A CONCEPÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO
As pesquisas na linha psicogenética deslocaram o foco de investigação do “como se ensina” para o “como se aprende” e colocaram, no centro dessa aprendizagem, uma criança ativa e inteligente: um sujeito que pensa, que elabora hipóteses sobre o modo de funcionamento da escrita, porque está presente no mundo onde vive; que se esforça por compreender para que serve e como se constitui esse objeto e que aprende os usos e formas da linguagem que se usa para escrever, ao mesmo tempo em que compreende a natureza alfabética do sistema de escrita em português. No entanto, estudos em diferentes línguas têm mostrado que, de uma correspondência inicial pouco diferenciada, o alfabetizando progride em direção a um procedimento de análise em que passa a fazer corresponder recortes do falado a recortes do escrito. Essa correspondência passa por um momento silábico – em que, ainda que nem sempre com consistência, atribui uma letra a uma sílaba – antes de chegar a compreender o que realmente cada letra representa e começar a produzir uma escrita alfabética, ou seja, registrando “todos” os fonemas da fala. As ideias elaboradas pelas crianças nesse processo de conhecimento foram analisadas por Ferreiro e Teberosky (1986) em uma teoria denominada psicogênese da língua escrita, que explica quais são tais ideias, analisando os critérios utilizados pelas crianças investigadas para justificar suas escritas e as leituras feitas de textos a elas apresentados. O estudo mostra que as justificativas apresentadas procuram (e possuem) uma lógica que deriva das relações que as crianças estabelecem com os aspectos da escrita que são observáveis por elas em cada etapa do processo de conhecimento. Se pensarmos no que vimos discutindo até o momento, não é difícil concluir que, a fim de que o professor possa contribuir para a aprendizagem da escrita pela criança, é fundamental conhecer essas ideias, considerando-as e criando O Currículo da Cidade espaço de reflexão colaborativo sobre o objeto escrita.
Dessa maneira, nas atividades de escrita, o estudante que ainda não sabe escrever convencionalmente precisa esforçar-se para construir procedimentos de análise e encontrar formas de representar graficamente aquilo que se propõe escrever. É por isso que as atividades de escrita constituem bons espaços de reflexão para a alfabetização. Havendo uma mediação adequada, que disponibilize as informações necessárias e que garanta espaço para reflexão sobre o sistema de escrita, os estudantes constroem os procedimentos de análise para que a alfabetização se realize. Os materiais que compõe o currículo da cidade para subsidiar os docentes no processo de alfabetização são o Documento Orientador de Sondagens para conhecer o que os estudantes sabem acerca da leitura/escrita e as Orientações Didáticas de Língua Portuguesa para consulta e planejamento de sua prática pedagógica de alfabetização a partir dos conhecimentos prévios constatados anteriormente através das sondagens.
Currículo da Cidade
Orientações Didáticas - volume 1
Orientações Didáticas - volume 2
Documento Orientador de Sondagens no Ciclo de Alfabetização
Orientações e Possibilidades