O Projeto Bosque Vivo surgiu há alguns anos, em meados de 2005, Hélio Cavalheri Jr, começou cultivando algumas mudas apenas como hobbie, pouco tempo depois começou a frequentar o Curso Técnico em Meio Ambiente, oferecido pela ETEC Pedro Ferreira Alves, e com isto o interesse pela preservação ambiental se transformou em estilo de vida e concientização de familiares e amigos, o Projeto ganhou força com o apoio dos moradores locais, e com isto a area de preservação aumentou e mudou o aspecto, de um imóvel público localizado no bairro Parque do Estado II, denominado oficialmente de "Bosque do Compromisso", que antes degradado e coberto pelo capim, hoje abriga varias espécies de árvores nativas e exoticas, se transformando aos poucos numa Floresta Urbana, servindo de refúgio para os pássaros e até mesmo alguns pequenos mamíferos e répteis.
Um dos moradores do Bosque do Compromisso, filhote de lagarto Teiú (Tupinambis merianae)
Rafael Cavalheri, colhendo os frutos da "Agrofloresta Urbana" no Bosque do Compromisso
A agrofloresta, em sua essência, é uma metodologia de plantio que busca entender a forma como a floresta naturalmente se desenvolve, aliado a práticas sustentáveis de cultivo. Ou seja, em uma agrofloresta é possível conjugar o plantio de espécies nativas com frutíferas, hortaliças e leguminosas, trazendo diversidade e riqueza de espécies. Neste conceito, o solo e os diversos tipos de plantas possuem papéis específicos, seja para melhorar a qualidade do solo, para servir como adubo, para proteção contra o vento, criando um ambiente integrado e harmônico.
Pensando em como as florestas se regeneram, a agrofloresta busca trazer os mesmos princípios, seguindo o conceito de sucessão ecológica, onde as espécies mais resistentes ao calor, ao vento e de rápido crescimento começam a consolidar o espaço (espécies pioneiras), tornando possível o início do aparecimento das espécies com maior necessidade de áreas sombreadas e protegidas dos ventos (espécies secundárias e clímax).
Além disso, para a estruturação de uma agrofloresta é necessário ter em mente os princípios ecológicos, que seguem por exemplo, a não necessidade de adubos ou agrotóxicos, o respeito a sucessão ecológica natural das espécies, o entendimento que diferentes espécies irão se ajudar, a utilização de poda como alimento para o solo e a produção de alimento.
A agrofloresta traz à tona o princípio da sustentabilidade e a relação da própria interação humana, da criação de um ambiente que se autossustenta, trazendo benefícios econômicos, ecológicos e sociais. Este método de plantio inclusive já faz parte de legislações ambientais e de formulação de políticas públicas, podendo trazer um futuro promissor para a criação desses ambientes nas cidades.
Agora que já sabemos um pouquinho sobre as "Agro Florestas", por que não implantarmos esse sistema tão importante nas áreas verdes de nosso município? No Bosque do Compromisso já iniciamos um projeto piloto, que além de ser uma prática sustentável, ainda pode ser utilizado como laboratório de Educação Ambiental pelos alunos da EMEB Jorge Bertolaso Stella e também produzir alimentos orgânicos para a comunidade local.
Exemplo da plaqueta com QR Code
No mês de setembro de 2022, iniciamos os trabalhos de campo para o cadastramento e a identificação das árvores que receberão as plaquetas de identificação com o QR Code, sigla de “Quick Response Code” que significa Código de Resposta Rápida.
Com a identificação das árvores por meio de fixação de plaquetas com QR Code, com a utilização de um smartphone conectado à internet, será possível obter informações técnicas sobre as árvores, tais como: nome popular, nome científico, família botânica, origem da espécie, risco de extinção, usos na alimentação humana ou medicina tradicional, além de consultas as fotos detalhadas e em alguns casos até mesmo vídeos de documentários sobre a árvore. O projeto é pioneiro no município de Mogi Mirim, sendo que o Bosque do Compromisso será a primeira Área Verde pública da região onde as árvores serão cadastradas e identificadas por meio de QR Code e o projeto poderá ser aplicado em todas as Áreas Verdes e Praças Públicas municipais.
A idéia é divulgar informações sobre as árvores, contribuindo desta forma com a educação e dissiminando a consciência ambiental à população local e visitantes, pois só se dá o devido valor naquilo que se conhece.
"A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas".(Johann Wolfgang von Goethe, 1749 - 1832)
Para começar muito bem o ano de 2023, no dia 1° de janeiro foi realizado o plantio de duas mudas de sapucaia (Lecythis pisonis Camb.) no Bosque do Compromisso.
As sementes da sapucaia são consumidas pelos humanos na forma de castanha, in natura ou torradas, são muito saborosas, alguns dizem até que superam a casatanha-do-pará no quisito sabor, além de serem muito apreciadas pela fauna em geral, é uma espécie que não deve faltar nos projetos de recomposição florestal de áreas degradadas.
Para maiores informações sobre a espécie, acesse: https://sites.google.com/unicamp.br/bosquedocompromisso/sapucaia