Cronologia
Cronologia
Fundação da Associação de Artes Plásticas Francisco Lisboa em 1938 por João Faria Viana, Guido Mondin Filho, Gastão Hofstetter, Edla H. Silva, Mario Monaco, Nelson Boeira Faedrich, Carlos Scliar, Eduardo Zarino no bar Hubertus (Porto Alegre, RS).
A primeira Diretoria foi representada por: João Faria Viana (Presidente), Carlos Scliar (Secretário), Gastão Hofstetter (Tesoureiro); Nelson Boeira Faedrich, Edla H. Silva e Gastão Hofstetter (Comissão para elaboração de estatuto).
Realização do 1º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa, com 88 trabalhos de 20 artistas na Casa das Molduras (Porto Alegre, RS). Foram expostos dois originais, um de Rembrandt (uma água forte) e um de Dürer (uma gravura).
Os primeiros sócios da Chico Lisboa, expondo no Salão, foram: Nelson Boeira Faedrich, João Fahrion, Gastão Hofstetter, Judith Flores, José Rasgado, Gustavo Epstein, Guido Mondin Filho, Mário Nery, Edla H. Silva, Júlia Felizardo e Romano Reif.
Em 1939 a Chico Lisboa elege nova Diretoria: Hugo Lunardi (Presidente), Guido Mondin Filho (Secretário), Edla H. Silva (Tesoureira), Romano Reif (Bibliotecário); Herval Borino, Júlia Felizardo, Edgar Koetz, João Faria Viana, Gastão Hofstetter (Conselho Deliberativo).
1940
Realização do 2º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa, também na Casa das Molduras (Porto Alegre, RS), com 70 trabalhos de 18 artistas.
Realização do 3º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa, no andar térreo do Grande Hotel (Porto Alegre, RS), com um total de 86 trabalhos de 26 artistas.
1942
4º Salão de Artes Plásticas organizado pela Chico Lisboa, no 1º andar do Edifício Vera Cruz (Porto Alegre, RS) com 84 trabalhos de 20 artistas.
1946
Excursão a Rio Pardo (RS) para desenhar e pintar a cidade histórica, especialmente a arquitetura colonial e os costumes.
Impressão do 1º Boletim da Associação.
1951
5º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa, no Correio do Povo (Porto Alegre, RS) com 100 trabalhos de 30 artistas.
1953
Organização de exposição póstuma ao pintor Oscar Boeira, com amplo apoio da família.
Publicação do Decreto Municipal 677 que atribuiu à Chico Lisboa a missão de organizar o Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, criado pela Lei nº 940 de 06 de novembro de 1952. E respectiva realização do 1º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre (RS).
1954
2º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, com 55 trabalhos de 20 artistas.
1955
7º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa na sede do antigo Clube de Gravura (Rua dos Andradas, ao lado da Casa Krahe) com 52 trabalhos de 25 artistas.
Excursão à vila de Santo Amaro para estudo da arquitetura colonial e desenho.
1956
8º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa, com 62 trabalhos de 29 artistas.
Participação da Chico Lisboa na Comissão das Comemorações do Sesquicentenário do nascimento de Manoel de Araújo Porto Alegre.
Excursão a Rio Pardo (RS) para homenagem especial junto ao túmulo do pintor Manoel de Araújo Porto Alegre.
Participação na publicação relativa à obra de Manuel de Araújo Porto Alegre.
1957
Organização de Exposição de Caricaturas Antigas e Modernas no Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano.
Apresentação da mesma exposição na Praça da Alfândega, em pavilhão cedido pela Prefeitura Municipal.
Apresentação da mesma exposição no Restaurante Universitário.
Apresentação da mesma exposição na cidade de Pelotas (RS)
Athos Damasceno, a convite da Chico Lisboa, pronuncia conferência sobre artistas riograndenses do passado e do presente.
Primeiro Salão de Arte Moderna organizado pela Chico Lisboa.
Promoção de uma exposição de Arte Moderna , organizada pela Chico Lisboa e pelo Círculo da Cultura, em Lajes (RS).
Exposição de Arte Moderna no Restaurante Universitário (Porto Alegre, RS), com palestra do professor e arquiteto Edgar Graeff.
9º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa no Instituto de Belas Artes (IBA, Porto Alegre, RS), com 91 trabalhos de 60 artistas.
Realização de concurso de cenários para a peça Frankell, de Antonio Callado, atendendo pedido especial da Companhia de Teatro Celli Autran.
Exposição de gravuras para concurso destinado à feitura de calendário para a empresa de chocolates Neugebauer (Porto Alegre, RS)
Conserto da pianista Zuleika Rosa Guedes, no Instituto de Belas Artes, em benefício da Chico Lisboa.
Inauguração do 4º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, na Galeria Municipal de Arte (altos do Abrigo da Praça 15 de Novembro) com 55 trabalhos de 27 artistas.
1958
Pela Lei Municipal Nº 1852, a Chico Lisboa passa a ser considerada como de entidade de utilidade pública.
Realização do 10º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa
Realização do 5º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre.
1959
Abertura do 6º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa.
1960
Início da publicação do Boletim Mensal da Chico Lisboa, que prossegue até setembro, com notícias sobre artes, artistas e salões.
Realização do 12º Salão de Artes Plásticas da Chico Lisboa.
Realização do 7º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre
Organização da Feira de Gravura na Praça da Alfândega.
1964
Suspensão das atividades durante período de recessão democrática no Brasil
1979
Reativação da Chico Lisboa
Participação, com apresentação de tese, no Primeiro Encontro Nacional de Artistas Plásticos, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
1980
Lançamento do Boletim nº8 da Chico Lisboa, dando publicação ao veículo lançado em 1960, na Associação Riograndense de Imprensa (ARI).
No Centro Municipal de Cultura, o professor Carlos Rafael dos Santos, Secretário de Educação e Cultura do SMEC, assina documento cedendo espaço daquele centro à Chico Lisboa.
Participação no Encontro de Cultura por ocasião da implantação do Polo Cultural em Cachoeira do Sul (RS), constando de palestra, desenho en plein air e exposição na Praça José Bonifácio.
Realização da 4ª Feira de Gravura na Praça da Alfândega, com colaboração da Divisão de Cultura (SMEC) e da Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo.
1981
Entre os dias 05 e 15 de agosto, realiza a 5ª Feira de Gravura na Praça da Alfândega.
Participa da instalação do Polo Cultural de Uruguaiana (RS)
Organiza e cedia a exposição e a palestra da artista peruana Mercedes Isla no Centro Municipal de Cultura.
Organiza junto do Instituto Goethe uma conferência com a artista Barbosa Hana.
Participa dos Encontros com a Cultura, promovidos pelo Movimento Gaúcho em Defesa da Cultura.
Organiza uma passeata, uma manifestação popular, contra a marginalização da categoria dos artistas plásticos e visuais e dos trabalhadores da cultura no RS.
1982
Implanta o projeto Chico Convívio Arte, com o objetivo de realizar encontros informais e didático-culturais sobre assuntos relacionados à arte; mas também a Tarde Convívio Arte, com o objetivo de levar a produção dos artistas até lugares públicos a partir de conversas com eles.
Cria o projeto Chico Convênio Arte, com o objetivo de realizar exposições coletivas de caráter cultural e didático.
Realiza a 6ª Feira de Gravura, dessa vez na Casa de Cultura da cidade de Caxias do Sul (RS)
Estabelece convênio com a Superintendência de Serviços Penitenciários, com o objetivo de desenvolver trabalhos de tapeçaria e cerâmica no Presídio Feminino de Porto Alegre e no Presídio Central do RS.
1983
Organiza o 1º Intercâmbio Internacional de Obras de Arte, em articulação com companheiros americanos.
Participa do Segundo Encontro Nacional de Artistas Plásticos Profissionais, com apoio da FUNARTE/INAP, MARGS e Subsecretaria de Cultura/SEC.
1987
Encaminha, ao Governo do Estado do RS, um documento contendo posicionamentos e sugestões sobre a atuação do Governo no âmbito cultural.
Promove e participa de uma Semana de reflexão sobre a Constituinte e a Cultura, promovendo exposições de fotos e bandeirinhas (Das Diretas à Constituinte), o evento Artistas Pró-Constituinte e o painel A Cultura na Constituinte no Teatro Renascença.
Organiza e participa do júri do salão A Fauna na Expressão do Artista Plástico, em comemoração aos 25 anos da fundação do Parque Zoológico da Fundação Zoobotânica do RS.
Participa do júri do Salão da Associação dos Amigos da América, que selecionou obras de artistas latinos para enviar aos EUA.
Realiza uma performance comemorativa para o aniversário do Clube de Cultura
1988
Participa do Seminário Movimentos Coletivos nas Artes Plásticas no RS, no auditório Tasso Correa da UFRGS.
Comemora o Cinquentenário da fundação da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa.
Participa do Seminário Intercâmbio das Artes Plásticas no Conesul, com participação da CACEX, Secretaria de Assuntos Internacionais, CODEC, Secretaria de Cultura do Município de Porto Alegre e consulados do Uruguai, Argentina e Paraguai.
Organiza o concurso de cartazes comemorativos ao cinquentenário da Chico Lisboa.
Produz o carimbo filatélico comemorativo aos 50 anos da fundação da Chico Lisboa, divulgando-o na exposição retrospectiva dos 50 anos no MARGS (Porto Alegre, RS).
Organiza com o MARGS o Salão Câmara Municipal de Porto Alegre.
Em construção...
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Textos
Pensa-se em reativar a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa.
Poucas vezes terá vivido tanto tempo uma associação de artes plásticas. O desenhista, o pintor, o escultor, o gravador, enfim, todo o homem que trabalha com artes visuais o faz numa introspecção necessária tendo, no abrigo silencioso de seu ateliê, o ambiente de trabalho mais desejado. Raramente o vemos em grupos ao ar livre ou num ateliê coletivo, e quando isto acontece é o modelo raro que o obrigou a um trabalho em conjunto. Diferentemente do cultor das artes temporais (balê, teatro, música), o seu trabalho é feito isoladamente e talvez essa circunstância tenha muito a ver com a dificuldade de manter uma associação...
Mas a Sociedade de Artes Plásticas Francisco Lisboa, ideada no bar do restaurante Hubertus em 1938, foi ativa por um quarto de século. Frente aos seus copos de chope, no conhecido bar da praça Otávio Rocha, decidiram fundá-la para ativar a prática de artes plásticas na cidade e logo, no mesmo ano, era realizado o seu primeiro salão.
Curioso é o nome. Estavam reunidos pintores e escolheram como evocação o nome de um escultor. Algumas pessoas - das que gostam de criar caso - até têm dito que esse Francisco Lisboa não é o "aleijadinho" mas sim um dos outros dois que no norte atuaram com nome parecido, Francisco Antônio ou Antônio Francisco. Mas o primeiro foi ourives em Salvador e o segundo entalhador em Minas Gerais, ambos trabalharam na primeira metade do século XVIII e produziram uma obra bem menos importante que a do "Aleijadinho". O certo é que os fundadores da associação pensaram mesmo no grande toreuta cuja obra se realizou na segunda metade daquele século. O retrato que figura no catálogo (1938) e a figura do profeta Ezequiel em xilogravura, de autoria de João Faria Vianna, no catálogo de 1942, tiram qualquer dúvida.
Assim, a primeira associação riograndense de artes plásticas surgia homenageando, pelo patrono que adotou, o nome de um mineiro que nasceu na terceira década do século (1730 0u 1738), autor da maior obra escultórica do Brasil colonial.
Foi rápida a constituição da nova associação: dia 9 de agosto foi o encontro no Bar Hubertus, dia 30 de outubro já era feita a segunda reunião na Associação Riograndense de Imprensa e no dia 26 do mês seguinte já se realizava a primeira exposição. Entre os pioneiros podemos citar os presentes na segunda reunião: João Faria Vianna, Gastão Hofstetter, Edla Silva, Guido Mondim, Nelson Boeira Faedrich, João Fontana, Arnildo Kuwe, Mario Monaco, engº Kindler e Carlos Scliar.
Os dois primeiros salões se realizaram na Travessa Itapiru, hoje Acelino Carvalho. Os salões seguintes foram instalados sucessivamente no Grande Hotel (1939), no Edifício Vera Cruz, 1º andar (1940), no Correio do Povo (1951), nos altos do abrigo da Praça 15, etc.
Josué Guimarães, como vereador em 1952, ao lado de Alberto André, tomou especial interesse na aprovação de uma lei criando o Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, que teve o nº 940 e foi datada de 6 de novembro daquele ano. No ano seguinte o decreto nº 677 de 17 de julho encarregava a Associação "Chico Lisboa" de organizá-lo. Daí em diante até 1960, através dos prêmios-aquisição, distribuídos pelo legislativo da cidade, o município ficou com um acervo específico de artistas da época. Pelo valor que muitas dessas peças hoje representam bem mereciam do poder público a sua organização em Museu de Arte da Cidade. Bastaria reunir num só espaço todas as unidades que ainda continuam decorando salas e corredores (?) dos prédios onde funciona a administração da cidade, especialmente no Paço dos Açorianos e no Edifício José Montaury.
Com a diretoria eleita em 1955 a associação diversificou ainda mais suas atividades. Foi feita uma excursão ao histórico povoado de Santo Amaro para desenhar a velha arquitetura colonial e no ano seguinte participou de uma caravana a Rio Pardo em comemoração ao sesquicentenário de nascimento de Manoel Araújo Porto Alegre, Barão de Santo Ângelo, cujo túmulo se encontra no cemitério daquela cidade. Na mesma oportunidade, participou de importante publicação sobre aquele pintor gaúcho, reunindo vasta bibliografia sobre o mesmo a uma bem cuidada biografia de autoria de José Julio Barros.
Continuou daí por diante se dedicando a outras promoções culturais ao lado dos salões realizados normalmente. Em 1956 foi uma exposição de caricaturas de autores rio-grandenses, incluindo jornais do século passado que exibiam as mais antigas. Teve por local o Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, que na época funcionava no edifício União, e logo depois foi o acervo apresentado ao ar livre, na Praça da Alfândega, no Restaurante Universitário e em Pelotas. No mês de abril o professor Athos Damasceno pronuncia uma conferência abordando a vida e a obra de artistas do passado na cidade; no mês de julho Francisco Stockinger faz uma palestra em Lages, levando 20 trabalhos que haviam sido expostos no 1º Salão de Arte Moderna, que a associação organizara no Museu de Arte do Estado e, no mês de agosto, o professor Edgar Graef realiza uma palestra no Restaurante Universitário, apresentando, ali, quarenta trabalhos selecionados do mesmo salão.
O ano de 1957 foi o ano dos concursos, sem interromper as atividades dos salões nem das conferências. No mês de junho, atendendo a pedido da Companhia Celia Autran, foi realizado um concurso para o cenário da peça Frankel, de Antônio Calado, e em setembro a Fábrica Neugebauer patrocina um outro, de gravura, para a confecção de seu calendário anual.
Assim prosseguiu seu trabalho a mais antiga sociedade de artistas plásticos do Brasil. Tendo adotado como patrono um mineiro do Brasil colonial não adivinhava que o mesmo seria também, mais tarde, o patrono dos artistas plásticos brasileiros, mercê diploma legal específico.
O seu reaparecimento agfora, além de voltar a cumprir algumas das finalidades do passado, atenderá novas necessidades dos que se dedicam às artes visuais no presente. Para início de conversa se constituirá em entidade representativa da classe numa encruzilhada da vida cultural rio-grandense em que ela precisa tomar uma posição definida em face aos rumos da nossa existência cultural.
Trata-se do reerguimento ou ressurgimento de uma sociedade que, como se viu do breve histórico acima, já teve papel muito importante na vida artística de Porto Alegre e não chegou a se dissolver, não houve dissolução formal conforme previam os estatutos, apenas deixou de atuar em um momento em que os artistas dedicaram atenção total a seus ateliês. Reconhecida sua necessidade voltam a dar-lhe atenção, agora com propósitos mais sólidos e bem mais amplos.
Esta ampliação de suas aspirações justifica a elaboração de novos estatutos, o terceiro, que deverá atender às novas necessidades aumentando, cada vez mais, a atividade organizada do artista plástico como profissional e como intelectual, interessado nos acontecimentos de sua sociedade e no pensamento de seus contemporâneos.
Dirão que a entidade deseja voltar à vida após longo período de hibernação, e realmente o faz com grande força e ânimo para desenvolver muitas atividades. Não é a primeira vez que isto acontece com uma instituição cultural. Alguns exemplos podem ser citados, inclusive entre nós, do Rio Grande, que revelam a importância dos ressurgimentos. O sono letárgico, ou período letárgico, que faz parte da vida de muitos animais ou vegetais têm, na vida das associações, o mérito de estimulá-las à renovação da existência, eis que sem dúvida revelam uma nova disposição para o trabalho e o convívio.
Assim, no próximo ano, estaremos preparados para evocar o segundo século e meio do nascimento de António Francisco Lisboa, o patrono dos artistas plásticos brasileiros, com a Sociedade Riograndense de Artes Plásticas "Xico" Lisboa em pleno funcionamento.
3 de junho de 1979