A ocupação da área do atual bairro do Brás se deu a partir da construção da igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, no século XVIII, em uma chácara pertencente ao português Benemérito José Braz, devoto do Santo. Uma vila surgiu nos arredores da capela, que se localizava numa região afastada, nas margens de uma estrada conhecida popularmente como “Caminhos do José Braz”. Eis a razão do nome do bairro, que se abreviou para “Braz”.
Até o boom do café e a chegada de imigrantes italianos, o distrito permaneceu com uma característica interiorana, com muitas chácaras e sítios: o distrito era ponto de encontro de italianos e trabalhadores que pegavam o trem em Santos e desembarcavam em São Paulo, na estação do Brás, construída em 1867.
Eles se fixaram no bairro e em regiões próximas, deixando uma marca italiana no local. Com a instalação da atividade fabril e comercial, o progresso finalmente se firmou.
Na década de 1940, com a forte seca que atingiu o nordeste, nordestinos passaram a migrar para São Paulo e, assim como os italianos antes fizeram, se instalaram próximos à estação de trem. O Brás, aos poucos, foi perdendo a "italianidade" e deu espaço para a entrada do comércio popular, estimulado após a construção da linha de Metrô na década de 1970.
Com o desenvolvimento nos anos 70, o Brás passou a ser um centro de comércio de roupas. Pessoas de todo o Brasil visitam o bairro para comprar roupas, geralmente vendidas em atacado ou varejo. O centro aglomera lojistas e revendedores de roupas que buscam produtos de qualidade a preços mais acessíveis. No bairro é possível encontrar acessórios de moda e vestimentas femininas, masculinas e infantis, assim como moda praia, íntima e de casa, mesa e banho.
O Brás também sedia a Feirinha da Madrugada, que acontece em dias da semana e no sábado das 3h às 10h e reúne ambulantes nas ruas e galerias, que vendem suas mercadorias a preços baixos no atacado e varejo. Os produtos ofertados seguem a mesma linha dos que são vendidos em grandes lojas do comércio: camisetas, bonés, acessórios, bolsas, entre outros.
O Brás conta com inúmeros serviços, como mercados, escolas, universidades e parques que atraem moradores e visitantes. O destaque educacional da região fica com a ETEC Carlos de Campos, referência no ensino estadual. A SP Escola de Teatro também se localiza no Brás e oferece cursos de artes cênicas. Além disso, o bairro abriga diversas sedes de Igrejas protestantes, como, por exemplo, o Tempo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus. O distrito ainda resgata as origens locais e sedia restaurantes como a Cantina Gigio e a Cantina Castelões, de culinária italiana.
O Brás tem festa tradicional, que movimenta as ruas do bairro desde 1919, quando a população local passou a venerar São Vito Mártir, já venerado pelos italianos. A reverência era tanta que, em 1940, uma paróquia foi criada em homenagem ao santo. A festa acontece no fim do mês de junho e conta com barracas de comidas típicas e shows de música ao vivo. Há também outra festa que mantém a tradição italiana do bairro: a de Nossa Senhora de Casaluce. Com festas desde 1990, ocorre nos finais de semana do mês de maio: a devoção à santa atravessou o oceano, chegando ao Brasil com os imigrantes napolitanos. Nos mesmos moldes que a outra festa, pratos típicos são servidos, shows acontecem nas ruas e uma missa abre as comemorações. Para finalizar, uma procissão com a relíquia de Nossa Senhora de Casaluce atravessa as ruas do distrito.
Adaptado de: Blog Lopes. Brás: um dos bairros mais importantes de SP. Disponível aqui.