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A Red Latinoamericana de Antropología Digital é um espaço de intercâmbio onde convergem estudantes, profissionais e pesquisadores latino-americanos que, a partir de diversas disciplinas e perspectivas, tratam o digital como objeto, contexto, abordagem ético-metodológica ou plataforma de divulgação científica. Nesta ocasião, a Rede convoca para o VI Encuentro Latinoamericano de Antropología Digital: “Habitar o híbrido?: Descontinuidades, permanências e interstícios da digitalização”, que será realizado na modalidade virtual sincrônica nos dias 1, 2 e 3 de dezembro de 2026.
Para o #ELAD26, propomos questionar a hibridez como uma forma de integração harmônica, a fim de explorar as fissuras, tensões e desigualdades da digitalização da/na vida cotidiana. Estamos nos questionando sobre a relação entre a nossa necessidade de pertencimento (ancorada e determinada em territórios, memórias e corpos) e a exigência sistêmica de uma plasticidade permanente. Habitamos um entorno atravessado pela inteligência artificial, por algoritmos e pela plataformização do trabalho, lazer, criatividade e afetividade, em que o abstrato se encarna em experiências concretas. Esse cenário nos confronta com um contínuo de microrrupturas e com uma descontinuidade na qual as regras do jogo mudam aceleradamente, alterando sentidos, práticas e formas de relação e organização em nossa região.
No entanto, essas tensões não constituem um destino fechado, mas sim um espaço de conversa. Para pensar essa convergência entre o humano, o social e o tecnológico, recorremos aos entramados biológicos (rios, raízes, neurônios e redes nervosas) que se tecem com nós, pixels e circuitos. Esse tecido nos permite indagar tanto as consequências disruptivas da tecnologia quanto aquilo que permanece e persiste diante da digitalização. Para além da opacidade da “caixa-preta” algorítmica e da hipervisibilidade nas redes sociais, nos interessa habitar os interstícios — espaços intermediários onde emergem a apropriação tática, as agências locais, a resistência criativa, a soberania tecnológica e as respostas alternativas a partir da América Latina.
O encontro incluirá mesas de comunicações estruturadas em cinco eixos temáticos:
Materialidades, mídias e infraestruturas. Este eixo aborda pesquisas sobre tecnologias específicas em que o digital se torna um objeto de estudo por si só e, com isso, o centro da análise. Abrange trabalhos sobre o funcionamento de mídias sociais, plataformas digitais, videogames, entre outros.
Perspectivas éticas e metodológicas. Este eixo aprofunda discussões, experiências e etnografias que aplicam abordagens ético-metodológicas com perspectivas digitais, incluindo reflexões sobre o uso de técnicas computacionais e ferramentas de outras disciplinas para o estudo da tecnologia.
Contextos digitais, digitalizados e transformados. Este eixo abrange pesquisas que deem conta das transformações instigadas por diferentes tecnologias no contexto sociocultural e em suas dimensões políticas, econômicas e simbólicas, enquadrando nesses contatos o surgimento e a digitalização de fenômenos, processos e sujeitos coletivos.
Identidades, subjetividades e comunidades. Este eixo se aprofunda em como sujeitos e grupos que cohabitam em entornos digitais criam formas de expressão, vinculação e colaboração que transcendem as telas. Abrange estudos sobre os usuários de mídias sociais, plataformas digitais, videogames e outros ambientes afins.
Comunicação científica e organização por meio do digital. Este eixo se dedica a reflexões sobre experiências (individuais e coletivas) de utilização de tecnologias digitais para a difusão científica e para a organização de instâncias nas quais elas tenham tido um papel central.
Convocamos a submissão de trabalhos acadêmicos e de ciências sociais aplicadas (como estudos de caso, auditorias algorítmicas ou experiências em design ético), bem como relatos de experiência de trabalho e divulgação científica. Assim, buscamos reunir pesquisas dos campos da antropologia, sociologia, ciência política, arqueologia, comunicação, história, turismo, design e outras ciências sociais aplicadas e humanas, abrindo espaço para profissionais do setor tecnológico dialogarem com essas disciplinas e ambientes.
O evento contará com mesas de comunicações, oficinas e conferências de abertura/encerramento. A participação de ouvintes e comunicadores é gratuita, mediante inscrição e submissão prévia. Os trabalhos aceitos e apresentados serão compilados em um livro de resumos ao final do evento.
Convocatória de comunicações: A anunciar
Convocatória de oficinas: A anunciar
Avaliação de comunicações e oficinas: outubro – novembro de 2026
Anúncio de comunicações aceitas: A anunciar
Abertura de inscrições para ouvintes de oficinas e participantes do encontro: A anunciar
Oficinas: A anunciar
Encontro: 1, 2 e 3 de dezembro de 2026
Livro de Resumos: A anunciar
Formulário de apoio à Comissão Organizadora. Candidate-se como voluntário aqui!.
Formulário de submissão de Comunicações em espanhol ou português: (Formato: Título, resumo de 250 palavras, 3 palavras-chave). A anunciar.
Submissão de Oficinas: (Formato: Título, objetivo, resumo, duração, público-alvo). Submeta sua oficina aqui.
Inscrição de ouvintes: Receba os links para participar das mesas, palestras e painel de encerramento no seu e-mail. A anunciar.
Caroline Martins de Melo Bottino é bacharel em Turismo, mestra em Bens Culturais e Projetos Sociais pelo CPDOC/FGV, doutora em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professora adjunta do Departamento de Turismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É pesquisadora do Laboratório de Estudos Sociais do Turismo (LEST/UERJ), do Laboratório de Antropologia do Lúdico e do Sagrado (LUDENS/Museu Nacional/UFRJ)e coordena o Observatório de sociabilidades digitais e inteligência artificial (OBsiga). Desenvolve pesquisas nas áreas de antropologia urbana e digital, sociabilidades online, turismo, plataformização do cotidiano e inteligência artificial generativa. É autora do livro A Vizinhança Tá On! e Coordenadora Geral do VI Encuentro Latinoamericano de Antropología Digital (ELAD 2026). .
María Alejandra Eggers La Riva é antropóloga pela Universidad Central de Venezuela. Lidera a Antropoeggers, consultoria focada em estratégia digital, eficiência operacional e pesquisa de experiência do usuário (UX Research), além de atuar como Líder de Produto na DunaTech. Seu trabalho integra a antropologia aplicada ao design de produtos digitais (Antrodiseño), conectando a análise sociocultural com ferramentas no-code, automação, IA generativa e garantia de qualidade (QA). Seus temas de interesse incluem etnografia digital, interação humano-tecnologia, otimização de processos e desenvolvimento de produtos tecnológicos com perspectiva humana.
Antonela A. Consigliere Bertoni é licenciada e professora de Antropologia Sociocultural pela Universidad de Buenos Aires (Argentina). Colabora com o Equipo de Antropología de la Religión (ICA - FFyL - UBA) como pesquisadora em formação. Seus temas de interesse incluem a cotidianidade das tecnologias digitais, compreensões simbólicas da morte e do morrer, e as heterodoxias religiosas da Argentina. Atualmente, seu foco abrange as articulações e os obstáculos entre rituais mortuórios e marcos regulatórios locais.
Participa da Rede desde 2023, integrando o grupo de trabalho de palestras de Antropologia Digital da Rede e prestando apoio voluntário nos ELAD24 e ELAD25.
Julián é sociólogo e antropólogo digital (MSc em Antropologia Digital, PhD pela UCL) e, atualmente, pesquisador na Universitat de Barcelona. Seu trabalho parte de uma indagação central: como as pessoas "se viram" (ou encontram meios de subsistência) através de ferramentas digitais? Desenvolveu pesquisas com migrantes colombianos e projetos sobre a diáspora saaraui, refugiados rohingyas e comunidades andinas e quilombolas (palenqueras), combinando etnografia digital, PLN (Processamento de Linguagem Natural) e análise de redes sociais. Atualmente, explora também como a inteligência artificial está transformando essas práticas. Paralelamente, atua em product design e UX, pesquisa de usuários e comunidades digitais, articulando a pesquisa social ao design de produtos e tecnologias. Seus interesses incluem migração, digitalidade, IA, algoritmos, cultura, desenvolvimento e design.
Carolina é estudante da graduação em Antropologia e do curso técnico em Inteligência Artificial na Universidad Nacional de Rosario, onde atua como monitora no Instituto de Investigaciones Dr. Adolfo Prieto (FHyA, UNR). Seus interesses orbitam em torno dos modos como as tecnologias digitais, algoritmos e sistemas de IA se inscrevem na organização da vida social, na produção e circulação do conhecimento e na configuração de relações de poder.