A Nigéria possui o maior contingente populacional do continente. Estima-se que a população da Nigéria totaliza, aproximadamente, 154,7 milhões de habitantes. A população da Nigéria, fala aproximadamente 527 línguas, mas tem como o inglês a língua oficial. As principais crenças da Nigéria são o Islã, e o cristianismo.
A economia da Nigéria é rica em petróleo, mas é muito marcada por instabilidade política, corrupção e má gestão macroeconómica, atravessa uma reforma substancial, posta em prática pela nova liderança civil do país a partir de 2008.
Um dos capítulos da história mais antigas da Nigéria foi quando o povo nok (civilização do neolítico e da idade do ferro) se fixaram na área de Jos ao norte do país. E por volta do século XI que se tem notícia do estabelecimento de cidades-estado, reinos e impérios importantes, incluindo os reinos Hausa e a dinastia Borno ao norte, e os reinos de Oyo e Benin ao sul.
Os Portugueses foram os primeiros Europeus a chegarem na região, dando início a vários entrepostos comerciais e os trafico de escravos. Más por volta do século XIX o comércio de óleo de palma e da madeira acabaram substituindo o trafico de escravos.
Na segunda metade do século os britânicos(Reino Unido) vão consolidando o domínio sobre o país. Em 1914 a Nigéria é totalmente dominada e se transforma colônia onde em algumas áreas é estabelecida administração direta inglesa e em outras os europeus.
A Nigéria conquista sua independência em 1 de outubro de 1960 Desde o início, a jovem república sofre com a instabilidade política, que atinge seu auge em 1967, quando três estados do leste decidem se separar do país, formando a República de Biafra, iniciando um conflito com o governo em Lagos. A sangrenta guerra termina três anos depois, marcada pela grande violência de ambos os lados.
O conflito de Biafra revelou a crueldade dos governos Africanos e o drama de muitos civis. O mundo inteiro assistiu perplexo as imagens horrendas da população civil a morrer de fome por conta de um conflito armado que ocorreu em função das diferenças entre grupos étnicos da Nigéria.
A Nigéria se tornou independente em 1960, naquele momento lidava com dificuldades com sua herança colonial, que consistia em um território de extrema diversidade étnica, onde ficava difícil acomodar todas as etnias importantes do país no governo. Sua independência foi formada pela reunião do povo ibo com o povo hausa. Os ibos eram provenientes da província de Biafra, a leste do país, e formavam a elite da Nigéria. De uma forma geral eram os que tinham os melhores empregos e os melhores salários.
Aliado a isso, a Nigéria começava a demonstrar sua crônica instabilidade política e econômica, além dos primeiros sinais de corrupção estatal, características de toda sua história independente. Esses fatores se encontraram em 1966, quando ocorre uma guerra civil pelo controle do poder central. Em janeiro de 1966, um grupo de oficiais, na sua maioria da etnia ibo, dão um violento golpe de estado, onde irão assassinar o primeiro-ministro Sir Abubakar Tafawa Balewa, e os governadores da região norte e oeste, Ahmadu Bello e Ladoke Akintola, respectivamente (vale explicar que a Nigéria à época era dividida em apenas três regiões, Leste, Oeste e Norte). No entanto; seis meses depois, em um contragolpe, o novo governo foi derrubado e os ibos passaram a ser caçados e massacrados no país inteiro.
Os que conseguiram escapar fugiram para a sua província de origem e se declararam independentes. A província de Biafra era muito rica em petróleo. Por esse motivo, o governo não iria aceitar sua separação, tendo em vista que era a região mais rica do país. Fator que resultou numa guerra civil que teve início em 1967, e fim em 1970.
Morreram, aproximadamente, um milhão de pessoas, em sua maioria ibos. Biafra se rendeu e foi anexada novamente ao território da Nigéria. Desde o fim da guerra de Biafra, o país vem sendo governado por militares, a administração pública é dominada pela corrupção.
A Nigéria é um país que se localiza na região ocidental da África e constitui-se como a segunda maior “potência” do continente. Sua economia, nos últimos anos, vem registrando índices sucessivos de crescimento, tendo quadruplicado a sua posição ao longo da última década.
Além de ser a segunda maior economia, é também o segundo país mais industrializado da África, ficando atrás somente dos sul-africanos. Apesar dos contínuos crescimentos, a Nigéria está longe de apresentar uma economia sólida ou emergente. Isso porque a sua produção está diretamente dependente da exportação de petróleo, a principal matéria-prima do país. Tal fator propicia a concentração de renda e a chamada “fuga de capitais”, uma vez que o processo de extração e refino do petróleo é predominantemente realizado por empresas estrangeiras.
O país sofre os efeitos econômicos e industriais provenientes do período de colonização inglesa, que perdurou por cerca de 100 anos. Somam-se a esse fator os elevados índices de corrupção e os elevados níveis de endividamento do país, um dos maiores em toda a África.
O PIB, entre os anos de 2007 e 2011, cresceu acentuadamente graças aos expressivos preços do mercado externo do petróleo bruto e também da ascensão em setores não petrolíferos. O governo do Presidente Goodluck Jonathan, cujo mandato teve início em 2010, estabeleceu uma equipe econômica que anunciou planos para aumentar a transparência, diversificar o crescimento econômico e melhorar a gestão fiscal.
O presente estudo busca analisar a política externa da Nigéria, país com a maior população africana e um dos maiores produtores mundiais de petróleo, desde a independência do país até os dias atuais, e verificar a existência (ou não) de uma política externa consolidada e coordenada, e de objetivos e realizações. A Nigéria ficou independente em 1960 e, desde então, mesmo sem conseguir criar uma identidade nacional unificada e estando cercada por ex-colônias francesas, buscou adotar uma política externa ativa, tendo a África como seu foco principal. O apoio internacional recebido pelos secessionistas na Guerra de Biafra, entre 1967 e 1970, aliado à percepção de fragilidade interna, levou o governo nigeriano a realizar uma inflexão em sua política externa. Assim, a partir da década de 1970, a Nigéria viveu o auge de sua política externa, impulsionado, sobretudo, pelos altos lucros oriundos da produção de petróleo. As flutuações ocorridas no preço do produto, especialmente a partir da década de 1980, associadas à grande instabilidade interna do país, levaram a diversas alterações na condução de sua política externa, sem que, entretanto, a África deixasse de ser seu foco principal. A partir de uma perspectiva histórica, esse trabalho também analisa as relações internacionais da Nigéria a partir de uma estrutura de quatro círculos concêntricos, que foi adotada durante a década de 1980 e passou a nortear a elaboração da política externa do país desde então. Nesse contexto, são analisadas as relações da Nigéria com seus vizinhos imediatos (primeiro círculo), sua atuação na ECOWAS (segundo círculo), na Organização da Unidade Africana e na União Africana (terceiro círculo) e com atores externos ao continente (quarto círculo) – no caso EUA, França, Reino Unido e China. Conclui-se, a partir desse estudo, que a Nigéria, apesar da constante instabilidade política interna, herdada em grande parte do período colonial e reflexo do processo de formação de uma identidade nacional, logrou, desde sua independência, elaborar uma política externa propositiva, que foi capaz de estabelecer (e atingir) diversos objetivos, contribuindo para que o país se destacasse como a liderança da sua região.