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James Galway

JAMES GALWAY
 
Sir James Galway, apelidado “o homem da flauta dourada”, é considerado um brilhante intérprete do repertório clássico e um artista completo que agrada a públicos de diferentes domínios musicais. Como o mais televisionado e gravado artista clássico atuando nos nossos dias, tornou-se uma lenda, um mestre musical moderno cujo virtuosismo na flauta é apenas igualado pelas sua ambição e visão ilimitadas. Através das suas extensas digressões, dos mais de 30 milhões de álbuns vendidos e das freqüentes atuações internacionais em televisão, tornou-se um intérprete estimado por milhões de pessoas em todo o mundo.

Sir James Galway nasceu em Belfast e quando ainda criança começou a tocar numa flauta irlandesa (penny whistle) antes de trocá-la pela flauta transversa. Prosseguiu os seus estudos no Royal College of Music e na Guildhall School of Music and Drama de Londres, seguindo-se o Conservatório de Paris. Começou a sua carreira na Sadlers Wells Opera e em Covent Garden, o que o levou a trabalhar com a Orquestra Sinfónica da BBC, onde tocou flautim, a Orquestra Sinfônica de Londres e a Royal Philharmonic Orchestra, onde foi Flauta Principal. Em 1969 foi nomeado Flauta Principal da Filarmônica de Berlim. Em 1975 iniciou uma carreira como solista e no espaço de um ano realizou mais de 120 concertos, incluindo atuações com todas as orquestras de Londres. Desde então, deu inúmeros recitais, atuou com as principais orquestras mundiais, participou em concertos de música de câmara, concertos de música popular e orientou cursos de aperfeiçoamento.

Sir James Galway interpreta as obras-primas de Bach, Vivaldi e Mozart, mas para além das suas atuações de repertório clássico, interpreta também música contemporânea, incluindo novas obras para flauta encomendadas por ele próprio ou escritas especialmente para ele, enriquecendo o seu repertório com obras de compositores como Amram, Bolcom, Corigliano, Heath e Liebermann.

Como professor e humanista, Sir James Galway é um incansável promotor das artes. Na sua ocupada agenda de intérprete encontra ainda tempo para partilhar a sua sabedoria e experiência com as novas gerações. É autor e editor de vários livros dedicados à flauta, incluindo uma coleção de métodos de flauta editados por G. Schirmer e Theodore Presser. Publicou recentemente um ensaio crítico sobre os Doze Estudos de Boehm op.15. Dedica muito do tempo livre ao seu trabalho como Presidente da Flutewise, uma organização voluntária não lucrativa que encoraja jovens flautistas por todo o mundo, incluindo jovens com deficiência e também provenientes de famílias com poucos recursos. Apóia várias instituições humanitárias, em particular FARA, SOS e UNICEF, das quais é representante especial.

Sir James Galway realiza extensas digressões nos Estados Unidos da América, na Ásia e na Europa. Os destaques da temporada americana de 2005-2006 incluem concertos com a National Symphony Orchestra, as Orquestras Sinfônicas de Chicago, Filadélfia e Boston e a Filarmônica de Nova Iorque. Em 2006 realiza uma digressão de concertos por 25 cidades com a Orquestra de Câmara Polaca, como solista e maestro, com a sua esposa Lady Jeanne Galway. Ambos estréiam uma nova obra de David Overton encomendada especialmente para esta digressão e para o ano Mozart, convenientemente intitulada as Flautas Mágicas.

A contínua presença européia de Sir James Galway inclui atuações no Musikverein de Viena, no Festival de Salzburgo, no Royal Albert Hall em Londres, no National Concert Hall em Dublin, assim como na Alemanha, em Itália, na Espanha e na Suíça. Uma digressão no Extremo Oriente leva-o ao Japão e à Formosa. Mais recentemente, e em complemento aos numerosos compromissos para tocar e dirigir em todo o mundo, ocupou a ilustre posição de Maestro Convidado Principal dos London Mozart Players.

Sir James Galway tocou para altos dignitários(pessoas de altos cargos), como a Rainha Isabel II, o Papa João Paulo II, o Presidente Clinton, o Príncipe Carlos, a Imperatriz do Japão, a Rainha da Noruega, a Princesa Diana e o Duque e a Duquesa de Wessex. Tocou com os Pink Floyd no seu memorável concerto no Muro de Berlim, no concerto do Nobel da Paz na Noruega e na conferência do G-Sete, patrocinada pela Rainha Isabel II no Palácio de Buckingham.

Sir James Galway foi nomeado “Músico do Ano de 1997” pela Musical América. Recebeu os prêmios “Disco do Ano” das revistas Billboard e Cash Box, numerosos discos de ouro e platina, assim como o Grand Prix du Disque pelas suas gravações dos Concertos de Mozart. O seu 60º. Aniversário foi comemorado com os “Sixty Years” de 1999, uma retrospectiva de 15 CDs editada pela RCA Victor Red Seal. A primeira edição de Sir James Galway na Deutsche Grammophon , intitulada “Wings of Songs” , atingiu o primeiro lugar no top de música clássica logo após o lançamento, em Agosto de 2004.

Sir James Galway gravou mais de 60 discos para a BMG/RCA Classics, que refletem o domínio de um vasto repertório, desde os mestres tradicionais, ao folclore japonês e irlandês, ao jazz e à música para cinema. Mesmo as suas mais recentes edições revelam a lufada de ar fresco que Galway traz à sua arte musical. Atua em várias faixas da banda sonora do filme O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei, composta, orquestrada e dirigida pelo vencedor do Oscar Howard Shore. Em Dezembro de 2004, atuou "Ao Vivo no Lincoln Center", em Nova Iorque, com uma audiência de 8 milhões de pessoas, só nos Estados Unidos da América.

Sir James Galway foi, por duas vezes, distinguido pela Rainha Isabel II de Inglaterra, em 1979 recebeu a “Order of the British Empire” e em 2001 foi armado Cavaleiro pelos serviços prestados à música. Em 2004 foi-lhe atribuído o President’s Merit Award no “Salute to Classical Music” dos Grammy’s. Em Maio de 2005, foi distinguido no Classic Brits Awards, no Royal Albert Hall de Londres, onde recebeu o ambicionado prémio Outstanding Contribution to Classical Music, celebrando os seus 30 anos como um dos mais destacados músicos clássicos do nosso tempo (Fonte Biográfica). - Leia mais sobre James Galway aqui

Na Edição Extra Ano XII No 27 da Revista Pattapio, o grande flautista Antonio Carlos Carrasqueira, o Toninho, faz um lindo Depoimento sobre sua vida e experiência (Leia aqui, vale a pena) ). Na altura das páginas 5 e 6 e fala um pouco do nosso mestre James Galway. Gostei tanto o que ele escreveu que resolvi posta aqui.

Depoimento de Toninho sobre James Galway:
James Galway, um artista excepcional, foi certamente o flautista que mais me impressionou e provavelmente o que mais me influenciou, juntamente com meu pai. Em Paris eu ia a muitos concertos, ouvia os discos de todos aqueles flautistas, que, de fato, tinham uma técnica brilhante, conhecimento de estilo, som puro, porém, nenhum deles jamais me emocionara como ele o fazia. Em agosto de 1975 fui a Dublin, na Irlanda, conhecer esse flautista que acabava de se retirar da famosa Orquestra Filarmônica de Berlim e iniciava uma carreira de solista. Fiquei absolutamente encantado. Seu som parecia não vir da flauta, mas do céu. Sua forma de ensinar era completamente diferente daquela dos franceses. Mais informal e, ao mesmo tempo, mais profunda. Quando tocava, era como se estivesse possuído pela música. Identifiquei-me com sua maneira de tocar. Senti-me, pela primeira vez na vida, como alguém que descobre um guru. Esse primeiro curso durou dez dias. Durante todo o ano seguinte estudei e toquei inspirado em sua arte. Quando voltei a vê-lo, um ano depois, toquei a “Pièce”, de J.Ibert.
Quando terminei, seu comentário foi : “Antonio, pode-se perceber que você é um exímio flautista e conhece muito bem a escola francesa de flauta, com suas nuances e riqueza de timbres. Ótimo! Só que nada disso me interessa. Por favor, toque de novo, mas desta vez me fale de você, me diga quem você é! ”
Caindo de um “pedestal “próprio da idade, isso me fez repensar e modificar toda minha relacão com o fazer música. Nessa ocasião, pedi para ser seu aluno particular e ele me aceitou , embora não tivesse alunos particulares. 

Até o ano de 1979, quando voltei a viver no Brasil, fui várias vezes à sua casa, em Lucerna, na Suíça, para aulas inesquecíveis. Foi ele quem me falou pela primeira vez do shakuhachi, essa antiga flauta japonesa, cuja sonoridade me impressionaria profundamente. Ele costumava dizer: "quando tocar, você deve procurar ser feliz, e seu som deve ser ativo e positivo, irradiando uma energia positiva". Isso me guia até hoje.

Site oficial do Sir James Galway