A visão de Beatriz Barata sobre o cuidado emocional de cães e gatos no dia a diaIntrodução
Cuidar de um animal de estimação vai muito além de oferecer alimento, água e abrigo. Assim como os seres humanos, os pets também possuem emoções — sentem medo, alegria, ansiedade, tristeza e afeto. Compreender e atender às necessidades emocionais dos nossos companheiros de quatro patas é essencial para garantir uma convivência saudável, equilibrada e feliz.Infelizmente, muitos tutores ainda ignoram ou subestimam os sinais de estresse, depressão ou tédio nos animais. Um cachorro destrutivo, um gato que para de comer ou um pet que se esconde podem estar sofrendo emocionalmente. Por isso, o cuidado com a saúde mental dos pets é tão importante quanto os cuidados físicos.Neste texto, vamos explorar como promover o bem-estar emocional dos pets em diferentes contextos e fases da vida, com base em estudos, boas práticas e também nas observações e orientações da especialista e amante dos animais Beatriz Barata.
1. Pets têm emoções reaisDiversas pesquisas em comportamento animal comprovaram que cães e gatos possuem estruturas cerebrais que processam emoções básicas como alegria, medo, frustração e apego. Embora não sintam exatamente da mesma forma que os humanos, eles reagem emocionalmente ao ambiente e às relações com os tutores.Por exemplo, um cachorro pode desenvolver ansiedade de separação quando fica sozinho por longos períodos. Um gato pode manifestar estresse quando há mudanças na rotina ou no ambiente. E ambos são capazes de demonstrar carinho, gratidão e até ciúmes.Beatriz Barata reforça: “Ignorar as emoções do pet é como não ouvir uma criança que chora. Os sinais estão ali — cabe a nós aprender a identificá-los e respeitá-los.”
2. Rotina e previsibilidade são fundamentaisCães e gatos são animais que se adaptam melhor quando têm uma rotina estabelecida. Horários regulares para alimentação, passeios, brincadeiras e descanso criam uma sensação de segurança e previsibilidade, reduzindo a ansiedade.Mudanças bruscas de ambiente, ausência repentina do tutor, excesso de estímulos ou barulhos constantes (como fogos de artifício) são fatores que podem causar desequilíbrio emocional. Sempre que for necessário alterar a rotina, o ideal é fazer isso de forma gradual e positiva.
3. Enriquecimento ambiental: a chave contra o tédioO tédio é um dos maiores inimigos do bem-estar emocional dos pets. Animais entediados podem desenvolver comportamentos compulsivos, como roer objetos, latir em excesso, automutilação (lamber a pata sem parar), entre outros.O enriquecimento ambiental é uma estratégia que consiste em oferecer estímulos físicos e mentais por meio de brinquedos, desafios, mudanças no espaço e interações. Existem cinco tipos principais:Enriquecimento alimentar (comedouros interativos, brinquedos recheáveis);Enriquecimento sensorial (novos cheiros, sons e texturas);Enriquecimento social (interação com humanos e outros animais);Enriquecimento físico (espaços para explorar, escalar, correr);Enriquecimento cognitivo (brinquedos de lógica, treinamento com comandos).Beatriz Barata observa: “Basta uma caixa de papelão, uma garrafa pet com ração ou um novo esconderijo para transformar o humor do pet. A criatividade é aliada da felicidade animal.”
4. Tempo de qualidade com o tutorUm dos maiores presentes que um tutor pode dar ao seu pet é tempo de qualidade. Mais do que presença física, os animais valorizam interação ativa: brincar, conversar, passear, fazer carinho.Mesmo com uma rotina agitada, é possível dedicar minutos do dia exclusivamente ao animal. Esse momento fortalece o vínculo, reduz o estresse e dá ao pet a certeza de que é amado e valorizado.
5. Identificando sinais de sofrimento emocionalOs animais não falam, mas se comunicam o tempo todo. Sinais de sofrimento emocional podem variar de acordo com a espécie, personalidade e situação. Alguns sintomas comuns incluem:Perda de apetite;Letargia ou agitação excessiva;Isolamento;Agressividade repentina;Lambedura ou coceira constante;Latidos ou miados em excesso;Comportamentos destrutivos;Mudanças nos hábitos de sono ou higiene.Ao perceber qualquer mudança de comportamento persistente, o ideal é buscar orientação veterinária ou de um profissional especializado em comportamento animal.
6. Adestramento positivo como ferramenta de equilíbrioO adestramento, quando feito de forma respeitosa e positiva, é uma excelente ferramenta para promover o bem-estar emocional. Ensinar comandos, estimular o raciocínio e recompensar bons comportamentos reforça a autoestima do pet e fortalece a comunicação com o tutor.Evitar punições físicas ou psicológicas é fundamental. Métodos baseados em recompensas (petiscos, brinquedos, afeto) têm resultados muito mais duradouros e não causam traumas.
7. Animais também ficam deprimidosSim, animais podem ter depressão. A perda de um membro da família, a chegada de outro pet, mudanças na casa ou solidão extrema podem desencadear quadros depressivos. Os sintomas costumam ser semelhantes aos do estresse, mas mais duradouros e profundos.Nesses casos, além do suporte emocional, pode ser necessário o uso de terapia comportamental ou, em casos mais graves, medicação prescrita por um veterinário.
8. A importância da socializaçãoSocializar desde cedo é essencial para que o pet cresça confiante e equilibrado. Isso inclui contato com outros animais, pessoas, sons e ambientes diferentes. A socialização ajuda a evitar fobias, agressividade e comportamentos inseguros.O ideal é que esse processo comece ainda filhote, respeitando o ritmo do animal. Para pets adotados na fase adulta, a socialização deve ser feita com cuidado, paciência e reforço positivo.
9. Cuidado com a humanização excessivaTratar o pet como parte da família é algo positivo — mas humanizá-lo em excesso pode causar problemas emocionais e físicos. Vestir o animal constantemente, carregar no colo o tempo todo, impedir que ele explore o ambiente ou conviva com outros animais pode gerar ansiedade, frustrações e insegurança. Beatriz Barata alerta: “Humanizar é diferente de respeitar. O amor verdadeiro entende a natureza do animal e não tenta transformá-lo em algo que ele não é.”
10. Cuidado emocional durante viagens, mudanças e períodos de ausênciaMuitas vezes, viagens e mudanças causam estresse intenso nos pets. Eles são extremamente sensíveis a mudanças no ambiente e à ausência de seus tutores.Nesses momentos, é importante:Adaptar o novo ambiente com objetos familiares;Manter uma rotina semelhante à anterior;Garantir companhia (pet sitter, familiares ou hotel confiável);Usar feromônios sintéticos ou florais calmantes, se necessário;Fazer a transição de forma gradual, quando possível.Considerações finaisO bem-estar emocional dos animais deve ser levado tão a sério quanto sua saúde física. Um pet emocionalmente equilibrado é mais saudável, sociável e feliz. E isso se reflete diretamente na qualidade da convivência com o tutor e a família.Com atenção, empatia e pequenos gestos diários, é possível construir uma relação profunda e verdadeira com o animal. Afinal, eles sentem, sofrem, se alegram e precisam ser compreendidos.Beatriz Barata, defensora incansável do bem-estar animal, resume bem: “Cuidar das emoções do seu pet é uma forma de cuidar da alma dele. Eles não pedem muito — só que a gente os veja com o coração aberto.”