Atuação ambiental e a atual conjuntura
O papel de reverter conceitos milenares, e perspectivas sociais, políticas e ambientais.
É sabido que há décadas enfrentamos questões de risco no que diz respeito ao Meio Ambiente e preservação, e que isso não deve ser considerado uma questão individualizada. Como fundamento desse problema, está o modelo econômico no qual estamos inseridos, que visa acima de tudo se apropriar de recursos a fim de riquezas e concentração de renda.
Além de que, quem detém poder, opta por cortes orçamentários nos programas ligados ao Meio Ambiente, redução de multas por crimes ambientais, interrupção do Fundo Amazônia... — essas são algumas das dezenas de ações catastróficas tomadas por Jair Bolsonaro desde seu primeiro ano de gestão.
Visto todos esses absurdos, por que não é tão simples, nós, como sociedade civil, tomarmos partido dessa situação e ir em busca de soluções?
É aí que entra a transmissão de informações. Para o bem, e para o mal.
Ao longo da nossa formação, o Ocidente Moderno foi firmando a falsa ideia de que a natureza é propriedade do homem. Para além de objeto para exploração, um objeto com recursos infinitos. Quando, na verdade, a água, por exemplo: um recurso natural, essencial para a manutenção da natureza e, aparentemente básico, já é visto em grande risco para indivíduos, comunidades e economias, de acordo com a Forbes, 2021.
Nessa linha, Karl Marx (2004), em “Manuscritos Econômicos e Filosóficos", aponta sua crítica a essa estrutura econômica e política clássica que enxerga o trabalho no método burguês de produção, compreendendo-o como atividade unicamente destinada ao lucro.
Agora, o que fazer para depopular essa convicção ficcional, e promover a consciência ambiental e participação pública no âmbito ecológico?
A princípio, comunicando.
Retórica, a pergunta de Krenak em “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” enriquece esse debate: “como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser?”
A partir daí, esforçamo-nos para transformar esse mínimo em máximo. Trabalhar em um dialogismo que supere o discurso raso de que a natureza é linda. Mostrando sempre os dois lados da moeda.
Na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o presidente afirmou que o nosso país é “parte da solução do clima, e não do problema”, sendo que temos a informação de que, em agosto de 2021, tivemos o maior índice de desmatamento na Amazônia da última década (O Eco, 2021), por exemplo.
Aqueles que possuem um papel importante para a ajuda da reestruturação ambiental
Somando à comunicação, temos alguns papéis como o educador ambiental – a figura cujo uma das responsabilidades é desenvolver a sensibilidade das pessoas e transpor essa visão antropocêntrica que está instaurada na mente de muitos. É um processo incessante, e muito necessário; o cientista socioambiental – aquele que avalia e executa atividades no âmbito da política socioambiental; gestor ambiental – aquele que gerencia as ações das empresas, visando às questões alternativas que causam menos impacto ambiental; ecólogo – entre diversas atribuições possíveis, há a de formular e executar projetos relacionados à preservação e recuperação de ecossistemas; e outros tantos profissionais. A seguir, contamos com perspectivas de um estudante do curso de Engenharia Florestal:
João Victor de Camargo, estudante do 6º período de Engenharia Florestal pela ESALQ - USP, enxerga uma difusão cada vez maior da atuação, por questões como a conservação e restauração, serem assuntos bem presentes na graduação, por meio de pesquisas e trabalhos. Além de projetos que se desenvolveram envolvendo sequestro de carbono e demais questões que dizem respeito ao aquecimento global. Diz, também, que as empresas estão considerando cada vez mais o mecanismo de Carbono Zero. Ainda em âmbito nacional, fala do crescimento da atuação dos profissionais no manejo de resíduos e redução de impactos, na parte de reciclagem. Para ele, isso não anula toda a parte prejudicial da produção e maquinários, mas olha com otimismo para todo o trabalho que vem sendo feito, de conservação e combate ao desmatamento, monitoramento florestal, prevenção e avaliação de risco de incêndios, entre outros.
Escrito por Livian Alves