Glossário de Termos de Informática aplicada ao Geoprocessamento
Aplicativo
1. O mesmo que programa de aplicação.
Arquivo
(file, em inglês)
1. Conjunto de informações ou comandos, identificado por um nome específico
2. Conjunto de registros que representam diferentes ocorrências de um mesmo tipo ou classe de pessoas, coisas, eventos ou fenômenos.
3. Um arquivo contendo registros compostos de caracteres é chamado arquivo texto.
4. Uma tabela é um arquivo de dado com atributos organizados em linhas e colunas.
5. Arquivos de dados organizados em um Banco de Dados relacional são organizados como tabelas.
6. Uma árvore é um arquivo de dados no qual cada item de dado (atributo) está hierarquicamente vinculado a um ou mais itens de dados, como uma ramificação dos mesmos.
7. Um diretório é um tipo especial de arquivo de computador usado para organizar outros arquivos numa estrutura hierárquica. São também denominados folders (pastas, em português).
Atributo (ou Item de Dado)
1. Elemento mais básico que representa uma característica de uma entidade (pessoa, coisa, evento ou fenômeno). É a menor unidade armazenada num Banco de Dados (ver Campo). O atributo de determinada entidade tem um valor que pode ser expresso por número, caracter, data ou expressão lógica (verdadeiro, falso, etc.). Alguns atributos possuem um conjunto de valores permitidos – o domínio de valores. Ver Registro
Banco de dados (Database em inglês)
1. Pode ser entendido como Banco de Dados físico, quando se refere aos dados armazenados, ou como Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD), quando se refere ao software que manipula esses dados.
2. Como Banco de Dados físico: trata-se de coleção de dados inter-relacionados armazenados em conjunto sem redundâncias desnecessárias; são armazenados de maneira a que fiquem independentes dos programas que os usam
3. Como Sistema Gerenciador de Banco de Dados: trata-se de sistema completo e estruturado que provê programas que dão acesso e permitem a manipulação dos dados.
4. Sistema de manutenção de registros por computador, cujo objetivo é manter dados e torná-los disponíveis quando solicitado. Possui 4 componentes principais: dados, hardware, software e usuários. Sua maior vantagem é integração e compartilhamento de dados.
Integração: o Banco de Dados pode ser imaginado como a unificação de diversos arquivos de dados, que de outra forma seriam distintos, eliminando-se total ou parcialmente qualquer redundância entre os mesmos.
Compartilhamento: parcelas isoladas de dados podem ser compartilhadas por diversos usuários em um Banco de Dados. Todos os usuários podem ter acesso a uma mesma parcela de dados no mesmo momento e podem usá-los com finalidades diferentes.
Entre o Banco de Dados físico (os dados armazenados) e seus usuários encontram-se o Sistema Gerenciador de Bancos de Dados – SGBD. O SGBD manipula todas as solicitações de acesso aos dados feita pelos usuários. Através dele criam-se tabelas, dados são inseridos e recuperados. O SGBD (DBMS conforme iniciais em inglês) isola os usuários do Banco de Dados dos detalhes de nível de hardware.
5. Coleção de dados persistente, automatizada, formalmente definida e centralmente controlada e compartilhada. Isto exclui a compilação manual, informal e privada dos dados. Centralmente controlado não significa centralizado fisicamente. Compartilhamento é a palavra-chave do conceito de banco de dados.
6. Bancos de dados também possuem modelos, que podem ser, relacional, hierárquico, em rede e orientado a objeto. No Banco de Dados relacional, os registros encontram-se relacionados entre si na forma de tabelas. No modelo em rede os registros estão associados a n outros registros. No modelo hierárquico, os registros são estão organizados em uma relação de pai-filho. No orientado a objeto os dados são classificados em classes de acordo com características (atributo e operações) do objeto.
7. Diferença entre Arquivo de Dados e Banco de Dados
Arquivo de Dados
Coleção de registros de dados usualmente do mesmo tipo e de mesmo formato;
Seu processamento é usualmente associado com um programa que busca resolver um determinado problema e que pára assim que a resposta é obtida;
Geralmente usado para dar suporte a necessidades de informação de uma aplicação ad hoc
Banco de Dados
Coleção de registros inter-relacionados, organizados em um ou mais arquivos de dados, que podem ter diferentes tipos de dados e formatos;
Seu processamento está sempre relacionado a um Sistema Gerenciador de Bancos de Dados que objetiva resolver as necessidades operacionais de uma organização, isto é, envolve rotinas e grandes aplicações executadas repetitivamente;
Geralmente usado para dar suporte a operações rotineiras da organização. Cada vez mais é usado para apoiar a tomada de decisão
Base de Dados
1. Coleção de dados fundamental a um sistema, empresa ou empreendimento
2. Conjunto de informações relacionadas entre si, referentes a um mesmo assunto e organizadas de maneira útil, com o propósito de servir de base para que o usuário recupere informações, tire conclusões e tome decisões.
3. Conjunto de dados organizados de acordo com uma seqüência lógica que permita o acesso por parte dos programas aplicativos.
4. Coleção de dados operacionais armazenados e que são usados pelos aplicativos.
CAD (Computer Aided Design)
1. Projeto Auxiliado por Computador. Refere-se ao uso do computador no desenho e projetação de peças industriais, componentes de máquinas ou projetos arquitetônicos e de engenharia.
CAD/CAE/CAM
1. Abreviaturas de Computer Aided Design, Engineering, Manufacturing.
2. Designam sistemas, processos e programas de projeto, engenharia e manufatura (fabricação) auxiliados por computador. Para construir um navio, por exemplo, o estaleiro pode ter um programa que auxilia nos cálculos de engenharia naval, no desenho (e posteriores modificações) da planta do navio e depois pode até emitir comandos para o corte de chapas de aço conforme as medidas especificadas.
3. A denominação pode se referir apenas ao programa como a toda uma estação de trabalho dedicada a essa finalidade.
Campo
1. Menor unidade de dados armazenados em computador e que recebe denominação. (Ver Atributo)
Dados
1. Qualquer tipo de informação (em um processador de texto, programa de imagem, etc.) processada pelo computador e coletada com algum propósito específico.
2. Dados em CAD diferem de dados em SIG. No CAD, diferentemente do SIG, a separação de entidades gráficas em níveis não corresponde necessariamente uma estrutura de banco de dados. O CAD não necessita gerenciar as relações topológicas entre os objetos. No SIG as relações espaciais são fundamentais na recuperação e manipulação dos dados.
Dados Geográficos
1. Tipo especial de dado que se relaciona a características e recursos da Terra, assim como às atividades humanas baseadas ou associadas a estas características.
2. São referenciados geograficamente, isto é, podem ser identificados e localizados por coordenadas.
3. Compõem-se de elementos descritivos que informam o que eles são e por elementos gráficos que comunicam sua aparência, onde eles se encontram e como se relacionam entre si. O elemento descritivo é referido como dado não espacial; o elemento gráfico é referido como dado espacial. Para dados descritivos ver Atributo
Dados Gráficos
1. Elementos básicos: ponto, linha (ou arco) e polígono (ou área). Esses elementos podem ser combinados.
2. O método de representar feições geográficas através de pontos, linhas e polígonos denomina-se método vetorial ou modelo de dados vetorial, e o dado é denominado vetor.
3. Vetores relacionados são sempre organizados por temas, também referidos como camadas (layers) ou coberturas (coverages). Ver Métodos de Representação de Dados Geográficos
4. Uma coleção de temas cobrindo uma mesma área geográfica e que serve a uma variedade de usuários constitui o componente espacial de um banco de dados geográfico.
5. Dados gráficos capturados por dispositivos tais como sensores remotos, scanners, câmeras digitais são formados por matrizes de pontos, também chamados de pixels (abreviatura de picture element) com resolução muito pequena. Feições geográficas obtidas desta forma podem ser reconhecidas visualmente, mas não podem ser identificadas como no método vetorial. Elas são reconhecidas pela diferenciação de sua características radiométricas ou espectrais a partir de pixels de feições adjacentes.
6. O método de representar feições através de pixels chama-se método matricial ou raster ou método de tesselação ou, ainda, modelo de dados matricial ou raster, e os dados são denominados dados raster
7. Dados raster também são organizados por temas, que também são referidos como layers
8. Dados raster que cobrem uma grande área geográfica são organizados em cenas (para imagens de sensoriamento remoto) ou em arquivos de dados raster (para imagens obtidas a partir de escaneamento de mapas). Ver Métodos de Representação de Dados Geográficos
Entidades
1. Coisas sobre as quais se armazenam informações. Pode ser um objeto tangível ou não
Estrutura de dados
1. Estrutura de sintaxe de expressões simbólicas e suas características de alocação no meio de armazenamento.
2. A estrutura raster pode variar entre grades regulares, redes triangulares (TIN), tesselação hierárquica (quad trees), etc.
3. A estrutura vetorial pode ser implementada na forma de espaguete – forma não estruturada em linha -, hierárquica – armazena pontos, linhas e áreas de maneira independente e hierárquica – , topológica – que retém relacionamentos ao armazenar explicitamente relações de adjacência.
Informação
1. Dado que foi processado de maneira significativa para a tomada de decisão.
2. Significado atribuído ao(s) dado(s).
Item de Dado
1. O mesmo que Atributo.
Métodos de Representação de Dados Geográficos
1. O método de representação vetorial (ver Dados Gráficos) baseia-se na concepção de que essas feições podem ser identificadas como objetos ou entidades discretas localizadas num espaço/tempo contínuos e absolutos – a visão de objeto do mundo real. Essa visão é a forma de organização da informação veiculada no mapeamento convencional e na cartografia
2. O método raster baseia-se na concepção de que feições geográficas são representadas como superfícies, regiões ou segmentos. O método baseia-se na visão de campo do mundo real. A visão de campo é o método de organizar a informação com o objetivo de análise de imagens de sensoriamento remoto e de sistemas de informação geográfica orientados para aplicações ambientais.
3. A tecnologia hoje permite o uso de ambos os métodos de representação na mesma aplicação
Modelagem
1. Técnica utilizada para, matematicamente, se construírem modelos de situações ou sistemas desejados e que, após testados e simulados teoricamente, são construídos segundo o modelo aprovado
2. Processo de abstração onde somente elementos essenciais da realidade observada são enfatizados.
3. É o processo de definição dos fenômenos do mundo real e das feições geográficas de interesse, em termos e suas características e seus inter-relacionamentos.
Modelagem de Dados
1. Processo de identificação de conteúdo da informação e de seus relacionamentos no contexto de um sistema de informações
2. Há três passos no processo de modelagem de dados: a modelagem conceitual de dados – em que se define, em termos genéricos, o escopo e os requisitos do SIG – , a modelagem lógica de dados – em que se especifica a visão do banco de dados com clara definição de atributos e relacionamentos – e a modelagem física de dados – em que se especifica a estrutura interna de armazenamento e a organização de arquivo do banco de dados. Ver Níveis de Abstração da Informação.
Modelagem de Processos
1. Processo de identificação do fluxo da informação, isto é, a forma pela qual dados e eventos mudam conforme são processados, no contexto de um sistema de informações
Modelo
1. Representação de um sistema real utilizado para inferir o comportamento e as propriedades deste
2. Representação em pequena escala de um sistema que se pretende desenvolver
3. Abstração de algo com o objetivo de conhecê-lo antes de construí-lo. Omite detalhes não essenciais.
4. Coleção de conceitos usados para descrever um conjunto de dados e as operações para manipular esses dados. Fornece base formal (notacional e semântica) que dão suporte à modelagem de dados.
Orientação a Objeto e Modelos Entidade-Relacionamento fornecem conceitos, elementos e regras, além de uma linguagem e notação gráfica suficientes para a elaboração de modelos conceituais que definem os dados, suas estruturas e regras que lhe são aplicáveis necessárias para representação da realidade desejada.
5. Coleção de tipos de estruturas, operadores e regras de inferência e restrições de integridade que provê uma ferramenta para a modelagem de dados. O formalismo do modelo de dados provê mecanismo de abstração da realidade que se quer representar.
6. Ver a diferença entre Modelo de Dados e Modelos de Bancos de Dados (item 6 do verbete Banco de Dados)
Níveis de Abstração da Informação
1. A informação é organizada em vários níveis de abstração, normalmente denominado: nível conceitual, nível lógico, nível físico. Ver Modelagem de Dados.
2. No nível conceitual, o modelo de dados representa a visão que o usuário tem dos dados, refletindo a sua conceitualização do mundo real. É o nível do modelo. Identificam-se as entidades e como elas se relacionam.
3. No nível lógico, o modelo de dados lógico representa uma primeira aproximação da conceitualização do usuário ao modelo que o Banco de Dados irá implementar. Aqui representam-se os atributos das entidades, os atributos de seus relacionamentos, assim como o método em que dados gráficos serão representados – se raster, vetorial – assim como sua forma gráfica – se ponto, linha, polígono. Trata-se de uma visão humana da implementação orientada ao software. É o nível da estrutura de dados.
4. No nível físico, o modelo de dados físico representa, dentro do contexto do modelo de Banco de Dados, como os dados serão fisicamente armazenados. Aqui apresentam-se as estruturas de arquivo na qual cada entidade do modelo lógico de dados será implementada. Ou seja, as tabelas que serão usadas para armazenar os dados, o formato dos dados de acordo com o banco de dados específico, volumes que serão armazenados, localização física dos dados. Esta visão é dependente do hardware e do software. Leva em conta necessidade de desempenho e eficiência no uso de recursos do sistema. É o nível da estrutura de armazenamento.
Programa
1. Conjunto de comandos destinados ao processamento por computador
Registro
1. Coleção de campos afins e que possuem denominação. Ver Campo.
2. Um grupo de atributos de dados relacionados a uma determinada pessoa, coisa, evento ou fenômeno. Ver Atributo.
Sistema
1. Em sentido estrito, com software, compreende um conjunto de programas que fornecem capacidade de entrada, cálculos, consulta e saída de dados armazenados em computador.
2. Em sentido amplo, compreende ainda a infra-estrutura, pessoal e procedimentos, ou seja, o ambiente físico e organizacional em que o software opera.
Sistema de Arquivos
1. É usado pelo sistema operacional ou por um programa para organizar e manter a trilha dos arquivos. Como exemplo, um sistema de arquivos hierárquico utiliza diretórios em uma estrutura de árvore.
Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD)
1. Sistema de programas que lida com armazenamento e recuperação de registros de banco de dados, devendo satisfazer os requisitos de integridade, privacidade e independência de dados. São exemplos: ACCESS, ORACLE, DB2, etc.
2. Reúne bases de dados que possuem as seguintes características: não redundância, independência de dados, interconectividade, segurança, integridade e capacidade de busca.
3. Pode ser referido simplesmente como Banco de Dados.
Sistema de Informação
1. Tem por função transformar dados em informação. Para tanto necessita de organização e estrutura.
Sistema de Informações Geográficas (SIG)
1. Em sistema estrito, compõe-se de 4 grandes componentes: componente de captura de dados, componente de armazenamento, componente de análise e componente de apresentação de dados. O componente de armazenamento é denominado sistema de Banco de Dados Geográficos. Ele estrutura e armazena os dados de forma a possibilitar operações de análise ou consulta. Alguns pacotes de software SIG possuem bancos de dados internos; outros fazem interface com Sistemas Gerenciadores de Bancos de Dados de mercado.
2. Em sentido amplo é composto de software, hardware, base de dados, infra-estrutura, pessoal e procedimentos, ver definição 2 de SISTEMA, neste glossário.
Referências
CAMARÃO, Paulo César B. Glossário de Informática. RJ: LTC-ELEBRA, 1989.
DATE, C. J. Introdução a sistemas de bancos de dados. 4 ed. RJ: Campus, 1991.
FRAGOMENI, Ana Helena. Dicionário Enciclopédico de Informática. RJ: Campus; SP: Nobel, 1986.
LISBOA FILHO, Jugurta; IOCHPE, Cirano. Um Estudo sobre Modelos Conceituais de Dados para Projeto de Bancos de Dados Geográficos. Revista IP – Informática Pública, Belo Horizonte, v.1, n.2, 1999 acessível em http://www.dpi.ufv.br/~jugurta/publica.html YEUNG, Albert K. Information Organization and Data Structure, acessível em http://www.ncgia.ucsb.edu/education/curricula/giscc/units/u051/