Histórias de tear - Mitologia
Telma Manolio
A arte de tecer envolve uma complexa rede de simbolismos.
As diversas técnicas conhecidas têm regras básicas comuns, todas usam a idéia de fios verticais, que uma vez fixados, não há mais como mudá-los sem desmanchar o trabalho todo. O conjunto desses fios se chama Urdume e simboliza o destino, a vida.
Permeando o Urdume vai um conjunto de fios horizontais, a Trama, tida como o livre arbírtio, representado pelo movimento das navetes que vão dando forma ao trabalho, à arte do tecelão.
O tear representa as limitações às quais está sujeita a criação: Uma figura de quatro lados, representada pelas laterais e pelos rolos do tear. É dentro desse espaço que a vida deverá ser criada.
As mãos do tecelão vão trabalhando e criando a peça, escolhendo as cores, experimentando, acertando e errando, dando vida à uma idéia, a um projeto.
Na mitologia grega, Atena era a deusa guerreira nascida do cérebro de Zeus, por isso mesmo conhecida como a deusa da sabedoria, mas era também a deusa das artes. Tecia as mais belas peças em tear e era responsável por distribuir os dons aos mortais. Atena é uma deusa que possui uma dualidade e um antagonismo curioso: ao mesmo tempo que é guerreira é também a deusa da beleza das artes e da tecelagem.
Aracne também era antagônica: não aceitava a idéia de que seus dons haviam sido dados pela deusa, era orgulhosa, porém capaz de exercer uma arte delicada e sensível. Aracne era uma mortal tecelã talentosa, porém nada modesta, que ousou desafiar os poderes da deusa, o que as levou para uma competição na arte de tecer os fios.
O trabalho de Aracne ficou perfeito mas ela cometeu um erro que desagradou Atena: representou negativamente em sua arte, as aventuras amorosas de Zeus.
Atena, descontrolada, destruiu o trabalho de Aracne e a transformou em aranha, condenada a tecer a vida toda, pendurada em sua própria teia.
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