Méav Ní Mhaolchatha
1.Por favor nos conte um pouco sobre seu "background" anterior ao Anúna.
Minha família sempre foi muito interessada em música clássica e tradicional. Por isso o canto foi uma parte natural do meu crescimento. Meu pai tocava piano e ocasionalmente escrevia canções. Meu avô morava conosco e ainda cantava bem aos oitenta anos. Assim todas as comemorações familiares eram marcadas pela música. Em minha escola tudo foi ensinado em galês e havia uma forte ênfase em música tradicional e dança. Como nunca havia pensado em seguir uma carreira em tempo integral na música, após me formar na escola, segui meu irmão e fui estudar Direito na Trinity College, em Dublin.
Passava quase todo o meu tempo envolvida em vários projetos musicais e cantava repertório clássico com um coro de câmara na Faculdade e "plainchant"( canto gregoriano) na Igreja Carmelita de Santa Teresa no centro de cidade. Ocasionalmente fazia algumas apresentações ao vivo com uma banda grande e um quarteto de cordas cantando canções contemporâneas.
Quando eu me graduei, fiz uma pós -graduação em administração de artes e trabalhei para uma organização chamada Music Network que organiza turnês de música clássica, tradicional e jazz pela Irlanda. Eventualmente, eu percebi que a música estava ganhando espaço e desde então tenho cantado em tempo integral.
2.O que aconteceu depois que você se tornou integrante do Anuna?
O diretor do Anúna, Michael McGlynn, me ouviu cantando no rádio e me convidou para fazer parte do Anúna. Era hora de fazer mudança no grupo, já que o Riverdance estava sendo organizado e o grupo estava se expandindo. Havia uma grande variedade de cantores no coral. Alguns já tinham "background" tradicionais, alguns em clássico e os dois estilos se adaptavam muito bem. Estavamos tão acostumadas a cantar com o grupo que sentíamos quando o cantor ao seu lado ia respirar e aprendemos a combinar o nosso som com o dos colegas do coral. Fizemos muitas gravações como também turnês. Eu ainda me encontro e canto com vários ex-integrantes do Anuna.
3.Então você lançou “Méav” que é seu primeiro album solo . Como isso aconteceu?
Eu havia cantado nos EUA com a “RTE Concert Orquestra” em um espetáculo chamado “The Spirit of Ireland” (O Espírito de Irlanda.) Enquanto estava em turnê, conheci David Agnew que toca oboé e "cor anglais " na Orquestra. Ele sempre tentava me convencer a gravar o meu próprio álbum. Gravei algumas faixas para o álbum do David, a gravadora gostou e requisitou mais gravações. Por isso, David e eu montamos o meu primeiro álbum.
4.Seu álbum “Silver Sea” foi lançado no início do ano em alguns países . Você poderia nos relatar o que aconteceu desde o lançamento do álbum de estréia e “Silver Sea”?
O álbum de estréia foi lançado nos EUA, Japão, Coréia, África do Sul e Irlanda. Foi bem recebido e vendeu bem, mas eu só comecei a turnê para a divulgação do novo álbum recentemente. Estive em turnê na África do Sul com Lord of the Dance durante 3 meses e enquanto estive lá tive a oportunidade de divulgar meu álbum.
Entre os espetáculos planejei material para novo álbum e desta vez quis fazer shows ao vivo com músicos tradicionais e clássicos. Lancei o álbum na Coréia em um Festival em Seul,no mês de maio, para comemorar a Copa do mundo.Foi fantástico.
Definitivamente quero me apresentar lá novamente. Silver Sea foi lançado no Japão em agosto e estará logo disponível em lojas de música especializada na Europa e nos Eua sob o selo da Celtic Collections.
5.Quem são seus artistas favoritos? O que você gosta de ouvir a maior parte do tempo?
Eu escuto muitos estilos diferentes de música mas sempre ouço Nina Simone e Ella Fitzgerald. Elas parecem cantar sem fazer esforço e me atraem emocionalmente.
6.Como você desenvolveu seu estilo vocal?
Quando eu era criança tive lições de canto com uma freira,Sr Peter Cronin, e ela me ensinou a importância de emitir um som não forçado, natural. Mais tarde estudei canto mais formalmente com, Mary Brennan, na Faculdade de Música. Primeiro estudei harpa irlandesa na escola, depois na Faculdade de Música e piano no Royal Irish Academy of Music (Real Conservatório irlandês de música).
Eu me sentia muito confortável cantando em galês e tentei trazer a mesma simplicidade e intimidade ao cantar em inglês,não importando se o material fosse tradicional ou clássico.
7.Quais artistas influenciaram sua música?
Admiro os músicos como Clannad e Nóirín Ni Riain que expandiram os limites de música tradicional irlandesa levando -a a uma audiência mais ampla. Eu amo o modo como músicos tradicionais, como o violinista Martin Hayes, tocam apresentando as músicas de uma nova forma.Ele tem o que é chamado "o toque solitário" que comove os ouvintes mesmo que eles não conheçam a música tradicional irlandesa.Eu também gosto de ouvir os cantores como Emma Kirkby que demonstra ser possível cantar música clássica mesmo sem possuir voz lírica.
8.Onde você acha a inspiração para seu material?
Encontro inspiração na natureza e na poesia que está repleta de imagens vívidas. O álbum "Silver Sea" foi inspirado nas férias felizes de infância na costa do condado de Louth. A maior parte do material que eu canto é música folclórica e eu adoro pesquisar a origem de antigas canções e comparar as diferentes versões de melodia e texto. Canções folclóricas adquirem vida própria quando elas passam de uma pessoa para outra.Por isso sempre encontramos acréscimos e omissões muito sutis.
9.Por favor compare o material de "Silver Sea" com o do álbum "Méav."
As canções de "Silver Sea" são todas ligadas pelo tema de mar, mesmo sendo clássicos, tradicionais ou contemporâneos. O primeiro álbum não teve um tema , mas havia uma variedade de estilos de canções diferentes. David Agnew e eu escolhemos as canções. Foi planejado originalmente como um álbum de duetos. Escolhi todas as faixas de "Silver Sea" e eu o produzi também. Assim no momento este álbum parece ser mais pessoal para mim do que o álbum Méav. Usei menos sintetizadores do que no primeiro álbum e escolhi instrumentos acústicos para criar um som mais íntimista. Tanto "Méav" quanto "Siver Sea" incluem algumas canções que eu canto desde criança.
10.Você poderia nos falar sobre alguns dos artistas que participaram do seu novo álbum?
Tive muita sorte de gravar com uma grande equipe de músicos. Senti que a violinista Maire Breatnach entenderia a minha origem porque ela tem um "background" semelhante ao meu em música clássica e tradicional. Eu conheço os irmãos Ó Snodaigh de Kíla desde que eu tinha aproximadamente cinco anos de idade; eles iam para a escola comigo, assim foi muito bom colaborar com eles usando percussão global e instrumentos tradicionais em algumas faixas.
Conor O´ Reilly que compôs " Wicked sister" comigo,também foi responsável por vários arranjos inesquecíveis para o álbum.Ele já havia composto para minha voz, assim ele sabia instintivamente o que funcionaria. Havia muitos outros músicos que acrescentaram algo ao som global, inclusive David Agnew que participou como convidado em uma das minhas faixas prediletas, " You brought me up."
11.Por favor explique as várias fases que você vivencia quando está compondo e gravando sua música.
Gosto de passar alguns meses reunindo idéias e canções para uma gravação.Recentemente eu herdei o piano de Steinway da casa de meus pais que representa um grande incentivo para trabalhar em casa! O piano tem um tom "morno" adorável. Não tenho nenhum equipamento de alta tecnologia em casa, mas lá é bastante sossegado e eu gravo faixas de som no minidisk, enquanto estou experimentando harmonias diferentes. Eu me reúno com alguns músicos importantes e trocamos idéias.
A próxima fase é ir para o estúdio com um plano básico do que eu quero gravar e quando todo o mundo entrará para tocar. Eu gravei "Silver Sea" no estúdio " Pulse" que está a pouca distância da minha casa.Por ter produzido "Silver Sea" , tive muito sorte ao ter o apoio e orientação de engenheiro Brian Masterson. Ele tem uma enorme experiência em gravações com músicos como os Chieftains, Altan e Anúna e nós já havíamos trabalhado juntos em vários projetos.
Brian Masterson e Maire Breatnach têm o melhor ouvido neste ramo de negócio e você não pode omitir nem uma nota sem que eles percebam.Não soménte tocando violino e viola, Maire também teve um valor inestimável atuando na mesa de som para arranjos e idéias de instrumentação. Ela fala "Scots Gallic" galês da Escócia, logo ela também pode polir minha pronúncia de galês. Nós conseguimos ajustar muito em um período de gravação relativamente curto.
12. Quais são seus próximos planos?
No momento estou começando a reunir material para o próximo álbum que terá um estilo muito semelhante, e possívelmente trabalharei em um projeto orquestral. Eu o manterei informado!
Eu me apresentarei em um programa de PBS TV apresentado por Jean Butler de Riverdance e em outubro e novembro estarei gravando com um grande conjunto de músicos irlandeses.
13.Você tem uma carreira ou trabalho fora do mundo da música?
Já faz 6 anos que canto em tempo integral. Além do meu trabalho solo, canto peças clássicas com o "National Chamber Choir of Ireland". Recentemente, escolhemos um maestro brasileiro e estaremos em turnê com o coral pela America do Sul e Europa no próximo ano.
14.O que é que você acha das suas apresentações ao vivo? Há algum plano interessante para um futuro próximo?
Eu adoro apresentações ao vivo-o calor humano da audiência em resposta à nossa performance garante um melhor show nos alimentando com uma energia contagiante. Eu normalmente me apresento com três multi-instrumentistas e como gravo acusticamente, nós podemos recriar o som gravado bem facilmente.Gosto especialmente de cantar números" a capella" com todos os músicos cantando em harmonia.
Locais com acústica natural como igrejas ou salas de concertos facilitam a criação de uma atmosfera mais íntima. A reação de audiência na Coréia foi fantástica--embora as apresentações tivessem sido feitas com a ajuda de um intérprete!
Quanto a concertos adicionais, eu estarei me apresentando em um festival em Tóquio em dezembro e no momento estou planejando uma turnê na Holanda com um promotor holandês a ser realizada em 2003. Também espero fazer alguns shows no EUA no ano que vem.
15.Estamos interessados na sua comparação de artistas com background semelhante ao seu.
Os primeiros álbuns de Clannad me influenciaram. Minha instrução era toda no idioma irlandês e eu me lembro ter apresentado canções de Clannad com as bandas da escola. Enya, a irmã de Maire Brennan, vem claramente do mesmo “background” e é interessante que o trabalho dela na trilha sonora do filme “Lord of the Rings”, Deus do Anéis, é mais simples do que as harmonias apresentadas em faixas e amostragens eletrônicas dos seus álbuns anteriores. Talvez ela esteja voltando para as próprias raízes.
Eu gosto de escutar Mairéad Ní Mhaonaigh de Altan e Karan Casey, antigamente de Solas--têm vozes que são doces e verdadeiras. Michael McGlynn, o diretor de Anúna, teve um talento para reunir vozes claras, simples e sem tom de ópera. Tanto Eimear Quinn e Katie McMahon estavam no grupo na mesma época que eu e muitos dos cantores daquele tempo continuaram cantando como profissionais.
16.Como a internet influenciou sua carreira musical e promoveu a sua música?
A internet é um excelente meio de comunicação com pessoas que têm interesses semelhantes mesmo estando longe.Posso me lembrar da dificuldade de organizar chamadas de negócios para o EUA em uma hora que fosse conveniente para ambas as partes. Atualmente aqueles problemas de fuso horário são eficientemente eliminados. Também é uma grande forma de se descobrir os novos artistas e você pode se conectar a meia-noite caso você queira.
Meu site da Web ainda é bastante novo, mas meu webmaster realmente está ótimo e coloca a informação on line no minuto que ele a recebe--obrigado Eamon! Já expandiu minha audiência e eu espero que continue desta forma.