Lista D
Valorizar a diversidade: promovendo o melhor de cada um e de todos
Manifesto da Lista Candidata ao Conselho de Escola da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Ciências ULisboa é um pilar de prestígio académico, científico e educativo, construído pela dedicação da sua comunidade. Num contexto de transformação acelerada do ensino superior, candidatamo-nos ao Conselho de Escola convictos de que o nosso maior ativo é essa mesma comunidade e de que cabe ao Conselho de Escola eleger, apoiar, influenciar e avaliar a Direção para que esta promova a excelência científica e académica, a colaboração, o bem-estar das pessoas e a antecipação das mudanças tecnológicas e sociais. Como lista plural, a nossa força reside na diversidade de perspetivas que partilhamos, e por isso, apresentamos uma declaração de princípios que guiará o nosso escrutínio e a nossa ação enquanto órgão estratégico de supervisão e representativo da comunidade.
PRINCÍPIOS ORIENTADORES
Compete ao Conselho de Escola definir princípios e assegurar a sua boa implementação, mais do que executar diretamente as políticas. Os seguintes princípios constituem os nossos guias para a supervisão da vida da Faculdade, que vão orientar o modo como apreciamos as propostas, acompanhamos os processos e exercemos as responsabilidades do Conselho.
1. Escrutínio como serviço à comunidade
A função de supervisão do Conselho de Escola não é adversarial: é um serviço à comunidade académica para que as decisões institucionais sejam fundamentadas, coerentes e orientadas para o interesse coletivo de Ciências ULisboa.
2. Centralidade nos estudantes e na valorização das pessoas
A missão primeira de Ciências ULisboa é proporcionar uma formação científica exigente, atual e intelectualmente estimulante. Defenderemos que todas as decisões institucionais tenham como referência a qualidade do percurso académico das/os estudantes, promovendo ambientes de aprendizagem que cultivem curiosidade, autonomia e pensamento crítico. Em paralelo, afirmamos que o bem‑estar, a realização profissional e as condições de trabalho das/os docentes, investigadoras/es e pessoal técnico, especialista e de gestão são indispensáveis para cumprir essa missão. Uma Faculdade que cuida das suas pessoas forma melhor os seus estudantes.
3. Transparência nos processos de decisão
A confiança da comunidade nas instituições constrói-se pela clareza dos processos. Defendemos que os critérios, as deliberações e os resultados das decisões do Conselho de Escola, bem como das que supervisionamos, sejam acessíveis e compreensíveis para todos os membros de Ciências.
4. Proporcionalidade e simplicidade na regulação
Acreditamos que a regulação deve existir apenas na medida necessária para apoiar o bom funcionamento de Ciências. A elaboração de normas internas deve ser guiada pelo princípio da proporcionalidade, garantindo que apenas se regulam aspectos que verdadeiramente o exigem. Privilegiamos a autonomia académica e profissional, promovendo processos claros, simples e eficientes e que evitem sobrecargas administrativas desnecessárias que permitam a docentes, investigadores e pessoal técnico, especialista e de gestão concentrar-se nas suas missões essenciais.
5. Liberdade científica e independência intelectual
A Ciência avança pela liberdade de questionar. Uma instituição saudável encoraja o dissenso fundamentado e a pluralidade de perspetivas, entre docentes, entre estudantes, e entre a Faculdade e a sociedade. Promoveremos uma cultura onde questionar o conhecimento estabelecido é visto como virtude, não como ameaça. Defenderemos igualmente que os sistemas de avaliação, as estruturas de carreira e os modelos de financiamento interno respeitem e promovam a independência intelectual do corpo docente e de investigação, reconhecendo a diversidade legítima de percursos e contribuições.
6. Sustentabilidade ambiental e social
Ciências distingue-se pela produção de conhecimento que contribui de forma decisiva para a sustentabilidade da nossa sociedade. Esta excelência científica obriga-nos a uma coerência interna: além de continuarmos a gerar ciência que responde aos grandes desafios do nosso tempo, devemos assegurar que as práticas da própria Faculdade refletem esses mesmos princípios. Isso implica promover uma gestão ambientalmente responsável, reduzir o impacto das nossas atividades e reforçar políticas que garantam bem-estar, inclusão e equidade na comunidade académica, incluindo a da/os estudantes. O Conselho de Escola deve assegurar que as orientações estratégicas de Ciências integram práticas ambientalmente responsáveis e socialmente inclusivas, promovendo o bem-estar da comunidade e reforçando o compromisso da Faculdade com a sociedade.
7. Integração de Ciências no contexto social e empresarial
A Faculdade não existe em isolamento: o seu impacto mede-se também pela forma como as/os seus diplomadas/os, investigadoras/es e o conhecimento contribuem para o tecido socioeconómico nacional e internacional. Incentivaremos pontes entre Ciências ULisboa, a FCIENCIAS.id, os centros de investigação e o mundo exterior, valorizando a transferência de conhecimento e o envolvimento com alumni e o esforço de aprofundamento das interfaces com as empresas e outras organizações.
8. Abraçar novas tecnologias para promover a curiosidade e a criatividade
A transformação tecnológica, em particular a Inteligência Artificial, é uma oportunidade para o ensino e para a ciência. Defendemos o uso ético das ferramentas de IA para repensar os modelos de ensino e a avaliação à luz destas novas possibilidades, em vez de as restringir. Uma instituição que as abraça com responsabilidade está melhor preparada para o futuro.
9. Abertura ao diálogo e espírito de serviço
Os princípios aqui apresentados não são posições fechadas, mas pontos de partida para uma conversa contínua com todos os departamentos, centros de investigação, pessoal técnico e associações de estudantes. O mandato do Conselho exerce-se com abertura, rigor e genuíno espírito de serviço à comunidade de Ciências ULisboa.