Por Joquebede Cacau
A Sala de Aula Invertida é uma concepção de ensino e de aprendizagem que começou a ser estudada a partir do ano 2000, mas foi em 2007 que essa prática se consolidou pelos americanos Jonathan Bergmann e Aaron Sams. Sua teoria e prática são consideradas processos desenvolvidos entre professores e alunos (Conceição et al., 2017). Para estes autores, isso significa que a parte teórica, ao contrário do ensino tradicional que preconiza dentro da sala de aula, será estudada em casa, previamente à aula, e a parte prática, de dúvidas, atividades de aplicação e aprofundamento serão desenvolvidas na sala com alunos e professor. Nesse processo, o professor é mais um orientador, colaborador, incentivador do que somente um “passador de conteúdo”. Nesse sentido, a sala de aula invertida, inverte os métodos tradicionais de ensino, e modifica a estrutura do processo de aprendizagem.
Dessa forma, estudantes e professores interagem a partir da organização e orientações do material da aula disponibilizada pelo professor em um ambiente virtual de aprendizagem, com o intuito de viabilizar uma ação colaborativa de aprendizagem. O professor nessa nova forma de ensinar e aprender atuará como fomentador de questões e facilitador da aprendizagem.
O CONCEITO DE SALA DE AULA INVERTIDA
Jonathan Bergmann e Aaron Sams são pioneiros na aplicação da SAI. Foi a partir do uso de video aulas por esses dois professores de química que o método se popularizou e ganhou destaque, embora a ideia de que o aluno estudasse a teoria em casa e usasse o tempo em sala de aula para realizar atividades práticas não seja recente - na década de 90 algumas instituições de ensino superior norte americanas como o MIT já usavam a técnica - (Bergmann & Sams, 2016).
Em seu livro “Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem”, os autores relatam que inicialmente produziam as vídeo aulas e enviavam para alunos que tinham dificuldades de frequentar regularmente a escola por motivos diversos. Com o passar do tempo, eles perceberam que se os alunos assistem os vídeos antes da aula presencial, haveria mais tempo livre para avaliações, atividades práticas etc. Para eles, usando a SAI, o professor promove aos alunos um processo de aprendizagem contínuo, que acontece em diferentes espaços e possibilita ampliar seus estudos, conhecimentos, e ainda desenvolver habilidades de comunicação, gestão e autonomia (idem).
Segundo conteúdo da Flipped Learning Network (FLN, 2014), há quatro pilares para a SAI: flexibilidade, cultura de aprendizagem, conteúdo dirigido e um educador profissional. Na prática da SAI é preciso flexibilizar os espaços de aprendizagem, o tempo de estudo, a sequência em que os conteúdos são estudados e os métodos de avaliação. Isso permite personalizar o ensino, respeitando o ritmo de aprendizagem e o modo de aprender de cada aluno. Com o foco do curso direcionado para o aluno, a cultura de aprendizagem se estabelece, o que se significa que a responsabilidade sobre o processo de aprender é do aluno, não do professor. O aluno é levado a buscar informação e aprender o máximo que puder por si mesmo, explorando recursos variados: livros, internet, jogos, filmes etc.
Além disso, na SAI o conteúdo é dirigido intencionalmente pelo professor, que decide, a partir dos objetivos de aprendizagem propostos, o que ele precisa ensinar e o que o aluno deve aprender por si só. A FLN propõe ainda, que para aplicar a SAI o professor precisa ser o que se nomeia de educador profissional: um professor que planeja, executa e reavalia o próprio trabalho constantemente, que fornece feedback imediato aos alunos durante a aula, avaliando o trabalho; que conecta-se com outros professores em busca de inovação e troca experiências e que consegue tolerar o “caos controlado” nas suas aulas gerado pela variedade de atividades realizadas ao mesmo tempo por grupo de alunos ou por aqueles que trabalham individualmente.
Para Bergmann (2016), a sala de aula nesta nova abordagem abre espaços efetivos para a criação de uma rede cooperativa de alta interação, que possibilita o debate e a argumentação (p. 18). Desse modo a aula se torna mais interessante para o aluno, que interage e participa de forma dinâmica. Ao mesmo tempo, o professor oferece uma atendimento mais personalizado ao aluno, identificando seus conhecimentos prévios, suas dificuldades e que estratégia pode ser mais eficaz para cada aluno, tornando a aprendizagem mais significativa.
REFERÊNCIA
BERGMANN, J.; SAMS, A. Flip your classroom reach every student in every class every day. Alexandria: ASCD-ISTE, 2012.