A capacidade de identificar concepções, temas, campos e períodos históricos da Filosofia;
A capacidade de reconhecer e/ou caracterizar as principais correntes filosóficas que influenciaram o Serviço Social;
A capacidade de compreender a influência dessas correntes nas formulações teórico-metodológicas e nas práticas interventivas no Serviço Social;
A capacidade de evidenciar postura reflexiva e crítica diante dos fenômenos e acontecimentos cotidianos, à luz dos conceitos filosóficos;
COMPETÊNCIA DCN: I- compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio-histórico, nos cenários internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade;
COMPETÊNCIA ENADE: XI. Articular o saber acadêmico ao exercício profissional para contribuir com a mobilização de sujeitos individuais e coletivos na perspectiva da emancipação humana.
Neste tema, apresentarei brevemente a vida e a obra do seu principal representante da corrente filosófica construída na América Latina, tendo como ponto de partida e base o núcleo ético mítico dos povos que habitaram este continente antes da ocupação pelo europeu. Em seguida, trarei a compreensão que essa filosofia tem das formulações dos principais sistemas e autores filosóficos que conhecemos ao estudarmos os períodos da história da filosofia. Por fim, apresentarei a “Ontologia da Totalidade” como expressão da lógica do Ego Cogito e a “Metafísica da Proximidade” como expressão da lógica que liberta o outro da Totalidade do Ego Cogito. Essa filosofia, conhecida como filosofia da libertação, não exerceu influência direta sobre o serviço social brasileiro. Contudo, devido à sua originalidade, sensibilidade e proximidade com a constituição social do ser latino-americano, bem como sua contribuição na concepção e constituição dos processos e movimentos de libertação latino-americanos dos anos 1950 a 1970, fez parte do contexto no qual foi gestado o Movimento de Reconceituação do Serviço Social. Imprescindível para o nosso conhecimento, essa concepção filosófica que propõe a superação da lógica dialética pelo movimento anadialético. Pretende-se aqui olhar de perto a descoberta e a compreensão da dialética de Dussel, pois é a partir dela que ele constrói a sua proposta de libertação.
O método anadialético (inicialmente denominado analético) fundamenta-se numa ética metafísica, que vai além da metafísica na Totalidade europeia. Trata-se de uma ética na qual o metafísico é entendido como realidade realíssima além do mundo e do ser. O método analético compreende basicamente duas categorias-chave: a Totalidade e o Outro.
A Totalidade é o lugar onde as coisas-sentido, os entes, se apresentam numa ordem; estão postos-com, compostos (systema em grego). Essa composição se dá em dois níveis: ôntico e ontológico. Ôntico é o nível das entidades individuais, dos entes (cosmos). Ontológico é o nível da totalidade, do todo ordenado (mundo), cujo horizonte supremo estabelece o significado das entidades individuais, “que são definidas dedutivamente, em sua relação com o todo, ou a “Totalidade”, e no contexto do seu papel, ou posição que lhe foi atribuída nessa Totalidade que abrange a tudo” (GOIZUETA, 1993, p.108).
Para Dussel, essa Totalidade não é estática, constitui um movimento dialético entre os dois níveis de significado. No entanto, se a negação da negação desse movimento dialético é definida pelo seu papel no interior da Totalidade, então a novidade e o mistério estão excluídos. Tudo é previsível, porque o horizonte ontológico é quem determina o movimento. Tudo o que não se enquadra no seu interior é sem sentido, não existe, é destruído para garantir a permanência da Totalidade. Isso faz com que não haja, em termos temporais, um futuro imprevisível. Tudo já está dado no horizonte da totalidade.
Essa forma de conceber a totalidade fundamenta-se na experiência grega. Para os gregos, respaldados em Parmênides: o Ser é, o não-ser não é. “...o ser é o grego, a luz da própria cultura grega. O ser chega até as fronteiras da helenicidade. Para além, além do horizonte está o não-ser, o bárbaro (filho do inimigo), a Europa, a Ásia (DUSSEL, 1977, p.12). A cultura e a filosofia tornaram-se a luz, o parâmetro para a compreensão e o julgamento de tudo o mais. Nessa perspectiva, dominar o outro é visto como um ato libertador, já que pela dominação esse outro passa a ser alguém. Claro que mero outro, para que o dominador possa ser Dominador. A lógica desse fundamento pode ser assim representada.
O outro apenas existe como parte da totalidade do EU, que define e estabelece o que ele foi, é e o que poderá ser. A priori, elimina-se a possibilidade de conhecer o outro como ele realmente é, porque acredita-se que, de fato, ele não é. Por exemplo, fecha-se a possibilidade de conhecer a família como ela realmente é, porque acredita-se que apenas será família conforme a percepção e concepção do (a) profissional
Ser conforme a racionalidade do Ser, isto é, do (a) profissional. A lógica é a da diferenciação (em relação ao Ser). Tal perspectiva, por mais democrática que seja a relação entre o Eu (profissional) e o outro (família), nunca será verdadeiramente libertadora porque carrega consigo a incapacidade de escutar o grito do outro (da alteridade) a partir de sua exterioridade. Ela só consegue ouvir o outro conforme a sua própria percepção. Ela não abre a possibilidade de olhar para o Eu e o outro como duas totalidades distintas, contudo ética e valorativamente iguais. Distinta indica uma totalidade com matiz (com essência, configuração e expressão próprias) próprio. Isto é, tem sua história, cultura e exterioridade próprias, peculiares. Enquanto diferente (diferido) alguém que é o referente diferenciado do Ser. Isto é, é uma referência diferente do Ser. Se não fosse o Ser, não seria, não existiria. Por isso, a filosofia da libertação de Dussel fixa sua atenção no passado temporal e espacial do mundo, resgatando-o dialeticamente na perspectiva do presente.
O Outro é a categoria que possibilita pensar a Totalidade fora de seu horizonte. O Outro compreende o ente que aparece no mundo e se manifesta como exterior ao nosso mundo. O ser humano é o ente por excelência, que tem essa capacidade. Normalmente, ele aparece em torno de nós como simples coisa-sentido (algo): motorista, operário, sem-terra etc, integrante do nosso sistema. No entanto, a partir do momento em que ele, além de aparecer, nos interpela: “Uma ajuda, por favor!” ou “Estou com fome, dê-me de comer!” (DUSSEL, Filosofia da Libertação, p.46) revela-se como exterioridade, como Outro.
O que Dussel mostra com isso é que existe “realidade também além do ser” (DUSSEL. Filosofia da Libertação, p.47). Essa nova perspectiva ontológica requer uma nova epistemologia, na qual o ponto de partida, o lócus do julgamento da Totalidade, está localizado fora, é o Outro.
O momento analético é necessário para que a exterioridade da pessoa (cuja história é irredutível à história da Totalidade, pois não é essa que dá o significado àquela) em relação à Totalidade dialética seja reconhecida.
A percepção da originalidade dessa interpelação é impossível dentro do horizonte da Totalidade do Ser. Tornar-se-á possível somente na Proximidade do outro como Outro. Ou seja, abrir-se para a autorrevelação do outro como centro e sujeito de seu mundo, de sua totalidade. Na Proximidade, a referência da compreensão é o mundo revelado do Outro, não os pressupostos da Totalidade do Ser. A revelação desse Outro é a Epifania.
Epifania do Outro ou Metafísica da alteridade entende que entre todos os elementos que compõem o mundo de qualquer pessoa há um ente sui generis (gênero próprio, peculiar, inalienável) o outro ser humano. Epifania vem do grego epifaneia = aparição, manifestação (epi= sobre, em cima de, através (de si mesmo) + faino = brilhar, dar a luz, aparecer, tornar-se visível, mostrar-se). Metafísica vem do grego meta = depois, após, atrás + physis = natureza, criatura, gênero, espécie humana, ser humano (unidade bio-sócio-mental). Alteridade tem na sua raiz o termo grego alter (outro). Logo, alteridade é a qualidade de ser outro. O outro ser humano não como indivíduo isolado, sozinho, mas como rosto de uma família, de um grupo, de uma comunidade, de um povo, de uma nação.
Por mais que queiramos transformar o outro em mera coisa-sentido do nosso mundo, ele sempre se apresentará diante de nós de forma provocante, questionadora e denunciante. Ele não aceita ser “algo”, pois é “alguém”. É alguém “exterior” ao nosso mundo, centro de seu próprio mundo e de sua liberdade.
Liberdade aqui não é somente uma certa possibilidade de escolher entre diversas mediações que dependem do projeto cotidiano. Liberdade agora é a incondicionalidade do outro com relação ao mundo no qual sou o centro. O outro como outro, isto é, como centro de seu próprio mundo (embora seja um dominado ou oprimido), pode dizer o impossível, o inesperado, o inédito em meu mundo, no sistema. Todo o homem, cada homem, enquanto é outro é livre, e enquanto é parte ou ente de um sistema é funcional, profissional ou membro de uma certa estrutura, mas não é outro. É-se outro na medida em que se é exterior à totalidade, e nesse mesmo sentido se é rosto (pessoa) humano interpelante. Sem exterioridade não há liberdade nem pessoa (DUSSEL, 1977, p.51).
Em outras palavras, um usuário não experimenta o outro (o profissional) como a Luz que vem para clarificar e trazer sentido, mas como alguém que na proximidade amplia as possibilidades da sua totalidade-sentido e vice-versa. Na proximidade, a relação não prioriza as máscaras atribuídas pelo sistema, mas o rosto das pessoas implicadas. A relação não é profissional–usuário, mas pessoa–pessoa. Não que tenhamos que negar a formação profissional. Apenas não a colocamos à nossa frente na relação com o outro. Na relação pessoa–pessoa, nossa formação (epistemologia, teoria, metodologia, axiologia) serão nosso “pano de fundo”, no qual respalda-se nosso ser pessoa. O ser profissional amplia o ser pessoa.
A metafísica da alteridade ou epifania libertadora do Outro
a = Interpelação alterativa do outro
b = Pulsão alterativa, amor-justiça
Aqui, o Outro é originariamente distinto, exterior que se aproxima no rosto-a-rosto, na proximidade (não na percepção do Ser). Distinto, isto é, Eu e o Outro somos centro e sujeito de nossas totalidades-sentido. Ambas igualmente legítimas. Ambas com seu horizonte aberto (linha tracejada).
Rosto-a-rosto indica a experiência que vai além do ver, do perceber e do compreender racionais e objetivos. Rosto-a-rosto extrapola a compreensão racional a partir da luz do Ser. Rosto-a-rosto contempla o que está além do racional, isto é, o irracional. E, “além do racional (...) está a exterioridade do outro que não pode ser compreendido de todo por nenhum mundo nem sistema” (DUSSEL, 1977, p.52).
Trabalho profissional que queira ser libertador haverá de ouvir esse Outro. Sua base será a manifestação (epifania) alterativa desse Outro. Sua essência consistirá em explicitar esse além-ser, o Outro, para que, a partir da sua revelação, possam ser construídos valores, normas e princípios éticos. Assim, tanto a filosofia quanto a ética libertadoras são “metafísica da alteridade”. São alterativas porque acreditam que toda a sua força libertadora, revolucionária e transformadora emerge dessa exterioridade. Tal filosofia e ética somente tornam-se possíveis através da existência de seres humanos/profissionais alterativos, essencialmente abertos ao Outro (BOUFLEUER, 1991, p.63-64). Essa abertura ao Outro é uma abertura ética, porque implica uma opção de justiça.
Para contemplar a metafísica da alteridade, o trabalho profissional terá que contemplar a dinâmica transontológica do Outro, a qual encontra-se além dos limites da Totalidade. Logo, seu movimento não poderá dialético, uma vez que a dialética move-se dentro da totalidade (mundo) do ser, do sujeito.
Para Dussel, abrir um campo de reflexão a partir da exterioridade, da alteridade do Outro, implicará num movimento anadialético, que seria a verdadeira dialética (aberta ao essencialmente diferente). Termo inicialmente cunhado por Dussel como “analético”. Ana + dialético = Ana – além de, acima do horizonte. De onde surgem termos como: anóo (a + on = sem + essência, oposto/contrário + essência); anoigo = estar aberto, abrir-se. Curioso é que anoia (tolice, insensatez, fúria) tem a mesma raiz, ou seja, a on. Somente a anadialética abre a possibilidade de questionar a totalidade a partir da exterioridade. Somente a anadialética abrirá a possibilidade de questionar nossa ação e nossa ética na Intervenção Sociofamiliar a partir do Outro (pessoas, famílias). “Trata-se da disposição de dar voz a quem nunca foi ouvido; de afirmar o novo, o imprevisível para o sistema. O que surge a partir da liberdade incondicionada do Outro” (BOUFLEUER, 1991, p.64).
A proximidade do Outro apresenta diferentes níveis de concreção. A proximidade originária é a proximidade mãe-filho. “A proximidade-primeira, a imediatez anterior a toda a imediatez, é o mamar” (DUSSEL, 1997, p.24). O ser humano não nasce dos astros, nem da relação entre seres mitológicos, nem dos vegetais. Ele nasce de alguém, não de algo e alimenta-se de alguém, não de algo. Boca e mamilo formam a proximidade que alimenta, acalenta e protege. Essa proximidade é anterior à proximidade do trabalho, à proximidade econômica, à proximidade erótica, à proximidade pedagógica e à proximidade política.
A proximidade erótica compreende a relação homem-mulher e mulher-homem, experiência sexual, tato e contato com a intenção de sensibilizar o corpo do outro.
A proximidade pedagógica compreende as relações pai/mãe-filhos/as, mestre-discípulo. A proximidade do trabalho ou poiética (fazer e fazer-se) compreende a produção material, a relação ser humano-natureza; o trabalho em seus mais diferentes modos (técnica, tecnologia, desenho, arte, música etc.). A proximidade econômica compreende a relação prático-produtiva, a relação do ser humano com o “outro”, mediada pelo produto da ação ser humano-natureza. Logo, ocupa-se com os mecanismos da produção concreta, do intercâmbio, da distribuição e do consumo em determinada estrutura, bem como com as interdependências entre os mecanismos e a referida estrutura. A proximidade política compreende a relação irmão-irmão, irmã-irmã, irmã-irmão, irmão-irmã englobando toda a ação social prática que não seja erótica ou pedagógica.
Abrir-se para a interpelação do outro requer dois atos: um de libertação e outro de fé. De libertação, pois o outro é outro porque é incondicionalmente livre em relação ao meu mundo, no qual sou o centro. Não permitir que permaneça nessa liberdade e, que enquanto tal me interpele, é destruir a sua liberdade, o seu ser, a sua pessoa. O Outro é aceito como livre, não liberdade da minha Totalidade, mas enquanto livre e “centro” do seu mundo. De fé, pois o outro não pode ser analisado, interpretado, ou estudado racionalmente, porque a razão “é simplesmente a “razão” da Totalidade, além da qual existe somente irracionalidade” (GOIZUETA, 1993, p.113). A razão não pode explicar o outro; somente o Outro pode revelar-se a nós. Somente a fé pode adentrar-se no mistério, na irracionalidade do outro enquanto outro, pois ela aceita a palavra do outro porque ela revela o outro (não requer que o conteúdo dessa interpelação faça sentido, ou seja, correto segundo a totalidade de quem ouve).
O método anadialético compreende cinco momentos: a origem no cotidiano; a demonstração ontológica das entidades; o analético enquanto tal; a autorrevelação ética do Outro e o serviço em justiça. O método anadialético tem a sua origem no cotidiano. Seu a priori é histórico, fundamenta-se na experiência, mas, já de início, requer um distanciamento crítico a fim de descobrir as distorções promovidas pela razão da Totalidade. O que possibilitará a abertura para o horizonte, tanto ontológico quanto metafísico, a fim de que a gente se perceba, não como um prolongamento do cotidiano da Totalidade, mas como centro do próprio mundo.
Esse movimento, através dos diferentes horizontes em direção ao horizonte ontológico e metafísico, possibilitará a demonstração ontológica das entidades através da interpretação sistemática delas, umas em relação às outras e em relação ao horizonte ontológico de significado. Ou seja, o cotidiano é colocado contra a tela de fundo do horizonte de significado. O extrapolar da totalidade do relacionamento dialético entre o horizonte ontológico e as entidades dá-se mediante o movimento analético enquanto tal, que compreende a passagem do horizonte ontológico (que é dialético) para o mistério do Outro que não pode ser compreendido dentro desse horizonte dialético. Essa passagem contém dois momentos: um negativo e um positivo. Negativo, porque se acredita da impossibilidade de pensar no outro positivamente a partir da mesma Totalidade. Positivo, porque se pensa na possibilidade de interpretar a revelação do Outro na perspectiva do Outro (GOIZUETA, 1993, p.117). Nesse momento, a ontologia da dialética é superada em detrimento da metafísica à exterioridade. A característica distintiva e diferencial entre a dialética e a analética é que aquela depende exclusivamente da minha iniciativa, enquanto essa da iniciativa do outro, pois só se pode avançar em direção ao Outro “na medida em que o Outro me recebe, ou pede a minha ajuda” (DUSSEL, apud GOIZUETA, 1993, p.118). Assim, aquilo que me interpela e desagrega meu cotidiano encontra-se localizado fora da minha Totalidade.
O quarto momento consiste na autorrevelação ética do Outro. Ou seja, o Outro, ao questionar o meu horizonte ontológico, possibilitou a recriação desse horizonte sob outro âmbito (a partir da ótica do Outro), o que faz com que eu me perceba não fechado em meu próprio horizonte de significado, mas aberto para outros horizontes que estão fora do meu mundo. Em outras palavras, faz com que eu descubra “que a empatia é possível” (GOIZUETA, 1993, p.118). Consequentemente, nego o meu mundo como Totalidade. Nesse caso, diz Dussel, “o filósofo, antes de ser uma pessoa inteligente, é uma pessoa eticamente justa, uma boa pessoa; um discípulo (do Outro)” (apud GOIZUETA, 1993, p.118).
Essa ética justa possibilita a práxis anadialética ou o serviço em justiça, pois, segundo essa ética, a perfeição do ser humano não consiste no seu ser, mas num “amorem-justiça”, que ama primeiro ao outro. Aquele que encarna esse amor torna-se profeta, pois torna-se porta-voz dos sem-voz diante da Totalidade. Não substituindo ou cooptando o Outro, mas por meio do Outro. Isso é possível porque o ser-como-estando-além-da-Totalidade e o ser-como-o-fundamento-da-Totalidade não são absolutamente diferentes, são distintos, mas semelhantes. Essa semelhança torna possível a comunicação e a compreensão. No entanto, como ela implica em distinção, elimina a possibilidade de comunicação ou de compreensão completas (o que fecharia ambos na Totalidade de um deles). A distinção requer a analogia, que possibilita o serviço por meio “da confiança, da fé, no Outro: porque ele ou ela assim o diz” (GOIZUETA, 1993, p.121).
Segundo a lógica anadialética, o profeta, antes de ser mestre, é um discípulo do Outro, pois o ouvir vem antes da articulação que dará à voz do Outro perante a Totalidade. É um processo que sempre estará aberto, com vistas à libertação do Outro da opressão da Totalidade do Mesmo.
DUSSEL, Enrique. Filosofia da Libertação. São Paulo: Loyola/Unimep, 1977.
______. 1492: o encobrimento do outro. Petrópolis: Vozes, 1993.
______. Caminhos de libertação latino-americana. São Paulo: Paulinas. V.IV, 1985,194p.
BOUFLEUER, José P. Pedagogia latino-americana: Freire e Dussel. Ijuí: UNIIJUÍ, 1991, 135p.
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Ilustrações: Rogério Lopes
Revisão ortográfica: Ane Arduim