O que é o Gestar? Inspiradas no movimento Parent In Science , somos um grupo de mulheres da UFSCar que se reuniu para pensar e debater sobre a maternidade e a ciência no início de 2021.
O que é o Gestar? Inspiradas no movimento Parent In Science , somos um grupo de mulheres da UFSCar que se reuniu para pensar e debater sobre a maternidade e a ciência no início de 2021.
Nossa Logo: O Gestar – Maternidade e Ciência tem uma logo que carrega a sintaxe das cores e os traços da fonte selecionada como forma de produzir sentido em torno de um de seus principais objetivos: promover um olhar e um espaço de reflexão sobre como a universidade tem acolhido as mães. Assim, temos duas cores principais: o laranja, que é a cor da logo da UFSCar e está presente para representá-la e a roxa que representa as mulheres que fundam o grupo neste ano. A fonte selecionada tem um traçado de manuscrito já que o ser humano é nosso enfoque, o respeito às pessoas e, principalmente, às mulheres que é o pano de fundo que sustenta algumas das metas do grupo.
O Gestar é também um Programa de Extensão que tem como objetivos: abarcar os projetos que se proponham a discutir temáticas que envolvam a maternidade tanto na universidade quanto fora dela, em especial, questões sobre equidade, gênero, inclusão, diversidade e, assim, promover ações afirmativas e políticas de apoio as mães, em especial, as que frequentam a universidade; além disso, levantar a discussão sobre a maternidade e a paternidade nesses espaços de modo a questionar determinados padrões e estereótipos de invisibilidade atrelados à mulher-mãe, colaborando para a discussão sobre a construção de uma sociedade mais igualitária entre as pessoas independente do gênero, raça ou opção sexual. Para tal, o Programa será executado por docentes, discentes, técnicos administrativos e demais servidores que se proponham a dar enfoque tanto a temática da maternidade, quanto a assuntos relacionados a ela; trata-se, desse modo, de um campo de pesquisa interdisciplinar, já que envolve diferentes áreas do conhecimento. Cabe salientar sua importância na busca por contemplar a maternidade e a parentalidade como atividades humanas essenciais que devem ser compartilhadas com a sociedade em geral como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal.
1 - POLÍTICAS INSTITUCIONAIS, PESQUISA E MATERNIDADE
O objetivo desta linha de pesquisa é levantar e sistematizar as políticas institucionais das universidades, em especial da UFSCar, que dizem respeito à condição das mães pesquisadoras. Sabemos que a maternidade afeta as condições de trabalho, sobremaneira das mães, que são as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos e, muitas vezes, do lar e da família. A principal consequência dessa responsabilidade desigual é que a produção acadêmica das mães seja reduzida em comparação com homens e com mulheres que não são mães, afetando as condições necessárias para promoção e progressão na carreira acadêmica, bem como o acesso a recursos cujo mérito é avaliado pela produtividade.
2 - MACHISMO, MATERNIDADE E UNIVERSIDADE
A reflexão que propõe empreender esta linha de pesquisa tem como questão central dar visibilidade ao modo como a estrutura patriarcal atribui à mulher enquanto mãe o papel de cuidadora e os reflexos de tal posicionamento frente à atuação profissional delas na Universidade. Considerando que o machismo se expressa por meio de discursos, comportamentos e ações que, de forma velada ou não, são empreendidos em função de manter a posição de superioridade masculina, é notório que a relação das mulheres com a maternidade é usada, de forma essencialista, para a manutenção das assimetrias entre gêneros. A segmentação horizontal e, sobretudo a vertical, tem fortes laços com a potencialidade de mulheres serem, ou poderem vir a ser mães, vinculada a toda construção cultural que envolve a maternidade. Assim, evidenciar, por meio de pesquisas, como o machismo (especialmente o discursivo) é praticado na universidade em direção às mães é fundamental para proposição de ações que visem mitigar as discrepâncias e promover um ambiente saudável e justo para todas/os. Salientamos que esta linha de pesquisa está em diálogo constante com as demais linhas já que sua temática permeia as demais.
3 - DESIGUALDADES, PESQUISA E MATERNIDADE
A proposta desta linha de pesquisa é refletir sobre as desigualdades que afetam as mulheres pesquisadoras, sobretudo as que são mães. O trabalho da pesquisa científica depende de certas condições para que seja conduzido - disponibilidade de tempo, apoio financeiro e institucional, além do contexto individual das pesquisadoras. Nesse sentido, é fundamental tratar de questões acerca das desigualdades étnico-raciais, de classes sociais e, consequentemente, das estruturas de apoio (não) disponíveis para as mães pesquisadoras em seus diversos contextos, tais como redes de apoio, serviços de atenção à saúde e cuidados materno-infantis etc.
4 - MATERNIDADE, GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
A linha de pesquisa “Maternidade, graduação e pós-graduação” propõe investigar e promover melhorias para que as discentes de graduação e pós-graduação possam conciliar a vida acadêmica (estudo, estágios curriculares e pesquisa) com a gestação e a maternagem. O objetivo é promover ações afirmativas e políticas públicas que favoreçam apoio para estas mães: - Melhorias no ambiente de estudo e trabalho (salas para amamentação e adaptação de espaços para alimentação e troca dos bebês); - Promover condições de equidade mediante seu período dentro da Universidade; - Melhorar as políticas públicas para licença maternidade; - Estimular a implementação de grupos interprofissionais de apoio à gestação e o pós-parto;- Impactos das discentes de pós-graduação na produção acadêmica.
5 - MATERNIDADE E PRODUTIVIDADE NO TRABALHO
Busca-se, nessa linha de pesquisa, estudar a lacuna laboral entre homens e mulheres com filhos, no intuito de discutir as diferenças de gênero associadas à parentalidade que influenciam na produtividade das mulheres, principalmente as mães. Estão sendo observados movimentos importantes no sentido de equalizar as oportunidades e valorizar a produção de mães, no entanto, este movimento ainda não tem um impacto significativo na prática. Desta forma, garantir ações afirmativas que favoreçam a participação plena de mulheres, que cotidianamente têm suas rotinas intensificadas pelo cuidado familiar, é uma urgência.
Outras questões que tocam essa temática é o fato dos crescentes discursos que procuram se apropriar da maternidade para contribuir para o aumento da produtividade no trabalho. Numa perspectiva de gestão neoliberal do tempo, muitos discursos de "coachings" se direcionam no sentido de dizer como melhorar o desempenho no trabalho após ser mãe, já que, supostamente, certas "habilidades" adquiridas com a maternidade favoreceriam o "trabalho em equipe", a melhor "gestão do tempo", o famoso ser "multitarefa" etc., constituindo assim os sujeitos "mães empreendedoras", superprodutivas e que seriam super humanos. Também questões em torno do corpo da mulher-mãe pode ser uma via de estudos dessa linha de pesquisa, já que pouco se considera o corpo em suas reais condições de existência da mulher que é mãe na relação com o trabalho e a produtividade desejada/(im)posta pelo capital que muitas vezes ignora/desconhece essa dimensão do real.
6 - ESPECIFICIDADES DO MATERNAR DE CRIANÇAS ATÍPICAS
Nesta linha de pesquisa, procuramos empreender uma discussão que – ancorada nas reflexões contemporâneas em torno dos conceitos de minoria, de excentricidade e de borda – procura acolher e estudar a experiência fronteiriça do maternar atípico. Essa vivência, como mães, nos insere num espaço constituído potencialmente pelas contingências, o que implica a necessidade de uma redescrição da nossa contemporaneidade – especificamente no que diz respeito à construção cultural que envolve a maternidade. Redescrever, reinscrever, construir – são movimentos que sinalizam um projeto (Bhabha), prometendo, portanto, um progresso que precisa acontecer, prioritariamente, a partir da criação de uma nova linguagem ou de um “novo vocabulário” (Rorty): linguagem esta que, marcada pela diferença, não nos remeta mais à legitimação de um centro, invariavelmente perpetuado como modelo a ser seguido. A presente linha dialoga bem de perto, ainda, com a linha “Machismo, maternidade e universidade”. Como sabemos, a estrutura patriarcal atribui à mulher, enquanto mãe, o papel de cuidadora e isso cria consequências sérias relacionadas à atuação profissional dessas mulheres-mães na Universidade. É preciso refletir que, no caso do maternar atípico, inserido nessa mesma estrutura patriarcal, a atribuição à mãe do papel de cuidar é ainda mais reforçada e corroborada socialmente. Faz-se, pois, urgente reconhecer as condições de fronteira experienciadas pelas mães de crianças atípicas, para que pensemos em ações que possam abrandar as desigualdades e promover espaços mais saudáveis, acolhedores e igualitários para todas/os.