Definição, funções e usos de esquemas de metadados em acervos museológicos
Camila da Silva | 15 de junho, 2020 | 5 min. de leitura
Esquema de metadados é um padrão de estrutura de dados. Ele é composto por elementos que servem para descrever informações sobre objetos museológicos. Idealmente, os museus devem aderir à um padrão de dados para definir, ao menos, um conjunto de metadados básicos que possibilitem a identificação e a representação de cada obra dentro de uma coleção.
Estruturados em um esquema, os metadados são relacionados e agrupados segundo suas características em comum. A adoção de um esquema de metadados pode fortalecer boas práticas em uma instituição, facilitar e potencializar a recuperação de informações sobre uma obra de arte e tornar essas informações mais acessíveis para diversos públicos. Além disso, “metadados de alta qualidade, baseados em padrões e independentes de um sistema” informatizado podem ter diferentes aplicações; assim estruturados, a sua migração também poderá ocorrer (Baca, 2016).
Dicionário de dados: designação e definição de um metadado
Cada metadado pertencente à um esquema deve possuir uma designação e uma definição para seu melhor entendimento e aplicação, tanto para as gerações atuais de documentalistas e consulentes como para as gerações futuras. As designações acompanhadas de suas definições podem ser apresentadas em um dicionário de dados, tal como definido por Quigley e Sully (2010), ou em um manual elaborado internamente, ambos vinculados ao procedimento de catalogação do museu.
Desde que sejam atuais e reconhecidas pela comunidade museológica, diferentes diretrizes podem ser consultadas para determinar uma designação e uma definição para um determinado metadado. Aqui, foram utilizadas as Diretrizes Standard Procedures for Collections Recording Used in Museums 4.0 (SPECTRUM), a do CIDOC ICOM e a Categories for the Description of Works of Art (CDWA). Enquanto as duas primeiras são destinadas a diversas tipologias de objetos museológicos, a terceira é direcionada a obras de arte. Para ilustrar, serão explorados, a seguir, dois metadados comuns e básicos para a representação informacional de obras de arte, um referente ao criador e o outro ao tipo de objeto.
Metadado sobre o criador de uma obra
Para o metadado referente ao criador da obra, na Diretriz SPECTRUM 4.0, por exemplo, foram encontradas as denominações ‘Produção do objeto – indivíduo’ e ‘Produção do objeto – entidade (comunidade)’; na Diretriz do CIDOC ICOM, ‘Nome do grupo/indivíduo produtor; e na Diretriz CDWA, ‘Creator identity’ [Identidade do criador]. Essas Diretrizes apresentam definições próprias para os elementos mencionados. Em posse desses parâmetros, cabe ao museu eleger as designações e definições para cada um dos elementos que irão compor seu esquema de metadados, de acordo com suas necessidades.
Para o preenchimento do metadado referente ao criador da obra, recomenda-se o uso de uma autoridade de pessoa/organização, tal como o Virtual International Authority File (VIAF) ou a Union List of Artists Names (ULAN). Como exemplo, consulte o registro da artista brasileira Regina Silveira na ULAN. O uso de autoridades garante consistência na descrição informacional, isto é, um termo determinado como preferido (Silveira, Regina) será utilizado na atividade de catalogação. Já as variações do termo (Silveira, Regina Scalzilli) serão estabelecidas como termos não-preferidos que funcionarão como referências.
Metadado sobre o tipo de obra
A partir da mesma lógica exposta anteriormente, para o metadado referente ao tipo de obra foram encontradas na Diretriz SPECTRUM 4.0 a designação ‘Conteúdo – tipo do objeto’; na Diretriz do CIDOC ICOM, ‘Nome do objeto’ (nome alternativo ‘Tipo do objeto’); e na Diretriz CDWA, ‘Object/work type’ [Tipo de objeto/obra]. Do mesmo modo que no exemplo acima, esses elementos possuem definições em suas respectivas fontes. Um museu deverá estabelecer a definição apropriada aos seus objetivos institucionais.
O metadado referente ao tipo de obra é entendido como um elemento básico para a descrição de uma obra artística. Portanto, para cada obra de arte presente em um acervo é preciso atribuir um termo que represente o seu tipo. Para assegurar a padronização no preenchimento desse metadado, recomenda-se a consulta a tesauros, tal como o Art & Architecture Thesaurus (AAT). Na catalogação da obra O Paradoxo do Santo da artista Regina Silveira, por exemplo, poderia ser atribuído o termo ‘installation’ [instalação].
Mais metadados para objetos museológicos
Para mais metadados voltados para objetos museológicos, consulte as Diretrizes mencionadas e busque manter-se atualizado sobre elas e as demais possibilidades. O preenchimento de metadados exigirá o uso de diferentes recursos, como autoridades de pessoa/organização e de tesauros, tal como exemplificado. Mais orientações sobre esse tópico podem ser encontradas em Hapring (2016), versão traduzida para o Português.[1]
A obra O Paradoxo do Santo está localizada no acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP).
[1] A obra bibliográfica original pode ser acessada on-line. Harpring, Patricia. Introduction to Controlled Vocabularies: Terminology for art, architecture, and other cultural works. Los Angeles: J. Paul Getty Trust, 2010. Há uma edição atualizada, publicada em 2013.
Referências sugeridas:
HARPRING, Patricia. Cataloging Museum and Special Collections Works: Documentation, Indexing, Access with CDWA, CCO, and the Getty Vocabularies for museums and for visual resources professionals. Los Angeles: Getty Research Institute, 2019. (slide). Disponível em: https://www.getty.edu/research/tools/vocabularies/cco_cdwa_for_museums.pdf. Acesso em: 10 jun. 2020.
QUIGLEY, Suzanne; SULLY, Perian. “Computerized Systems”. Updated and Expanded by Perian Sully. In: BUCK, R.; GILMORE, J. A (Ed.). Museum Registration Methods. 5th ed. Washington DC: American Association of Museums/The AAM Press, 2010, p. 161–83.
Para saber mais:
CLIFFORD, M; GILL, M. J. An intro to "Intro to Metadata". In: The Iris: behind the scenes at the Getty. Los Angeles: J. Paul Getty Trust, 20 jul. 2016. Disponível em: http://blogs.getty.edu/iris/an-intro-to-intro-to-metadata/. Acesso em: 18 jul. 2020.
Palavras-chave: catalogação. esquema de metadados. metadado. padrão de estrutura de dados.
Atualizado em: 18 jul. 2020.