Junto com pesquisadores da Universidade de Stanford e mais de 200 cientistas, o professor André Luís de Gasper, coordenador do curso Mestrado em Biodiversidade da FURB e membro do IFFSC participou dos trabalhos. Eles revelaram uma nova regra biológica que a equipe denominou de Regra Read, em homenagem ao pioneiro na pesquisa de simbiose, Sir David Read.

O Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina é um trabalho pioneiro no Brasil. Os estudos trazem detalhes sobre a biodiversidade de cerca de 30 mil quilômetros quadrados de florestas de Mata Atlântica e são feitos, sob coordenação da Furb, por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), com recursos financeiros da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Mais de 160 técnicos das três instituições participaram da primeira fase do projeto, ocasião em que todo o trabalho de campo foi catalogado.

O artigo tem o título “Climatic controls of decomposition drive the global biogeography of forest – tree symbioses” e pode ser lido na íntegra aqui. Os dados usados no projeto, de acordo com relatório da equipe “reúnem mais de um milhão de parcelas florestais e mostram padrões de onde as raízes das plantas formam relações simbióticas com fungos e bactérias”. Conforme o artigo científico, “dentro e ao redor das raízes emaranhadas do chão da floresta fungos e bactérias crescem com as árvores, trocando nutrientes por carbono em um vasto mercado global.” Com a pesquisa, “um novo esforço para mapear o mais abundante desses relacionamentos simbióticos – envolvendo mais de 1,1 milhão de florestas e 28.000 espécies de árvores – revelou fatores que determinam onde os diferentes tipos de simbiontes irão florescer.” Os pesquisadores assinalam que “o trabalho pode ajudar os cientistas a entender como as parcerias simbióticas estruturam as florestas do mundo e como elas podem ser afetadas por um clima mais quente”.

Segundo dados divulgados sobre o trabalho, “em um exemplo de como a pesquisa pode ser aplicada, projetou-se a mudança de simbioses até 2070, se as emissões de carbono continuassem inalteradas. Este cenário resultou em uma redução de 10% na biomassa de espécies de árvores que se associam a um tipo de fungo encontrado principalmente em regiões mais frias, assinala o artigo. Os pesquisadores alertaram que tal perda poderia levar a mais carbono na atmosfera, porque esses fungos tendem a aumentar a quantidade de carbono armazenada no solo”.

“Há muitos tipos simbióticos e estamos mostrando que eles obedecem a regras claras”, afirma Brian Steidinger, pesquisador de pós-doutorado em Stanford e principal autor do artigo. “Nossos modelos preveem mudanças maciças no estado simbiótico das florestas do mundo – mudanças que podem afetar o tipo de clima em que seus netos viverão”, alertou.

O artigo científico publicado na Nature demonstra que “ escondidas para a maioria dos observadores, as colaborações inter-reinos entre micro-organismos e árvores são altamente diversas.” Os pesquisadores “concentraram-se no mapeamento de três dos tipos mais comuns de simbioses: fungos micorrízicos arbusculares, fungos ectomicorrízicos e bactérias fixadoras de nitrogênio. Cada um destes tipos engloba milhares de espécies de fungos ou bactérias que formam parcerias únicas com diferentes espécies de árvores.”

O leitor da publicação é informado que “trinta anos atrás David Read desenhou mapas à mão, de onde ele achava que diferentes fungos simbióticos poderiam residir, com base nos nutrientes que eles fornecem. Fungos ectomicorrízicos fornecem o nitrogênio das árvores diretamente da matéria orgânica – como folhas em decomposição – então, ele propôs, elas seriam mais bem-sucedidas em locais mais frios onde a decomposição é lenta e a serapilheira é abundante. Em contraste, ele achava que os fungos micorrízicos arbusculares dominariam nos trópicos, onde o crescimento das árvores é limitado pelo fósforo do solo.”

“Uma pesquisa feita por outros pesquisadores acrescentou que as bactérias fixadoras de nitrogênio parecem crescer fracamente em temperaturas baixas. Testes para as ideias de Read tiveram que esperar, pois para isto, uma extensa a coleta de dados de árvores em diversas partes do globo era necessária”, de acordo com relatório sobre os resultados. Essa informação tornou-se disponível com a Global Forest Biodiversity Initiative (GFBI), onde o IFFSC registrou seus dados e já gerou artigos importantes publicados, entre eles, de outro professor da FURB, Alexander Vibrans, idealizador do IFFSC. Em 2015 o artigo”Mapping tree density at a global scale” chegou a emplacar na capa da Nature.

Para divulgação atual, o grupo destaca que “embora a pesquisa apoie a hipótese de Read – encontrar fungos micorrízicos arbusculares em florestas mais quentes e fungos ectomicorrízicos em florestas mais frias – as transições entre os biomas de um tipo simbiótico para outro foram muito mais abruptas do que o esperado, com base nas mudanças graduais nas variáveis que afetam a decomposição. Isso sustenta outra hipótese que levou os pesquisadores a pensaram que os fungos ectomicorrízicos mudam seu ambiente local para reduzir ainda mais as taxas de decomposição.”

Mais detalhes do projeto estão no site www.iff.sc.gov.br

Fonte: http://www.fapesc.sc.gov.br/professor-da-furb-publica-na-nature-em-consorcio-do-iffsc/

O Laboratório de Botânica do Departamento de Ciências Naturais da FURB foi criado em 1990 com a participação dos professores de Botânica Alceu Natal Longo e Lucia Sevegnani. Com o aumento da demanda de pesquisa e estudo de docentes e alunos do curso de Ciências Biológicas, bem como necessidade de local para o incipiente herbário, para as coleções didáticas e científicas, e para o acervo bibliográfico resultantes das pesquisas em campo, houve necessidade de ampliação no espaço físico.


Com a chegada dos novos professores, Karin Esemann de Quadros, Sidney Luiz Stürmer e Alexandre Uhlmann, o laboratório teve ampliação física, totalizando 129 m², equipamentos e linhas de pesquisa e extensão. Atuam hoje junto ao Laboratório os professores Dr. Sidney Stürmer, Dr. André Luís de Gasper e MSc. Roberta Andressa Pereira, que estão no laboratório desde 2002, 2014 e 2015, respectivamente, além do técnico Morilo José Rigon Junior, que está no laboratório desde 2014, uma monitora e bolsistas de projetos específicos dos professores do laboratório.


O Laboratório tem como objetivos:

  • Desenvolver pesquisas científicas nas áreas de Anatomia Vegetal, Botânica Sistemática e Taxonomia, Ecologia Vegetal e Micologia e suas interfaces com demais áreas de conhecimento;
  • Propiciar ambiente de estudo aos acadêmicos em nível de graduação e pós-graduação através de local de pesquisa de iniciação científica, mestrado e doutorado, extensão, bem como apoio didático aos acadêmicos dos cursos afins;
  • Promover apoio ao ensino de graduação e pós-graduação junto aos docentes e discentes através de sua estrutura física, equipamentos e monitorias;
  • Manter as coleções biológicas associadas (Herbário Dr. Roberto Miguel Klein e CICG - Coleção Internacional de Cultura de Glomeromycota) como referências científicas;


Fontes de financiamento: FAPESC, CNPq, INCT´s.

SÍMBOLO


A árvore símbolo do estado de Santa Catarina e também a planta símbolo do laboratório é uma imbuia: Ocotea porosa (Nees & C. Mart.) Barroso (Lauraceae); A prancha ao lado foi desenhada por Diana Marques para o 50º Congresso Nacional de Botânica ocorrido em Blumenau, SC, em 1999, nesta Universidade, como símbolo do mesmo.

Ocotea porosa por Diana Marques