Conceito ou definição
A higienização das mãos é a principal prática recomendada para prevenção de disseminação de microrganismos, seja em ambiente extra e intra-hospitalar (BRASIL, 2013a). Além disso, os estudos milenares realizados pela enfermeira Florence Nigthngale e pelo médico Ignaz Semmelweis já comprovavam o quanto o risco de contaminação cruzada e de desenvolvimento de quadros infecciosos diminuía drasticamente ao se adotar a higienização das mãos como barreira protetiva, ao ter contato com pacientes (MANCIA; PADILHA, 2020). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) preconiza a higienização de mãos como prática com técnica sistematizada, com aplicação de sabonete líquido ou álcool 70% e, quando se trata de procedimentos totalmente assépticos, após a higienização simples das mãos é necessário realizar higienização cirúrgica com solução alcoólica. Ainda sobre prevenção de transmissão de microrganismos, cabe destacar e a higienização das mãos para proteção dos profissionais atuantes em serviços de saúde, em especial, os que realizam assistência direta nos pontos de cuidado (BRASIL, 2013a). Diante da tamanha resolutividade da técnica de higienização das mãos e os números crescentes de paciente submetidos à contaminação cruzada, a Organização Mundial de Saúde considera a prática como uma meta internacional de segurança do paciente e recomenda métodos validados para avaliação de adesão dos profissionais de saúde quanto à técnica (BRASIL, 2013b).
Objetivos
Apresentar a técnica correta de higienização simples e higienização cirúrgica de mãos. Apresentar a técnica correta e asséptica de calçamento de luva simples e cirúrgica.
Indicação e contraindicação
As técnicas de higienização simples das mãos e o calçamento de luva simples devem ser aplicados em procedimentos assépticos ou invasivos (cirurgias, cateterismo vesical, acesso vascular central e outros) e em circunstâncias de contato com pele não-integra, mucosas, sangue e fluídos corporais de pacientes. E as técnicas de higienização cirúrgica das mãos e o calçamento de luva cirúrgica devem ser aplicados em circunstâncias de procedimentos cirúrgicos.
Documentos relacionados
Manual de referência técnica para a higiene das mãos; Protocolo para a prática de higiene das mãos em serviços de saúde; Uso de luvas: folheto Informativo; e Técnica de assepsia cirúrgica das mãos com produto à base de álcool.
Material e outros recursos:
Higienização simples das mãos:
Pia com acesso à água corrente limpa.
Sabão líquido ou álcool 70%.
Papel toalha.
Cesto de lixo.
Higienização cirúrgica das mãos:
Pia profunda e de torneiras altas, com acesso à água corrente limpa e controle de vazão de água e sabonete por meio de pedais ou acionamento com joelho.
Sabão líquido.
Solução álcool asséptica.
Papel toalha.
Toalha de algodão estéril.
Cesto de lixo.
Cesto para roupa suja.
Calçamento de luva simples:
Um par de luva estéril de tamanho compatível.
Calçamento de luva cirúrgica:
Um par de luva estéril de tamanho compatível.
Equipamentos: não se aplica.
Etapas para descrição do procedimento:
Ação: higienização simples de mãos com sabão líquido (BRASIL, 2013a)
Umedecer as mãos com água corrente.
Aplicar sabão líquido na palma de uma das mãos, em quantidade suficiente.
Friccionar as palmas das mãos de modo a distribuir o sabão líquido.
Friccionar o dorso de uma mão com a palma da outra mão, com dedos interlaçados.
Realizar a mesma fricção de dorso, invertendo as mãos.
Friccionar as mãos com dedos interlaçados.
Friccionar o dorso dos dedos com as palmas da mão, em movimento de “vai-e-vem”.
Friccionar o dedo polegar de uma mão com a palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção polegar, invertendo as mãos.
Friccionar as unhas de uma mão na palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção de unhas, invertendo as mãos.
Friccionar o punho de uma mão com a palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção de punho, invertendo as mãos.
Enxaguar as mãos, uma por vez, com água corrente e com movimento sentido “unhas-punho”.
Secar as mãos, uma por vez, com papel toalha, sentido “unhas-punho”.
Caso a torneira não tenha sensor ou dispositivo automático para desligar a saída de água, deve ser utilizar papel tolha para fechar a torneira.
Descartar papel toalha em cesto de lixo.
Justificativa e riscos identificados: realizar corretamente as etapas da técnica de higienização das mãos possibilita que toda a superfície das mãos seja limpa e que não tenha contaminação ao enxaguar e secar as mãos. Cabe destacar que é necessário o uso de água corrente e sabão líquido em condições adequadas, tempo mínimo de fricção de 40 a 60 segundos. As mãos não devem estar com adornos e unhas devem estar aparadas.
Segurança do paciente, colaborador, ambiente: segurança do paciente e segurança do colaborador.
Ação: higienização simples de mãos com álcool 70% (BRASIL, 2013a)
Aplicar álcool 70% na palma de uma das mãos, em quantidade suficiente.
Friccionar as palmas das mãos de modo a distribuir o álcool 70%.
Friccionar o dorso de uma mão com a palma da outra mão, com dedos interlaçados.
Realizar a mesma fricção de dorso, invertendo as mãos.
Friccionar as mãos com dedos interlaçados.
Friccionar o dorso dos dedos com as palmas da mão, em movimento de “vai-e-vem”.
Friccionar o dedo polegar de uma mão com a palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção polegar, invertendo as mãos.
Friccionar as unhas de uma mão na palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção de unhas, invertendo as mãos.
Friccionar o punho de uma mão com a palma da outra mão em movimento circular.
Realizar a mesma fricção de punho, invertendo as mãos.
Não é necessário enxaguar ou secar as mãos, contudo é necessário aguardar que o álcool seque totalmente.
Justificativa e riscos identificados: realizar corretamente as etapas da técnica de higienização das mãos possibilita que toda a superfície das mãos seja limpa. Cabe destacar que é necessário o uso de álcool 70% em condições adequadas, tempo mínimo de fricção de 20 a 30 segundos. As mãos não devem estar com adornos e unhas devem estar aparadas.
Segurança do paciente, colaborador, ambiente: segurança do paciente e segurança do colaborador.
Ação: higienização cirúrgica das mãos (POTTER, 2018; BRASIL, 2021):
Realizar higiene simples das mãos com sabão asséptico, contudo estendendo a fricção por todo o antebraço até o cotovelo.
Secar as mãos utilizando toalha de algodão esterilizada.
Aplicar produto a base de álcool (PBA) na palma de uma das mãos, em quantidade suficiente e realizar fricção com as pontas dos dedos da outra mão para descontaminação das unhas.
Distribuir todo o PBA na mesma mão que está sendo higienizada, assim como antebraço e cotovelo, realizando movimentos circulares até o produto evaporar totalmente.
Realizar o mesmo procedimento com a outra mão e o outro antebraço.
Novamente, aplicar o PBA na palma de uma das mãos, em quantidade suficiente, e realizar as mesmas etapas da técnica de higienização das mãos, abrangendo antebraço e cotovelo.
Realizar fricção até o produto evaporar totalmente.
Manter mãos e os antebraços elevados e afastados do corpo ou outras superfícies para não contaminar.
Caso esta prática seja realizada em Centro Cirúrgico, é importante que, ao acessar a sala cirurgia, a passagem pela porta deve ser virada para trás (“de costas”), para diminuir o risco de contaminar as mãos por contato com outras superfícies.
Justificativa e riscos identificados: realizar corretamente as etapas da técnica de higienização das mãos possibilita que toda a superfície das mãos seja limpa. Cabe destacar que é necessário o uso de PBA em condições adequadas, tempo mínimo de fricção de 60 segundos, contudo o fabricante pode orientar repetição da técnica (BRASIL, 2021). Ao realizar a fricção, as mãos não devem estar com adornos e unhas devem estar aparadas.
Segurança do paciente, colaborador, ambiente: segurança do paciente e segurança do colaborador.
Ação: calçamento de luva simples (PERRY, 2021)
Realizar a técnica de higienização de mãos, conforme a criticidade do procedimento (higienização simples ou higienização cirúrgica).
Secar as mãos com toalha de algodão esterilizada.
Escolher par de luva cirúrgica/luva estéril de tamanho adequado e verificar se ela não apresenta furos ou sujidade em sua embalagem externa.
Abrir a embalagem externa da luva conforme orientações do fabricante, abrindo suas abas com cuidado para os lados.
Retirar o par de luvas em sua embalagem interna, sem ter contato com o material.
Com as pontas dos dedos da mão não dominante, segurar pelo punho interno a luva que será calçada na mão dominante, de modo a ter abertura para entrada.
Inserir a mão dominante com os dedos fechados para facilitar a passagem pela entrada da luva.
A mesma mão que segura a luva deve puxar o seu punho ao máximo.
Com a pontas dos dedos da mão que está calçada, apoiar a luva pelo lado externo dela, deslizando os dedos no punho da luva.
Inserir a outra mão com os dedos fechados para facilitar a passagem.
Após as duas luvas estarem posicionadas nas mãos, se necessário, ajustar as pontas dos dedos e o punho de modo que não tenham folgas entre os dedos e a luva.
Para retirar as luvas após a realização do procedimento, utilizar as pontas do dedo de uma mão para puxar, pelo lado externo, o punho da luva posicionada na outra mão.
Inserir as pontas dos dedos da mão livre entre a parte interna da luva e da outra mão.
Utilizar os dedos para remover a luva da outra mão.
Realizar higienização simples com sabão líquido (obrigatória em caso de sujidade visível) ou álcool 70%.
Justificativa e riscos identificados: realizar corretamente as etapas de calçamento de luvas previne contaminação cruzada das mãos e das luvas (BRASIL, 2009). Cabe destacar que, para esse procedimento, deve-se evitar contato com superfícies contaminadas e realizar descarte adequado das luvas sujas.
Segurança do paciente, colaborador, ambiente: segurança do paciente e segurança do colaborador.
Ação: calçamento de luva cirúrgica (PERRY, 2021)
Realizar a técnica de higienização cirúrgica de mãos.
Acessar a sala cirurgia de costas para não encostar nas portas, mantendo mãos e os braços elevados e afastados do corpo, tendo cuidado para não encostar em outras superfícies.
Vestir avental cirúrgico, com auxílio de outro profissional para que não encoste em sua própria roupa.
Escolher par de luva cirúrgica/luva estéril de tamanho adequado e verificar se ela não apresenta furos ou sujidade em sua embalagem externa.
Solicitar a outro profissional que abra a embalagem externa da luva conforme orientações do fabricante, abrindo suas abas com cuidado para os lados;
Este mesmo profissional que está auxiliando a prática deve retirar o par de luvas em sua embalagem interna, sem ter contato com o material. Preferencialmente abrir a embalagem externa sobre uma superfície ou um campo estéril;
Posicionar a embalagem interna conforme a orientação do fabricante, para as luvas estejam em lateralidade igual a posição das mãos ao calçá-las. Em seguida, abrir a embalagem interna;
Com as pontas dos dedos da mão não dominante, segurar pelo punho interno a luva que será calçada na mão dominante, de modo a ter abertura para entrada.
Inserir a mão dominante com os dedos fechados para facilitar a passagem pela entrada da luva.
A mesma mão que segura a luva deve puxar o seu punho ao máximo, tendo em vista que a luva cirúrgica deverá cobrir também os punhos do avental cirúrgico.
Com a pontas dos dedos da mão que está calçada, apoiar a luva pelo lado externo dela, deslizando os dedos no punho da luva.
Inserir a outra mão com os dedos fechados para facilitar a passagem, também cobrindo até os punhos do avental cirúrgico.
Após as duas luvas estarem posicionadas nas mãos, se necessário, ajustar as pontas dos dedos e o punho de modo que não tenham folgas entre os dedos e a luva.
Para retirar as luvas após a realização do procedimento, utilizar as pontas do dedo de uma mão para puxar, pelo lado externo, o punho da luva posicionada na outra mão.
Inserir as pontas dos dedos da mão livre entre a parte interna da luva e da outra mão.
Utilizar os dedos para remover a luva da outra mão.
Realizar higienização simples com sabão líquido (obrigatória em caso de sujidade visível) ou álcool 70%.
Justificativa e riscos identificados: realizar corretamente as etapas de calçamento de luvas previne contaminação cruzada das mãos e das luvas (BRASIL, 2009). Cabe destacar que, para esse procedimento, deve-se evitar contato com superfícies contaminadas e, por se tratar um material estéril, a parte externa deve ter contato somente com materiais e superfícies estéreis. Caso, durante ou após o calçamento das luvas, elas sejam contaminadas, é necessário trocar as luvas.
Segurança do paciente, colaborador, ambiente: segurança do paciente e segurança do colaborador.
Figura 1 - Higienização simples de mãos com sabão líquido
Figura 3 - Higienização cirúrgica das mãos.
Figura 4 - Técnica de assepsia cirúrgica das mãos com produto à base de álcool
Fonte: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/cartazes/cartaz_6.pdf/view. Acesso em: 30 ago. 2024.
Figura 5 - Etapas da Técnica de Higienização das Mãos
Figura 6 - Calçamento de luva simples
Figura 7 - Calçamento de luva cirúrgica
Acesso venoso central: dispositivo de punção venosa inserido em região intratorácica com o objetivo de alcançar a circulação central do paciente. A sua extremidade pode ser inserida em veia de grande calibre ou diretamente no coração do paciente.
Cateterismo vesical: procedimento em que se insere uma sonda de alívio (uso intermitente) ou de demora (uso contínuo ou por período extenso) na uretra do paciente para que ele possa eliminar urina armazenada na bexiga.
Fluídos corporais: substâncias líquidas que são excretadas ou secretadas pelo corpo do paciente, por exemplo: saliva, sangue, muco e outros.
Procedimento asséptico: procedimentos em que se terá contato com pele não-íntegra, mucosas e dispositivos invasivos em que se são necessárias medidas que impeçam a transferência de microrganismos.
BRASIL. Protocolo para a prática de higiene das mãos em serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde: 2013a. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/protocolo-de-higiene-das-maos. Acesso em: 30 ago. 2024.
BRASIL. Técnica de assepsia cirúrgica das mãos com produto à base de álcool. 18 out. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/cartazes/cartaz_6.pdf/view. Acesso em: 30 ago. 2024.
BRASIL. Uso de Luvas: Folheto Informativo. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-de-infeccao-e-resistencia-microbiana/UsodeLuvasFolhetoInformativo.pdf. Acesso em: 30 ago. 2024.
MANCIA J. R.; PADILHA M. I. Florence Nightingale - registered trademark for global nursing. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167.202073supl05. Acesso em: 30 ago. 2024.
PERRY, A. G. Perry & Potter: Guia Completo de Procedimentos e Competências de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595158047. Acesso em: 30 ago. 2024.
POTTER, P. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151734. Acesso em: 30 ago. 2024.