Investigando a associação entre padrões alométricos, gradientes climáticos e dimorfismo sexual na evolução de carnívoros sul-americanos
Em clados amplamente distribuídos geograficamente, como os carnívoros sul-americanos, a morfologia das espécies pode variar ao longo de um gradiente ambiental. Esta variação pode ser explicada por regras ecogeográficas, como as regras de Bergmann e de recursos, e alométricas, como a regra de Rensch. Bergmann prevê um aumento do tamanho corporal em altas latitudes (ambientes mais frios) como uma adaptação para evitar a perda de calor. A regra de recursos associa o aumento do tamanho corporal das espécies com os padrões de variação, no tempo e/ou espaço, na disponibilidade e tipo de alimento disponível em diferentes áreas, criando condições favoráveis às taxas de crescimento dos animais. A regra de Rensch prevê um aumento do dimorfismo sexual com o aumento do tamanho das espécies, podendo interagir diretamente com as regras ecogeográficas. Embora estas regras ecogeográficas tenham sido originalmente postuladas em relação à variação do tamanho dos animais, suas ideias podem se estender aos padrões de variação da sua forma. Isso se deve ao fato de que a forma dos animais (especialmente o aparato alimentar) possui um componente funcional, estando relacionada à sua ecologia alimentar, além da relação intrínseca de correlação entre tamanho e forma dos caracteres morfológicos (= alometria). Neste contexto, propomos avaliar a associação entre alometria, variação climática e dimorfismo sexual na morfologia mandibular dos carnívoros sul-americanos. Analisaremos a variação intraespecífica da forma da mandíbula destes animais, a fim de entender como regras alométricas e ecogeográficas se associam macroevolutivamente. Planejamos um procedimento passo a passo para aplicação de modelos analíticos para funcionar interativamente entre dados intra e interespecíficos para analisar a variação alométrica, ecogeográfica e sexual em diferentes escalas e que poderá eventualmente ser aplicada em múltiplos modelos biológicos, contribuindo para o avanço de estudos evolutivos de larga escala.
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