Estilo de escrita do autor Décio Martins de Medeiros

 

Há autores que escrevem para entreter. Outros escrevem para registrar. Alguns escrevem para ensinar. E há aqueles, mais raros, que escrevem para construir um legado.

O estilo de escrita de Décio Martins de Medeiros pertence claramente a esta última categoria: uma escrita que nasce do compromisso com a verdade, com a reflexão e com a transmissão de valores duradouros.

Ao longo de uma obra vasta e multifacetada, que atravessa campos tão diversos quanto a teologia, a genealogia, a ética, o xadrez, a história e a criatividade, o autor revela uma marca essencial: a busca constante por sentido.


Clareza como princípio

Uma das características mais evidentes da escrita de Décio Martins de Medeiros é a clareza. Sua formação como engenheiro e sua longa experiência profissional em ambientes técnicos e estratégicos moldaram uma linguagem objetiva, organizada e acessível.

Mesmo quando aborda temas complexos — sejam eles bíblicos, filosóficos ou históricos — o autor evita o obscurantismo. Seu texto é construído para ser compreendido. A clareza não é apenas uma escolha estilística: é uma forma de respeito ao leitor.


Didatismo sem rigidez

Outro traço marcante é o caráter didático de sua produção. Décio escreve como quem conversa, como quem orienta, como quem compartilha.

Há em seus livros um tom de mentor sereno: alguém que não pretende impor conclusões, mas oferecer caminhos. Essa postura faz com que o leitor se sinta acompanhado, e não conduzido à força.

Mesmo nos contos e narrativas, percebe-se uma intenção educativa e moral, não no sentido escolar, mas no sentido humano: o desejo de formar.


A presença constante dos valores

A escrita do autor é profundamente atravessada por valores como honestidade, caráter, fé, paz e esperança. Não se trata de um moralismo artificial, mas de uma coerência existencial.

Décio escreve aquilo que vive e vive aquilo que escreve. Essa unidade entre vida e obra confere autenticidade ao texto e gera confiança.

Sua literatura não busca o choque, mas a edificação.


Espiritualidade meditativa

Grande parte de sua obra dialoga com o cristianismo, mas o tom não é dogmático ou agressivo. O autor se aproxima da fé como contemplação, como meditação e como fonte de sentido.

Cristo, as Escrituras, o Natal, a Ressurreição e a esperança são temas recorrentes, tratados com reverência e profundidade.

Sua escrita espiritual se assemelha mais a um retiro interior do que a um debate religioso.


Estratégia e disciplina: a marca do xadrez

Outro elemento singular é a influência do xadrez e da mentalidade estratégica. Décio escreve como quem enxerga a vida como um tabuleiro: decisões graduais, visão de longo prazo, paciência e responsabilidade.

Há sempre a ideia do “próximo passo”, do avanço possível, do agir mesmo incompleto, do progresso como virtude.

Essa filosofia se traduz em textos que estimulam o leitor a pensar com método e serenidade.


Memória, raízes e continuidade

Sua produção genealógica e memorialista revela um autor preocupado com o tempo, com as origens e com a continuidade familiar.

Décio escreve para preservar. Seus livros são também arquivos afetivos, registros de linhagens, narrativas de infância, homenagens e reconstruções históricas.

Há em sua obra um profundo senso de pertencimento: o indivíduo como elo de uma corrente maior.


Uma escrita de legado

Mais do que produzir livros, Décio Martins de Medeiros constrói uma biblioteca de reflexões e testemunhos.

Seu estilo é o de um autor que não escreve para a moda do momento, mas para o futuro. Um escritor que entende a palavra como patrimônio e a literatura como herança.

Em tempos de textos rápidos e descartáveis, sua escrita se apresenta como resistência: um convite à leitura lenta, ao pensamento estruturado e à esperança duradoura.


Conclusão

O estilo de Décio Martins de Medeiros é, acima de tudo, um estilo de compromisso: com a clareza, com a fé, com a inteligência, com os valores e com o leitor.

É uma escrita que une o rigor do engenheiro, a sensibilidade do poeta e a serenidade do homem que deseja deixar algo útil para além de si mesmo.

Uma literatura que não apenas conta histórias, mas compartilha vida.