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Este Material Didático Digital (MDD) visa apresentar os padrões respiratórios terapêuticos e suas indicações para que, futuramente, você consiga traçar objetivos fisioterapêuticos e prescrever condutas para pacientes com distúrbios cinéticos funcionais respiratórios.
A Fisioterapia Respiratória dispõe de uma grande variedade de técnicas que interferem no comportamento do ciclo respiratório, dentre elas, destacam-se os padrões musculares respiratórios terapêuticos. Estes modificam o grau de participação dos músculos respiratórios com a finalidade de melhorar a ventilação pulmonar. A realização de padrões musculares respiratórios tem como objetivo, basicamente, três aspectos: normalização do movimento toracoabdominal, distribuição da ventilação e alteração do padrão respiratório com consequente melhora da troca gasosa e alívio da dispneia (sensação de falta de ar).
Portanto, para entendermos sobre os princípios e as indicações dos padrões respiratórios terapêuticos, precisamos relembrar de alguns fundamentos sobre o movimento respiratório, esses conceitos serão definidos e explicados no tópico fundamentação teórica.
A prescrição de padrões respiratórios terapêuticos é essencial para fisioterapeutas, pois melhora a função pulmonar e alivia sintomas respiratórios. Compreendendo esses padrões, os fisioterapeutas podem criar tratamentos personalizados e eficazes.
A prescrição de exercícios respiratórios exige uma avaliação individualizada do paciente, considerando sua condição clínica e seus objetivos de tratamento. Fisioterapeutas devem conhecer diversas técnicas respiratórias e adaptar os planos conforme a resposta do paciente. Entre os princípios dos padrões musculares ventilatórios, pode-se destacar:
Melhoria da ventilação pulmonar: os exercícios respiratórios são projetados para modificar o grau de participação dos músculos respiratórios, melhorando, assim, a ventilação pulmonar. Ao prescrever exercícios específicos, os fisioterapeutas podem direcionar a ventilação de áreas específicas dos pulmões que podem estar pouco ventiladas, promovendo uma distribuição de ar mais homogênea nos pulmões (IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004; TOMICH et al., 2007; VIEIRA et al., 2014).
Normalização do movimento toracoabdominal: muitas vezes, distúrbios respiratórios podem resultar movimentos toracoabdominal inadequados. Os exercícios respiratórios visam corrigir essa alteração, promovendo uma respiração mais eficiente e coordenada entre os músculos respiratórios, como o diafragma, os músculos intercostais e os músculos acessórios da respiração (IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004).
Melhora da troca gasosa: a realização do padrão muscular respiratório pode resultar em uma melhoria na troca gasosa nos pulmões, aumentando a eficiência da difusão de oxigênio (O2) dos alvéolos pulmonares para os capilares sanguíneos e de dióxido de carbono (CO2) do sangue para os alvéolos, ou seja, melhora da captação de oxigênio e na eliminação de dióxido de carbono. Isso é particularmente importante em pacientes com doenças pulmonares crônicas, em que a troca gasosa pode estar comprometida (FERNANDES; CUKIER; FELTRIM, 2011).
Alívio da dispneia: a dispneia, ou falta de ar, é um sintoma comum em muitas condições respiratórias, como DPOC, asma e fibrose pulmonar. Os exercícios respiratórios podem ajudar a reduzir a dispneia, promovendo uma respiração mais controlada, eficiente e menos cansativa para o paciente (FERNANDES; CUKIER; FELTRIM, 2011; MENDES et al., 2019).
É necessário que o fisioterapeuta tenha um entendimento profundo dos padrões musculares respiratórios, para que saiba realizar prescrição adequadas, com objetivo de melhorar disfunções cinético funcionais e aprimorar a biomecânica respiratória de seus pacientes.
A base dos padrões musculares respiratórios terapêuticos é o movimento toráco abdominal e o ciclo respiratório, portanto, será feita uma revisão sobre tais aspectos.
A respiração é um ato motor rítmico, que envolve várias estruturas integradas representada pelo ciclo respiratório, pelas fases inspiratória e expiratória. Na inspiração, neurônios inspiratórios localizados na região bulbar recebem estímulos via nervo vago e aumentam sua descarga aos nervos frênico e intercostais, responsáveis pela contração dos músculos inspiratórios, dos quais o principal é o diafragma. No final da inspiração, os neurônios inspiratórios recebem forte inibição, que finaliza o aumento da atividade neural inspiratória, fazendo com que haja declínio da atividade de somente parte dos neurônios inspiratórios.
Após essa fase, os neurônios inspiratórios são totalmente inibidos por neurônios de padrão de descarga expiratória, e a pressão de retração elástica dos pulmões e da caixa torácica promove a saída do ar. O fluxo expiratório é passivo, mas pode ser modulado pelos músculos das vias aéreas superiores e outros músculos, principalmente os abdominais, que podem atuar como complemento da força expulsiva do recolhimento do sistema respiratório (CUELLO; AQUIM; CUELLO, 2009; SIECK et al., 2013).
A caixa torácica e o abdome movem-se como uma unidade durante a respiração tranquila, na dependência das pressões desenvolvidas nesses compartimentos e de suas respectivas complacências. A complacência sofre influência da posição corporal, como resultado dos efeitos da gravidade sobre a mecânica respiratória e sobre o retorno sanguíneo (CUELLO; AQUIM; CUELLO, 2009; IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004; TOMICH et al., 2007).
Durante a inspiração, quando a tensão nas fibras musculares diafragmáticas aumenta, é aplicada uma força de orientação caudal sobre o centro tendíneo; como decorrência a cúpula do diafragma desce, a massa visceral abdominal é empurrada caudalmente (ou seja, desloca para baixo), a pressão abdominal se eleva e a parede anterior ou ventral do abdome é deslocada para fora. Ao mesmo tempo, as fibras do diafragma, que se inserem nas margens costais das seis costelas inferiores, ao se contraírem, geram uma força de orientação cranial nessa região, que eleva e roda as costelas para fora, expandindo a região costal basal. O movimento diafragmático também pode ser denominado alça de balde (CUELLO; AQUIM; CUELLO, 2009; VIEIRA et al., 2014).
Outro mecanismo importante para a inspiração é a área de aposição, que é o espaço entre a superfície interna da caixa torácica e as fibras costais diafragmáticas, que correm cranialmente de suas inserções costais até a cúpula tendínea. As inserções costais do diafragma estão limitadas às seis últimas costelas, e a zona de aposição cobre somente 1/3 da caixa torácica, o que torna esses dois mecanismos inoperantes no tórax superior.
Dessa forma, é necessária a participação de músculos adicionais durante a inspiração para movimento da região superior do tórax, como os músculos intercostais externos e paraesternais, músculos que, ao se contraírem, geram uma força de orientação cranial e elevam as primeiras costelas, movimento denominado “braço de bomba” (VIEIRA et al., 2014).
Em casos de afecções respiratórias ou distúrbios funcionais, outros músculos, chamados músculos acessórios da respiração, podem ser recrutados para ajudar na inspiração. Os principais são os músculos escalenos e o esternocleidomastóideo. Além disso, outros músculos da caixa torácica, como o trapézio superior, o peitoral menor e o serrátil anterior, também, podem auxiliar na inspiração quando necessário (FERNANDES; CUKIER; FELTRIM, 2011; IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004).
A fase expiratória do ciclo respiratório é passiva, porém, durante alguma afecção respiratória ou distúrbio cinético funcional respiratório com aumento da demanda respiratória, essa fase pode se tornar ativa com o recrutamento de alguns músculos que são considerados músculos acessórios expiratórios da respiração, são eles: músculos intercostais internos, músculo oblíquo interno e externo, músculo reto abdominal e músculo transverso do abdômen, entre outros (FERNANDES; CUKIER; FELTRIM, 2011; IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004).
Acadêmico, neste momento, tivemos uma revisão completa sobre as fases do ciclo respiratório e sobre o movimento tóraco abdominal durante a respiração, agora, com essa base teórica, serão apresentados os padrões musculares respiratórios.
PADRÕES RESPIRATÓRIOS TERAPÊUTICOS
A fisioterapia respiratória possui uma variedade de técnicas capazes de influenciar a mecânica respiratória, sobretudo a bomba ventilatória. A denominação “exercício respiratório” é um nome genérico, usado comumente para descrever os vários tipos de respirações controladas e voluntárias. Vários autores têm questionado o termo “exercício respiratório”, uma vez que essa modalidade terapêutica visa muito mais o controle respiratório do que o aumento do trabalho respiratório conforme seria esperado como efeito do exercício. Assim, outros termos têm sido propostos, como “controle respiratório”, “retreinamento respiratório” e “respiração controlada”, e o termo mais aceito atualmente é “padrão muscular respiratório terapêutico” (BRITO; BRANT; PEREIRA, 2009; IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004).
Os exercícios respiratórios têm sido utilizados desde o século passado. Em 1915, foram aplicados em pacientes feridos de guerra com lesões pulmonares, pleurais ou diafragmáticas, e, em 1919, em feridos por arma de fogo, destacando sua importância na recuperação respiratória. Um marco importante na Fisioterapia Respiratória foi em 1934, quando a fisioterapeuta Linton, do Brompton Hospital de Londres, introduziu exercícios respiratórios segmentares para pacientes de cirurgia torácica. Desde então, a prática desses exercícios tem sido constantemente aprimorada (BRITO; BRANT; PEREIRA, 2009).
Vários são os objetivos dos padrões musculares respiratórios terapêuticos, como: restaurar o padrão respiratório normal; controlar a respiração com mínimo esforço; participar na mobilização de secreções brônquicas e auxiliar a eficiência da tosse; reexpandir tecido pulmonar colapsado; mobilizar a caixa torácica; melhorar a força e “Endurance” dos músculos respiratórios; aumentar o volume corrente; e promover relaxamento. Os exercícios mais amplamente utilizados nas condutas dos fisioterapeutas são aqueles dos tipos diafragmático e de expansão torácica, este, também, conhecido como segmentar ou torácico localizado, que, quando realizado estimulando a região torácica inferior bilateralmente, denomina-se costal basal. Ambos são sempre acompanhados de expiração labial (CUELLO; AQUIM; CUELLO, 2009; FERNANDES; CUKIER; FELTRIM, 2011; IGNÊZ ZANETTI FELTRIM et al., 2004). A seguir, serão apresentados os principais padrões respiratórios.
1.RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA
A respiração diafragmática consiste em uma inspiração nasal suave e profunda com deslocamento anterior da região abdominal, o que enfatiza a ação do diafragma. Para a realização dos exercícios diafragmáticos, os pacientes devem ser instruídos a realizar inspiração nasal movimentando predominantemente o abdômen, diminuindo a movimentação da caixa torácica, seguida de uma expiração oral de forma lenta e gradual, eliminando todo o ar inspirado (Figura 1). Exercício respiratório diafragmático pode ser associado a um estímulo manual na região abdominal, com deslocamento anterior dessa região, proporcionando maior excursão do músculo diafragma. Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 1 - Esquema gráfico da respiração diafragmática
Fonte: a autora.
Indicações: pacientes com distúrbio ventilatório restritivo, obstrutivo ou misto. Possui como benefícios imediatos: aumento do volume corrente e da saturação de oxigênio, redução da frequência respiratória e melhora da ventilação, hematose, normalização do movimento toracoabdominal, distribuição da ventilação (a execução do exercício diafragmático a partir do volume residual desvia a ventilação do ápice para a base pulmonar), alteração do padrão respiratório e troca gasosa com alívio da dispneia. A respiração diafragmática se concentra em melhorar o padrão respiratório, aumenta o envolvimento dos músculos abdominais na respiração e reduz a atividade dos músculos acessórios e melhora a eficiência da ventilação. Exercícios de respiração diafragmática ativam o sistema nervoso parassimpático, promovendo relaxamento e redução do estresse, enquanto diminuem a atividade do sistema nervoso simpático. Essa técnica é frequentemente recomendada para induzir calma e bem-estar geral.
Contraindicações: em geral, respiração diafragmática é segura e bem tolerada. No entanto pode haver algumas contraindicações ou situações em que esse exercício não é apropriado, como: pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar, ou em casos de hérnia diafragmática e cirurgias abdominais que envolvam incisões no diafragma.
2. RESPIRAÇÃO COM LÁBIOS FRANZIDOS OU FRENOLABIAL
Consiste em uma inspiração nasal lenta e controlada, seguida de uma expiração suave realizada por quatro a seis segundos contra a resistência de lábios parcialmente fechados e dentes cerrados, com relação tempo inspiratório e tempo expiratório (TI:TE) de 1:3 (Figura 2). Nesse padrão respiratório, o fisioterapeuta realiza com o comando verbal e a modulação do exercício; o paciente é orientado a se posicionar confortavelmente. Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 2 - Esquema gráfico da respiração com lábios franzidos
Fonte: a autora.
Indicações: é indicada para distúrbios ventilatórios obstrutivos, pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) para controlar e aliviar a dispneia, podendo ser realizada em repouso ou durante os exercícios na reabilitação pulmonar. Os benefícios da respiração com lábios franzidos incluem: diminuição da frequência respiratória e hiperinsuflação pulmonar, melhorias na pressão parcial de gás carbônico e oxigênio no sangue arterial, aumento do tempo expiratório e consequente aumento do volume corrente e da saturação de oxigênio. A respiração com lábios franzidos pode aumentar a capacidade de exercício e aliviar efetivamente a dispneia em pacientes com DPOC.
Contraindicações: em geral, para a maioria das pessoas, o exercício de respiração com lábios franzidos é seguro e bem tolerado. No entanto pode haver algumas contraindicações ou situações em que esse exercício não é apropriado, como: problemas de mandíbula ou lábios ou pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar.
3. SUSPIROS OU SOLUÇOS INSPIRATÓRIOS
Consiste em inspirações nasais breves, sucessivas e rápidas até atingir a capacidade pulmonar total, podendo ser associadas a um estímulo manual abdominal ou torácica inferior (Figura 3). Esse exercício proporciona o prolongamento do tempo inspiratório, o que pode favorecer o aumento do volume inspirado e melhoria da distribuição da ventilação. As inspirações são breves para que não haja grande variação pressórica intrapulmonar e, com isso, ventilar unidades alveolares com constante de tempo elevada. Nesse padrão respiratório, o fisioterapeuta realiza com o comando verbal o cadenciamento e a modulação do exercício; o paciente é orientado a se posicionar confortavelmente. Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 3 - Esquema gráfico soluços inspiratórios
Fonte: a autora.
Indicações: realizado com a finalidade de aumentar o volume pulmonar, indica-se para distúrbios ventilatórios restritivos, possibilita oscilação de fluxo expiratório estimulando a tosse e favorecendo a mobilização de secreções em pacientes com diminuição de mobilidade torácica e expansibilidade pulmonar.
Contraindicações: pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), pois ocorrerá aumento da hiperinsuflação pulmonar e piora da biomecânica respiratória. Não se indica esse padrão para pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar.
4. EXPIRAÇÃO ABREVIADA
Consiste em uma inspiração com pequeno volume corrente, seguida de expiração breve. Nova inspiração, com médio volume pulmonar, seguida de expiração breve. Posteriormente, nova inspiração profunda até a capacidade pulmonar total, seguida de expiração prolongada até a capacidade residual funcional, associada a um estímulo manual na região abdominal (Figura 4). Essa técnica mantém uma relação inspiração/expiração de 3:1, baseando-se na sustentação de elevada pressão intratorácica média, com a finalidade de expandir áreas colapsadas ou prevenir seu colapso. Em suma, o padrão respiratório terapêutico expiração abreviada consiste em uma inspiração nasal entrecortada com expirações curtas atingindo a capacidade pulmonar total em três tempos. Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 4 - Esquema gráfico da expiração abreviada
Fonte: a autora.
Indicações: realizado com a finalidade de aumentar volumes e capacidades pulmonares em pacientes com distúrbios ventilatórios restritivos, como: atelectasia, pneumonia. A expiração abreviada realiza o recrutamento de áreas pulmonares colapsadas, aumenta a capacidade pulmonar, que, por sua vez, melhora a troca gasosa, melhora a saturação periférica de oxigênio e volumes pulmonares.
Contraindicações: pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), pois ocorrerá aumento da hiperinsuflação pulmonar e piora da biomecânica respiratória. Não se indica esse padrão para pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar.
5. INSPIRAÇÃO MÁXIMA
Consiste em uma inspiração nasal suave e profunda até a capacidade pulmonar total, seguida de uma expiração oral de pequeno volume de ar e nova inspiração máxima até a capacidade pulmonar total, seguida de outra breve expiração, mais uma inspiração profunda, e, por fim, uma expiração suave até a capacidade residual funcional (Figura 5). Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 5 - Esquema gráfico da inspiração máxima
Fonte: a autora.
Indicações: realizado com a finalidade de aumentar volumes e capacidades pulmonares em pacientes com distúrbios ventilatórios restritivos, como: atelectasia, pneumonia. A inspiração máxima realiza o recrutamento de áreas pulmonares colapsadas, aumenta a capacidade pulmonar, que, por sua vez, melhora a troca gasosa, melhora a saturação periférica de oxigênio e volumes pulmonares.
Contraindicações: pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), pois ocorrerá aumento da hiperinsuflação pulmonar e piora da biomecânica respiratória. Não se indica esse padrão para pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar.
6.INSPIRAÇÃO MÁXIMA SUSTENTADA
Consiste em realizar uma inspiração nasal até a capacidade pulmonar total, sustentar a inspiração durante alguns três a cinco segundos e, após, realiza-se uma expiração oral até o volume de reserva expiratório (Figura 6). A inspiração é lenta, visando diminuir a velocidade e aumentar a força de contração muscular, e é feita de forma máxima, com uma pausa ao final. Dessa maneira, ocorre o recrutamento alveolar e de fibras musculares diafragmáticas, resultando em uma maior redução da pressão intratorácica e, consequentemente, melhorando a distribuição do gás. Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 6 - Esquema gráfico da inspiração máxima sustentada
Fonte: a autora.
Indicações: utiliza-se para melhora de volumes e capacidades pulmonares em pacientes com distúrbios ventilatórios restritivos, como: atelectasia, pneumonia. A inspiração máxima sustentada possibilita o recrutamento de áreas pulmonares colapsadas, aumenta a capacidade pulmonar, que, por sua vez, melhora a troca gasosa, melhora a saturação periférica de oxigênio e volumes pulmonares.
Contraindicações: pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), pois ocorrerá aumento da hiperinsuflação pulmonar e piora da biomecânica respiratória. Não se indica esse padrão para pacientes que estejam com tórax instável ou com fratura de arcos costais, podendo agravar lesões no tecido pulmonar.
7. INSPIRAÇÃO FRACIONADA
Consiste em realizar inspiração nasal com pequeno volume pulmonar e sustentar a inspiração por dois segundos. Após, realiza-se novamente uma inspiração nasal com pequeno volume e sustenta-se por mais dois segundos, sem expirar. Por fim, deve-se repetir mais uma inspiração até alcançar a capacidade pulmonar total, sustenta-se por mais dois segundos e somente nesse momento realiza-se a expiração oral lenta, gradual e controlada até eliminar todo ar inspirado. Em suma, a inspiração será dividida em três tempos até alcançar a capacidade pulmonar total (Figura 7). Recomenda-se realizar de uma a três séries de cinco a dez repetições, intercaladas ou não por respirações não controladas, intensificando os exercícios conforme tolerância do paciente.
Figura 7 - Esquema gráfico da inspiração fracionada
Fonte: a autora.
Indicações: mesma indicação da Inspiração Máxima sustentada, utiliza-se para melhora de volumes e capacidades pulmonares em pacientes com distúrbios ventilatórios restritivos. Possibilita o recrutamento de áreas pulmonares colapsadas, aumenta a capacidade pulmonar, que, por sua vez, melhora a troca gasosa, melhora a saturação periférica de oxigênio e volumes pulmonares.
Contraindicações: pacientes com qualquer tipo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC); tórax instável; fratura de arcos costais.
Para conduzir um programa de exercícios respiratórios ou padrões musculares respiratórios, é essencial ter um ambiente tranquilo e apropriado, que garanta precisão e segurança durante a prática. O espaço deve ser amplo, bem ventilado e iluminado, permitindo boa circulação de ar e criando um ambiente confortável. Um local silencioso é preferível para minimizar distrações e facilitar a concentração. Além disso, é importante verificar a segurança do ambiente, garantindo que não haja objetos que possam causar acidentes. Itens, como tapetes de exercício e almofadas, também, podem ser úteis para proporcionar conforto durante os exercícios.
Ao introduzir os padrões musculares respiratórios aos pacientes, é crucial fornecer instruções claras e detalhadas. Isso ajuda o paciente a compreender a importância da atividade para sua saúde e executar corretamente o que está sendo solicitado.
Objetivo da Prática: é de extrema importância que você, como fisioterapeuta, aprenda a realizar os padrões musculares respiratórios, para que tenha expertise na hora de aplicar em seus pacientes na sua prática clínica. O seu comando verbal deve ser claro, para instruir aquele que está sendo atendido, com orientações de como executar cada técnica, e compreender mecanismos, indicações e contraindicações.
Oxímetro
Cadeira confortável.
Tapete de exercícios.
Almofadas.
EPI: luvas descartáveis quando em contato com fluidos corporais e máscaras faciais cirúrgicas para proteção contra a transmissão de patógenos respiratórios.
Este procedimento operacional padrão tem como objetivo orientar os alunos do curso de fisioterapia sobre a correta execução das etapas envolvidas na interação com pacientes, desde a lavagem das mãos até o posicionamento e as orientações sobre a realização de padrões respiratórios terapêuticos.
Lavagem das mãos:
Realizar a higienização das mãos, conforme o MDD de Avaliação Físico-funcional do Sistema Respiratório e o vídeo explicativo, com todo passo a passo. https://youtu.be/6EFG_u41LpE.
Posicionamento e orientações sobre comando de voz:
Cumprimente o paciente e identifique-se.
Peça permissão ao paciente para iniciar o procedimento.
Posicione o paciente de forma confortável, considerando a natureza do exercício respiratório a ser realizado. O posicionamento em sedestação, isto é, sentado com a coluna ereta e bem apoiada, favorece melhora de volumes e capacidades pulmonares.
Explique claramente os objetivos do exercício respiratório e as instruções para sua execução.
Forneça orientações sobre a postura adequada durante o exercício, enfatizando a importância da respiração profunda e controlada.
Demonstre os movimentos respiratórios e o ritmo desejado.
Incentive o paciente a praticar o exercício em sincronia com os comandos de voz fornecidos.
Monitore atentamente a execução do exercício pelo paciente, oferecendo feedback e correções conforme necessário.
Após a conclusão do exercício, agradeça ao paciente e encoraje-o a fornecer feedback sobre sua experiência.
Exemplo:
Respiração diafragmática: primeiramente, é necessário posicionar em sedestação na poltrona ou cadeira de maneira confortável, mantendo a coluna ereta, ou deixar em decúbito dorsal confortavelmente. Posicione uma das mãos no tórax e a outra no abdômen. Durante a inspiração, deve-se garantir que o abdômen se expanda enquanto o peito permanece relativamente estático. Pode-se orientar que o paciente também coloque uma mão no abdômen e outra no tórax para que consiga compreender o objetivo do exercício. Na expiração, dê o comando de voz de maneira que a expiração ocorra pela cavidade oral de maneira lenta e gradual.
Dicas e cuidados especiais durante a prática:
Lembre-se sempre de respeitar a privacidade e a dignidade do paciente durante todo o procedimento.
Mantenha uma comunicação clara e empática com o paciente, incentivando-o a expressar quaisquer preocupações ou dúvidas.
Registre todas as informações relevantes sobre o procedimento no prontuário do paciente. Realize um relatório com a evolução do seu paciente, registre o padrão muscular respiratório executado bem como frequência e número de séries.
O ritmo respiratório deve ser constante e controlado, evitando-se apneia, isto é, prender a respiração por longos períodos.
Os exercícios devem ser adaptados conforme a capacidade do paciente, e qualquer sinal de dor ou desconforto deve ser motivo para interromper imediatamente.
Durante os exercícios respiratórios devido ao aumento do volume minuto, ou seja, aumento da frequência respiratória e/ou volume corrente, o paciente pode apresentar a sensação de tontura ou cefaleia. Nessa situação, interrompa os exercícios controlados e oriente que o paciente respire tranquilamente respirações não controladas.
Observe atentamente a execução dos movimentos e corrija-os se necessário.
A avaliação e o monitoramento do progresso são aspectos importantes do processo.
Recomenda-se também uma avaliação periódica para garantir que os exercícios estão sendo prescritos corretamente ou se devem ser realizadas mudanças em sua conduta.
Verifique a oximetria de pulso antes, durante e após a realização dos padrões musculares respiratórios, garanta que seu paciente esteja dentro da saturação alvo que pode variar de acordo com sua doença de base.
Indicação de leitura:
MENDES, L. P. S. et al. Effects of diaphragmatic breathing with and without pursed-lips breathing in subjects with COPD. Respiratory Care, v. 64, n. 2, p. 136-144, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4187/respcare.06319. Acesso em: 26 ago. 2024.
BRITO, R. R.; BRANT, T. C. S.; PEREIRA, V. F. Recursos Manuais e Instrumentais em Fisioterapia Respiratória. Barueri: Manole, 2009.
CUELLO, A. F.; AQUIM, E. E.; CUELLO, G. A. Músculos Ventilatórios: Biomotores da Bomba Respiratória, Avaliação e Tratamento. São Paulo: Andreoli, 2009.
FERNANDES, M.; CUKIER, A.; FELTRIM, M. I. Z. Efficacy of diaphragmatic breathing in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Chronic Respiratory Disease, v. 8, n. 4, p. 237-244, 2011.
FELTRIM, M. I. Z.; JARDIM, J. R. B. Movimento toracoabdominal e exercícios respiratórios: revisão da literatura. Rev. Fisioter. Univ. São Paulo, v. 11, n. 2, p. 105-13, 2004.
MENDES, L. P. S. et al. Effects of diaphragmatic breathing with and without pursed-lips breathing in subjects with COPD. Respiratory Care, v. 64, n. 2, p. 136-144, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4187/respcare.06319. Acesso em: 26 ago. 2024.
SIECK, G. C. et al. Mechanical Properties of Respiratory Muscles. Compr Physiol, v. 3, n. 4, p. 1553-1567, 2013.
TOMICH, G. M. et al. Breathing pattern, thoracoabdominal motion and muscular activity during three breathing exercises. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 40, n. 10, p. 1409-1417, 2007.
VIEIRA, D. S. R. et al. Breathing exercises: Influence on breathing patterns and thoracoabdominal motion in healthy subjects. Brazilian Journal of Physical Therapy, v. 18, n. 6, p. 544-552, 2014.