Evolução do dimorfismo sexual na mandíbula de Musteloidea (Mammalia: Carnivora)
A radiação adaptativa de Musteloidea reúne alta diversidade taxonômica e ecomorfológica. Ao contrário dos demais carnívoros, os mustelóides hipercarnívoros possuem os menores tamanhos e as maiores intensidades de dimorfismo sexual; as fêmeas investem substancialmente no desenvolvimento dos filhotes, enquanto os machos alocam mais energia no seu próprio crescimento. Embora os padrões de diferenciação intersexual possam ser divergentes em espécies com intensidades de dimorfismo similares, o estudo comparado do dimorfismo sexual na forma dos mustelóides tem se limitado a quantificação da sua intensidade. Neste projeto, investigaremos a evolução da intensidade e dos padrões de dimorfismo sexual na mandíbula de Musteloidea, considerando o efeito indireto do tamanho. Utilizada como ferramenta de defesa, predação e combate, a mandíbula torna-se imprescindível para o sucesso reprodutivo dos mustelóides. Para descrever o padrão multidimensional de dimorfismo sexual pela primeira vez no grupo, a forma e tamanho da mandíbula de machos e fêmeas de 73 espécies serão quantificados. Variações de modelos de evolução adaptativos e não-adaptativos serão utilizados para entender como o dimorfismo sexual evolui em caracteres morfológicos complexos. Testaremos a hipótese de que o dimorfismo sexual evoluiu como um subproduto da evolução ecomorfológica diferencial entre sexos. Não esperamos modos evolutivos distintos entre sexos, que devem seguir os mesmo regimes de seleção ecomorfológica de Carnivora. No entanto, é possível que diferenças no ritmo de modificação morfológica entre sexos contribuam para a emergência do dimorfismo sexual em mustelóides. Com dimorfismo sexual apenas equiparável aos felídeos, Musteloidea é um táxon indispensável no estudo da interação entre seleção sexual e divergência de nicho ecológico no fenótipo hipercarnívoro.
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