CENTOPEIA é um fragmento de um conto apocalíptico intitulado “Projeto Unicórnio”, que tem início com a saga do fazendeiro Joel e finaliza com as aventuras espaciais de seu filho João Ângelo. A ideia surgiu em 2003 quando Daniell Abrew, caminhando pela propriedade rural de seu avô, encontrou uma centopéia morta de forma helicoidal, a qual lembrava a estrutura de uma galáxia espiral.
O desenvolvimento do argumento e do roteiro não seguiram o padrão convencional de uma produção cinematográfica. Abrew pretendia construir uma obra experimental, e optou por escrever o guião em apenas uma folha de papel com sugestões de diálogos. A única cena escrita do filme foi a conversa telepática entre Joel e a cosmonauta Suzana Matoso Fraga.
O projeto teve início em maio de 2005 nos estúdios da FGF TV (hoje TV UNIGRANDE) com a atriz Jeanne Feijão para a produção de um curta-metragem. A equipe dispôs de uma câmera Sony PD-150 Mini-DvCam/3 CCDs e um estúdio para chroma key. Foi necessário apenas um dia para realizar todas as cenas de Jeanne e do ator Bruno de Castro.
Em seguida, Abrew reúne os atores Camilo Vidal e Camile Queiroz e, com uma câmera handycam Panasonic NV-GS180 MiniDV-Camcorder/3 CCDs, dois refletores Mini-Set Light 500W e a verba limitada de 300 reais, viajam à fazenda de seu avô em Quixeramobim, município centro-geográfico do estado do Ceará, para fechar a produção em apenas quatro dias de gravações.
Os primeiros esboços da nave Vitória II e da sonda marciana foram criados pelo artista plástico Beto Gaudêncio. Ele construiu miniaturas de 35 centímetros a partir de peças de ferro que serviram como referência para o técnico de animação J. Melo desenvolver a modelagem em 3D. Já os efeitos em 2D, partículas, cenários virtuais e elementos de composição ficaram a cargo de Abrew.
A produção enfrentou uma série de precariedades durante as gravações, principalmente com a ausência de um equipamento para captar o som. O problema foi solucionado pelo técnico Lúcio Júnior, que desenvolveu um processo de dublagem no qual o ator interpretava a sua linha ao tempo que escutava sua própria voz.