Imagem: Vilar Rodrigo/Wikipedia.
Imagem: Vilar Rodrigo/Wikipedia.
Com mais de um século de história, Paraisópolis se consolidou como a segunda maior favela de São Paulo, abrigando uma população estimada em mais de 100 mil habitantes. Originada da ocupação de lotes abandonados no bairro nobre do Morumbi, a comunidade convive com a contradição de ser vizinha de uma das áreas mais ricas da cidade.
De acordo com a União de Moradores de Paraisópolis, a história da comunidade começa em 1921. A área onde, atualmente, se localiza a favela, antes foi parte da Fazenda Morumbi, parcelada em 2.200 lotes pela União Mútua Companhia Construtora e Crédito Popular S.A.
Com a ausência de infraestrutura implementada, muitos compradores nunca tomaram posse efetiva do loteamento, nem pagaram os tributos devidos, tornando o local abandonado propício para a ocupação informal.
Esse processo teve início por volta de 1950, com a participação de famílias que transformaram a área em pequenas chácaras e também atuaram como grileiros.
Nos anos 1960, a região era marcada por roças e criação de gado bovino. Havia poucas residências e alguns bares, mas com o surgimento de bairros de alto padrão como o Morumbi, a construção dos cemitérios Gethsemani e Morumbi, e a abertura de vias importantes como a Avenida Giovanni Gronchi, o local passou a se valorizar e atrair interesse econômico.
Em 1970, surgiram os primeiros barracos de madeira, marcando o início da ocupação do Jardim Colombo e Porto Seguro, áreas vizinhas a Paraisópolis.
Imagem: Prefeitura de São Paulo.
Ainda na década de 1970, o poder público estabeleceu que a ocupação seria limitada a habitações unifamiliares e de uso misto, com a previsão de um plano especial de ocupação a ser elaborado em cinco anos. No entanto, essas ações não foram concretizadas, e entre 1974 e 1980 o processo de ocupação se intensificou. A partir de 1980, o crescimento migratório acelerou ainda mais.
Entre as principais causas desse aumento, destacou-se a oferta de empregos, impulsionada pela crescente demanda por trabalhadores na construção civil devido ao rápido desenvolvimento da região.
Segundo dados de 2021, extraídos do G1, Paraisópolis tem uma população de cerca de 100 mil habitantes, sendo 85% nordestina.
Texto retirado de Dicionário de Favelas Marielle Franco e G1.
Paraisópolis, 2024. Autoria própria.
Paraisópolis, 2024. Autoria própria.
Paraisópolis, 2024. Autoria própria.
Paraisópolis, 2024. Autoria própria.
Distrito da cidade de São Paulo. Situado na zona oeste, apesar de comumente ser considerado zona sul, já que parte do bairro Morumbi está localizado no distrito de Vila Andrade, este sim situado na Zona Sul.
Sua origem tem início no século XIX na fazenda Morumby de propriedade do inglês John Rudge agricultor e cultivador de chá. Com a disseminação de uma praga no início do século XX o cultivo de chá não resistiu resistindo até os dias atuais a capela e a casa encontradas por Rudge e construídas em 1813 pelo regente Diogo Antonio Feijó, tais construções tombadas em 2005 pelo CONPRESP, batizada de Casa da Fazenda do Morumbi.
Já em 1948 o engenheiro Oscar Americano acompanhando o crescimento da cidade sentido Oeste do centro histórico, adquiriu grandes glebas e iniciou um processo de urbanização da área
Dois fatos marcaram a história do bairro: a construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo (1952), do São Paulo Futebol Clube, e a transferência da sede do Governo do Estado para a avenida Morumbi. Em 1964, o governador Adhemar de Barros negociou um terreno da família Matarazzo em troca de dívidas do clã de origem italiana que por décadas foi o sinônimo de riqueza e poder de São Paulo.
O distrito concentra alguns dos bairros mais nobres do município de São Paulo e do país, sendo um reduto da classe alta paulistana. Ao mesmo tempo a seu redor pessoas sobrevivem nas favelas, Real Parque e Jardim Panorama e também na favela de Paraisópolis originada de lotes abandonados do bairro e a segunda maior do município, no distrito vizinho de Vila Andrade.
O distrito tem a maior concentração de renda e uns dos mais elevados índices de desenvolvimento da capital, seus moradores têm o maior poder aquisitivo do município. É também um dos distritos mais arborizados do município, contando com inúmeros parques e praças, como a praça Vinícius de Moraes e o Parque Alfredo Volpi.
Dentro dos limites do distrito encontram-se o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo (uma construção originalmente erguida pela família Matarazzo no final dos anos 1950 para tornar-se uma universidade) e residência oficial do governador; o Hospital Israelita Albert Einstein, um dos mais importantes hospitais privados do município, o Hospital São Luiz, a sede da Rede Bandeirantes de rádio e televisão, o clube Paineiras do Morumby, o luxuoso Shopping Cidade Jardim, a sede do São Paulo Futebol Clube, o Hipódromo de Cidade Jardim, pertencente ao Jockey Club de São Paulo e colégios da colônia espanhola e alemã.
Registro aéreo do Morumbi na década de 50 Fonte: São Paulo in foco
Registro aéreo fonte: AdobeStock
O Morumbi e a Vila Andrade tiveram um significativo crescimento populacional nos anos 80. Apesar do Morumbi ser um bairro de classe alta há pelo menos 30 anos, ele mudou radicalmente depois do início da década de 80. O que era um bairro de enormes mansões, terrenos vazios e áreas verdes, foi transformado, depois de uma década de construção frenética, num distrito de edifícios. No final dos anos 70, ele foi "descoberto" por incorporadores imobiliários que decidiram aproveitar o baixo custo dos terrenos e o código de zoneamento favorável e o transformaram no bairro com o mais alto número de novos empreendimentos imobiliários da cidade durante os anos 80 e 90. [...] a novidade no Morumbi e na Vila Andrade não é só o volume de construção, mas também o tipo de construção: os conjuntos habitacionais murados (Caldeira, 2000, p. 244-245).
Retirado do texto Morumbi: o contraditório bairro-região de São Paulo de Maria da Glória Gohn disponivel em: https://doi.org/10.1590/S0103-49792010000200005
Capela do Morumbi, fonte:Dornicke,Wikimedia
Palacios do Bandeirantes, fonte: Eduardo Carvalho fotografia
Morumbi, fonte:AdobeStock
Vista aérea estádio morumbi, fonte:@danielphotor