Incorporando a cultura de startup em disciplinas de AP1 e AP2
Incorporando a cultura de startup em disciplinas de AP1 e AP2
Conheça um pouco mais sobre o nosso projeto.
Justificativa/Referencial Teórico
Com o advento e implantação da indústria 4.0 é previsto uma mudança significativa do perfil de profissionais e espera-se que sejam capazes de trabalhar com assuntos inerentes à computação. Embora a referida área esteja em franco crescimento, um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia de Informação e Comunicação (BRASSCOM) aponta que há alguns anos o Brasil tem apresentado um deficit na formação de profissionais de Tecnologia e Informação, sendo um dos principais fatores, o alto índice de evasão em cursos da área [1].
Alguns estudos visam identificar os fatores pelos quais o discente evade de cursos da área de computação. Entre vários fatores, destaca-se a dificuldade dos estudantes em assimilar lógica de programação [2] e [3]. Embora seja de suma importância para cursos de Ciência da Computação e áreas afins, compreende-se que os conceitos abordados por disciplinas que envolvem algoritmos e programação são abstratos, sendo difícil ensinar/aprender, quando apenas livros-textos, lousa e giz são utilizados como recursos didáticos, [4].
Logo propõe-se neste projeto promover um ambiente de aprendizado que permita aos discentes assimilarem a relação entre estruturas computacionais para solucionar problemas reais. O projeto justifica-se pois, Algoritmos e Programação 1 (AP1) e Algoritmos e Programação 2 (AP2) são ofertadas no primeiro e segundo semestre, respectivamente, do curso de Ciências da Computação, sendo pré-requisitos de nove das 49 disciplinas necessárias para integralizar o curso [5]. Conforme dados do SIGAA entre os anos de 2013 a 2018 foram realizadas 407 matrículas em ambas as disciplinas, com média de aprovação de 58,06%, sendo 41,4% Reprovados por Falta e Média (RFM) ou Reprovado por Média (RM).
Em linhas gerais, durante a condução deste projeto espera-se desenvolver um conjunto de ações que permita identificar os alunos que têm dificuldade no aprendizado, aplicar atividades laboratoriais que permitam a interação social entre os discentes, bem como propor atividade avaliativa que estimule o learn by doing e empreendedorismo, com vistas a propor soluções para questões e problemas socioculturais e ambientais identificados na própria comunidade.
Objetivos
Objetivo geral: Propor um conjunto de ações de apoio pedagógico, com vistas a ampliar êxito dos discentes no aprendizado, e consequentemente, aprovação nas disciplinas de Algoritmos e Programação 1 e 2.
Objetivos específicos: Identificar o nível de conhecimento sobre lógica de programação dos ingressantes da disciplina de AP1 e AP2; Promover a programação em pares (navegador e piloto); Estimular o empreendedorismo; Fomentar a prática de monitoria;
Metodologia
Para a condução deste projeto de ensino há uma série de etapas, descritas a seguir:
A- Preparação: Elaboração, aprovação e divulgação dos planos de ensino de AP1 e AP2 compostos de aulas teóricas intercaladas com aulas práticas, atividades bônus e uma das avaliações sendo o Projeto Final da Disciplina (PFD).
B- Identificar o nível de conhecimento dos discentes sobre programação: Uma grande dificuldade em ministrar AP1 e AP2 consiste na heterogeneidade dos discentes, pois uns alunos já dominam a programação, enquanto outros estão tendo o contato pela primeira vez. Logo, será aplicado um formulário, bem como a observação dos discente durante às aulas para esta identificação.
C- Execução: Durante as aulas práticas será utilizado o método de programação em pares, que consiste numa técnica de desenvolvimento ágil em que dois alunos trabalham juntos numa estação de trabalho. O aluno piloto (que está aprendendo) digita o código enquanto o navegador (nível mais avançado) observa e faz apontamentos. A cada aula haverá um rodízio entre os pares para que os alunos socializem com diferentes colegas ao longo do semestre. Além disso, as atividades de laboratório contemplará exercícios denominados “Desafio”, que serão mais complexos para não desestimular os discentes de nível avançado.
D- Prática da monitoria: O monitor fará o planejamento do plano de atividades que entre outras coisas, deverá constar: auxílio em aulas de laboratório, auxiliar os estudantes de baixo rendimento em horário extraclasse, reuniões semanais de planejamento com a professora, auxílio na preparação das listas de exercícios e auxílio na orientação dos alunos em trabalhos e eventos acadêmicos. Para estimular a atividade de reforço, os discentes que participarem de todos os encontros da monitoria receberão nota extra ao final do semestre. Espera-se que os alunos que já tenham maior domínio do assunto, ajudem o monitor no auxílio aos alunos de baixo rendimento.
E- Desenvolvimento do PFD: Os alunos deverão indicar os grupos e temas. Haverá uma oficina sobre o SCRUM para que tenham noção sobre times de desenvolvimento, entregas e prazos. Durante a condução do PFD as aulas serão dedicadas à construção dos artefatos de software, havendo pequenas reuniões (sprints) entre os grupos e a professora, para discutirem sobre o progresso do desenvolvimento do trabalho, permitindo ver pontos de avanço e atraso das entregas. Ao final do semestre, os produtos confeccionados (pitch, código executável, código fonte e pseudocódigo) serão apresentados em formato de Startup, sendo avaliado por uma banca composta por três aspectos distintos e complementares: especialista (professor do curso), mercadológico (Fábrica de Software) e inovação (Assessoria de Inovação da UFJ).
Resultados Esperados
Curto prazo: Melhorar o desempenho acadêmico dos alunos em disciplinas voltadas à programação de computadores, em especial, AP1 e AP2;
Médio e longo prazo: Diminuir o tempo de integralização curricular dos discentes, mitigar as taxas de retenção e abandono no curso de Ciências da Computação;
Produtos: Formulário para identificar o grau de conhecimento sobre algoritmos e programação dos discentes; Barema a ser utilizada pelos membros da banca avaliadora: Repositório de atividades que envolvem lógica de programação, incluindo desafios; Emissão de certificado de participação dos avaliadores do PFD e dos participantes; Emissão de certificado dos alunos destaques na monitoria;
Cronograma (previsto para o ano letivo equivalente ao ano fiscal)
Etapa A: Março e Agosto
Etapa B: Março e Agosto
Etapa C: Março a julho e agosto a dezembro
Etapa D: Março a julho e agosto a dezembro
Etapa E: Junho a julho e novembro a dezembro
Bibliografia
[1] BRASSCOM, (2015) disponível em <http://www.brasscom.org.br/brasscom/Portugues/ detNoticia.php?codArea=6&codCategoria=8&codNoticia=863> Data de acesso: 26 de maio de 2019.
[2] DAMASCENO, Ieza; CARNEIRO, Murillo. Panorama da Evasão no Curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Uberlândia: Um Estudo Preliminar. In: Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação-SBIE). 2018. p. 1766.
[3] CALDEIRA, Jefta; VILELA, Ana Paula. Um Mapeamento Sistemático para auxiliar na escolha de plataformas EAD para o ensino-aprendizagem de Algoritmos e Programação de Computadores. In: Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação-SBIE). 2016. p. 52.
[4] BOTICKI, Ivica et al. Sortko: Learning sorting algorithms with mobile devices. In: 2012 IEEE Seventh International Conference on Wireless, Mobile and Ubiquitous Technology in Education. IEEE, 2012. p. 49-56.
[5] PPC, (2012), disponível em <https://computacao.jatai.ufg.br/up/183/o/PPC.pdf?1378777534> Data de acesso: 25 de julho do 2019