Como é determinado o valor calórico dos alimentos;
O que é Gasto Energético Diário de Repouso;
Como calcular o Gasto Energético Diário de Repouso.
Com certeza, você já ouviu falar muito em calorias, alimentos mais ou menos calóricos e o quanto gastamos de calorias em determinado exercício, não é mesmo? E você já parou para calcular quanto consome e gasta de energia por dia? Será que todos gastamos as mesmas quantidades de energia em um mesmo exercício?
Enfim, são muitas as perguntas relacionadas a esse assunto e, a partir de agora, você terá condições de respondê-las de maneira objetiva.
A energia presente nos alimentos não é transferida diretamente às células para a realização do trabalho biológico. Em vez disso, essa energia dos macronutrientes é liberada e orientada sob a forma de ATP (adenosina trifosfato), composto rico em energia para atender às demandas celulares.
No ATP, existe uma conexão firme ou acoplamento entre o fracionamento das moléculas dos macronutrientes, com produção de energia e a síntese do ATP e a “captura” de uma porção significativa de energia liberada. Como as células armazenam quantidades limitadas de ATP, ele precisa ser ressintetizado continuamente no mesmo ritmo com que é utilizado.
A energia liberada pelo fracionamento dos macronutrientes (carboidratos, lipídios e proteínas) desempenha uma importante finalidade – fosforilar o ADP para voltar a formar o composto rico em energia ATP, processo que recebe o nome de ressíntese do ATP.
Existem duas vias de ressíntese de ATP de maneira anaeróbia e uma via aeróbia ou oxidativa, conforme figura abaixo:
A via ATP-CP utiliza os estoques citoplasmáticos de creatina fosfato (CP) para a reconstrução do ATP a partir de um ADP, enquanto que a via glicolítica ressintetiza o ATP ao longo da segunda fase da glicólise (quebra da glicose) até a formação do piruvato. Este formará o lactato, através da ação da enzima lactato desidrogenase (LDH), encerrando o estágio 1 da glicólise que ocorre sem oxigênio.
A via aeróbia de ressíntese do ATP ocorre no interior das mitocôndrias e requer o piruvato resultante da fase anaeróbia da glicólise e/ou ácidos graxos e aminoácidos. Para que a fosforilação do ATP ocorra dentro das mitocôndrias, dois importantes processos são necessários: Ciclo de Krebs e cadeia de transporte de elétrons.
A quantidade de ATP disponibilizada pelo sistema fosfagênio equivale entre 5,7 e 6,9 kcal, o que não representa muita energia disponível para o exercício. Os sistemas ATP e PCr podem proporcionar uma potência muscular máxima por um período aproximado de 8 a 10 segundos, o que é suficiente para um chute a gol; um lançamento longo; uma cobrança de falta ou lateral no futebol; uma corrida de 100 m; um arremesso de peso ou martelo; um lançamento de dardo ou disco no atletismo; ou um golpe de judô, este último utilizando-se predominantemente da capacidade física chamada força explosiva ou força explosiva máxima.
A mensuração das quilocalorias (kcal) é realizada em laboratório através da utilização de calorímetros tipo bomba (Figura 2), através do princípio da calorimetria direta, que mede o calor liberado enquanto o alimento é queimado completamente.
Uma caloria representa a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1L de água de 14,5 para 15,5°C. Sendo assim, a terminologia quilocaloria torna-se mais apropriada.
Por exemplo, se determinado alimento possui 300 Kcal, significa que a liberação da energia contida dentro da sua estrutura química é capaz de elevar em 1°C a temperatura de 300 L de água. Os alimentos possuem valor calórico diferenciados, por exemplo, meia xícara de manteiga de amendoim, possui 759 Kcal, portanto contém energia térmica equivalente capaz de elevar em 1°C a temperatura de 759 L de água.
Os alimentos ricos em lipídios contêm índice mais alto de energia que os alimentos relativamente com menos percentual de lipídios. Um bom exemplo é a comparação entre o leite integral (160 Kcal/ copo) e a mesma quantidade de leite desnatado, que possui 90 Kcal.
Um fator importante para entendermos o quanto de energia um determinado alimento ou refeição irá disponibilizar para o organismo passa pela eficiência do processo de digestão e absorção, pois nem tudo o que comemos é absorvido. Normalmente, cerca de 97% dos carboidratos, 95% dos lipídios e 92% das proteínas são digeridos, absorvidos e se tornam disponíveis para a obtenção de energia através da ação das vias metabólicas anaeróbias e aeróbias. A fonte do nutriente também influencia na eficiência desse processo. Por exemplo, a proteína animal tem eficiência de 97%, enquanto que essa eficiência cai para em torno de 78% na absorção das proteínas de leguminosas, como feijão e ervilha.
Quando os alimentos estão combinados a outros (refeição,) a eficiência também sofre alterações. Por exemplo, uma refeição rica em fibras resultará em menos energia disponível para o organismo, estratégia interessante em uma dieta restritiva. Considerando essas situações, o valor efetivo em quilocalorias por grama é o seguinte:
Uma caloria reflete a energia alimentar, independentemente da fonte do alimento. Assim sendo, do ponto de vista energético, 100 Kcal provenientes da maionese, por exemplo, são iguais às mesmas 100 Kcal contidas no aipo (vegetal rico em fibras). A principal diferença entre esses alimentos é que aqueles ricos em gordura (maionese) contêm mais energia com pouca água, enquanto que os alimentos pobres em gordura ou ricos em água fornecem quantidades menores de energia, embora ambos possuam a mesma quantidade de energia. O que irá diferir são as quantidades necessárias de cada um desses alimentos para obtermos a mesma quantidade de Kcal, enquanto que apenas 1 colher de sopa de maionese é suficiente para fornecer 100 Kcal, serão necessários 20 pedúnculos (caules e folhas) de aipo para obtermos a mesma quantidade de Kcal.
A ingesta calórica de um indivíduo é igual à soma de toda energia consumida a partir de pequenas ou grandes quantidades de alimentos e independente da fonte, portanto pequenas quantidades de alimentos calóricos equivalem a grandes quantidades de alimentos pouco calóricos. Esse raciocínio torna-se importante principalmente para aqueles indivíduos que pretendem emagrecer ou evitar de engordar, pois engana-se quem relaciona o processo de aumento do percentual de gordura apenas aos alimentos mais calóricos/gordurosos.
As funções vitais do organismo requerem uma determinada quantidade de energia. A mensuração da quantidade de captação de oxigênio quantifica essa quantidade de energia, a qual é chamada de taxa metabólica basal (TMB).
A mensuração da TMB em condições controladas de laboratório proporciona um método para estudar a relação entre o dispêndio (gasto) de energia e o tamanho corporal, o sexo e a idade. A TMB estabelece, também, uma importante base energética para implementar um programa prudente de controle do peso por restrição alimentar, exercícios ou ambos.
Existem métodos diretos para a mensuração do dispêndio de energia (calorímetro humano), equipamento similar ao utilizado com alimentos, e métodos indiretos, como a espirometria computadorizada, que estima o dispêndio de energia através do consumo de oxigênio.
Numerosas experiências proporcionam dados acerca dos valores médios da TMB por unidade de área superficial em homens e mulheres de diferentes idades. Através desses estudos, percebe-se também que a TMB é, em média, 5 a 10% menor nas mulheres comparadas a homens em todas as idades, possivelmente porque a mulher possui menos massa magra e maior percentual de gordura, o que influencia diretamente a TMB.
Existem diferentes formas de estimar o GEDR de um indivíduo, seja através do produto entre a área superficial corporal e a TMB por m2/h multiplicado pelas 24 horas do dia ou através da estimativa que considera o peso corporal isento de gordura. Esse método acompanha uma tabela na qual é possível descobrir o GEDR.
Além dos dois métodos mencionados anteriormente, uma outra estimativa de GEDR dá-se com base no peso corporal, estatura e idade. O método, validado no início do século XX, utilizou a espirometria de circuito fechado para a captação de oxigênio nos indivíduos com tamanho corporal diferentes.
Mulheres: GEDR = 655 + (9,6xPC) + (1,85xE) – (4,7xI)
Homens: GEDR = 66,0 + (13,7xPC) + (5,0xE) – (6,8xI)
Onde: PC (peso corporal); E (estatura em cm); I (idade)
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