Artigos sobre Psicologia, Comportamento e Bem-Estar
Aqui você encontra alguns pontos sobre psicologia, comportamento humano, saúde mental e desenvolvimento emocional. Se você tem dúvidas sobre começar a terapia, quer entender melhor suas emoções ou busca informações confiáveis sobre temas como ansiedade, autoestima, limites e autoconhecimento, este espaço foi feito para você.
Aqui, psicologia é uma ferramenta de vida pra você – não precisa estar em crise para buscar se conhecer melhor.
Como saber o momento certo para buscar ajuda psicológica?
Por Arthur Marra – Psicólogo | CRP: 04/72325
Muita gente só pensa em procurar um psicólogo quando a vida já saiu completamente do controle. Mas será que é necessário esperar chegar ao limite para buscar ajuda?
A verdade é que a terapia não serve apenas para lidar com crises. Ela também é um espaço de autoconhecimento, prevenção e desenvolvimento emocional. Neste artigo, vamos refletir sobre quando pode ser o momento certo de procurar um psicólogo, quais sinais indicam que sua saúde emocional merece atenção e por que buscar ajuda profissional é um gesto de cuidado — não de fraqueza.
Nem sempre percebemos que estamos sofrendo emocionalmente. O desconforto pode se acumular aos poucos, até se tornar parte da rotina. Abaixo estão alguns sinais comuns que indicam que a terapia pode ser necessária:
Sensação frequente de esgotamento emocional ou vazio
Dificuldade para tomar decisões, mesmo as mais simples
Crises de ansiedade, irritabilidade ou alterações bruscas de humor
Sensação de viver no automático, com baixa motivação
Problemas recorrentes nos relacionamentos (com familiares, parceiros ou no trabalho)
Alterações no sono ou no apetite sem causa física aparente
Dificuldade para lidar com perdas, mudanças ou frustrações
Sentimento constante de inadequação ou autocrítica excessiva
Esses sinais não significam que você está "quebrado". Eles apenas indicam que sua mente está pedindo atenção — e que talvez seja hora de dividir esse peso com alguém preparado para escutar e ajudar.
Existe um mito muito comum: o de que terapia é só para quem está em crise. Na prática, a psicologia também atua como uma ferramenta de prevenção e crescimento.
Muitas pessoas buscam terapia para:
Desenvolver autoestima e segurança pessoal
Melhorar a qualidade dos relacionamentos
Refletir sobre escolhas de vida, trabalho ou estudos
Aprender a lidar com frustrações e limites
Trabalhar aspectos emocionais que vêm se repetindo
Ou seja, terapia também é um caminho para viver com mais consciência, mais presença e mais clareza.
Essa é uma dúvida muito comum para quem nunca fez terapia. É importante saber que você não precisa chegar à sessão com um roteiro pronto. O papel do psicólogo é justamente ajudar a organizar o que está confuso e a dar nome ao que, às vezes, nem você sabe como explicar.
Você pode começar falando sobre sua semana, sobre algo que te incomodou ou até dizendo: “Não sei por onde começar”. Isso já é um ponto de partida.
Reconhecer que precisa de apoio é um sinal de coragem e responsabilidade emocional. Assim como cuidamos do corpo, a mente também precisa de atenção e acolhimento.
Buscar terapia é um ato de cuidado com a própria história. É dizer: “Minha saúde mental importa”.
Quando procurar um psicólogo?
Você não precisa estar em colapso para iniciar o processo terapêutico. Alguns indícios de que pode ser o momento certo podem ser:
Dificuldade para lidar com sentimentos que se repetem
Relações desgastadas por padrões emocionais que você não compreende bem
Sensação de desconexão com você mesmo, suas escolhas e desejos
Desejo de se conhecer melhor e lidar de forma mais saudável com a vida
A terapia é um espaço de escuta, reflexão e transformação. E se você chegou até este texto, talvez já esteja dando o primeiro passo.
Diferenças, sintomas e quando se preocupar
Por Arthur Marra – Psicólogo | CRP: 04/72325
É comum ouvir alguém dizendo "estou muito ansioso" ou "essa semana foi estressante demais", mas será que sabemos, de fato, qual é a diferença entre ansiedade e estresse? E, mais importante, como saber quando é hora de procurar ajuda?
Neste artigo, você vai entender como essas experiências emocionais se manifestam, como diferenciá-las e em que momento o apoio psicológico pode ser um passo importante para recuperar o equilíbrio.
O estresse é uma resposta do organismo a situações que exigem adaptação. Ele costuma aparecer diante de demandas externas como prazos, conflitos, sobrecarga de tarefas ou mudanças inesperadas.
Em um paciente que atendia em fase de vestibular, por exemplo, era comum ver sinais como cansaço mental, dificuldade para dormir e um aumento na irritabilidade. O estresse dele fazia sentido diante da rotina intensa e da pressão familiar. O que ajudou nesse caso foi construir uma rotina mais sustentável e trabalhar estratégias de autorregulação.
Sintomas comuns de estresse incluem:
Tensão muscular
Irritabilidade
Cansaço físico ou mental
Dores de cabeça
Insônia pontual
Preocupação com situações específicas
Na maioria das vezes, o estresse diminui quando a situação que o provoca é resolvida. Ele é reativo e, em certa medida, adaptativo.
A ansiedade também é uma resposta do nosso corpo, mas voltada à antecipação de ameaças. Diferente do estresse, que tem um foco claro, a ansiedade pode surgir mesmo quando o perigo é incerto ou não está presente no momento.
Atendi uma jovem que dizia sentir o coração disparar toda vez que precisava sair de casa, mesmo sem saber exatamente o motivo. Ela ficava o dia inteiro antecipando situações negativas: “E se eu passar mal? E se não conseguir voltar?” Esse tipo de ansiedade não vinha de um evento específico, e sim de um padrão interno de antecipação constante do pior.
Quando a ansiedade se torna intensa, persistente e interfere na rotina, pode se tratar de um transtorno de ansiedade, e merece atenção profissional.
Alguns sintomas frequentes:
Pensamentos acelerados ou sensação de que não consegue "desligar"
Medo constante de que algo ruim aconteça
Dificuldade de concentração
Taquicardia, sudorese, tensão no peito
Falta de ar ou sensação de sufocamento
Evitação de situações que geram desconforto
Fadiga ao longo do dia, mesmo sem esforço físico excessivo
Embora estejam ligados, estresse e ansiedade não são sinônimos. Veja algumas diferenças práticas:
Causa
Estresse: tem uma causa identificável, como uma prova ou uma reunião difícil
Ansiedade: pode surgir sem motivo claro, muitas vezes ligada à antecipação
Duração
Estresse: costuma ser passageiro e desaparecer quando a situação se resolve
Ansiedade: pode persistir por semanas ou meses, mesmo sem gatilho aparente
Impacto
Estresse: afeta o humor e o rendimento temporariamente
Ansiedade: interfere no sono, na saúde física e nas relações, com impactos mais duradouros
Você não precisa esperar "chegar ao limite" para procurar apoio profissional. A psicoterapia pode ser indicada quando:
As preocupações estão constantes e difíceis de controlar
Há um sentimento de angústia mesmo em momentos de descanso
Você evita situações por medo ou insegurança
O sono está prejudicado com frequência
Atividades simples se tornaram desgastantes
O corpo apresenta sinais repetitivos, como cansaço, dores ou tensões
Recebo com frequência pacientes que chegam dizendo "achei que era só uma fase" ou "achei que ia passar sozinho". E, muitas vezes, eles já estão há meses tentando lidar com tudo sozinhos. Começar a falar sobre o que se sente é o primeiro passo para sair do automático e se reconectar com o próprio bem-estar.
Tanto o estresse quanto a ansiedade fazem parte da experiência humana. Sentir medo, preocupação ou tensão em certos momentos é esperado. O problema está na frequência, intensidade e impacto que esses sentimentos causam.
Buscar ajuda psicológica não é um sinal de fraqueza, mas de coragem e cuidado. Psicoterapia é, antes de tudo, um espaço de escuta, entendimento e construção de estratégias para lidar com a vida com mais consciência e equilíbrio.
Se você se identificou com algo do que leu aqui, saiba que não está sozinho. A psicologia pode ser uma aliada nessa caminhada.
Por Arthur Marra – Psicólogo | CRP: 04/72325
Você já se pegou vivendo no piloto automático? Acorda, faz o que precisa ser feito, responde mensagens, assiste algo para relaxar, dorme… e no dia seguinte tudo se repete. Em algum momento, entre uma tarefa e outra, surge uma pergunta silenciosa: "É só isso mesmo?"
Essa sensação de estar desconectado da própria vida é mais comum do que parece. Muitos pacientes chegam até a terapia sem uma queixa específica. Dizem apenas que "parece que a vida está passando e eu não estou acompanhando", ou que "faz tempo que não sinto nada de verdade".
Esse estado de viver sem presença emocional, sem entusiasmo e sem clareza, é o que chamamos de modo automático. E é possível sair dele. A psicologia pode ajudar a retomar o contato com aquilo que você sente e deseja.
Viver no automático é seguir a rotina sem perceber como você realmente está. É agir sem refletir, reagir sem entender, tomar decisões por obrigação, e não por escolha.
Alguns sinais comuns incluem:
Sensação de vazio mesmo quando tudo parece estar “em ordem”
Dificuldade de lembrar o que fez durante a semana
Irritabilidade constante, sem saber o motivo
Falta de motivação ou prazer em coisas que antes eram importantes
Procrastinação e cansaço emocional mesmo após descanso
Um exemplo comum é de pessoas que trabalham o dia inteiro, voltam para casa exaustas e sentem que o tempo simplesmente desapareceu. Ou ainda, quem preenche a agenda com atividades e compromissos, mas sente que nada tem real significado. Tudo se torna funcional, prático, sem conexão com o que realmente importa.
Existem diferentes razões que levam alguém a esse estado. Algumas das mais frequentes incluem:
Quando o dia a dia se resume a cumprir tarefas e “dar conta de tudo”, a mente entra em modo de sobrevivência. Nesse estado, priorizamos apenas o que é urgente. Não há espaço para escuta interna, nem para sentir com profundidade.
Muitas pessoas foram ensinadas desde cedo a não demonstrar ou valorizar o que sentem. Frases como "não é hora de chorar", "não reclama", ou "engole o choro" são comuns em muitas infâncias. O resultado é uma desconexão emocional crônica, que acompanha a vida adulta.
Sentir pode ser desconfortável. Algumas emoções vêm acompanhadas de culpa, tristeza ou angústia. Por isso, ignorar ou evitar o sentir pode parecer mais seguro no curto prazo.
Um paciente relatava que evitava ficar sozinho em casa, pois quando o silêncio chegava, ele se sentia angustiado sem saber exatamente por quê. Outro dizia que precisava estar sempre “resolvendo algo” porque, quando parava, surgiam pensamentos e sentimentos difíceis de lidar.
Vivemos em uma cultura acelerada, que valoriza a produtividade e a performance. O silêncio e o tempo para si mesmo muitas vezes são vistos como perda de tempo. Mas é justamente nesses espaços de pausa que conseguimos nos escutar.
A terapia é um convite ao autoconhecimento. Ela oferece um espaço seguro para que você possa observar, nomear e compreender o que sente. Mais do que tratar sintomas, ela ajuda a reorganizar sua forma de estar no mundo.
Você aprende a perceber suas emoções com mais clareza, reconhecendo o que está sentindo e por que. Isso não só diminui a sensação de confusão, como também fortalece a autonomia emocional.
Com o tempo, é possível perceber repetições inconscientes. Atitudes, escolhas e reações que se repetem, mesmo que você já saiba que elas não te fazem bem. Ao entender esses padrões, você passa a ter mais liberdade para agir de forma diferente.
Um jovem adulto em atendimento comentou que, toda vez que se sentia ansioso, mergulhava no celular por horas. Ele não percebia que fazia isso para fugir do incômodo. A partir do momento em que conseguimos nomear esse ciclo, ele começou a buscar outras formas de lidar com a ansiedade, sem se desligar de si.
Estar presente não é só uma ideia bonita. É uma habilidade que se aprende, se desenvolve e se fortalece. E ela começa nos detalhes: perceber o corpo, os pensamentos, os sentimentos, e criar pequenas pausas no dia para escutar o que está acontecendo internamente.
Muitas pessoas se cobram por estarem “desconectadas”, como se isso fosse sinal de fraqueza. Mas, na verdade, viver no automático muitas vezes foi uma forma de proteção. Entender isso permite que a mudança aconteça com mais compaixão e menos rigidez.
Buscar psicoterapia não exige uma crise profunda. Se você sente que está apenas existindo, e não vivendo de verdade, esse já é um sinal de que algo merece atenção. Pequenos desconfortos também são válidos. E cuidar de si é um gesto de respeito — não de fraqueza.
Muitas mudanças importantes começam assim: com uma dúvida, um incômodo leve, uma vontade de sentir mais presença na própria vida.
Viver no automático pode parecer uma forma eficiente de dar conta da vida. Mas a longo prazo, essa desconexão cobra um preço alto: perda de sentido, esgotamento emocional e dificuldade em tomar decisões com clareza.
A psicologia oferece caminhos para reconectar você com aquilo que sente, pensa e deseja. Não para te dar todas as respostas, mas para te ajudar a fazer perguntas mais honestas — e mais humanas.
Se você sente que algo está faltando, talvez seja hora de parar, respirar e se escutar. E isso, por si só, já é um ótimo começo.