulheres acendiam fogueiras e esquentavam as roupas para facilitar a atividade de lavar. As festas de batizado, casamento e juninas eram no terreiro dos sítios onde montavam a estrutura, com comidas e bailes.
Muitos bairros foram formados em terrenos que antigamente eram sítios. Assim, os moradores encontraram pés de frutas e animais como cobras e gambás. É o caso do Jardim Vitória. Por causa do plantio de abacaxi, encontrados no período de urbanização, o local ficou inicialmente como morro do abacaxi.
Na área da saúde, era comum as parteiras e o médico visitava e atendia os doentes em casa.
Obs: degustação e primeira entrega da pesquisa foi feita em 16 de agosto de 2025 as 10h, no Parque Municipal Danziger Hof, Cambé.
O café ocupa papel central na formação histórica, econômica e cultural de Cambé. Desde a colonização do norte do Paraná, ele foi o motor do desenvolvimento regional, atraindo trabalhadores, estruturando a cidade e consolidando-se como símbolo identitário — a ponto de figurar na bandeira e no hino municipal. Para além do passado, a cafeicultura permanece relevante na economia contemporânea, sobretudo através da produção familiar e da crescente valorização dos cafés especiais, que agregam qualidade e certificação de origem.
Mais do que um produto agrícola, o café em Cambé é memória coletiva e ativo cultural. Ele integra a Rota do Café, conecta gerações de agricultores e alimenta práticas de turismo, educação patrimonial e sustentabilidade. Apesar dos desafios impostos pelo mercado e pelo clima, continua sendo elemento estratégico: representa a resistência do pequeno produtor, a inovação agroecológica e a possibilidade de desenvolvimento local aliado à preservação da identidade regional.
Assim, compreender a importância do café em Cambé é reconhecer que o grão não é apenas mercadoria, mas um elo entre história, economia e cultura — um patrimônio vivo que sustenta a memória e projeta o futuro da cidade.
O feijão Verde é um dos alimentos mais tradicionais da cultura alimentar brasileira. De fácil adaptação a solos pobres e climas semiáridos, tornou-se símbolo de resistência agrícola e de segurança alimentar, garantindo subsistência a famílias rurais mesmo em condições adversas. Além do valor nutricional — rico em proteínas, fibras, ferro e vitaminas —, tem forte presença na culinária regional, compondo pratos identitários como baião de dois, tropeiro e farofas típicas. Seu cultivo também fortalece a agricultura familiar e a economia solidária, já que depende menos de insumos químicos e se integra bem a sistemas agroecológicos. Assim, o feijão-da-terra é mais do que um grão: é patrimônio alimentar, expressão cultural e alternativa sustentável para o desenvolvimento rural.