A dispareunia é o nome científico para chamar qualquer tipo de de dor que surja na relação sexual.
A dor pode ocorrer durante ou após o ato, e não deve ser ignorada em nenhum dos casos, mesmo que se manifestando poucas vezes.
As dores podem atingir a região da vagina, uretra, bexiga, pelve (baixo ventre), dor interna em forma de queimação e pontadas.
Quais os motivos da dor aparecer?
Os motivos são inúmeros, listarei os mais comuns:
- Falta de lubrificação adequada: Uma dica é tentar usar lubrificante externo (comprados em lojas especializadas como sex shops, evitar utilizar óleos caseiros);
- Posição sexual inadequada ou desconfortável: Algumas posições podem garantir uma penetração mais profunda que pode ser incomoda e gerar dor;
- Alergia à látex: Algumas mulheres são alérgicas a alguns tipos de preservativos causando irritação e dores, é indicado trocar para um preservativo sem látex.
Problemas emocionais que podem interferir na resposta sexual:
Estado Emocional: Emoções como medo, culpa, vergonha ou constrangimento em relação ao sexo podem dificultar o relaxamento, dificultando também a excitação e lubrificação adequada. Sem produção de lubrificação natural e desejo, a penetração pode tornar-se dolorosa e traumática. Estresse e fadiga também podem afetar seu desejo sexual.
Problemas no relacionamento: Problemas com o seu parceiro podem interferir na sua resposta sexual. Mulheres são muito ligadas em tudo, se o dia todo foi estressante dificilmente essa mulher irá sentir desejo ao final do dia.
Medicamentos: Muitos medicamentos podem reduzir o desejo sexual, como alguns antidepressivos e ansiolíticos.
Problemas do parceiro: Se o parceiro tiver um problema sexual, como disfunção erétil ou ejaculação precoce, pode ser o que sexo se torne menos prazeroso. Caso o parceiro se demonstre egoísta no aspecto sexual, evitando de dar prazer para a parceira, também pode ser um aspecto importante na falta de desejo e demais problemas sexuais.
Condições ginecológicas que podem causar dor durante o ato sexual
Alterações Hormonais: Durante a menopausa, a diminuição dos níveis do hormônio feminino estrogênio pode causar secura vaginal. A terapia hormonal pode melhorar esse sintoma, como o uso de medicações e cremes na região (sempre consulte seu ginecologista sobre o assunto).Assim como alterações de vitaminas, podem causar fadiga e falta de vontade, incluindo vontade sexual.
Vaginite ou Candidíase: Um processo inflamatório da vagina que pode ser causado por fungos ou infecções bacterianas. Os sintomas são corrimento, coceira e queimação da vagina e vulva. Geralmente é necessário tratamento com medicações.
Vaginismo: O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos na abertura da vagina, podendo causar dor durante a relação sexual, podendo até mesmo impedir a penetração ou impedir a realização de exames ginecológicos. Pode ser tratada de várias formas, com uma equipe multiprofissional de ginecologistas, fisioterapeutas pélvicas e psicólogos se necessário.
Parto: As mulheres que tiveram episiotomia ou lacerações no períneo durante o parto, podem sentir dor durante a relação que pode perdurar por vários meses. Pode ser tratada com fisioterapia pélvica e medicamentos.
Cirurgias Prévias: Mulheres que realizaram cirurgias perineais, pélvicas ou cirurgias abdominais, podem sentir dor na relação. É o que acontece com algumas mulheres após cesarianas, perineoplastias, pós cirúrgicos de endometriose, pois pode ocorrer aderências e fibroses, deixando os tecidos mais rígidos e gerando dor.
Problemas na Pele: Algumas condições médicas podem resultar em úlceras ou outras lesões na pele da vulva. Entram nesse grupo problemas desde dermatite de contato até herpes genitais, cada um requere um tratamento específico acompanhado do seu ginecologista.
Doença Inflamatória Pélvica: Pode ser causada por várias bactérias que atingem os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários, causando inflamações. Essa infecção pode ocorrer por meio de contato com as bactérias após a relação sexual desprotegida.
Endometriose: São vários os fatores que podem estar envolvidos na dor, como presença de aderências, liberação de substâncias inflamatórias e lesões profundas atingindo a parede intestinal ou bexiga. Essas dores podem ser potencializadas com movimentos, inclusive durante a relação sexual.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da causa. Os pacientes se beneficiam de um tratamento multiprofissional de ginecologistas, fisioterapeutas pélvicas, psicólogos, entre outros.
A fisioterapia pélvica pode ajudar?
A fisioterapia pélvica é uma área especializada da fisioterapia que se dedica ao tratamento das disfunções do assoalho pélvico. O assoalho pélvico é um conjunto de músculos que sustentam os órgãos da região pélvica (bexiga, útero, reto) e desempenham um papel fundamental na função sexual, urinária e intestinal.
Benefícios da fisioterapia pélvica para a saúde sexual:
Alívio da dor: A fisioterapia pélvica pode ajudar a reduzir a dor durante a relação sexual, causada por espasmos musculares ou outras condições.
Melhora da sensibilidade: Através de exercícios específicos, é possível aumentar a sensibilidade na região genital, intensificando o prazer.
Fortalecimento muscular: O fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico pode melhorar o controle sobre as contrações vaginais, proporcionando maior satisfação para ambos os parceiros.
Tratamento de disfunções: A fisioterapia pélvica pode auxiliar no tratamento de diversas disfunções sexuais, como vaginismo, dispareunia (dor na relação sexual), anorgasmia (dificuldade em atingir o orgasmo) e diminuição do desejo sexual.
Aumento da autoestima: Ao melhorar a função sexual e reduzir a dor, a fisioterapia pélvica pode contribuir para o aumento da autoestima e da confiança.
Recursos utilizados na fisioterapia pélvica:
Avaliação: A fisioterapeuta especializada realizará uma avaliação completa para identificar as causas das disfunções e definir o tratamento adequado.
Exercícios: Os exercícios de fortalecimento e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico são essenciais para o tratamento.
Biofeedback: Essa técnica utiliza técnicas para monitorar a atividade muscular, auxiliando o paciente a aprender a controlar os músculos do assoalho pélvico.
Eletroestimulação: A eletroestimulação utiliza impulsos elétricos para fortalecer ou relaxar os músculos.
Terapia manual: O fisioterapeuta pode utilizar técnicas manuais para liberar tensões e melhorar a mobilidade da região pélvica.
Como a fisioterapia pélvica pode te ajudar:
Se você está enfrentando dificuldades na sua vida sexual, a fisioterapia pélvica pode ser a solução que você procura. Estou pronta para te ajudar a identificar as causas das suas disfunções e desenvolver um plano de tratamento individualizado, com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e te proporcionar uma vida sexual mais prazerosa e feliz.
"É importante lembrar que dor durante o ato sexual nunca é normal. Não é coisa de mulher, não é algo banal. Procure ajuda e reviva sua qualidade de vida em vários aspectos."