"[...] se as crianças conseguem enxergar o anjo da história, talvez seja um sinal do potencial transformador da criança. Um potencial pra mudar a história. Não sei se impedir a sucessão de catástrofes, mas pelo menos para atrasar e minimizar o impacto dessas catástrofes. Como se a infância fosse um âmbito de plena potencialidade, que aos poucos se vai esquecendo... [...] As crianças brincam com nossos destroços, reconstroem e reelaboram o mundo delas a partir dos nossos detritos. Isso é de um potencial enorme... se conseguíssemos manter isso nas fases seguintes, na juventude e na fase adulta, teria um peso de mudança histórica significativa; se conseguíssemos reelaborar os nossos detritos, nossas tragédias, nossas catástrofes... de alguma maneira brincar, construir, mimetizar um outro mundo... que não esse.[...]" – Márcio Jarek
"[...] retomando a crítica ao progresso como produção ininterrupta de ruínas com a variante glamurosa do consumo, temos o quadro perfeito dos desafios que ainda teremos que enfrentar, assim que a normalidade, tão almejada e temida, retorne, tal qual a próxima epidemia, ou a coleção dum estilista exclusivo e inacessível, “pois a moda nunca foi outra coisa senão a paródia do cadáver colorido, provocação da morte pela mulher, amargo diálogo sussurrado com a putrefação, entre gargalhadas estridentes e falsas. Isso é a Moda. Por isso ela muda tão rapidamente; faz cócegas na morte e já é outra.” – Bárbara Canto