O António Caiano deixou-nos no início de junho de 2026.
Este filme tem o objectivo simples de contribuir para perpetuar a sua memória junto dos muitos amigos que com ele partilharam momentos inesquecíveis no CAC - Clube dos Amantes da Cabeça.
Excerto da mensagem do nosso querido poeta Rui Paulo da Cruz:
... presto também uma humilde homenagem poético-satírica ao nosso querido Caiano, que esta coisa de morrer toca a todos, e o melhor que podemos fazer para celebrar a sua vida é juntarmo-nos numa última quinta-feira de um mês próximo...
ODE AO AMIGO QUE PARTIU
Estava a bela Inês posta em sossego,
no mais sereno e celestial dos mundos,
paraíso de paz e de aconchego,
quando irrompe, enérgico e ufano,
o génio limpador de mares e fundos,
homem de grandes feitos, o Caiano!
«Venham cabeças que estou esfomeado!»
No canto de uma nuvem, a ver o invisível,
Pedro, o Cruel, crê uma vez mais o seu amor ameaçado,
Nem ali havia paz, nem ali sossego, coisa incrível!
Um bárbaro careca, de charuto e chapéu,
vociferava com a corte dos anjos
suaves e prestáveis serviçais do céu.
Habituado que estava ao convívio dos marmanjos,
queria cabeças grandes, mesa farta,
queria fazer de quinta aquela quarta!
O outro Pedro, o Santo, acorreu aflito.
Nunca coisa assim ali se vira!
Impôs respeito e chamou à razão o recém-vindo.
Com autoridade e precisão de mira,
julgou ali mesmo aquela insanidade.
Foi a ousadia punida com um castigo infindo:
um jejum de cabeças para a eternidade.
Primeiro triste, cabisbaixo, logo o nosso herói sorriu.
O castigo nem era assim tão mau… «Pois… Ora...
Que a cozinha aqui é do pior que já se viu!»
Amigo dos amigos, mandou um recado lá do alto
a quem ainda está por este mundo, e a sua ausência chora.
«Alegrem-se rapazes! Vamos celebrar!
Juntem-se à volta das travessas!
É chupar! É chupar! É chupar!
E vivam Os Amantes das Cabeças!
Xarroco