Toda luta que se faz história nasce da necessidade de ruptura. É preciso enxergar os muros para imaginar o lado de fora.

Na Psicologia, essa travessia se marca na Luta Antimanicomial: contra o modelo asilar de exclusão, ergueu-se o movimento que afirmou que a vida não cabe entre grades. A Lei nº 10.216/2001 simbolizou essa conquista, mas os retrocessos recentes lembram que a luta não cessou.

O mesmo vale para o mundo do trabalho. Entre metas inalcançáveis, flexibilizações e precariedade, vidas se esgotam. A pandemia agravou essa fissura, dissolvendo fronteiras entre casa e ofício e expondo ainda mais vulnerabilidades. Nomear o problema não basta: é preciso reinventar modos de cuidado.

Saúde mental nunca é abstração: é atravessada por classe, cor, gênero e território. Grupos marginalizados vivem o peso da exclusão e dos estigmas, que não se curam com diagnósticos, mas com escuta e reconhecimento.

A Psicologia, se quiser permanecer viva, precisa abrir-se ao que ainda não foi ouvido. Não será aqui, que todas as fronteiras cairão, mas é preciso lutar para que elas deixem de existir.