Bem-vindes!
Foto na pista de skate em Arujá, 2021.
1981. Eu sou a caçula de uma irmã e dois irmãos. Estamos no quintal da nossa antiga casa na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. Eu não lembro de quase nada dali, mas minha mãe relata que foi nessa casa que a gente passou quase uma década e eu e meus irmãos tocamos fogo no sofá.
1990. Tinha 9 anos de idade nesta foto, estava na 3ª série na E.E.P.S.G Parque Rodrigo Barreto, anos depois, tornou-se a Escola Estadual Carlos Richard de Strautmann, em Arujá. Estou de jaqueta azul ao lado da menina de blusa rosa. Duas meninas que estão sentadas são minhas amigas até hoje: A Karla, de calça rosa, e a Kelly de saia rosa. Minhas amigas me ajudaram com as memórias.
Compartilhou dos mesmos mistérios das contrariedades das coisas e deduziu ser feliz ali.
M.M
1983.
Festa Junina com minha irmã e irmãos na Escola Estadual Almirante Marques de Tamandaré, Rua Jacaré-Copaíba, 33, Freguesia do Ó, São Paulo.
Abaixo:
1992, Desfile das escolas de Arujá. Estou na Ala dos Caras Pintadas, na temátiFora Collor.
Eu sou a cara do meu velho.
1995. Formatura da terrível 8ª série A. Nessa época não tinha 9ª série. A de rosa é a professora Cristiane, de Português, que aturou a minha rebeldia estudantil por mais alguns anos e hoje é minha amiga.
Foi feita no intervalo da vida. Nasceu no parágrafo da estrada. Cresceu no paradoxo da dúvida e morreu, na metáfora que nunca entendeu.
M.M
Amiga Secreta Livro, evento anual entre amigas que se conheceram na época da escola.
Em uma das inúmeras resenhas regadas com café que tive com a minha mãe, soube que meus pais escolheram o nome Silmara para combinar com "Silvio, meu pai, e Maria, minha mãe.
Que sorte a minha eles não terem dado a martelada final para "Silmaria". É... Silmara é legal!
Certa vez, consultei nesses sites de significado de nomes que o Silmara significa. Segundo eles, é de origem germânica e quer dizer "célebre pela vitória". E que segundo o IBGE há mais de 45 mil Silmaras por aí e em nível de nome mais popular, as Silmaras ficaram em 585° lugar.
O nome mais popular é o da minha mãe, Maria, com mais de 11 milhões.
Sou a bisneta de Angélica, Vicente e Irineu; Maria do Nascimento e José Mendes; Regina e Cícero; Ana e Antônio. Neta de Josefa e Luiz; Antônio e Francisca. Filha da Dona Maria e Seu Silvio. Sobrinha de Maria Alrenides, José, Aglícia, Maria, Alice, Cosme, José de Sousa, Maria da Graça, Raimundo, Nilson, Maria do Socorro e Armando. Irmã da Silvia, Silvio e Sérgio. Prima de uma renca e metade nem sei o nome. Tia da Sophia, Dara e Emanuel. Tia-avó da Scarlet. Afilhada de dona Almerinda e Seu Neto. Tutora partilhada da Clorô, Tetê, Mumuzinha, Pitty, Tica, Sarila, Nina, Potó, Gordão, Trampolim, Sonsa, Potó, Belezinha e Biriba. Poderia colocar o gato Fumaça que perdeu uma orelha depois de uma briga, mas esse aí só aparece quando tá com muita fome ou quando está muito machucado das brigas com outros gatos pela calada da noite. Não sei quem é o tutor do Fumaça, mas precisamos ter uma conversa sobre seu gato.
Aprendi com as mulheres negras e indígenas a ancestralizar as minhas pautas. E o que isso significa? Lembrar, sempre que possível, que não vim do nada. Que antes de ser escritora, romancista, poeta, acadêmica ou seja lá o que for, eu vim de alguém com suas vivências, histórias e memórias.
E nessa pegada da ancestralidade, também preciso dizer que sou bisneta de amazonenses, cearenses, acreanos. E nas misturas étnicas, também mesclou-se minha bisa potiguara com meu biso africano (África do Norte, não se sabe de qual país exatamente). Falo especificamente do biso Vicente, que segundo memórias de minha mãe, veio da parte Norte da África e isso é tudo que sabe. Então, o biso Vicente pode ter vindo do Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos ou Saara Ocidental. Infelizmente, muitas memórias se perderam no caminho.
Vim de uma acreana e um cearense, meus pais, que se conheceram em Brasiléia nos anos 70. Em minhas veias também correm o Norte e o Nordeste, o sangue do povo preto e do povo indígena.
Meus ancestrais vivos mais antigos são, minha vó Josefa, 86 anos e a tia avó Lô.
O sangue de um povo de luta.
Entre as mulheres, eu e minha irmã quebramos um ciclo comum familiar por optar em não assinar contrato de pose, o que chamam de matrimônio e não ter filhos. Meus nenéns são meus gatos, minhas plantas e meus livros. Se o amor é múltiplo multiplico-me do jeito que acho mais interessante e confortável para mim, afinal, somos mais de sete bilhões de pessoas no mundo e minhas escolhas e particularidades precisam ser minhas, certo?
Quer saber mesmo? Tô cagando e andando para toda a pressão social e patriarcal que impõe que toda mulher deve casar e ter filhos. Os conservadores e fiscais de cu que lutem. Estou muito bem assim.
Tenho amigas de infância e anualmente celebramos a vida com um encontro que optamos em chamar de "Amiga Secreta Livro". Nós nos escolhemos há muito tempo e isso dá um quentinho no coração, sabe. Particularmente, gosto de ter pessoas com afinidades próximas pra relembrar momentos felizes, tristes, engraçados, de apuro ou de aprendizagem. Juntas falamos besteiras, garganhamos, fazemos graça das coisas da vida e falamos pelos cotovelos. A gente demora pra se ver, mas quando se vê, parece que foi ontem. Amizade é mesmo um ato de amor!
Ademais, me gusta tomar tomar suco de cevada, de plantinhas, de bichos, de assistir os jogos do Vôlei Osasco e de ver os resultados dos jogos do São Paulo (já tive mais paciência para acompanhar futebol). Ler deitada na rede é gostosinho demais, assim como ver filmes e séries esticada no sofá pra depois fazer umas resenhas ridículas sobre tudo que vi. Minha amiga de infância diz que as resenhas são bem originais e engraçadas, então acredito na palavra dela e continuo a resenhar.
Prefiro caminhar lado a lado com quem não rouba a minha brisa e respeita as minhas escolhas. Chatice todo mundo tem, uns mais outros menos, talvez a minha chatice seja moderada. É melhor perguntar para quem convive, sou meia suspeita para falar.
Quarentei na quarentena e não tenho problema nenhum pra falar sobre idade, até porque cada ano foi uma luta diária e muitas vezes exaustiva pra chegar até aqui. Quantas pessoas próximas não chegaram, quantas vidas interrompidas ainda jovens. Eu tô aqui, bicho... vivona e vivendo, carregando uma mochila nas costas repleta de todo tipo de sentimento. E garanto que os bons sentimentos fazem os maiores volumes dentro da minha mochila pessoal. Tem um ou outro volume ali que ainda preciso fazer uma limpezinha básica, mas no decorrer da vida, vamo que vamo!
Amadureci, que bom! Tenho boas vivências e manias bestas. Continuo a aprender e pretendo fazer isso até ficar mais velhinha e morrer numa com tranquilidade numa cama bem quentinha. Dores e alegrias, pertencimento, esquecimento, voz ativa e conhecimento, tudo isso me acompanha.
Ainda quero contribuir, de alguma maneira, com as próximas gerações. A gente se constrói e se desconstrói o tempo todo se nos dermos a chance de nos observarmos através de múltiplos ângulos.
Quando olho no espelho, gosto do que vejo. Quando olho pra dentro, também. Alguns ajustes aqui e acolá, óbvio. Quanto maior a vivência melhor a visão.
Sou do terceiro decanato de peixes e alguns astrólogos dizem que as pessoas desse decanato têm características semelhantes aos do signo de escorpião, mas precisaria fazer um tal de mapa astral para uma análise mais aprofundada. Bom, eu não sei o que isso significa, sou flexível para algumas coisas, outras não, mas fica a dica: se você tiver amor a sua vida, não vai me irritar na semana que eu estiver de TPM. Eu sou tão legal que inclusive aviso: "Olha, hoje eu não tô de bom humor, tá?" No meu caso, o "não estar de bom humor" é a curva no caminho e não a reta.
Adotei o pseudo Marah Mends quando comecei a escrever poemas com meus 18, 19 anos. Bem zoadinhos, por sinal! Quando participava de alguns concursos literários, a organização do concurso informava que precisava assinar os textos com um pseudônimo, então ficou Marah Mends. O "h" no final é pra ter aquela impressão na oralidade de que alguém me chama. Tipo... Maraaaaa. E pra não deixar esse monte de "a" no final, coloquei só um "h". O Mendes sem o segundo "e" não quer dizer nada não. É frescura de poeta mesmo.
Comecei a escrever romance antes de escrever poema. Identifico-me com as narrativas longas. Gosto de roterizar, brisar em temas, pesquisar, criar personagens e diálogos.
Aos 15 anos rascunhei um livro que não terminava nunca e só publiquei décadas depois. Na verdade, eu nem sabia o que fazer com aquela material na época. Oi? Se na minha família tem alguém que escreve ou é do mundo das letras pra dar aquela forcinha? Não, não tem. De certa forma, a literatura no final dos anos 90, rede pública de ensino, periferia, chão de barro e com as mazelas sociais tropeçando nos pés, era um artigo de luxo, sabe? Um mundo desconhecido e estranho, parecia tão inacessível pra mim. Depois fui desconstruindo isso, muito embora, em alguns ambientes, às vezes, ainda é essa a sensação. Métrica é o caralho!
Com o tempo e a vivência, descobri que os saraus são escolas literárias, libertárias e populares muito gostosas de se viver e partilhar seus escritos. Muito do que sinto e acredito já foi exposto em oralidade através desses encontros que participo desde os anos 2000 em lugares diversos.
Escrevo porque sinto prazer em me comunicar através da escrita, mas também me sinto no direito de pertencer a este mundo que, definitivamente, não foi idealizado e facilitado para os que das quebradas vieram. A biblioteca da minha escola ficava fechada, trancafiada. Se eu quisesse ler um livro sem ter que pagar, e eu não tinha condições de pagar mesmo, que me deslocasse para a biblioteca central. Fiz esse deslocamento por muitos anos para ter acesso ao tal mundo mágico da leitura. Talvez, na época, eu nem me ligava que isso também era descaso do sistema, ou melhor, um projeto do sistema para manter os que das margens vieram, longe da informação. É bicho, mas vocês cruzaram com a minha teimosia... Azar o de vocês!
Nasci no mesmo dia que a mineira Carolina Maria de Jesus, 14 de março. Carolina, 1914 até 1977, na minha opinião, é a escritora mais incrível de toda a Via Láctea e só escrevi que nasci no mesmo dia que ela pra me exibir mesmo. Quando conheci a intensidade da sua literatura foi amor à primeira vista. Que mulher! Que escritora! Pena que a conheci tão tarde, meu Deus, porque os professores de Literatura nunca falaram dela na escola? A conheci através dos saraus periféricos, essas escolas literárias, libertárias e populares que gosto de frequentar e que trouxe tanta gente legal pra minha vida. Carolina já escrevia sobre as mazelas sociais, descasos políticos, manipulação do sistema e dos "Zés povins" atrasa lado, antes mesmo dos rappers começarem a dissertar sobre isso. Carolina nem gente é. É deusa!
Para alguns, recordar o tempo de escola pode parecer uma tortura. Para outros, até que foram bons tempos. Eu faço parte do grupo que teve mais boas recordações do que memórias para esquecer. Eu me preocupava em estudar, tirar notas nas provas, falar sobre vôlei e futebol e treinar as duas modalidades. Três vezes por semana ir no ginásio de esportes do centro da cidade pra treinar vôlei com o professor Eurico e Fátima. Também treinava futebol, com o Amauri. Cagava de medo das chamadas orais de tabuada do professor Geraldo Magela. Arquitetava bagunças com a galera do fundão. Criava história em quadrinho na aula de geografia do professor Gilson. Era divertida as aulas de Biologia do Vlamir. Tive boas professoras de Português, a professora Cristiane Santos é minha amiga até hoje. Eu e minha amiga Kelly discutíamos por causa de futebol, ela Corinthians, eu São Paulo. Ela adorava o Viola e eu o Raí. Passamos vários momentos da vida juntas. Ela é uma irmã de alma e fui madrinha de seu casamento. Anos depois, já adultas, quando encontro com as amigas que restaram daquele tempo, na maioria das vezes, são muitas recordações e todo o tipo de sensações. Foram bons tempos. São bons tempos.
Fiz uns outros cursos técnicos e profissionalizantes antes, mas academicamente falando, não, não me formei em Letras, me formei em Comunicação Social. Dei graças a Jah quando terminei em meados de 2010. Quatro anos viraram quase cinco incluindo as DPs. Quem trampa e estuda sabe que isso sim é ser vida louca! A academia me trouxe um conhecimento específico que pude utilizar em alguns trampos, outros não fez a menor diferença. Foram anos difíceis esses junto com a comunidade acadêmica, as tretas de trabalho em grupo cansaram a minha beleza e criatividade. Concluí que produzo melhor sozinha, muito embora, consigo ser flexível quando é necessário ser. Mas pra não dizer que não falei das flores, as resenhas das noites nos bares foram bem mais animadas.
Hoje, prefiro concentrar meu investimento publicando meu livros do que encarando a academia de novo.
Enfim, e nessa luta que é escrever, publicar e distribuir de forma independente, sou autora de cinco livros, sendo um de poesia e quatro de prosa de ficção. Penso que deveria existir algum tipo de política pública para que cada livro escrito fosse incluído como contribuição para quem o escreveu de pelo menos um ano para a aposentadoria. É trampo escrever, é trampo publicar e distribuir. Cadê o cuidado e o respeito com este profissional? Se eu vivesse só de escrever, talvez teria uns trinta livros na estante porque as ideias fluem e me comunicar através da escrita, ao mesmo tempo que é a maior responsa, é o máximo!
Reciclo-me a cada livro lançado, cada passo dado foi importante nessa caminhada literária. Toda autora independente sabe que o corre é louco e não para. A gente só tem braços de polvo porque as políticas públicas ainda não resolveram totalmente a vida para quem escreve.
Todas as manhãs engolia uma xícara de negatividade. De gole em gole assentou cada tijolo do seu próprio calabouço.
M.M
De 1981 até a atualidade.
Em 1981 ainda era ditadura civil militar no Brasil e prolongou-se enfadonhamente de 1964 até 1985. Este foi um ano que começou numa quinta-feira. Para os chineses, o ano do galo, para os astrólogos, ano 1. Vim ao mundo às 14h, numa tarde de sábado do mês de março, lua em quarto crescente e pisciana do terceiro decanato. O primeiro choro foi no Hospital Sorocabana, no bairro da Lapa, São Paulo, local de trabalho da minha mãe Maria. Mesmo hospital público onde minha mãe conheceu a minha madrinha Almerinda.
No decorrer da vida, morei no bairro da Freguesia do Ó, zona norte de SP, em Itaquaquecetuba e Arujá, regiões do Alto Tietê, nos bairros da Santa Cecília e Butantã, zona oeste da cidade onde, parafraseando Racionais MC's, Deus é uma nota de cem. Vida loka!
Acontecimentos pelo mundo em 1981:
O time do Grêmio venceu as duas partidas contra o meu Tricolor Paulista na final do campeonato brasileiro. Primeira partida em Porto Alegre, 2x1.Segunda, em São Paulo, 1 x 0;
Morreu o jamaicano Bob Marley e os brasileiros Mazzaroppi e Glauber Rocha;
A primeira transmissão da MTV;
Entra em operação o SBT;
Aos quarto anos fiz a minha primeira viajem de avião. Fui com a minha mãe de São Paulo para o Acre conhecer a minha família por parte materna. Não tenho muitas lembranças dessa viagem, mas lembro-me que um copo caiu na casa de uma tia e não faço a menor ideia porque essa lembrança ficou em mim.
Minha mãe conta que durante a nossa estada, teve um dia que choveu muito forte e a gente estava na rua. Paramos no beiral de casa para esperar a chuva forte passar. Mas a chuva era daquelas assustadoras com vendaval e tudo. Tinha um senhor ao nosso lado se protegendo da chuva também. Segundo a minha mãe, eu disse para ele para segurar a casa que a chuva ia levar. Óbvio que não me lembro de nada disso, da hora minha mãe lembrar desse episódio.
Foi em 1985 que findou-se a ditadura civil-militar no Brasil, depois de 21 anos de barbárie.
Minha família morou há quase uma década no bairro da Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. Mudamos para a cidade de Itaquaquecetuba e depois, em fevereiro, uma mudança até então definitiva para Arujá, região do Alto Tietê.
Quando minha vó Josefa veio nos visitar em Arujá, ela conta que a gente ia buscar água numa bica que ficava aqui perto de casa. Eu tinha 06 anos.
Minhas memórias estão mais vivas a partir de Arujá, cidade onde fiz a pré-escola, completei o ensino fundamental e médio.
Estudava na parte da tarde da pré-escola do bairro Parque Rodrigo Barreto. Lembro que o uniforme era azul e branco, as mesmas cores da bandeira da cidade. Gostava da hora do intervalo porque me sentia livre para brincar no cavalo de pau, balança e escorregador. Foi no gira-gira que me giraram tanto que até passei mal. Eu detesto até hoje qualquer brinquedo que seja de girar. Meu pai às vezes ia me buscar. Outras vezes quem ia era a minha mãe. Em outras, na maioria, o Cleber, meu irmão quatro anos mais velho.
Foi lá no pré que tomei uma daquelas vacinas de revolver. Não me lembro se chorei ou se sorri.
Na época da páscoa a gente ganhava ovo e eu ficava mó felizona. A professora de educação artística ensinava a desenhar coelhos, eu gostava das aulas de arte.
A Kelly Regina e a Camila Toledo também estudaram nesse "prézinho" na mesma época. No ensino fundamental e médio estudamos juntas, não necessariamente nas mesmas salas, mas na mesma escola. Muitos anos se passaram e a nossa amizade permanece em dias atuais.
Não me recordo bem se foi na pré-escola ou na 1ª série que a escola nos levou para o cinema, ali perto da Praça do Coreto e assistimos o filme Ursinhos Carinhosos. Foi a minha primeira indo ao cinema. Naquela época ainda não sabia que essa prática viraria um hábito, depois de certo tempo.
A primeira série na escola do Barreto. A professora que me alfabetizou chama-se Regina. Lembro que ela era muito calma, simpática e gentil. Eu nunca mais a vi.
Ingressei aos 8 anos na 2ª série com a professora Vera Lúcia. Lembro que ela era bem brava e que os alunos tinham medo dela. Ela mandava a gente levantar toda vez que a diretora entrasse na sala estilo educação militar mesmo, saca? acho que era os resquícios da ditadura ainda. A diretora, por sua vez, quando entrava na sala, sequer pedia licença, já ia entrando feito um furacão, interrompia aula e não cumprimentava ninguém. A nossa obrigação era levantar, mas ela não fazia questão de retribuir a educação.
Na 3ª série quem dava aula na sala que eu estudava era a professora Glória, uma senhora grisalha e um pouco sem paciência com crianças barulhentas. Como tinha duas professoras chamada Glória, o povo chamava a "Glória Velha" e a "Glória Nova".
Na 4ª série a minha professora era a Claudinéia, a primeira professora negra que tive. Ela era calma, mas às vezes se irritava. Era quase que uma rotina estudar em salas bagunceiras.
Em 1992 eu tinha 11 anos e entrei na 5ª série. Foi o primeiro ano que tínhamos um professor por matéria. Entrou a matéria de Inglês e professora Ione era sensacional. Se não me falhe a memória, também tinha uma aula que era de educação sexual, a professora falava sobre as mudanças em nossos corpos, pelos, menstruação e aquele bando de pivete de quebrada ficava morrendo de vergonha ouvindo aquilo. Eu também ficava sem graça, claro. Na época não sabia que esse assunto era tão relevante e necessário.
Nos intervalos das aulas, as crianças formavam uma roda enorme no pátio para cantar e brincar de Adoleta. Não faço ideia quem compôs, mas a Xuxa cantava na época.
Adoleta, lê pêti, pêti pô láLê café com chocolá, adoleta
Puxa o rabo do tatu, quem saiu foi tu
Puxa o rabo da pantera quem saiu foi ela
Puxa o rabo da cutia quem saiu foi sua tia
Barras, berras, birras, borras, burras
Braxas, brexes, brixas, broxas, bruxas.
O ano que a seleção masculina de futebol se tornou tetracampeão da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Eu gostava mais de futebol nessa época. Hoje em dia até acompanho, mas sem tanto brilho. Estava na 7ª série.
Ano da famosa 8ª A na escola. Bagunças, campeonatos esportivos, eu no vôlei da escola, formatura e separação da turma. Algumas optaram por ir para a escola no centro que tinha cursos de Magistério ou Contabilidade. Foi uma choradeira danada, pois era uma turma que vinha desde o ensino fundamental. Na época não tinha a 9ª série (Graças!).
Foi um ano que tocou muito Florentina de Jesus, as músicas dos Mamonas Assassinas e as letras do Legião Urbana não saíam das nossas bocas e corações.
Aos 14 anos, durante as aulas de Educação Artística, criei a minha primeira historinha em forma de quadrinhos. Era uma historinha bem marginal (eu nem sabia o que era literatura marginal na época), que envolvia esse ambiente de escola, discussões, sangue, morte, explosão e sarcasmo. Fez mó sucesso na sala, passou de mão e mão e as risadas comiam soltas. A professora de Artes da época era um pouco conversadora e não achou nada engraçada e a minha nota não foi boa. Ainda bem que essa reprovação não me fez paralisar.
Foi neste ano que comecei a rascunhar o que se tornou o meu primeiro livro, o Amarguras de uma paixão, publicado muito anos depois.
Fiz quinzão! E não tive festa não. Grana curta! Orçamento apertado! Não me lembro de nenhuma menina da minha idade que tenha feito festa de 15 anos na quebrada.
Ingressei no primeiro ano do ensino médio. Já treinava no time de vôlei da escola e no ginásio da cidade com a professora Fática e Eurico. Na escola era o professor Rodrigo de Educação Física, filho da diretora Edir Paulino. Sempre gostei de esportes, chegou uma época em que cogitei fazer Educação Física.
Tinha uma nova diretora na escola que a gente gostava muito, era dona Edir. Ela faleceu em 1996. Fui no enterro dela e disse para mim mesma que não queria ir pra mais nenhum enterro. Uma sensação ruim.
Dezesseis anos e mudança de escola. Saímos do Barreto para o Edir Paulinho, nome em homenagem à diretora que faleceu. Por lá estudei na parte da manhã. Algumas amigas mais chegadas foram para outra escola e outras continuaram no mesmo bairro. Nossa sala ainda era terrível.
Quando tinha 17 anos, o professor Eurico de Educação Física me indicou para treinar no time do Sesi-Jacareí. Eu treinava lá duas vezes por semana, mas naquela época, não tinha bolsa auxílio pra nada e pagar a condução de Arujá para Jacareí estava cada vez mais difícil. Foi assim que desisti de jogar vôlei profissional, no terceiro ano do ensino médio. A cabeça já a mil pensando em trampo pra fortalecer em casa e tudo mais.
Estava firme e forte rascunhando o meu primeiro livro.
Pois é. Foi a maior expectativa para o tal do Bug do milênio, mas nem foi tão assustador assim.
Foi nesse ano que participei do concurso "Jovens Escritores", realizado por um colégio particular da cidade. Não, nunca estudei lá, sempre em escola pública. Quando abriam as inscrições para geral participar, não perdi tempo e fiz a minha inscrição. O jovem precisa é de oportunidade! Era pra escrever uma redação com a temática "Brasil 500 anos". Foi algo desafiador pra mim nessa época. Tive que pesquisar mais sobre o assunto e nessa época nem existia Google. E para a minha surpresa, aos 18 anos, ganhei o meu primeiro prêmio literário dessa carreira repleta de baixos e altos. Fiquei em 2º lugar na classificação geral com a nota de 9,5. Recebi uma medalha, tenho algumas fotos desse dia, algumas amigas me acompanharam. Foi massa comparecer na premiação durante a XV FECILA, Feira de Ciências, Literatura e Artes, ouvir meu nome, subir no palco e receber a medalha. Um incentivo a mais para continuar escrevendo e tentando e alguma forma, publicar minhas histórias de ficção que tanto gosto de escrever.
Esse foi o ano que participei pela primeira vez de um concurso de poesia (nem tenho o texto mais). Era o Concurso de Poesia é falada, realizada pela Secretaria Municipal de Cultura, Departamento de Bibliotecas Públicas em São Paulo. A premiação era no valor de mil reais para o primeiro colocado, setecentos reais para o segundo e quinhentos reais para o terceiro e melhor intérprete. Claro que fui pela força da grana, precisava muito dessa grana!
Na cidade de Arujá eram pouquíssimas, pra não dizer quase nenhuma, as oportunidades voltadas à literatura. Então eu pesquisava concursos e oportunidades em outras cidades também. E isso em meio a um turbilhão de ser uma jovem recém saída do ensino médio, procurando trampo sem experiência alguma no mercado de trabalho e com politicas públicas bem rasas para a juventude da minha época. Pensava em fazer faculdade, só não tinha grana pra pagar. Não tinha nenhum exemplo por perto de pessoas que passaram em universidades públicas, então entrar em uma era um sonho bem distante.
Não classifiquei nesse concurso em específico, mas acendeu em mim uma chama para a poesia. Até então, preferia escrever histórias longas, como a prosas de ficção, mas a poesia quando entra não sai mais.
Primeira vez participando de coletâneas poéticas junto com diversas autoras e autores de todos os cantos do país. "Espanha em prosa e verso", Casa do Novo Autor Editora e "Antologia, Poesias, Contos e Crônicas, pela Editora Scortecci.
A segunda coletânea poética me levou pela primeira vez a uma bienal. A 17ª Bienal Internacional do livro de São Paulo, com a poesia: Até quando, meu irmão, uma crítica social relações de trabalho.
O ano de 2002 também ficou marcado com o nascimento da minha primeira sobrinha, a Sophia, no dia 30 de julho.
Meus primeiros versos recitados em um boteco no Sarau do Blaus, em Arujá, SP e o envolvimento com a galera do teatro e poetas boêmios de Arujá;
Participação do Mapa Cultural Paulista, realizado na cidade de Ferraz de Vasconcelos, categorias: poesia e conto.
Agitações culturais e saraus no Empório do Major, em Arujá, SP.
Participação no 8º Concurso Internacional de Poesia Agostinho Gomes, Portugal;
Troféu: 1º Concurso Nacional de Poesia Audifax de Amorim. Colatina, ES;
1º lugar no 6} concurso nacional Donald Savazoni de Poesias, texto: Buquê de aço.
8º lugar no concurso de poesia de Porto de Galinhas, PE.
Participação na antologia poética Festa Literária de Porto de Galinhas, texto: Saudade do que ainda não viu;
Entrei na Universidade no curso de Comunicação Social;
Eu adorava as aulas de Sociologia da professora Suzana, na verdade, sequer sabia que gostava tanto assim de Sociologia. A professora Suzana tinha um jeito todo especial e louco de ensinar os assuntos, tinha um senso de humor incrível e parecia um pouco com a Dercy Gonçalves. Eu me identificava com a sua forma de lecionar. Sociologia era a matéria que poucas pessoas da sala gostavam e as notas nas provas eram bem ruins de um modo geral. Sociologia não foi a matéria vilã na época da faculdade, pelo contrário, minhas notas mais altas eram justamente nesta matéria. Meu terror sempre foi a área de Exatas, tomei várias bombas nas provas de Estatística. Achei importante dizer de como o modo como a professora Suzana ensinava, me fez enxergar a sociedade de uma maneira muito mais crítica e um pouco mais aprofundada. Obrigada, professora Suzana.
Psicologia também foi uma matéria que tive na faculdade com a professora Steffania e me surpreendeu positivamente. Não tinha intimidade nenhuma com o assunto porque não tive Psicologia no ensino médio. A professora Steffania é sensacional e me ajudou em diversos quesitos.
A sala onde fiz o curso de Comunicação Social era uma bosta. Tinha gente imatura por metro quadro e os professores tinham muita dificuldade para passar o conteúdo. Tretei várias vezes já, não me identificava muito com o entorno e fazer trabalho em grupo sempre foi um parto dolorido pra mim, por trabalhar melhor sozinha e por ter tanta gente folgada e descompromissada na bota. eu não via a hora de terminar o curso pra bater aquele alívio e poder me dedicar a outras coisas, também.
Sobrevivi.
1º lugar no 2º Concurso Literário aBrace, categoria conto. Texto: O dia em que Lobato deu uma sentença de vida;
Concluí o curso de Comunicação Social depois de ficar pendurada nas DPs
Início do projeto sarau Poesia é da hora, com moradores de rua;
Início do Boletim Poesia é da hora na Cantareira FM;
Participação no Projeto de áudio-book, Literatura Suburbana.
Graças ao bom Deus, terminei a faculdade depois de pegar duas DPs em Estatística.
Conquista do edital cultural Proac-saraus.
Lançamento do romance Amarguras de uma paixão, parte 1 na Bienal Internacional de São Paulo;
Lançamento do romance Amarguras de uma paixão, parte 2;
VII Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial. Categoria: Sarau;
Conquistado do edital Proac-Saraus;
Participação no clipe musical, Vida, do rapper Vinão Alô Brasil.
Viajem para o Rio de Janeiro com amigas de infância.
Comecei a escrever o livro Elefantes têm medo de formigas e O povo de rua resiste.
Participação no Documentário Convicto, do Alessandro Buzo;
Participação poética com grupo musical Mokó de Sukata no Sesc Osasco;
Oficinas de escrita com moradores em situação de rua em São Paulo;
Passeios em centros culturais com moradores em situação de rua em São Paulo;
Lançamento do livro de poesias O povo de rua resiste;
Convidada dos Poetas do Tietê para saraus nas Fundações Casa e Penitenciárias;
Conquista do edital Proac-SP para livros.
Lançamento do livro Elefantes têm medo de formigas na Editora Martins Fontes.
Menção honrosa do sarau da Brasa ao sarau Poesia é da hora,
Prêmio Bodega do Brasil. Categoria: Sarau;
Menção: 4º Troféu Arte em Movimento, categoria: Poesia,
Prêmio Guarulhos de Literatura, categoria: Livro do ano – Elefantes têm medo de formigas,
Osasco Vôlei campeão da Copa Brasil.
Lançamento do romance Relações Arbitrárias;
Prêmio Suburbano Convicto. Categorias: Livro, Elefantes têm medo de formigas, e Poeta;
Homenagem e menção honrosa na 2ª Felisa – Feira Literária de Santo André, Coopacesso;
Nascimento da minha segunda sobrinha, Dara.
Março, início da pandemia no Brasil.
Abril, nascimento da minha sobrinha Dara.
Durante a pandemia, iniciei uma nova prosa de ficção. Estou com expectativa de publicar em 2022.
Osasco Vôlei campeão paulista.
Saraus mensais e virtuais em decorrência da pandemia que matou quase 600 mil brasileiros;
Participação no circuito Sesc dentro do projeto Poesia aos Quatro Ventos, Sendero Cultural;
Em fevereiro, nascimento do meu terceiro sobrinho, o Emanuel.
Retomada dos saraus Poesia é da hora com o povo de rua presencial.
Lançamento do sexto livro na Bienal Internacional de São Paulo.
*Nascimento de Scarlet, sobrinha-neta em 05 de janeiro;
*Poesia é da hora 11 anos;
* Boletins semanais na Cantareira FM;
* Rolês em: Ribeirão Pires, Torre Miroku, São Luiz do Paraitinga-SP, Curitiba-PR, Rio de Janeiro - RJ, Salvador - BA, Manaus - AM, Serra Negra - SP, Monte Sião - MG,
* São Paulo F.C campeão da Copa do Brasil
* Vôlei Osasco campeão paulista
Livros lidos em 2023:
✓ Órfã, monstra, espiã, Matt Killeen;
✓Embarques e desembarques, Maria das Graças Targino;
✓Traçados poéticos de Santo André, Coletivo Colcha de Retalhos;
✓Cordel Impeachment ou golpe?, Ronaldo Dória;
✓Esforço Positivo, Almerio Barbosa;
✓A trança, Laetita Colombani;
✓Cinco Estrelas, Ana Maria Machado;
✓Se quiser mudar o mundo, Sabrina Fernandes;
✓ Caderno de rimas do João, Lázaro Ramos;
✓A terra dos mil povos, Kaká Werá Jecupê.
✓ Chão de Vento, Flora Figueiredo;
✓ Novembro, Colleen Hoover;
✓Civilização Inca, Rosana Bond;
✓Hitler ganó la guerra, Walter Graziano;
✓Carta para escritoras, Julie Lua;
✓A história de Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach.
Janeiro:
05 - Minha sobrinha-neta Scarlet fez 01 aninho de vida.
23 - Terminei de escrever meu 6º romance. O livro ainda vai passar por processos como revisão, diagramação e projeto gráfico para ser publicado. Quero para este ano!
29 - Escrevi a poesia Pé de goiaba
📘📙 Livros lidos:
*Vazante lá e cá, Zé Sarmento
*Poços de Segredos, Sônia Bischain
🎥🎬Filmes e séries:
*Lift, roubo nas alturas
*Berlim (8 episódios)
*Griselda Blanco (6 episódios)
Imperturbável observava a vida do telhado do mundo.
Via os restos de tudo, menos os próprios restos.
M.M
Prêmio Bodega do Brasil, categoria sarau, 2018.
Com o cordelista Costa Sena, organizador do sarau.
Prêmio suburbano Convicto.
Conectou-se com o mundo e sentiu que não tinha nada de errado com ele. O problema não era o mundo, eram alguns sentimentos despedaçados no ar.
M.M
Prêmio Suburbano Convicto nas categorias: Poeta e livro.
Com Rappin'Hood na premiação
Participação poética com banda Mokó de Sukata, Sesc Osasco.
Discurso no Prêmio Guarulhos de Literatura.
Neggoblues.
Troféu Prêmio Arte em Movimento, 2018.
Troféu do Prêmio Guarulhos de Literatura, 2018.
Clipe do Vinão.
Gravação do clipe do Vinão, na República.
De geração a geração carregava nos ombros todas as desgraças do mundo.
O Estado onde vive sempre foi um estado torturador.
M.M
Súplica de um servo, Ana Paula, Mauá;
Sukata de Letras, Erton Morais, Osasco, 2016;
Flanelinha Laranja, Guilvan Miragaya, São Paulo;
Coletânea dos Poetas de Santo André
Sarau das Ostras, Praia Grande.
Sarau em Santo André.
Minha mãe Maria, na formatura de auxiliar de enfermagem, 1980.
Eu e meu pai em Santana do Parnaíba, 2001.
Meus avós cearenses: Francisca e Antônio.
Meu pai em Pereiro, Ceará, 2001
Casa dos meus avós por parte de pai. Pereiro-CE.
Eu aos 14 anos conhecendo pela primeira vez a casa dos meus avós cearenses.
Bisa Angélica, Acre.