Desde criança eu amava escrever, desenhar e colorir nos meus cadernos. Costumava desenhar a planta baixa de uma escola de magia e planejava as matérias que seriam ensinadas nela. Em minha casa contávamos com uma biblioteca cheia de histórias, de contos de fadas, enciclopédias e livros aleatórios que eu estava sempre folheando desde que aprendi a ler. Eu dizia a mim mesma que eu seria escritora.
Frequentávamos uma casa religiosa e por isso, desde pequena, sempre fui envolvida pela espiritualidade. Aprendi sobre a necessidade da reforma íntima e sobre ter voz para questionar meus próprios aprendizados e atitudes. Além disso minha mãe fazia altares (mesmo sem saber), meditações, estudava sobre viagem astral, imprimia textos do Wagner Borges, comprava cristais, nos levava aos encontros de lua cheia envolta da fogueira, além disso, comprava livros sobre Tarôs e eu lia tudo! Meu pai, apesar de não ter religião, fazia algumas simpatias e me fazia pedir bênção.
Algumas escolhas foram feitas e comecei a trabalhar em outra cidade em 2009. Certa feita meu irmão me disse: Você está ficando burra! - é, desse jeitinho. Acordei pra vida e dentre as poucas matérias disponíveis na cidade eu escolhi a Pedagogia. Através dessa faculdade descobri a minha vocação: ser professora. Após a conclusão do curso em 2014 minha amiga disse que iríamos cursar Letras juntas e aquilo ficou na minha cabeça.
Quando terminei a faculdade de pedagogia sentia que faltava alguma coisa...
Certa feita, navegando pelo o feed do Facebook, pela primeira e única vez, vi um post de uma amiga que falava sobre Pedagogia Waldorf e aquilo me chamou a atenção imediatamente. Ao ler o artigo meu coração se aqueceu: era o que eu estava buscando. Mais do que imediatamente procurei um curso pelo nosso Brasil e encontrei um que estava começando naquele exato ano e adivinha? Na minha cidade natal! Havia encontrado o meu lugar nos estudos antroposóficos. Através deste curso compreendi que eu sou uma professora de conhecimentos básicos e gerais, simplesmente porque eu sempre gostei de tudo um pouco!
Iniciei a faculdade de Letras em 2016, mas senti imensa dificuldade e percebi que esta empreitada deveria esperar um pouco mais, apesar de ter auxiliado minha forma de ver o mundo.
Depois da finalizar o Curso de Formação de Professores Waldorf em 2018 algumas mães me procuraram e começamos uma Iniciativa Waldorf na cidade onde morava, tudo á distância. Iniciamos em 2019 o planejamento e iniciou-se as atividades presenciais no início de 2021, quando me retirei da empreitada. Meu primeiro sonho havia se realizado. Mas eu sabia que esta seria apenas a primeira escola.
Um dia senti que não estava vivendo a minha verdade. Precisava me organizar, pois, havia um emaranhado de ideias e pensamentos na minha cabeça que me faziam sentir perdida. Não sabia por onde começar e precisava achar o fio dessa meada. Eu tinha muita informação e não usava nada. Foi quando, depois de uma longa jornada de estudos, vivência, questionamento, provações e comprovações, finalmente, havia encontrado um caminho através dos números e da escrita de um Grimório. Lancei um encontro chamado "Magia para a Vida" na primavera de 2019 onde apresentei meus primeiros temas: grimório, Divindade Una e número 1 para um grupo pequeno de pessoas interessadas no tema. A partir daí comecei a aprimorar e estudar uma forma de viver tudo o que eu já havia aprendido.
Acontece que eu não estava conseguindo fazer muita coisa, assim, após muitos anos de terapia, identifiquei que eu me encontrava em um estado depressivo e comecei a buscar algumas soluções. Resolvi reiniciar minha jornada de alimentação que havia começado quando ouvi pela primeira vez sobre alimentação crua em 2011. Nesta época conheci então o crudivorismo e, quase que junto, o jejum.
Ao longo dos anos jejuei algumas vezes e decidi no final do ano de 2023 que eu iria fazer um jejum longo de 21 dias no próximo ano. Um tema comum nos livros de jejum é o AUTOCONHECIMENTO. Como esta parte não estava escrita nesses livros e não achei nada satisfatório na internet, pensei que eu deveria fazer meu próprio caminho de autoconhecimento. Chamei uma amiga para começar o trabalho e percebi que eu conseguia produzir, naturalmente, muitas atividades práticas. As atividades me auxiliaram a sair do estado depressivo que me encontrava e a vontade de viver e fazer retornou. Assim, no outono de 2024, comecei meu segundo sonho de criança: a escrever um livro.
Uma cartomante, uma vez, me disse que eu havia nascido para ser mãe. Então, desde muito tempo e de muitos sonhos premonitórios eu sabia que gestava uma ideia e agora havia chegado o momento dela nascer. Eu enxerguei minha missão e ela é auxiliar as pessoas a encontrarem seu próprio caminho de iniciação. No outono ano de 2024 as ideias estavam amadurecidas, os nós haviam se desatado, os astros se alinhado e finalmente nasceu o projeto.
Faltava apenas um nome que representasse tudo isso.
Sempre tive problemas com nomes. Achar algo definitivo que pudesse representar tudo o que eu imaginava fazer nunca foi fácil. Os nomes pensados eram sempre limitados demais. Vivia em uma constante insatisfação por não encontrar o que eu queria e sem um nome eu não conseguia dar continuidade ao meu projeto.
A princípio queria um nome que pudesse ter "magia" ou "bruxa", até pensei em usar meu nome próprio, mas acredito que preciso deixar como legado para o mundo, principalmente, porque este conhecimento não é apenas meu. Aprendemos na faculdade pública que devemos retornar para a sociedade algo como gratidão pelos estudos. A Academia Iniciática é meu trabalho em favor da sociedade.
Pensei em vários nomes, mas sempre caía no registro de patente e no tal Direitos Autorais e isso me desanimava. Muita burocracia, dinheiro e preocupação envolvidos. Então imaginei um nome bem genérico que não fosse passível de ser registrado. Também queria algo que remetesse ao início dos estudos, afinal, o mais comum nos grupos de estudos é a pergunta: por onde eu começo? E é aqui que consegui começar do começo.
Agora precisava de um nome que pudesse englobar as ideias que me propunha e foi quando, durante meus estudos, li o significado da palavra ACADEMIA e ele era o nome perfeito, pois integra as atividades artísticas, físicas, científicas, etc. Uma Academia de Magia... foi a primeira opção, mas ao procurar mais a respeito encontrei o nome usado em desenhos animados e seriados de adolescentes e por isso não era viável. Quem sabe então, uma academia de iniciação, ou talvez, Academia Brasileira de Iniciação Magística? É um bom nome, mas um pouco ambicioso demais. Acredito que esse nome é para o que poderá vir a ser uma Fundação, Fazenda ou Academia onde possa ser conduzidos as vivências iniciáticas. Quem sabe quando o filho ficar mais velho?
Assim a Academia Iniciática nasceu, simples e concisa. Ela existe dentro de mim e junto daqueles que me acompanham nos estudos. A Academia Iniciática é o início de seus estudos autodidáticos práticos e filosóficos. Bem-vindos!