23/06/2026
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Imagem: Miquéias Souza
Texto: João Pedro Ribeiro
Comunica - Durante as aulas de Teoria da Comunicação, vimos alguns estudiosos analisando as comunicações a partir de enfoques no emissor, na mensagem, no receptor, no processo de produção etc. É possível estudar a Comunicação a partir do enfoque “tempo”?
G.S - “É possível estudar comunicação a partir do enfoque temporal. Eu acho que, tempo é uma dimensão que vai atravessar. Tem disciplinas e áreas que se dedicam à própria temporalidade, se a gente pensar o campo da História, em que o tempo ali é matriz. Mas, pensar Comunicação a partir de uma matriz temporal, especialmente quando a gente pensa que o próprio modo de pensar teorias da comunicação, a comunicação de massas, são associadas à velocidade, ao aspecto industrial, é esse convite à desacelerar. A pensar um Jornalismo desacelerado ou uma Publicidade que dá tempo, que não pensa só na brevidade. É necessário nos dias de hoje.”
Comunica - Como pensar estrategicamente o tempo, tendo em vista que, hoje em dia, dificilmente as pessoas têm tempo de estarem absortas nas leituras?
G.S - “Atenção é uma dimensão um pouco ambígua. Porque, se a gente pensar que estar atento à algo também é estar distraído com alguma outra coisa. Quando eu estou imerso num filme, no feed etc., eu estou absorto de outras coisas e outras dimensões. Mas a atenção ao próprio tempo, quando eu começo a prestar atenção na própria passagem do tempo, é que a gente tem uma ativação de um outro tipo de presença. Não é uma presença que passa no fluxo, mas é uma presença absorta, presente. Então acho que, de novo, modos de existir no tempo presente que impedem que a gente entenda o tempo enquanto uma flecha, enquanto algo só progressivo, no fluxo.”
Comunica - Para os alunos de Comunicação e Multimeios interessados em produzir HQs, pensar o tempo do leitor é uma forma de aproximar o material com seu público-alvo?
G.S - “Tem duas temporalidades quando a gente produz HQs. A temporalidade daquele que faz a HQ. E fazer HQ é algo demorado, é uma coisa laboriosa. O desenho é uma coisa laboriosa. Fazer uma HQ, às vezes, pode demorar anos. Esse tempo do fazer ele é um pouco diferente do tempo do ler. Eu posso fazer uma HQ por 10 anos que vai ser lida em meia hora. Mas o tempo do espectador, acho que é o que tem de mais legal nos quadrinhos. Que, ao contrário do cinema, da música, esse tempo não é imposto pela própria execução. É um tempo que o próprio leitor ele que manda. Então esse leitor enquanto agente da própria leitura é algo que os quadrinhos podem proporcionar. E quando esse leitor está disposto a parar nas páginas, voltar atrás, ter uma relação de leitura menos passiva. Existe um certo agenciamento da leitura. A gente tem que preencher lacunas, enquanto leitor de quadrinhos. Então, o leitor de quadrinhos também é criador. Acho que é essa riqueza.”
Comunica - Os quadrinhos, como produtos textuais em geral, podem ser lidos descontinuamente/espaçadamente. Como essa característica, na percepção da professora, altera o modo que seus leitores interpretam os acontecimentos das narrativas?
G.S - “A gente tem modos de leitura diferentes, espaçados, sequenciados etc. Vou dar um exemplo que talvez fique claro. A gente vai ter quadrinhos hiperbreves, tirinhas, que aparecem, por exemplo, no Instagram, no feed de vocês. A gente vai ter uma experiência muito mais ligeira, muitas vezes, mais efêmera com aquele tipo de experiência. Enquanto a gente vai ter obras, que mesmo que curtas, e não é questão de ser longa ou curta, vão demandar um pouco da gente, demandar atenção e ser mais exigentes. Então, a gente pode aplicar diferentes modos de percepção e de leitura em diferentes gêneros, formatos. De novo, o legal dos quadrinhos é essa possibilidade desse leitor agente construir sua própria leitura a partir do que percebe ali.”
#DescriçãoDaImagem: Ilustração colorida em formato de banner horizontal. O texto é uma cobertura do XIV Multicom, por isso utiliza a identidade visual do evento. Na extremidade esquerda, a logo do ComunicaUEM. Ao lado esquerdo dela, há três retângulos nas cores magenta, azul e amarelo. No centro, a logo do evento XIV Multicom. Na esquerda inferior da logo, há uma foto pequena da palestrante Greice Schneider. Ela é uma mulher branca, com cabelo de comprimento médio, usando uma jaqueta e uma camiseta listrada, e está sentada. Já a direita, a uma foto maior de Greice, com uma roupa branca. Ela olha para frente enquanto sorri. Atrás dela, há uma listra de tinta cinza.Fim da descrição.
23/06/2026
A cerimônia de encerramento contou com premiação do ‘Arte na Capa’ e palestra da Profa. Dra. Greice Schneider
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Imagens: equipe Multicom
Texto: João Pedro Ribeiro
Na sexta-feira, 19, o curso de Comunicação e Multimeios da UEM concluiu a 14ª edição do Multicom, encontro anual que reúne oficinas, mostras científicas, artísticas e palestras. A palestra ‘O tempo suspenso do infraordinário: notas sobre quadrinhos e lentidão’, da Profa. Dra. Greice Schneider, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), encerrou o evento.
A professora, que estuda quadrinhos desde 2016, iniciou sua fala com um contraponto à noção comum da mídia. Para ela, os quadrinhos apresentam uma linguagem complexa, cheia de intenções e camadas. Sobre um dos temas principais do evento, o tempo, a professora propôs um outro caminho de fazer quadrinhos, que cultiva lentidão e atenção.
Sobre os temas do XIV Multicom, a Profa. Greice abordou temporalidade, traço e movimento sob a ótica dos quadrinhos. Embora comumente entendemos os quadrinhos como uma arte sequencial, o tempo dos quadrinhos, segundo a professora, também pode se chocar, colidir nas páginas. Citando o exemplo ‘Bo Bo Bolinsk’, do quadrinista Robert Crumb, a professora afirmou: “Para mim, os quadrinhos são uma marca do tempo. Não saber quanto tempo passou vira uma leitura do quadrinho. Ela sai do fluxo e entra na duração.”
A Profa. Greice também destacou como o tempo de leitura e feitura são distintos. Este último, associado à produção do desenho. O desenho parte de um gesto do corpo e, desta maneira, exerce o papel de uma performance. Ela também citou o caráter indicial do desenho, revelando o processo de sua própria feitura. A partir disso, apontou seu uso testemunhal, instante em que o traço é rápido, frágil e rústico, em contraste de quando se deseja expressar uma ideia – se tornando cartunesco, acessível e esquemático.
Suas constatações finais sobre o tema, abordando o movimento, compreende o papel da ação nos quadrinhos. Quadrinhos produzidos em escala industrial são obcecados pelo movimento e velocidade. Para ela, o movimento é uma questão da passagem do tempo, que nos permite pensá-lo de uma maneira elástica. A partir da experiência da leitura, é possível entender como o tempo se sobrepõe, indica a Profa. Greice.
“Minha questão é pensar o quadrinho de uma forma mais ampla. Como as imagens se espalham na página. Não é algo que tem um tempo imposto”, comentou. A partir do movimento, temos a fragmentação e a transformação da espacialidade. “Quase como um pedido explícito: para, desacelera”, continuou.
Para a professora, o movimento mínimo consegue produzir o infraordinário. Quando a história dá destaque a coisas mínimas, sem importância. Isso gera uma narrativa fina. No entanto, ao invés de representar uma banalidade, o infraordinário é “o ato de resgate da nossa própria existência”. Que permite trabalhar questões profundas e poéticas do cotidiano. A postura nesses quadrinhos é, portanto, de recusa: não permitir que o cotidiano seja ignorado.
A palestra da Profa. Greice também reforçou a materialidade do traço. Devido a repetição dos desenhos, os quadrinhos podem apresentar, por vezes, poemas visuais, com ritmo, rimas e alternâncias. Na conclusão de sua fala, ela reforçou que a subversão de quadrinhos sobre o infraordinário é promover a reflexão. “Ao invés do soco [punchline], ganhamos um peteleco”, brinca. Os quadrinhos permitem a construção de um tempo próprio como forma de resistência. Ao final, a Profa. Greice questiona: “o que a gente faz com esse tempo suspenso?”
A sessão de perguntas foi mediada pela Profa. Ana Cristina, que comentou como o encerramento do evento representava uma forma de resistência, tendo em vista as condições climáticas do dia, bem como o fato de que o evento encerrou poucos minutos antes do início do jogo da seleção brasileira.
A palestra contou com uma sessão de perguntas, que permitiu à Profa. Greice aprofundar mais o tema. Entre o que foi discutido, teve-se debates sobre como a época da pandemia influenciou a produção de quadrinhos; a função ativa do leitor na produção dos sentidos, e como ele também realiza trabalhos criativos; comparações ao audiovisual, e como os quadrinhos não impõem o ritmo, como no cinema; a leitura do quadrinho como tempo suspenso, que se opõe a velocidade dos dias de hoje; a presença do infraordinário em outras artes e a sua admissão recente no universo dos quadrinhos; as provocações que ocorrem quando os quadrinhos entram em contato com outros meios, bem como a importância de dar enfoque ao que cada um tem de específico e instigante; a relevância das sarjetas para os quadrinhos; o texto como uma segunda tensão que se relaciona com o tempo; quadrinhos no espaço digital e metodologia de pesquisa.
Arte na Capa
No dia, também deu-se o resultado da votação popular para o concurso de releitura de capas, realizado pelo projeto de extensão ‘Arte na Capa’. Foram quase 500 votos. Os ganhadores receberam Menção Honrosa, além de um kit, patrocinado pelas lojas Melômano Discos e Disquadro. O primeiro lugar foi de Miquéias Souza, aluno de comunicação e participante do ComunicaUEM, com uma releitura de Rita Lee. “Queremos agradecer a participação de todo mundo, ficamos muito felizes”, disse o professor André Bonsanto, um dos coordenadores do ‘Arte na Capa’. A exposição segue na Biblioteca Central até dia 30 de junho.
#DescriçãoDaImagem: Carrossel colorido com onze fotos que registram momentos do palestra de encerramento do XIV MULTICOM, realizado no auditório da ADUEM. As imagens mostram a palestrante, Profa. Dra. Greice Schneider, os professores Ana Cristina e Diego Granja junto à palestrante, os alunos que fizeram parte do cerimonial de encerramento e os participantes do concurso do projeto de extensão 'Arte na Capa' posando juntos para fotos oficiais. Fim da descrição.
18/06/2026
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Imagem: Miquéias Souza
Texto: João Pedro Ribeiro
Comunica - O que o universo das charge nos permite falar sobre a realidade brasileira?
R.M - “A função que a charge acaba contribuindo, do ponto de vista dos processos sociais, é que ela materializa uma representação de aspectos da realidade concreta. É produzida a partir de elementos do lúdico, do humor e da crítica. A charge pode oferecer pra gente pensar a realidade social como uma representação pela via da criticidade e, a partir daí, poder acessar elementos que não apenas a parte dos textos escritos, verbais.”
Comunica - Já a algum tempo, acompanhamos o destronamento do jornalismo impresso pelo digital. Como isso afeta a construção das charges?
R.M - “Afeta a própria presença da charge no universo do Jornalismo. Porque a charge é uma produção cultural, que presta ao Jornalismo um papel bastante importante. Justamente poder representar a realidade, dialogar com os aspectos que são abordados na prática jornalística cotidiana. À medida que começamos a ter uma presença menos significativa do jornalismo impresso, isso também tende a produzir uma ausência, uma diminuição do uso da charge nesse contexto. Não que os sites não possam também utilizar charge na sua estrutura organizativa, mas isso acaba não acontecendo da maneira que poderia acontecer pela própria importância que a charge pode cumprir.”
Comunica - Para um estudante de graduação que tenha interesse em usar o humor ou jornalismo gráfico como manifestação política, ou arma de combate, qual seria seu conselho?
R.M - “Tenho muito convicta a importância que a charge como uma estratégia comunicativa pode produzir no contexto do Jornalismo, do diálogo mais amplo com a sociedade, por exemplo, da Publicidade, da Comunicação Organizacional, então não só no espaço do Jornalismo tradicional, mas na comunicação de um modo geral. A primeira condição é defender a própria importância da charge. Isso é algo que a gente tem visto com menos recorrência. Tem de fato um abandono, porque as estratégias tecnológicas possibilitadas acabam por desvalorizar ou encarecer alguns processos. Porque, para produzir uma charge, você depende do artista ser contratado, poder produzir a sua arte e ela ser compatível com aquilo que se pretende com ela. Não é só o chargista produzir e ser publicado, depende da relação que o editor tem de olhar a charge e ver se ela cumpre de fato aquele papel. Acho que esse movimento de não perder de vista que a charge é uma importante estratégia comunicativa é o primeiro passo. Se o estudante também tiver a habilidade da produção, insistir com ela.”
Comunica - E qual seu conselho para estudantes interessados em pesquisas correlatas a sua?
R.M - “A charge, como um objeto de estudo, é riquíssima. Eu venho trabalhando com pesquisa, estudando charge a bastante tempo e têm espaços imensos de produção de pesquisa, sobre vários aspectos. Pensar a charge como produção comunicativa, fonte histórica, produção artística, gênero jornalístico. Então você tem várias entradas possíveis para o estudo da charge. O que precisa ter é o incentivo de proposição de projetos que estudem charge. A pesquisa com o objeto visual, que é a charge.”
Comunica - O que podemos dizer da produção de charges de movimentos e grupos de direita? Elas são analisadas? É possível pensar que há diferenças significativas nas charges de acordo com os diferentes posicionamentos políticos?
R.M - “A charge foi reivindicada muito mais como uma produção comunicativa do campo das chamadas 'esquerdas' porque um dos aspectos fundamentais da charge é a capacidade de ser crítica. Agora, não significa que não haja viéses críticos no pensamento de direita. A direita também se vale de perspectivas críticas, mas sobre a ótica da direita. Por isso que, historicamente, foi muito mais presente a charge no contexto comunicativo de movimentos sociais, sindicais, do campo político da esquerda. Porque se caracterizou como o movimento da charge. Mas ela não é propriedade de uma determinada perspectiva política. Os pensadores, ideólogos, apoiadores e defensores de um pensamento de direita também tem utilizado charges. A questão é a gente estabelecer uma compreensão do próprio campo político e nele identificar qual é a contribuição que a charge pode produzir para os objetivos de um e de outro.”
#DescriçãoDaImagem: Ilustração colorida em formato de banner horizontal. O texto é uma cobertura do XIV Multicom, por isso utiliza a identidade visual do evento. Na extremidade esquerda, a logo do ComunicaUEM. Ao lado esquerdo dela, há três retângulos nas cores magenta, azul e amarelo. No centro, a logo do evento XIV Multicom. Na esquerda inferior da logo, há uma foto pequena palestrante Rozinaldo Miani, um homem branco, alto, usando uma camisa manga longa e segurando um microfone. Já a direita, a uma foto maior de Rozinaldo, com a mesma roupa. Sua mão cobre parcialmente o 'M' da logo do evento.Fim da descrição.
18/06/2026
Nesta quarta-feira, 17, o prof. Dr. Rozinaldo Miani reuniu alunos, professores e egressos do curso de Comunicação e Multimeios (CMM), além de professores de outros cursos da UEM, para debater sobre charges, humor gráfico e resistência. A palestra, com o tema ‘O humor gráfico em ação: traços de resistência e arma (simbólica) de combate’, abriu o ‘Multicom’, evento anual de CMM.
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Imagens: Equipe Multicom
Texto: João Pedro Ribeiro
Esta não foi a estréia do professor do Mestrado em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina no evento. Rozinaldo esteve presente em sua 3ª edição, falando sobre mídias alternativas.
Como autodescrição, o professor destacou: “sou um homem branco, alto, com cabelo e olhos claros, não uso barba, uso óculos em momentos de leitura, estou vestindo uma calça azul e uma blusa de manga comprida da cor cinza.”
O XIV MULTICOM
Em sua 14ª edição, o Multicom explora a temporalidade, o traço e o movimento. No cerimonial de abertura, conduzido pelas alunas Naylla Escodiero e Giovanna Marana, os professores doutores Renata de Paula e Diego Granja, coordenadores do evento, destacaram-o enquanto um momento importante para o curso. “Esse é um espaço de troca e de união”, disse a profa. Renata, enquanto o prof. Diego descreveu o evento como “uma oportunidade do curso pensar a si mesmo”.
O aluno Felipe Gonçalves, responsável pela identidade visual do ‘XIV Multicom’, explicou como as propostas do tema foram abordadas em sua comunicação visual, inspirada em elementos impressos, como jornais e histórias em quadrinhos.
Por fim, o professor doutor André Bonsanto, um dos coordenadores do projeto ‘Arte na Capa’, convidou os presentes para a mostra artística do projeto, que acontece paralelamente ao cronograma do Multicom, na BCE.
‘O humor gráfico em ação’
O professor iniciou com uma fala sobre sua trajetória. Na adolescência e juventude, participou nos movimentos político-sociais, de luta estudantil e interessou-se pelo humor gráfico na imprensa sindical. Já na vida acadêmica, Rozinaldo graduou-se em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e História. Sua pesquisa aprofundou-se nas charges, as quais, em tom descontraído, Rozinaldo comentou que possui “grande frustração em não saber produzir”.
Com o avanço das tecnologias, o enfoque somente ao ‘traço humano’ tornou-se inviável, explicou. Por isso, hoje também inclui na categoria ‘Humor Gráfico’ produções que utilizem tecnologia em alguma de suas etapas. O público assistia atento e anotava enquanto Miani explorava as modalidades específicas: caricaturas, histórias em quadrinhos, tiras cômicas, cartuns e charges.
Sobre a construção de uma proposta metodológica, o professor advertiu sobre a importância da análise do discurso chárgico. “Não basta fazer uma descrição. Ela pode acontecer, mas não sendo suficiente ou determinante para o processo de análise. Para isso é preciso entender a conjuntura política que resultou num conjunto de aspectos que demarcam com maior precisão a qualidade analítica.”
Rozinaldo situa a charge como um produto da realidade cotidiana. Sobre seu papel enquanto fonte histórica, o professor cita uma hierarquização no campo, que exalta os documentos em detrimento de fontes visuais e orais.
Abordando a charge como uma produção verbo-visual, o professor a qualificou como possuindo uma natureza dissertativa, humorística, lúdica e intertexual. Aprofundando, Rozinaldo complementou que o ‘humor’ é “denúncia, transgressão, destronamento dos poderosos e, em uma de suas camadas, capaz de impulsionar o riso”, sem estar estritamente ligado a este último.
Citando a charge como um signo ideológico, ele afirmou a capacidade das produções de influenciar politicamente o leitor e conscientizá-lo de sua realidade social, promovendo a divulgação e a defesa de uma ideologia. “A gente pode até não identificar o contexto mais amplo que isso tudo se constrói, mas a ideologia está ali, impregnada nessas produções culturais”, disse.
Ao final da palestra, Rozinaldo demonstrou a charge usada como um instrumento de crítica, denúncia e mobilização, a partir do chargista Carlos Latuff e seus trabalhos sobre a situação da população palestina.
A rodada de perguntas foi aberta por um comentário da mediadora, profa. Dra. Valéria Soares de Assis (UEM), sobre as características estéticas do humor. A professora também discorreu sobre a temporalidade dos memes e das charges.
Durante as perguntas, o professor também citou disputas de discurso entre movimentos progressistas e conservadores, o aumento do volume de produção das charges com a chegada da internet e o duplo papel das charges no jornalismo tradicional, às vezes servindo entretenimento, outras como editorial ilustrado.
#DescricaoDaImagem: Carrossel colorido com oito fotos que registram momentos do palestra de abertura do XIV MULTICOM, realizado em um auditório na UEM. As imagens mostram o palestrante, Professor Rozinaldo Miani, e organizadores apresentando-se no palco com microfone, interagindo atrás do púlpito e posando juntos para fotos oficiais. Outros registros capturam a perspectiva dos bastidores e a cobertura do evento, exibindo o auditório repleto de estudantes atentos, uma câmera profissional gravando as atividades em um tripé e uma integrante da organização registrando a palestra pelo celular. Fim da descrição.
12/06/2026
Criatividade. Parece que nunca falamos tanto em criatividade. Ao mesmo tempo, talvez
nunca tenhamos pensado tão pouco sobre ela. Em uma era em que ferramentas de
inteligência artificial produzem textos, campanhas e conceitos em segundos, o discurso
dominante é o da democratização das ideias. Todos podem criar. Tudo pode ser gerado. A
criatividade, ao que parece, foi finalmente automatizada.
Mas há algo profundamente incômodo nisso.
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Texto e imagem: João Luiz Lazaretti
Se voltarmos ao que James Webb Young propõe em Técnica para Produção de Ideias, percebemos que a ideia não é um produto instantâneo, nem um truque de linguagem. Ela é resultado de um processo exigente de coleta rigorosa de informações, digestão consciente dessas referências, um período de incubação e, só então, o momento da iluminação. Ideias, nesse sentido as ideias e a criatividade não são atalhos… são consequência.
A facilidade de gerar ideias hoje cria uma sensação enganosa de abundância. Em um minuto é possível criar uma infinidade de campanhas, textos, posts, slogans. Mas quantidade não é sinônimo de criatividade e, em muitos casos, é o seu oposto.
A inteligência artificial leva ao extremo que ideias são novas combinações de elementos antigos. O que basicamente ela faz é uma combinação de dados em escala massiva, com velocidade e precisão impressionantes com tendência ao previsível, dentro do que já foi dito, do que já funcionou, do que estatisticamente faz sentido.
O problema é que criatividade não é apenas recombinação eficiente. É também ruptura, desconforto, risco.
Existe um ponto que frequentemente passa despercebido: a matéria-prima das ideias humanas não é apenas informação… é experiência.
Quando uma pessoa observa o mundo, ela não coleta dados de forma neutra. Ela interpreta, sente, reage. Suas referências são atravessadas por contexto social, memórias e afetos. É esse acúmulo subjetivo que permite conexões inesperadas.
A inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, não vive nada disso. Ela organiza padrões. Ela replica estruturas. Ela otimiza respostas. O que acontece quando delegamos cada vez mais o processo criativo à essas ferramentas, corremos o risco de empobrecer justamente aquilo que alimenta boas ideias: o repertório vivido.
Não se trata apenas de “usar IA como ferramenta”, mas de perceber como ela reconfigura nossos hábitos. Se deixamos de observar, de refletir, de demorar, o que sobra para combinar?
Segundo Young, o surgimento de uma ideia não é um momento mágico, mas o resultado de um processo estruturado que começa com a coleta de matéria-prima, isto é, a busca ativa por informações específicas sobre o problema e também por referências gerais, ampliando o repertório. Em seguida, vem a etapa de digestão, na qual o indivíduo analisa, cruza e tenta estabelecer relações entre esses elementos, explorando possibilidades e combinações de forma consciente. No entanto, quando esse esforço racional parece se esgotar, entra em cena a fase da incubação, um afastamento deliberado do problema, em que a mente inconsciente continua trabalhando silenciosamente, reorganizando essas conexões até que, mais adiante, a ideia possa emergir de forma aparentemente espontânea.
No método de Young, talvez a etapa mais negligenciada hoje seja a “incubação”, o tempo em que a ideia ainda não existe, mas está sendo gestada fora da consciência. Esse tempo exige pausa, afastamento e sobretudo não produzir.
Em um ambiente digital que valoriza velocidade e produtividade constante, a incubação se torna quase inviável. A lógica é invertida. Quanto mais rápido você entrega, melhor. Quanto mais conteúdo você gera, mais relevante você parece.
A inteligência artificial se encaixa perfeitamente nesse modelo. Ela elimina o intervalo E substitui o silêncio pelo preenchimento imediato.
O que Young diz é que sem incubação o que temos não são ideias e sim respostas.
Outro aspecto preocupante é a transformação da criatividade em serviço sob demanda. Basta um comando (às vezes nem sempre bem formulado) e a ideia aparece.
Young defendia que boas ideias exigem esforço intelectual e sensibilidade. Hoje, o esforço é terceirizado, e a sensibilidade corre o risco de se tornar irrelevante. A pergunta muitas vezes deixa de ser “como pensar melhor?” e passa a ser “como pedir melhor?”.
#DescriçãoDaImagem: A imagem é um infográfico horizontal, colorido e em estilo lúdico, que apresenta as cinco etapas para chegar a uma ideia. À esquerda, há uma faixa vertical em tom rosa-claro com o título “5 etapas para a ideia” escrito em letras grandes e brancas. O restante da composição é dividido em cinco partes, cada uma com uma cor suave, um número grande no topo e uma ilustração com bonecos de palito representando uma fase do processo criativo. Na primeira etapa, em azul-claro, o personagem aparece sorridente segurando uma lupa, cercado por elementos como livro, globo, folhas, borboleta e frasco de laboratório. Essa parte representa o momento de reunir materiais e informações, tanto aqueles diretamente relacionados ao produto ou à tarefa quanto conhecimentos gerais, que ampliam o repertório e ajudam a conectar diferentes conceitos. Em seguida, na segunda etapa, em tom alaranjado, o boneco está em atitude pensativa, rodeado por símbolos como engrenagem, peça de quebra-cabeça, cubo e conexões pontilhadas. Essa fase mostra a análise mental do material coletado, como se fosse necessário “mastigar” as informações, observar os fatos por diferentes ângulos e experimentar maneiras distintas de encaixar as ideias. A terceira etapa, representada em verde-claro, mostra o personagem caminhando tranquilamente em um ambiente natural, com árvore, grama, nuvens e notas musicais. Ela simboliza o momento de se afastar do problema, esquecer temporariamente a questão e fazer algo que traga ânimo, energia e leveza. Depois disso, na quarta etapa, em amarelo-claro, o boneco aparece sorridente segurando uma lâmpada acesa, que representa o lampejo de inspiração. A imagem sugere que a ideia surge justamente depois de um período de esforço seguido de pausa, quando a mente encontra uma solução de forma mais espontânea. Por fim, a quinta etapa, em tons de rosa e lilás, mostra um personagem moldando um vaso em um torno de cerâmica. Ao redor dele aparecem ícones de pessoas, conversas, avaliação e aprovação, indicando que a ideia precisa ser desenvolvida, testada e aperfeiçoada. Essa fase representa o momento de transformar a inspiração em algo útil na prática, apresentar a ideia ao mundo, receber críticas e adaptá-la conforme necessário. De modo geral, a imagem transmite que o processo criativo não acontece de maneira imediata, mas passa por uma sequência de pesquisa, reflexão, descanso, inspiração e desenvolvimento. Fim da descrição.
28/05/2026
Texto e montagem: João Pedro Ribeiro
A palavra incel deriva do termo “involutary celibacy” (do inglês, celibato involuntário). Ela surgiu no site “Projeto da Alana de Celibato Involuntário”, um blog para que pessoas compartilhassem suas ansiedades com relacionamentos amorosos e o medo, seja ele racional ou não, da solidão. No entanto, o termo foi cooptado pela manosfera, uma comunidade virtual de hipermasculinidade agressiva composta, além do movimento incel, por professores de sedução, celibatários voluntários do movimento “Man Going Their Own Way” (MGTOWN) e red-pills.
O celibatário e a sua linguagem
O discurso incel é formado por conceitos pseudocientíficos, aglutinação de palavras e termos racistas, xenófobos e patriarcais, linguagem popularizada em plataformas como Reddit e 4chan. O uso de “alfa” e “beta”, por exemplo, é feito a partir de uma teoria já desbancada sobre o funcionamento das sociedades lupinas. Outras palavras são “femóide” (junção de “fêmea” e “humanóide”), “looksmaxxing” e “mogging” (se mostrar superior a outros homens) e “wristcel” (indivíduo que atribui seu celibato ao tamanho do seu pulso).
Nesses espaços, os homens aprendem que existem características indeléveis que os tornam, no geral, uma companhia indesejável para os outros; sobretudo, para o sexo oposto. Em suma, essas terminologias prometem explicar para seus usuários quais dos seus trejeitos, traços físicos ou de personalidade jamais permitirão que eles formem vínculos afetivos profundos com outras pessoas. Nesse processo, é alimentado um ciclo de ódio pelas mulheres, por outros homens e por si próprio que já ceifou a vida de muitos.
Devido a linguagem extremamente violenta, a comunidade incel é classificada como autolesão digital (digital self-harm). Esse termo, criado em 2017, designa espaços em que, por meio de hashtags, siglas e símbolos, uma comunidade virtual ativamente apoia as atitudes autodestrutivas de seus membros. A Internet facilitou o desenvolvimento de grupos onde homens expressam seu lado adoecido, ressentido e violento abertamente. Por conseguinte, esses grupos agravam pensamentos e comportamentos antissociais.
“Seja lá qual for o site que você tirou esse jargão, tá te prejudicando”
Alguns termos do linguajar incel – de caráter misógino, conscientemente antissocial e abertamente violento – foram cooptados por outros grupos, independente se estes compactuam ou não com o movimento.
Em 2024, na rede social Tumblr, a usuária “tpwrtrmnky” postou “Internalizado”, parte da sua websérie “Pills that make you green” (Pílulas que te deixam verde). Os painéis mostram uma figura laranja convencida de que é incapaz de se “passar” por laranja. A personagem utiliza palavras que parodiam termos incels, como “laranjacel” e “primaróide”. No fim, a protagonista da série conclui: “seja lá qual for o site de onde você tirou esse jargão, está te prejudicando”.
Em sites como 4chan, nas discussões LGBTQIAPN+, a autolesão digital também se faz presente. Os termos usados são fatalistas e partem de uma linguagem intencionalmente polêmica, como acontece em outros espaços dessas plataformas. Ao participar dessas conversas, uma pessoa transgênera que não é considerada “passável” (termo por si só problemático, usado quando a pessoa não aparenta ser trans), se vê cercada por terminologias que prometem explicar quais dos seus trejeitos, traços físicos ou de personalidade jamais permitirão que ela seja lida socialmente como o sexo que se identifica.
Muito além de um braço da manosfera, a identidade incel e o seu léxico são sintomáticos de espaços virtuais tóxicos. O problema surge quando, a cada ano, essa ideologia torna-se cada vez mais popular entre os jovens. É preciso combater essa popularização, tendo em vista que o movimento de celibato involuntário é um tipo cruel de autolesão digital, com caráter fatalista e que, em mais de uma ocasião, terminou em tragédia.
FONTES:
COHEN, K. et al. Toxic language in online incel communities. SN Soc Sci, vol. 1, 2021. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s43545-021-00220-8. Acesso em: 24 mar. 2026.
CONTRAPOINTS. Incels | ContraPoints. Youtube, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fD2briZ6fB0. Acesso em: 24 mar. 2026.
KAREN, G. B. Gen Z and the Adoption of Incel Slang. Medium, 2 jun. 2025. Disponível em: https://medium.com/@gershonbenkeren_6686/gen-z-and-the-adoption-of-incel-slang-fa11e147d097. Acesso em: 24 mar. 2026.
KLEIN, E.; GOLBECK, J. A Lexicon for Studying Radicalization in Incel Communities. WEBSCI '24: Proceedings of the 16th ACM Web Science Conference, p. 262-267, 2024. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/3614419.3644005. Acesso em: 24 mar. 2026.
PATER, J.; MYNATT, E.Defining Digital Self-Harm. CSCW '17: Proceedings of the 2017 ACM Conference on Computer Supported Cooperative Work and Social Computing, p. 1501-1513, 2017. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/2998181.2998224. Acesso em: 24 mar. 2026.
Descrição Da Imagem: Montagem digital com fundo preto. No canto superior esquerdo, um recorte de um braço cinzento joga fora pílulas vermelhas. Ao redor delas, há um círculo vermelho vibrante com efeito granulado. Fim da descrição.
21/05/2026
Com o decorrer do surgimento dos canais midiáticos ao longo da história, a sensação de se sentir próximo de celebridades e figuras “dentro das telinhas” começou a se tornar cada vez mais comum. Atualmente, é normal as pessoas acreditarem que, de fato, construíram uma espécie de relação com aqueles produtores de conteúdo que consomem. Entretanto, quando esse sentimento se torna uma obsessão, pode-se gerar isolamento, ansiedade e até uma dependência emocional por alguém que nem sabe da sua existência.
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Texto e imagem: Miquéias Souza
Estudos avaliam que, por meio do conteúdo absorvido de forma única por cada uma dessas pessoas, cria-se uma base para o falso sentimento de ter uma conexão também única com aquela celebridade. Isso explica até mesmo o fenômeno de certa credibilidade que algumas pessoas famosas podem passar para seu público em determinada propaganda publicitária, por exemplo.
Atualmente, as redes sociais conseguem fortalecer ainda mais esse tipo de relação unilateral. Nesse cenário, muitas pessoas gastam tempo, energia e até mesmo dinheiro com outro ser humano que não sabe nada sobre você em retorno. Para alguns, o cultivo desse tipo de relação “supre” a necessidade de relações reais e presenciais, seja por traumas ou dificuldades psicológicas.
Segundo Leila Tardivo, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, esse tipo de relação é comum, sendo um fenômeno que, de certa forma, faz parte da vida de todos. Em entrevista para o “Jornal da USP no Ar”, ela reforça que isso ocorre principalmente nos mais jovens, já que o processo de amadurecimento envolve a busca pela identificação com outros indivíduos, personalidades e estilos de vida.
No passado, as relações parassociais surgiam predominantemente de celebridades da televisão, rádio e jornal. Agora, os alvos dessas possíveis obsessões abriram para um leque ainda maior: criadores de conteúdo, influenciadores digitais e streamers, tornando cada vez mais fácil se identificar com alguém e criar uma falsa proximidade idealizada por causa dela.
Para agravar ainda mais essa facilidade de se criar uma parassocialidade com a Internet em mãos, as redes sociais permitem que os famosos compartilhem suas opiniões e gerem uma maior proximidade de ideais entre seus consumidores de conteúdo. Ademais, uma grande dependência de internet pode acarretar a um aumento de interações parassociais, segundo a neuropsicóloga Marina da Silveira Rodrigues, do Instituto Inclusão Brasil.
Sendo um sentimento unilateral, as relações parassociais ainda possuem características muito semelhantes às relações sociais mais tradicionais. Esse tipo de conexão se dá de forma voluntária, cria-se o aconchego de uma companhia para a pessoa e é muito influenciada pela atração social sentida pelo outro. Dessa forma, sentimentos de afeição, gratidão e lealdade são muito comuns vindo da parte consumidora do conteúdo/celebridade.
Mesmo que, historicamente, a parassocialidade seja vista como patológica e sintoma de solidão, isolamento e ansiedade social, recentemente foi observado que não há nenhuma relação entre a solidão e a intensidade de uma conexão parassocial com uma personalidade. Com isso, os estigmas desses sentimentos estão sendo cada vez menos criticados e sim apoiados pelas celebridades como uma forma de engajamento em suas redes, sendo peças fundamentais para aumentar suas visualizações como uma nova técnica usada em redes sociais.
Referências:
INSTITUTO INCLUSÃO BRASIL. Dependência das redes sociais e o esvaziamento das relações humanas: impactos psíquicos e caminhos terapêuticos. São Vicente, 12 out. 2025. Disponível em: https://institutoinclusaobrasil.com.br/dependencia-das-redes-sociais-e-o-esvaziamento-das-relacoes-humanas/. Acesso em: 04 maio 2026.
TARDIVO, Leila Salomão de la Plata Cury. Relações parassociais explicam os motivos para o apego das pessoas a figuras públicas. [Depoimento]. Entrevistadora: Julia Galvão. São Paulo: Rádio USP, 29 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/relacoes-parassociais-explicam-os-motivos-para-o-apego-das-pessoas-a-figuras-publicas/. Acesso em: 04 maio 2026.
FIND A PSYCHOLOGIST. Parasocial Relationships: The Nature of Celebrity Fascinations. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.findapsychologist.org/parasocial-relationships-the-nature-of-celebrity-fascinations/. Acesso em: 04 maio 2026.
#DescriçãoDaImagem: Ilustração colorida em formato de banner horizontal. Em um fundo branco, cinco figuras humanas idênticas aparecem enfileiradas lado a lado. Cada figura está agachada e segura um smartphone gigante à sua frente, com a cabeça "mergulhada" dentro da tela do aparelho. As cores das telas se alternam entre rosa e amarelo ao longo da fila. As figuras vestem camisas cinza-claras e calças pretas. Fim da descrição.
18/05/2026
Estamos de volta com o Comunicast! Para ouvir, basta clicar na capa deste post.
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Texto e montagem: Matheus Yukio Takahassi
No imaginário de milhões de pessoas, Hogwarts sempre foi mais do que uma escola de magia. Foi um lugar de pertencimento. Um refúgio para quem cresceu se sentindo diferente, deslocado ou excluído. Mas, décadas depois do surgimento de Harry Potter, uma pergunta continua ecoando entre fãs e críticos: Hogwarts ainda é um lugar seguro?
Neste primeiro episódio do Comunicast, dividido em duas partes, vamos revisitar o universo criado por J. K. Rowling a partir de uma leitura crítica sobre raça, gênero, sexualidade e representatividade. Na primeira parte, iremos analisar alguns personagens e entender como suas construções revelam estereótipos, apagamentos e metáforas sociais presentes dentro da narrativa.
Fica de olho que, em breve, vem a Parte 2.
Referências: The Spectator - There is Nothing Magical in Reinforcing Asian Stereotypes; SILVA, Gabriel Felipe da. Da página à tela: o lobisomem em Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban. 2024. 162 f. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2024; Harry Potter: More About Race Than You Thought; “Literal and Metaphorical: Racial Themes in Harry Potter” by Kayhan Nejad
#DescriçãoDaImagem: Montagem em preto e branco. Imagem com fundo bege e textura granulada, Seis personagens estão alinhados lado a lado, ocupando toda a largura da imagem, todos voltados para frente: À esquerda, Remus Lupin, um homem de aparência pálida, com expressão séria, cabelo escuro e roupas formais. Ao lado dele, Cho Chang, uma jovem de aparência asiática, com cabelo preto longo e liso, usando uniforme escolar com gravata. Ao lado dela, Kingsley Shacklebolt, um homem negro com expressão séria, vestindo roupas e um pequeno chapéu que lembram um uniforme ou traje cerimonial. Em seguida, Grampo, um duende de aparência envelhecida, com traços marcantes e expressão rígida, usando roupas escuras e formais. Ao seu lado aparece Dobby, um elfo com pele enrugada, olhos grandes e orelhas longas e caídas. Por fim, Rita Skeeter, uma mulher loira, de cabelo curto e ondulado, usando óculos pequenos e trajando um vestido com plumas. Fim da descrição.
15/05/2026
“— Ô comadre, eles fecharam a rua lá de casa para medir, lá. Será que tem como eu posar aí com vocês hoje à noite?
— Sabe o que é, Catarina, eu to recebendo uns primos do interior aqui em casa, aí vai ficar apertado, né.
— Não to contaminada não, Sônia.
— Ai, Catarina. Vocês apareceram na televisão, lá na sua rua tão matando até os bichos.”
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Texto e montagem: Maria Belafronte Pasin
Esse diálogo é um pequeno recorte do terceiro episódio da série da Netflix “Emergência Radioativa”, o qual narra o acidente de césio-137 que assolou Goiânia em 1987. A série é ficcional, mas se baseia em vivências reais para construir a narrativa.
A personagem Catarina faz parte das famílias que tiveram contato direto com o pó radioativo. Na série, após um período em quarentena, o estado de saúde dela é considerado seguro (para ela e para os outros) e Catarina é separada de seus filhos e marido, que são levados para um isolamento no hospital. A casa da personagem foi interditada devido à contaminação, ela está longe da família e sem ter para onde voltar, deixada à mercê de uma sociedade que a encara com desdém.
O diálogo transcrito no começo desse texto é ficcional, mas o simbolismo por trás dele é real. As vítimas do acidente radioativo de Goiânia, além de sofrerem com as consequências físicas da radiação e com o luto daqueles que se foram, também tiveram de enfrentar mais um inimigo: o preconceito.
Em 2011, a BBC realizou uma entrevista com uma das vítimas reais do acidente, Odesson Alves Ferreira. Na entrevista, Odesson relata vários casos de preconceito vividos por ele e pela família após a saída do hospital. As crianças começaram a ter problemas na escola e ele passou a ser evitado pelos colegas de trabalho. Odesson também relata que, ao comprarem uma nova casa após o acidente, uma vizinha fez um abaixo assinado para impedi-los de se mudar. As afirmações dele e dos médicos de que as vítimas do césio não eram perigosas e não podiam contaminar ninguém surtiram pouco efeito.
O preconceito não se limitou às pessoas diretamente vinculadas ao acidente. Para o G1, a goiana Haydee de Abreu relatou que morava perto do bairro onde o pó de césio se espalhou e, embora não tenha se contaminado e nem manuseado o material radioativo, passou a ser isolada pelos colegas da faculdade, que temiam se aproximar dela.
As vítimas do césio-137 e os moradores de Goiânia de forma geral foram marcados por um estigma, eram considerados perigosos, mesmo quando a situação já tinha sido controlada. Além do medo de contaminação, outro preconceito recorrente em relação às pessoas que tiveram contato direto com o pó de césio era voltado para a culpabilização.
A responsabilidade pelo acidente com frequência era atribuída às vítimas, que manusearam o material e o compartilharam. Enquanto a clínica responsável por abandonar o aparelho de radioterapia no centro de Goiânia e órgãos públicos responsáveis pela fiscalização saiam impunes.
Esse aspecto da história é centralizado no último episódio da série. Uma cena curta e simples, mas que me chamou muita atenção: fora de perigo, os sobreviventes deixam o hospital, um dos médicos diz para eles terem “juízo” e recebe como resposta: “Com todo respeito, Doutor. Juízo a gente sempre teve. Quem não tem são os mandantes aí, os mandachuva”.
A série tem vários núcleos narrativos, os profissionais responsáveis por lidar e por conter o incidente, a investigação judicial e as vítimas. Confesso que o núcleo das vítimas me chamou mais atenção, em especial, a forma como físicos, médicos, policiais e agentes do governo lidavam com elas.
Na série, as famílias que tiveram contato mais direto com o césio são retiradas de suas casas à noite, escoltadas por um grupo grande de militares e levadas para o uma área de isolamento no estádio da cidade. Já isolados, as informações dadas a eles acabam sendo vagas e regadas a incertezas. Por quanto tempo eles vão ficar ali? O que vai acontecer com as casas deles? Se todas as suas posses estão contaminadas, como vão refazer as próprias vidas?
Fiquei me perguntando se a série estava exagerando demais em seus elementos dramáticos ou se a abordagem em relação às vítimas tinha realmente ocorrido de uma maneira tão indelicada.
Em meio a isso, um dos relatos de Odesson a BBC me chamou atenção: “Nos primeiros 17 dias, não tinha sequer limpeza no nosso pavilhão. O espaço só recebeu algum tipo de higiene no dia em que (o então presidente da República) José Sarney foi fazer uma visita”.
A série, assim como muitas outras produções audiovisuais que retratam eventos da realidade, usa de artifícios ficcionais para nos fazer refletir sobre temas de relevância. Emergência radioativa, tem diversas cenas emblemáticas para analisar com um olhar atencioso de “o que isso quer dizer?”.
Entrevistas na íntegra: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2011/04/110421_cesio_entrevista_jc
Fonte: BBC, G1
Descrição Da Imagem: Montagem em preto e branco, formada por quatro fotografias. Do lado esquerdo, estão duas fotografias da série. Na parte superior, está a imagem dos personagens Evenildo e Antônia, os dois vestem roupas hospitalares e apresentam expressões de espanto. Na parte inferior, está a imagem dos personagens João e Celeste, os dois utilizam toucas sobre o cabelo, João usa uma máscara. Ambos apresentam expressões cansadas e de medo. Ao centro da montagem está uma imagem das personagens Catarina e Celeste de pé dentro de um ônibus. Já ao lado direito da montagem, há uma fotografia real do acidente em Goiânia. Nela, um grupo de pessoas aparecem em uma fila para serem medidas por um cintilômetro, aparelho que detecta e mede radiação. Essa é a única fotografia com cor na montagem: a pessoa que está sendo medida, o cintilômetro e o braço de quem segura o objeto apresentam um brilho azulado. Fim da descrição
11/05/2026
As plataformas de apostas on-line se tornaram um fenômeno no Brasil. Também conhecidas como bets, do inglês “bet”, apostar, elas prometem prêmios diversos para os usuários, mas quem realmente sai ganhando nessa brincadeira?
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Texto e imagem: João Pedro Ribeiro
Uma conversa franca sobre o impacto da ludopatia – vício em apostas – no Brasil precisa, antes, assumir que esse debate foi eclipsado por figuras como a influenciadora Virginia Fonseca, memes sobre o “jogo do tigrinho” e o resto do pão e circo do qual as bets usaram para conquistar o brasileiro. Afinal, o charme de plataformas de apostas, como Betano, Bet365 e Blaze, dura enquanto não nos atentarmos ao seu poder de influência alcançado, sobretudo, por meio de estratégias de marketing.
“Estratégias pra forrar d+”: as bets e a propaganda enganosa
O mercado de apostas on-line viu no futebol brasileiro uma fonte de visibilidade. Assim, os grandes campeonatos, transmitidos em rede aberta, se transformaram em alvos das publicidades nocivas. Uma das estratégias dessa indústria foi tornar costume entre os torcedores fazer uma aposta sobre o jogo. Começavam as especulações sobre placares, desempenho dos jogadores e muito mais. Outro ponto crucial é o patrocínio dos times de futebol. Clubes como Vasco, Botafogo e Sport Recife têm nessas plataformas suas fontes centrais de receita e estampam marcas delas nas camisetas dos times.
Contudo, as empresas não se restringem aos esportes. Influenciadores digitais, cantores, atores e outras celebridades diversas são contratados para criar conteúdos que associam as apostas a estilos de vida bem-sucedidos e autonomia financeira, induzindo no público a sensação de que apostar é um caminho viável de conseguir uma “renda extra” e transformar sua realidade.
Mesmo após conquistar o usuário, a persuasão continua. Os cassinos virtuais utilizam uma série de incentivos financeiros, como giros grátis e promoções de grandes eventos esportivos, para manter os ludopatas apostando. Além disso, por meio dos algoritmos, as plataformas conseguem identificar usuários inativos, que começam a receber mensagens no aplicativo oferecendo bônus de retorno.
E os efeitos na saúde? Na revista Radius, da Fundação Oswaldo Cruz, há relatos de adolescentes ludopatas que apresentam insônia, queda no rendimento escolar e afastamento da família.
Estamos diante de uma epidemia das bets?
A lógica de recompensa imediata, a facilidade de acesso e o apoio da mídia tornam esse fenômeno um problema global. Em países como Estados Unidos e Argentina, que legalizaram as apostas em 2018, como o Brasil, os impactos são notados sobretudo no público jovem.
No primeiro, a confluência entre apostas, tecnologia e indústria financeira popularizou essa prática nas redes sociais, inundadas por propagandas de bets. Nas plataformas de apostas, nada é sagrado: eleições, guerras, a morte de celebridades e até o retorno de Jesus Cristo viraram apostas. Já na Argentina, uma pesquisa on-line, realizada com jovens de 15 a 39 anos, identificou que 22% deles apostaram no passado.
Como resultado, mais de 63% dos usuários ativos em plataformas on-line possuem entre 18 e 34 anos. Faixas etárias mais novas participam ilegalmente com incentivo da indústria que, ao apresentar as apostas como "sorteios", contorna as restrições de idade. Embora ainda minoritário, o número de mulheres apostando também cresceu nos últimos anos.
Hermano Tavares, psiquiatra da USP, alerta que os grupos mais vulneráveis às bets são os menos favorecidos economicamente ou que vivem em exclusão social total ou parcial. Com a popularização das redes sociais digitais, o alcance das propagandas se potencializa, atingindo ainda mais essas pessoas. Por isso, é tão necessário falarmos sobre os impactos das bets e suas propagandas, para lembrarmos quem são os mais afetados por seus esquemas.
Referências:
ARAUJO, J. A. L. de; BERG, M. A. S. V. D. O jogo compulsivo e a hipervulnerabilidade do consumidor nas plataformas de apostas esportivas online. REVISTA DELOS, v. 19, p. 1-20, 2026. Disponível em: https://ojs.revistadelos.com/ojs/index.php/delos/article/view/8453. Acesso em: 21 mar. 2026.
LUPION, B. Fenômeno das bets: uma perigosa epidemia global. DW Brasil, 15 out. 2024. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/fen%C3%B4meno-das-bets-uma-perigosa-epidemia-global/a-70498656. Acesso em: 21 mar. 2026.
SIMON, C. Gambling problems are mushrooming. Panel says we need to act now. The Harvard Gazette, 28 jan. 2025. Disponível em: https://news.harvard.edu/gazette/story/2025/01/online-gambling-is-on-the-rise-panel-says-we-need-to-act-now/. Acesso em: 21 mar. 2026.
SONO, G. M. A febre das apostas: como as apostas esportivas estão mudando a vida dos brasileiros. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025. Disponível em: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/44615. Acesso em: 21 mar. 2026.
XAVIER, J. Epidemia das apostas online: bets colocam em jogo a saúde mental e financeira dos brasileiros. Radis [Fiocruz], ed. 275, p.10-17. Disponível em: https://radis.ensp.fiocruz.br/todas-edicoes/radis-275/. Acesso em: 21 mar. 2026.
#DescriçãoDaImagem: Montagem digital. Fundo preto. A imagem é escura, com filtro esverdeado e um efeito de fumaça. No centro, é possível ver os olhos de um tigre. Ele se esconde atrás das várias moedas que preenchem o resto da imagem. Essas moedas caem da parte superior e algumas estão mais próximas da câmera que outras. Fim da descrição.
28/04/2026
Quantas vezes já não ouvi a frase “uma imagem vale mais que mil palavras” sem pensar em suas implicações maiores? Essa foi uma das questões que ocuparam minha cabeça enquanto eu lia “Deepfakes: The Incoming Infocalypse” (Deepfakes: o Infoapocalipse Iminente), de Nina Schick. Nos últimos anos, começamos a lidar com a Inteligência Artificial generativa (GenIA) e ela, embora ainda em período embrionário, demonstra uma capacidade desnorteadora de fabricar realidades sintéticas. A partir dessa dúvida, comecei a pensar mais sobre o assunto.
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Texto e imagem: João Pedro Ribeiro
Em síntese, a tese de Schick, publicada em 2020, é de que a sociedade não está pronta para a popularização das GenIAs, dado a confiança do ser humano nos vídeos e áudios como representações da realidade. Investigando mais sobre o assunto, acabei me perdendo em vários textos sobre cinema, tecnologia, simulações e hiper-realidade. A partir deles pude compreender, em partes, nossa relação com as imagens como interpretadas por Schick, indo além de uma aparente ingenuidade e estudando até que ponto nosso senso de realidade é mediado pelas tecnologias que nos rodeiam.
Pense comigo: com a invenção da fotografia, no século XIX, a humanidade descobriu uma maneira de registrar momentos específicos no espaço-tempo. Em seus primórdios, esses aparatos foram compreendidos como capazes de “capturar a realidade”; a foto era um documento, provava que algo aconteceu. No entanto, não demorou muito para que as pessoas entendessem que as fotografias, assim como as pinturas, podiam ser manipuladas. Para nós, essa história não é nenhuma novidade; alguns bons anos separam as primeiras imagens falsas de ferramentas digitais como Photoshop e semelhantes.
No entanto, outras tecnologias não estão sob exame do público na mesma intensidade das fotografias, embora devessem. Por exemplo, temos a impressão que os vídeos que vemos na Internet servem como extensões dos nossos próprios olhos e ouvidos. Para muitos de nós, a subversão dessas mídias pela GenIA parece absurda demais. Isso não se deve a uma leitura ingênua ou mal informada, mas pela maneira que essa tecnologia parece brincar com nosso senso de realidade.
Nos parece natural confiar naquilo que podemos ver na câmera. A própria ideia da tecnologia como extensão dos sentidos humanos foi levantada pelo teórico Marshall McLuhan. O problema é que vídeos e áudios sintéticos são realidade e já estão disponíveis on-line. Essas mídias falsas representam alguns riscos, por exemplo, ao serem empregadas em fraudes, extorsões e produção de conteúdo não consensual. Por isso, não podemos mais fugir delas.
Como a humanidade lidará com esse fenômeno cultural, que veio modificar a nossa relação com a imagem? Não tenho uma resposta concreta, mas conheço algumas ferramentas, já utilizadas por nós, que crescem em importância nesses tempos incertos.
COMO SE PROTEGER DAS MÍDIAS FALSAS
A primeira delas é o letramento digital. Alguns estudos demonstram que, após aprenderem sobre detecção de desinformação, as pessoas conseguem identificar vídeos falsos mais facilmente. Por isso, é importante garantir que todas as pessoas tenham o mínimo de entendimento sobre como funcionam as GenIAs e o que fazer para se proteger delas.
Outro ponto importante é a capacidade de pensamento crítico. Estudos sobre desinformação explicam como uma maior disposição para refletir, questionar e confrontar fontes duvidosas já faz com que a pessoa identifique mais facilmente conteúdos falsos.
Por fim, a cibersegurança é um grande aliado no combate à mídia gerada por IA, desta vez, a defesa é de quem está no vídeo, não de quem o assiste. O casal Stefani e J. Wolfgang Goerlich explica, que não há como saber se o que vemos online é real. Portanto, é necessário proteger nossas informações pessoais, sobretudo, numa época em que elas se transformaram numa “moeda social”, como nomeiam os autores.
Uma coisa que aprendi é que a Inteligência Artificial generativa traz dilemas para diversas áreas. A Comunicação, certamente, é uma delas. Por isso, a importância de estudarmos, debatermos e refletirmos sobre regulamentação das IAs. Porém, essas propostas fogem do escopo de um comunicólogo. Sendo assim, já que estamos em ano eleitoral, tenho outra dúvida: o que faremos sobre isso?
Referências:
GOERLICH, S. Securing Sexuality: Rewiring the Most Intimate Connections. Youtube, 10 jun. 2024, in: https://www.youtube.com/watch?v=PGZVOiWIwzU. Acesso em: 14 mar. 2026.
GOERLICH, S.; GOERLICH, J. W. Securing Sexuality: Emerging Issues at the Intersection of Intimacy and Technology. Londres: Routledge, 2025. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=KdmYEQAAQBAJ&dq=Deepfake++%22violence+against+women%22&lr=&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s. Acesso em: 19 mar. 2026.
JORGE, M. S. O cinema e a imagem verdadeira. ARS (São Paulo), v. 11, n. 22, p. 98–121, jul. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ars/a/vFThYWCPpRGVNSWNcm4vr6n/?format=html&lang=pt#. Acesso em: 14 mar. 2026.
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Editora Cultrix, 2007.
SCHICK, N. Deepfakes: The Coming Infocalipse. Reino Unido : Hachette UK, 2020.
#DescriçãoDaImagem: Colagem digital com fundo ciano e padrão halftone, que simula histórias em quadrinho. No centro, há a figura de um robô, em preto e branco. Ele está sendo retirado de um cérebro gigante, por uma mão flutuante. Parece que o robô está prestes a ser descartado. Tanto o cérebro quanto a mão são rosas e apresentam padrão halftone. Fim da descrição.
25/04/2026
Quando ouvimos falar sobre a censura durante o período ditatorial no Brasil, é comum que a atenção se volte para as músicas. Canções clássicas, como “Cálice” de Chico Buarque e “Pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré, utilizavam metáforas e palavras de duplo sentido para burlar a censura.
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Texto e imagem: Maria Belafronte Pasin
Entretanto, as canções não eram a única maneira de falar sobre a ditadura sem ser controlado pelo regime. Em meados dos 70, a população de Recife encontrou um jeito diferente de falar sobre as ações dos militares. Assim, surgiu a lenda da perna cabeluda.
Em 10 de janeiro de 1975, o jornal Diário de Pernambuco publicou o primeiro relato sobre a perna cabeluda. Uma perna, sem corpo, que perambulava pelas ruas da cidade afugentando os moradores. Essa assombração recifense chutava, dava rasteiras e se deitava ao lado de mulheres.
A perna cabeluda é um dos grandes exemplos de como as lendas, além de todo o apelo fantasioso, guardam em si detalhes sobre a realidade em que surgiram. Elas não aparecem do nada, despretensiosamente, são reflexos do mundo ao nosso redor. E, muitas vezes, uma forma mais branda de falar sobre as coisas que realmente causam medo.
Em um cenário no qual era proibida qualquer forma de denúncia ao governo, com militares atentos às redações de jornais e a publicação de livros, a perna cabeluda assumia a culpa por muitos crimes. Ademais, como também era vetada a denúncia de violência doméstica, a responsabilidade por abusos cometidos contra mulheres era direcionada a essa assombração popular.
Histórias fantasiosas, regadas a realismo mágico, sobre um membro decepado que agredia e violentava os moradores indefesos de Recife preenchiam as páginas da imprensa da época. Relatos absurdos demais para serem barrados pelo crivo da censura.
Nem sempre as histórias eram relatos oficiais que só substituíam “a polícia militar” por “a perna cabeluda”. Muitas vezes, os relatos eram invenções plenas dos escritores, não diziam respeito a um acontecimento específico, mas uma gama de vivências comuns durante o período.
A popularidade da lenda se expandiu nos últimos meses com o destaque do filme, O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho. O filme, ambientado em Recife, recebeu quatro indicações ao Oscar de 2026 e foi vencedor de duas categorias principais do Globo de Ouro, Melhor Ator em Filme de Drama e Melhor Filme em Língua Não-Inglesa.
Durante a obra, a perna cabeluda faz sua aparição à noite, afugentando casais homossexuais de uma praça da cidade. Posteriormente, o núcleo de personagens principais do filme lê as notícias sobre o ataque em um jornal. O tom da cena deixa claro: eles sabem bem que a perna cabeluda não passa de um codinome.
A história por trás dessa lenda é uma das muitas maneiras de entender como a fantasia se manifesta na vida real. E é também um lembrete dos impactos que a ditadura teve além do eixo Rio-São Paulo.
Fonte: BBC, G1
Descrição Da Imagem: Montagem colorida. O fundo é laranja, acompanhado de uma moldura clara. Na lateral esquerda está em destaque uma ilustração de uma perna humana com pelos cobrindo toda sua extensão. O desenho é composto apenas pelos contornos em um traço preto. O restante da imagem é preenchida por um título de jornal com os dizeres “Perna fantasma já é problema policial”. Fim da descrição.
21/04/2026
Cenários coloridos, crianças sorrindo, músicas e efeitos sonoros construídos para exibir todas as possibilidades de entretenimento e diversão que um produto pode proporcionar. Típicos nos intervalos comerciais em meio aos desenhos animados, o Danone que vira sorvetinho, a mochila da Barbie, e as bonecas frutinhas da Cotiplás são exemplos de propagandas da TV aberta que se comunicavam diretamente com as crianças por meio da combinação destes elementos. O que se tem ao combinar uma linguagem que instiga o desejo de compra nos pequenos junto à ingenuidade de um público alvo que ainda entende o dinheiro como faz de conta, são marcas lucrando por meio do poder de persuasão da criança, que passa a assumir a função de ferramenta de acesso ao dinheiro dos pais.
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Texto e imagem: Leticia Ayumi Hashimoto
Na infância é comum o comportamento de pedir inúmeras vezes para convencer os pais a comprarem um produto. A tática tem o nome de Pester power (o poder de insistência da criança) e reflete diariamente nas decisões de compra de uma família. Segundo uma pesquisa realizada com mais de 13 mil pais e crianças ao redor de 8 países europeus, a maioria dos pais (63%) relatam ter comprado algum item após a persistência constante (Campbell et al., 2012). As campanhas têm participação ativa na construção desse desejo, ao promover itens que são apelativos com personagens, design lúdico, e brindes, . Diferenciais frequentemente vinculados a produtos mais caros que, comummente direcionam o desejo para produtos nem sempre viáveis às condições financeiras das famílias para atender a essas demandas.
Na década de 90 a criança que possuía tesourinha do Mickey Mouse ganhava o direito de se exibir para seus colegas. O “eu tenho você não tem” da Mundial era uma das propagandas que assumia uma comunicação mais agressiva, que instigava o consumismo infantil, com impactos na associação do possuir a valores como felicidade, aceitação e pertencimento social. Nesse contexto, crianças que não têm acesso a determinados bens podem experimentar frustração e exclusão. O que se anuncia então é uma validação que se materializa na forma de um brinquedo fofo. O que seria um carro do momento no mundo adulto para as crianças é um tênis do Relâmpago Mcqueen, que surte efeito parecido.
Quais são as regulamentações sobre esse tipo de publicidade?
No Brasil, a publicidade infantil não é proibida por uma lei única específica, porém é considerada ilegal quando direcionada ao público infantil em qualquer tipo de produto, ou serviço, veiculado em qualquer meio de comunicação ou espaço de convivência da criança pois se enquadra como publicidade abusiva segundo o Código de Defesa do Consumidor.
Essa interpretação é reforçada pela Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e do Adolescente (CONANDA) que estabelece abusiva toda e qualquer publicidade dirigida diretamente ao público infantil, com o intuito de persuadi-lo ao consumo de produtos e serviços. Concepção também alinhada com a posição do Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016) ao estabelecer a proteção da criança de toda forma de violência e pressão consumista, e adoção de medidas que evitem a exposição precoce à comunicação mercadológica.
O que é considerado publicidade infantil?
Mesmo diante das ressalvas, a superexposição à publicidade infantil continua com a circulação de anúncios em diversos formatos. Por toda parte, em embalagens de alimentos ultraprocessados, nos vídeos do youtuber preferido, ou em uma partida de jogos online. Nem só na televisão as crianças são inseridas no conteúdo publicitário. O CONANDA reconhece e estabelece critérios para se enquadrar uma publicidade como abusiva, são eles:
linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantada com vozes de crianças, representação de crianças; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; bonecos ou similares; desenho animado ou de animação e promoções com brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil.
A normalização desses atributos combinados está presente em diversos suportes midiáticos, aplicada nas mais diversas formas, o que dificulta a percepção clara sobre a publicidade infantil. Um exemplo claro que se ancora na festividade e arrecada lucros ao completar a cartela cheia no bingo dos critérios é a Páscoa, só no ano passado 57 tipos de ovos de páscoa foram identificados como publicidade abusiva em uma pesquisa realizada pelo Instituto de defesa dos consumidores (IDEC). Dentre elas, o apelo aos personagens preferidos das crianças é um caminho popular para conquistar a simpatia dos pequenos “queredores” e garantir espaço na lista de compra dos pais.
Quando se fala sobre evocar o afeto construído em uma figura, está incluso no pacote toda uma conexão de confiança (Se quer entender como o uso da Turma da Mônica influência na decisão de compra das crianças acesso o post sobre a Turma da Mônica no Instagram) Os apresentadores infantis são personalidades que “embutido carregam um carisma necessário para conquistar a confiança da criança”, afirma Vieira e Freitas (2020). Segundo os autores, as crianças acabam por atribuir valores fraternos a essas celebridades ao passo que os pais não conseguem dedicar atenção e afeto integral aos filhos.
De Xuxa Meneghel a Luccas Neto: a repaginação no consumo infantil?
Com a ascensão do YouTube como uma das plataformas mais presentes no cotidiano infantil, criadores de conteúdo voltados a esse público consolidam-se como um nicho específico de entretenimento.
Em meio a produção de formatos como unboxing de brinquedos, vlogs familiares, novelinhas, desafios, games entre outros, a publicidade é diluída entre os minutos do vídeo tanto de forma orgânica quanto de forma explícita. Em uma análise realizada por Sebastião e Londero (2022), estima-se que 97,6% dos vídeos do canal Luccas Neto, um dos maiores produtores do nicho, apresenta algum tipo de publicidade. Em 72,5% deles, a publicidade está inserida na própria narrativa, o que é preocupante uma vez que as crianças não conseguem distinguir a intenção mercadológica na história.
Em diversos casos, os brinquedos divulgados são produtos próprios ou licenciados que pertencem ao próprio universo do criador de conteúdo, o que amplia ainda mais as possibilidades de lucro. É diante desse cenário que o Eca digital, popularmente conhecido como “Lei Felca”, é sancionado em setembro de 2025 a fim de uma fiscalização mais rígida das leis já existentes a respeito da publicidade infantil, como também traz novas medidas sobre o território digital.
Em vigor desde o dia 17 de março, a lei previne os riscos de contato com práticas publicitárias predatórias, injustas ou enganosas ou outras práticas conhecidas por acarretar danos financeiros a crianças e a adolescentes. Também veta a coleta de dados para recomendação de anúncios com base no perfil comportamental e proíbe a monetização de canais que sexualizem corpos de menores de idade, além de implicar a necessidade de permissão da justiça para monetização de canais produzidos por menores.
Referências:
Idec ; Popsters; Lunetas; Super Abril; Planalto; SEBASTIÃO, Meire; LONDERO, Rodolfo. Atenção e publicidade infantil no YouTube: um estudo do conteúdo de Luccas Neto. In: Conferência Brasileira de Comunicação Cidadã, 16., 2022, Londrina. Anais[...] Londrina: ABPCom, 2022. p. 1-15 ; VIEIRA, Allan; FREITAS, Jéssica. A teoria hipodérmica e sua aplicabilidade na publicidade infantil. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE, 15., 2013, Mossoró. Anais[...] Mossoró: Intercom, 2013. p. 1-8; CAMPBELL, Sarah; JAMES, Ericka; STACEY, Fiona; BOWMAN, Jennifer; CHAPMAN, Kathy ; KELLY, Bridget. A mixed-method examination of food marketing directed towards children in Australian supermarkets. Health Promot Int. 2014.
Descrição de Imagem: Montagem colorida em fundo amarelo texturizado. O centro da imagem é composto pelo busto de uma criança que possui o semblante da cédula de real sobreposto em seu rosto. A criança aponta com o dedo para frente, como quem pede algo. Logo abaixo, brinquedos como a boneca da Barbie sereia, o mascote da Amoeba e um Furby, estão dispostos ao redor da criança a acompanhando dentro de um carrinho de compras azulado. A composição se repete três vezes na imagem. A principal posicionada ao centro, é acompanhada por outras duas réplicas que se encontram uma à sua direita e outra à esquerda. Fim da descrição.
17/04/2026
Se a vida te der um limão, faça uma limonada. Beyoncé certamente fez muito bem ao se basear nesse ditado ao criar seu álbum atemporal, Lemonade em 2016. Ao provar o gosto azedo de uma traição em seu relacionamento, ela viu a oportunidade de se submeter a toda dor e o processo de ressignificação para uma saída positiva: sua transformação como artista e mulher preta. 🍋
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Texto e imagem: Miquéias Souza
O que o mundo recebeu foi muito mais do que um desabafo sobre uma crise conjugal. Ao completar dez anos, Lemonade permanece como o ápice do álbum visual, uma obra onde a imagem tem o poder de se completar ao som, utilizando a estética e o sentimento para narrar a jornada de dor e cura de uma mulher negra nos Estados Unidos.
Diferente de seus trabalhos anteriores, o álbum em questão humanizou a figura quase intocável da “Queen B”. Ao expor as feridas da traição e a vulnerabilidade do seu casamento, ela buscou a reivindicação da própria narrativa para se tornar cada vez melhor e não querer cair no papel de vitimismo.
O interessante desse projeto foi a consolidação do termo “álbum visual”, devido ao lançamento síncrono de um filme, transmitido pela HBO, que nos mostrou a história e mensagem que a cantora desejava contar em uma ordem bem específica.
Separado por onze capítulos visuais: Intuição, Negação, Raiva, Apatia, Vazio, Responsabilidade, Reforma, Perdão, Ressurreição, Esperança e Redenção, permitiu que o público visualizasse sua dor como um trauma geracional compartilhado por tantas outras mulheres ao longo da história.
Ao tecer a trama do filme, a cantora também transforma o álbum em uma obra literária, usando a poesia da escritora somali-britânica Warsan Shire como um grande fio condutor que une as músicas para uma macro-história. Enquanto as faixas trazem o impacto emocional e o ritmo, os interlúdios poéticos, interpretados pela voz de Beyoncé, explicam o caminho da sua raiva até o perdão e autocura, com uma abordagem filosófica, que envolve todo o projeto.
Assumindo novos meios de comunicação, Beyoncé também explora outras oportunidades de se expressar e levar a mensagem que tanto queria. Usufruindo de cenários do sul dos Estados Unidos (Louisiana), que já foi palco de grande opressões escravocratas, a cantora monta uma nova dimensão de comunhão feminista e celebração da cultura negra, reformulando esses espaços.
Além disso, os clipes mostram o uso da moda como armadura, no qual cada figurino é uma uma declaração política e artística. Beyoncé usou a moda para mostrar que a identidade da mulher negra é multifacetada: ela pode ser uma deusa yorubá, uma militante política, uma esposa vulnerável e a herdeira de uma longa linhagem de resiliência, tudo ao mesmo tempo.
Culturalmente, o álbum foi um divisor de águas para o movimento feminista negro. Beyoncé tirou de debaixo do tapete a discussão sobre a "mulher negra forte", mostrando que essa força muitas vezes é uma imposição social que nega a essas mulheres o direito ao descanso e à fragilidade. Músicas como Formation e Freedom tornaram-se hinos de resistência, celebrando traços físicos e heranças culturais que historicamente foram marginalizados.
Para além de um projeto musical, Lemonade consolidou-se como um manifesto artístico, político e emocional que atravessa o tempo. Dez anos após seu lançamento, a obra continua relevante por transformar uma dor íntima em um discurso coletivo sobre identidade, resistência e reconstrução.
Unindo música, cinema, literatura e estética, Beyoncé não apenas redefiniu os limites da indústria fonográfica, mas também ampliou as possibilidades de representação da mulher negra na cultura contemporânea. Assim, Lemonade permanece como um marco em sua carreira e um legado que inspira novas narrativas de força, vulnerabilidade e pertencimento.
Referências: El País Brasil, Revista Eolor, Canal Gabriel Mahalem - Youtube
#DescriçãoDaImagem: GIF em formato de banner horizontal que mostra a cantora Beyoncé de pé, escorada de frente para as portas de um carro, usando um casaco de pele volumoso e movimentando seus clongos cabelos trançados, com o rosto virado para baixo. Fim da descrição.
10/04/2026
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Texto: João Pedro Gomes
Imagens: Felipe Gonçalves, Lei Antoniassi Sassine, Miquéias Souza, Pier Negri
O evento foi aberto pela Profa Dra Graça Rossetto, coordenadora do curso de Comunicação e Multimeios da UEM, que destacou a importância do projeto para o curso, juntamente do Prof Dr Pier Negri, coordenador do projeto ComunicaUEM, que contextualizou o projeto:
"O ComunicaUEM nasceu em 2016, no curso de CMM, fruto de ideias, discussões e planejamento dos professores Fernanda Accorsi, Gustavo Ferreira, Tiago Lenartovicz e Pier Negri, com uma proposta ousada: criar um espaço onde comunicação não fosse apenas aprendida, mas vivida, experimentada e transformada em prática social. (...)
Ao longo dessa década, o projeto se consolidou como um verdadeiro laboratório de formação crítica e criativa. Aqui, estudantes não apenas produzem textos, vídeos, áudios e imagens, eles aprendem a olhar o mundo com mais atenção, mais sensibilidade e mais responsabilidade. (...)
O coração do ComunicaUEM são nossos temas essenciais: educação, comunicação, feminismo, negritude, acessibilidade, diversidade de gênero, cultura, cidadania, sustentabilidade. Traz à tona debates urgentes e necessários, ampliando o alcance da universidade para além de seus muros. (...)"
Ao falar sobre projetos na área, Lei destacou a importância de incluir, desde o princípio, as diferentes necessidades das pessoas, dando dicas sobre como abordá-las tanto dentro como fora do contexto universitário. Após a palestra, estudantes dos quatro anos da graduação em CMM puderam debater temas como os recursos de acessibilidade, a linguagem neutra e a neo linguagem, a acessibilidade no ambiente escolar e o papel da Inteligência Artificial na comunicação inclusiva.
Para o aluno do terceiro ano Bah Lopes, a ação superou as expectativas. “Fui esperando esse caminho de tentar entender como adicionar legenda, colocar Libras, fazer audiodescrição. Coisas que ainda são pouco discutidas, mas que é o que a gente normalmente pensa em comunicação inclusiva”, comentou.
O estudante considera importante que temas como este sejam debatidos na graduação. “Eu vi como uma oportunidade de, justamente, poder ver pessoas explorando esse assunto que é tão relevante, e uma oportunidade também de ter contato com isso dentro do curso de Comunicação e Multimeios."
Sobre o evento: o ComunicaUEM celebra sua primeira década junto aos estudantes de Comunicação e Multimeios com um ciclo especial de oficinas. A iniciativa segue pelos meses de abril e maio, sempre às quintas-feiras. A próxima atividade, a oficina “Lendo com os ouvidos: práticas de comunicação inclusiva”, ocorrerá no dia 16 de abril. A programação completa está disponível no site e no Instagram do projeto.
31/03/2026
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Texto e imagem: João Luiz Lazaretti
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 8,4% da população brasileira com dois anos ou mais possui algum tipo de deficiência. Ainda assim, essa parcela significativa segue sendo tratada como exceção nos processos de produção, inclusive na comunicação. A lógica que a gente reproduz costuma ser a mesma. Em primeiro momento se constrói o conteúdo para um público idealizado, geralmente normativo e depois, adapta-se para quem não se encaixa nesse modelo.
Com o tempo, fui percebendo que quando definimos um “padrão” de público, também se define o que é central e o que é secundário. Recursos como audiodescrição, legendas ou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) passam a ocupar um lugar de complemento, como se viessem depois, como se não fizessem parte da própria ideia de comunicação. A inclusão, nesse sentido, deixa de ser um princípio e vira uma etapa (muitas vezes opcional).
Essa percepção ficou ainda mais concreta para mim em uma experiência recente. Durante a realização de uma entrevista com um estudante surdo, a comunicação simplesmente não aconteceu. Eu não sabia Libras, e isso foi suficiente para inviabilizar completamente o diálogo.
Na hora, pessoalmente, o que senti foi frustração. Mas, olhando depois, entendi que não se tratava de uma falha individual, isolada. Essa situação me fez repensar a nossa formação enquanto comunicadores. No campo da comunicação, a gente aprende a lidar com diferentes mídias, plataformas, linguagens, tendências, mas não necessariamente aprende a se comunicar com pessoas não-ouvintes. E isso diz muito sobre quais públicos são considerados, de fato, no ponto de partida da comunicação.
É importante reconhecer que nenhuma graduação consegue abarcar todas as demandas. No entanto, algumas áreas se estruturam a partir da ideia de atualização constante. Temas como desinformação, inteligência artificial, plataformas digitais e ecologia da comunicação ocupam espaço central nas discussões em sala de aula. Se a comunicação é pensada para diferentes formatos, mídias e linguagens, por que não é sistematicamente pensada para pessoas não-ouvintes? Por que a acessibilidade linguística ainda aparece como algo à parte?
Ao mesmo tempo, ao longo das minhas leituras, também encontrei experiências que apontam para outros caminhos possíveis. Lembro, por exemplo, do relato do pesquisador Felipe Collar, em nota de rodapé da sua tese de doutorado, sobre uma oficina realizada com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da APAE de Maringá. Ao desenvolver a atividade, ele e seus colegas se depararam com a dificuldade de encontrar referências teóricas e metodológicas que sustentam aquela prática. Essa ausência não era apenas pontual, ela revelava uma lacuna mais ampla na produção de conhecimento enquanto área.
Por outro lado, também me marcou conhecer o livro A Ilha dos Sentimentos Perdidos, de Hada Maller, comunicóloga pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). A obra, finalista do Prêmio Jabuti em 2022, aborda temas como deficiência, preconceito, machismo e exclusão por meio de uma narrativa de realismo fantástico. O que mais me chama atenção é que essas questões não aparecem como um “tema à parte”, mas estão incorporadas desde a concepção da história.
Essas experiências me fazem perceber que existe um cenário ambíguo. De um lado, práticas, pesquisas e produções que já pensam a comunicação a partir da diversidade. De outro, uma estrutura formativa teórico-metodológico-profissional que ainda trata a inclusão como algo periférico, que pode ou não ser incorporado.
E talvez seja aí que está o ponto que mais me inquieta. Ao insistirmos na lógica da adaptação, seguimos reforçando a ideia de que existe um público padrão e que todos os outros vêm depois. Á mim parece que a inclusão vira um ajuste, um complemento, um esforço extra. No fim, parece-me que, nós da comunicação, continuamos tratando como acessório aquilo que, para tanta gente, é essencial.
28/03/2026
O ComunicaUEM está completando 10 anos e a comemoração chega com um ciclo especial de oficinas
aberto ao público de CMM pela primeira vez! 👀
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Sim, você leu certo: agora estudantes que não fazem parte do projeto também podem participar.
E pra começar com tudo:
🎤 Palestra de abertura: Comunicação Inclusiva (70 vagas)
com Lei Antoniassi Sassine (@leisassine) - Neuropsicopedagogo, mestre em Educação e egresso de Comunicação e Multimeios.
🗓️ 02 de abril | 17h30
📍 Auditório CineUEM
Ao longo das próximas semanas, você vai poder participar de oficinas que vão transformar sua forma de pensar a comunicação:
🔊 Lendo com os ouvidos: práticas de comunicação inclusiva - 16/04 (20 vagas)
🎨 Criação de imagens para além da IA - 30/04 (20 vagas)
✍️ Introdução ao texto para web - 14/05 (20 vagas)
⚖️ Ética na comunicação digital - 28/05 (20 vagas)
🗓️ 17h30
📍 Locais a definir
Quer garantir sua vaga?
As inscrições já estão abertas — corre na bio do Comunica no Instagram antes que acabem!
www.instagram.com/comunicauem
27/03/2026
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Texto e imagem: Matheus Yukio
Ainda nos dias atuais, as noções que a maioria da população ocidental possui acerca dos mangás e animes, se limita a entendê-los como obras destinadas às crianças, apenas. Entretanto, a autora Susan Napier (2001), comenta que muitas das questões consideradas complexas, e que são abordadas pelas narrativas dos mangás, são familiares aos leitores contemporâneos, sejam eles nipônicos ou não.
O mesmo acontece com o anime, que se mostra capaz de mobilizar audiências consistentes ao redor do mundo, favorecendo a possibilidade do intercâmbio cultural de maneira mais acessível, ao passo em que se coloca como um fenômeno cultural apto a ser analisado tanto de um ponto de vista sociológico quanto estético.
Dentre os muitos exemplos que poderiam ser citados, trago aqui o longa-metragem de animação japonês O Serviço de Entregas da Kiki (Majo no Takkyūbin), lançado em 1989, produzido, escrito e dirigido por Hayao Miyazaki. O filme nos apresenta Kiki, uma jovem bruxa de 13 anos que, seguindo uma tradição de seu mundo, precisa deixar sua casa para cumprir um treinamento de um ano. Durante esse período, parte em busca de uma cidade onde possa habitar, descobrir como seu poder pode ser útil aos residentes e qual vocação irá seguir ao longo de sua vida.
Trajando um vestido preto e um grande laço vermelho nos cabelos, a menina carrega consigo apenas a vassoura herdada da mãe, o rádio do pai, uma mala e seu gato preto, Jiji. É com isso, e apenas isso, que ela parte em busca de um lugar que possa chamar de lar. Esse período pode ser compreendido como uma metáfora da transição entre a infância, marcada pelo cuidado e proteção familiar, e a vida adulta, caracterizada por desafios e pela necessidade de amadurecimento.
Em pouco tempo de voo, o céu antes limpo dá lugar a uma noite tempestuosa e, na tentativa de se proteger, Kiki se abriga em um vagão de trem. Como que por uma espécie de “mágica”, ou coincidência, a locomotiva a leva até a cidade litorânea de Koriko, local em que sua jornada efetivamente começa. Embora os habitantes saibam da existência das bruxas e convivam com elas de forma aparentemente harmoniosa, isso não impede que a protagonista se sinta, e seja vista, como uma estrangeira, deslocada no meio da multidão. Ainda assim, com o tempo, ela encontra pessoas dispostas a ajudá-la, como Osono, uma padeira gentil que lhe oferece abrigo.
Já instalada na cidade, Kiki percebe a demanda por um serviço de entregas, tanto para auxiliar com o transporte dos produtos fabricados na padaria, como também para ajudar os civis que necessitam das mais variadas mercadorias. Sabendo que voar é sua principal habilidade, e também algo que lhe dá prazer, decide transformá-la em trabalho, fundando o “Serviço de Entregas da Kiki”.
Com o passar dos dias, porém, entre uma entrega e outra, seu tempo e sua energia passam a ser inteiramente consumidos pelo trabalho. Morando sozinha, suas responsabilidades se multiplicam: pagar aluguel, fazer as compras, cozinhar, limpar e cuidar de seu gato. Esse acúmulo de exigências, imposto a uma criança de apenas 13 anos, a conduz a um intenso processo de autocobrança, a necessidade de melhorar seu trabalho, conseguir mais clientes, errar menos e não decepcionar aqueles que estão ao seu redor e tanto a ajudam.
Nesse contexto, questões como solidão, insegurança, perda de autoconfiança e esgotamento físico e emocional emergem como parte de seu processo de autoconhecimento e amadurecimento da personagem. São experiências dolorosas, mas fundamentais para a construção de sua autonomia.
Em determinado momento, Kiki percebe que não consegue mais voar, tampouco se comunicar com Jiji. Ao ser questionada por sua amiga Úrsula sobre a necessidade de um feitiço para voar, revela que as bruxas voam com o espírito. A perda de sua habilidade, portanto, não é apenas técnica, é existencial. Quando voar deixa de ser um gesto de liberdade, um propósito e passa a ser uma obrigação, Kiki perde a conexão com aquilo que a sustentava. Sua incapacidade de voar pode ser lida como uma metáfora do esgotamento: quando aquilo que antes era leve se transforma em peso.
Essa condição começa a se transformar quando a pequena bruxa aceita passar um tempo na cabana de Úrsula. Durante esse período de recolhimento, a amiga revela que se inspirou na jovem bruxa para a pintura de uma de suas obras. Comenta também sobre suas dificuldades iniciais como artista: a falta de estilo próprio, a tendência à imitação, o bloqueio criativo. É por meio do autoconhecimento que ela encontra seu caminho e consegue desenvolver sua própria arte.
Neste ponto, como autor desse texto, me dou liberdade de abrir um pequeno parêntese para reflexão. Sendo graduado em Artes Visuais, reconheço em Úrsula, e também em Kiki, um dilema profundamente familiar: a tensão entre fazer o que se ama e fazer o que é necessário. Sustentar-se apenas por meio da arte, no país e no contexto em que vivemos, ainda é um privilégio restrito a poucos.
Vivemos sob uma lógica capitalista opressora que nos obriga a entregar nossa força de trabalho, produtividade constante, mesmo que isso implique em roubar nosso tempo de descanso, lazer e escuta de si, empregando sobre esses momentos a sua lógica mercadológica e consumista. Aos poucos, isso nos afasta daquilo que nos move, até que, como Kiki, já não sabemos mais voar.
Ao longo de sua trajetória, a personagem aprende que crescer não significa abandonar o que se ama, mas ressignificar. O voo, que antes era sinônimo de prazer e liberdade, torna-se trabalho, e, por um tempo, peso. No entanto, ao se permitir pausar, descansar e se reconectar com aquilo que a move internamente, ela redescobre o sentido de voar, não mais como uma obrigação, mas como uma escolha consciente. Entende que o que mais importa para ela não é o resultado, mas sim o processo.
A protagonista nos lembra que a vulnerabilidade não é fraqueza, mas condição de crescimento. Que pedir ajuda, descansar e até mesmo se perder fazem parte do processo de se encontrar. E que, mesmo diante das pressões de produtividade, performance e correspondência, é essencial para nossa sobrevivência, que preservemos aquilo que nos mantém vivos.
Talvez, então, encontrar o equilíbrio entre fazer o que se ama e fazer o que é necessário não seja sobre alcançar uma harmonia perfeita, mas sobre a capacidade de aprender a escutar a si próprio em meio ao ruído. No fim, o “ano de treinamento” de Kiki não termina, assim como o nosso também não. Ele se estende por toda a vida, nos convidando, dia após dia, a revisitar nossos afetos, redescobrir nossos propósitos e (re)aprendermos a voar.
Fontes: Valkirias.com.br; vídeo do canal “claquete de papel”: O serviço de entregas da Kiki: Arte, vida e burnout; NAPIER, Susan. Anime from Akira to Howl’s moving castle: experiencing contemporary Japanese animation. Nova Iorque: Palgrave MacMillan, 2005.
20/03/2026
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Texto e imagem: João Luiz Lazaretti
Mas a Universidade não se resume a isso.
Entre uma entrega e outra, existe um território a ser explorado que não aparece no histórico escolar, mas que forma.
Para quem chega aqui direto do Ensino Médio ou na primeira graduação é habitual se apavorar com esse sabor agridoce da autonomia que temos. E às vezes esse sabor pode ganhar um peso maior de verbos no infinitivo. Ter. Cumprir. Entregar. Sobreviver.
E, em alguma medida, é.
Não dá pra fingir que não é.
Esse conjunto de palavras não pretende romantizar um tempo que pode ser dolorido, custoso e de muitas dúvidas. A Universidade cobra. Cobra tempo, energia, atenção, saúde mental. Cobra presença, leitura, escrita, posicionamento. Mas isso não esgota o que a Universidade é.
Porque a Universidade não é só um centro de ensino. Não é uma faculdade. Não é só um lugar onde você vai para assistir a aulas, fazer provas e sair com um diploma.
A Universidade é outra coisa.
A Universidade é um espaço que existe, também, para que você experimente o mundo de um jeito que talvez não seja possível em nenhum outro lugar. É uma instituição que, apesar de todas as suas contradições, abre brechas. E essas brechas são profundamente políticas.
Estar aqui, ocupar esse espaço, já é um gesto político. Produzir conhecimento, questionar o que parece dado, se permitir duvidar, errar, refazer, tudo isso faz parte de um projeto maior. A Universidade pública, gratuita, diversa, tensionada, é um lugar onde se disputa o que pode ser pensado, dito e criado.
E isso não acontece só dentro da sala de aula. Não cabe nas notas, nos PDFs enviados às pressas, nas linhas bem organizadas do currículo Lattes.
Acontece quando você atravessa o campus sem destino certo. Quando entra em um bloco onde nunca teve aula, só pra ver o que está acontecendo. Quando lê um cartaz meio torto colado na parede e descobre um grupo de pesquisa, um coletivo, um evento que muda o rumo das suas semanas.
Acontece quando você decide puxar conversa com um professor no corredor não porque precisa de nota, mas porque ficou com uma pergunta atravessada. Quando uma conversa despretensiosa vira projeto. Quando um projeto vira pesquisa. Quando uma pesquisa deixa de ser obrigação e passa a ser uma obsessão bonita, dessas que fazem você esquecer que o alinhamento é justificado com margens de 3 cm (superior/esquerda) e 2 cm (inferior/direita), escrito em fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12, espaçamento 1.5 entre linhas com recuo de 1.5 cm no parágrafo.
Acontece quando você olha pra sua própria grade e percebe que ela não precisa te limitar. Que dá, às vezes, pra atravessar fronteiras, fazer uma disciplina em outro curso, ouvir outras linguagens, aprender a pensar de um jeito que não estava previsto no seu plano inicial. Ou sei lá, fazer uma disciplina do primeiro no segundo ano, uma do segundo no terceiro. E que isso também é a Universidade.
A Universidade permite isso. E isso não é pouco.
Porque fora daqui, muitas vezes, o tempo é mais estreito. As possibilidades são mais rígidamente organizadas. O erro custa mais caro. A experimentação é menos tolerada.
Aqui, ainda que com limites, ainda que com pressões, existe uma margem para tentar.
E tentar incluí coisas que não entram em relatório.final.pdf nenhum.
A bandeja do combo universitário inclui se apaixonar por pessoas, por ideias, por caminhos que você não sabia que existiam. Inclui ir a festas, dançar, beijar na boca. Inclui criar laços que sustentam a vida quando o resto pesa demais.
Inclui também se perder. Mudar de ideia. Questionar o que você achava que queria. Descobrir que aquilo que você escolheu no vestibular não dá conta de quem você está se tornando.
A Universidade comporta essas mudanças.
03/09/2025
Mostra gratuita realizada pelo curso de Comunicação e Multimeios acontece em outubro, reúne curtas de estudantes do Paraná e celebra novas vozes do audiovisual.
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Texto: João Luiz Lazaretti
Nos dias 9 e 10 de outubro de 2025, o Auditório 29 de Abril, no Bloco I-12 da Universidade Estadual de Maringá (UEM), será palco da MAFUÁ! – Mostra do Filme Universitário, Amador e Independente, evento que já se consolidou como um dos mais importantes espaços de exibição e reflexão sobre o audiovisual jovem no Paraná. A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade.
Organizada pelo Curso de Comunicação e Multimeios da UEM em parceria com o Centro Acadêmico de Comunicação e Multimeios (CACO), a MAFUÁ! tem como objetivo valorizar e dar visibilidade à produção audiovisual feita por estudantes paranaenses, funcionando como vitrine para curtas-metragens universitários e técnicos que muitas vezes não encontram espaço no circuito tradicional de cinema.
Inscrições abertas para novas vozes do audiovisual
De 2 a 14 de setembro de 2025, estudantes de instituições públicas e privadas de todo o Paraná poderão inscrever gratuitamente suas obras. Serão aceitos curtas de até 20 minutos, finalizados entre outubro de 2024 e setembro de 2025, nas categorias Ficção, Documentário e Experimental.
Os interessados devem preencher a ficha de inscrição disponível no perfil oficial da mostra no Instagram (@mafuauem). Trabalhos de recém-formados também podem participar, desde que concluídos após dezembro de 2024.
Espaço de encontro, não de competição
A MAFUÁ! não tem caráter competitivo: seu foco é a troca de experiências e a formação de público. Ainda assim, as obras mais marcantes serão reconhecidas com menções honrosas em duas frentes: por uma Comissão de análise e crítica, que avaliará aspectos como originalidade e qualidade técnica, e por votação popular, realizada ao final das sessões.
Esse formato garante um ambiente democrático e acolhedor, onde cada filme exibido tem o mesmo destaque, reforçando a proposta de ser uma mostra aberta, inclusiva e plural.
“A MAFUÁ! nasceu para ser um espaço de celebração do cinema universitário, amador e independente. Aqui, estudantes têm a oportunidade de mostrar seus trabalhos para um público diverso e trocar experiências com outros realizadores. É um convite para assistir às telas ganharem vida com novos olhares, novas narrativas e muita criatividade”, afirma a comissão organizadora.
Programação e expectativa
A lista dos filmes selecionados será divulgada até o dia 30 de setembro de 2025 e a programação completa, com horários de exibição, estará disponível até 04 de outubro no Instagram oficial da mostra.
Com entrada gratuita, a expectativa é reunir não só estudantes e realizadores, mas também cinéfilos, professores, pesquisadores e toda a comunidade interessada em prestigiar a força do audiovisual paranaense.
O regulamento completo do evento pode ser acessado em: https://drive.google.com/file/d/1QyL9qsG8ECtzaTcpgw2pioAXCaX9eEVo/view?usp=drive_link
Serviço
MAFUÁ! – Mostra do Filme Universitário, Amador e Independente 2025
DATA: 09 e 10 de outubro de 2025
HORÁRIO: A partir das 19h30 em ambos os dias
LOCAL: Auditório 29 de Abril – Bloco I-12, Universidade Estadual de Maringá (PR)
INSCRIÇÕES: de 02 a 14 de setembro, gratuitas e online: https://forms.gle/TEAHCBWGfbsjasgT6
Se você caiu aqui de paraquedas… Prazer, eu sou o Comunica. Nasci em 2016 na Universidade Estadual de Maringá. Sou um projeto de extensão do curso de Comunicação e Multimeios com o objetivo de desenvolver habilidades de escrita e de criação de imagens, integrar alunos e professores e explorar a criatividade.
Até agora, 153 pessoas já estiveram por aqui e me ajudaram a criar os textos, as fotos, as #descriçoesdeimagens e as produções que hoje formam quem eu sou.
Assim como todo mundo, eu passei por mudanças ao longo desses anos. Comecei como um blog que abrigava textos, fotos e formatos audiovisuais. Foram bons tempos informando e divertindo todes com produções multimídia.
Em 2022, o curso de Comunicação e Multimeios passou por algumas mudanças: deixou de ser vespertino para ser noturno. Então, eu mudei também. Em agosto do mesmo ano, precisei dar um tempo do blog. Até porque não tive muita escolha… o servidor que me abrigava aparentemente foi desligado, me tiraram do ar e todo o meu conteúdo foi perdido. Desde então, o Instagram tem sido a minha alternativa.
Atualmente quase mil e oitocentos seguidores acompanham minhas mais de mil e duzentas publicações. Eu falo de tudo um pouco, cultura, tecnologia, feminismo, UEM e eventos em Maringá, sempre pensando na diversidade e na pluralidade dos espaços.
Mesmo tendo passado um bom tempo no Instagram, senti falta das minhas raízes. Por isso, eu, Munique, coloquei minha roupa de gala, visitei minha memória e vim estrear o meu novo formato no Multicom de 2025.
Nada melhor do que começar falando sobre a nossa universidade. Agora que sou um site de novo, andei fofocando com outros para saber quais eram as novidades e soube que alguns deles estiveram fora do ar por falta de energia elétrica.
Mas como faço parte de um curso de Comunicação, não acredito em fofocas e fui checar todas as informações. Assim, nasceu meu primeiro especial nessa volta: UEM no escuro. Primeiro fui atrás de descobrir como funciona a rede elétrica da UEM.
Eu, como projeto de extensão, também não poderia deixar de olhar como as pesquisas foram afetadas.E, por fim, como um projeto de comunicação, tive que me atentar aos aspectos comunicacionais. Desejo que façam uma boa leitura e espero encontrá-los de novo.
Com carinho, Munique.