Como tocar mais rápido
Como melhorar suas escalas!
por Marcos Kiehl


Você já parou para pensar que tipo de ajuste é preciso fazer em nossa digitação para que possamos executar uma passagem mais lentamente ou mais rapidamente? Será que para tocar rápido precisamos fazer nossos dedos se movimentarem mais rápido também? 

Experimente tocar a passagem a seguir lentamente e observe o movimento dos seus dedos num espelho:


Agora repita a mesma passagem, mas em velocidade maior, e observe seus dedos novamente no espelho:


Você deve ter constatado que a velocidade dos seus dedos foi praticamente a mesma nas duas velocidades. Isso acontece porque mesmo quando tocamos uma passagem musical mais lenta, ainda assim nossos dedos não se movem tão lentamente para que a mudança de posição e digitação seja o mais breve possível e assim evitarmos aquele efeito de “glissando”. Mas por que então quando repetimos a mesma passagem numa velocidade mais rápida, nossos dedos parecem se mover ainda na mesma velocidade? O que produziu o aumento de velocidade?

A explicação é que ao invés de controlar a velocidade dos nossos dedos, estamos controlando a velocidade da passagem através da duração de cada nota, e através da permanência maior ou menor dos nossos dedos em cada posição digitada. Quanto mais tempo permanecermos em cada posição, mais longas serão as notas e, portanto mais lenta a passagem. Quanto menos tempo nossos dedos ficarem em cada posição, mais curtas as notas e mais rápida a passagem.

Mas é tão óbvio! Sim, deveria ser, mas eu tenho observado que muitos alunos são levados a achar que quanto mais rápida uma passagem, mais rápido seus dedos devem se movimentar, e que somente a velocidade dos dedos é responsável pela velocidade da passagem. Desta maneira, o aluno poderá desenvolver uma técnica ruim, com movimentos dos dedos muito mais rápidos que o necessário. Este aluno dificilmente conseguirá uma boa sincronia e sua digitação ficará também mais barulhenta e “percussiva”. 

É saudável e importante que trabalhemos para que nossos dedos sejam sempre rápidos e precisos, mas é fundamental entender que o mecanismo para tocar mais rápido não é apenas este, e que a velocidade de execução depende muito mais do sincronismo e da antecipação dos movimentos dos dedos que de sua velocidade. Esta velocidade, por sua vez, também deve ter um limite humano que dificilmente pode ser superada, e se tentarmos forçar nosso estudo nesta direção estaremos sempre correndo o risco de tocar com uma técnica ruim. 

Quando observamos um bom flautista tocando podemos ver que seus dedos se movem de maneira suave e macia, sem movimentos bruscos e agitados e que não fazem barulhos percussivos nas chaves, por mais rápido que estejam tocando. Os dedos se movem de maneira leve e ligeira. 

Procure se concentrar muito mais na antecipação do movimento de cada dedo, e não apenas na velocidade deles. Imagine que você tem um compromisso, digamos um ensaio, e tem que chegar na hora certa. Quanto mais cedo sair de casa, mais tempo terá, e assim poderá caminhar ou dirigir mais calmamente e ainda assim chegar no horário, sem pressa e sem afobação. Mas se sair atrasado, terá que correr muito mais para conseguir chegar no horário e ainda assim poderá se atrasar. Você deve usar este mesmo princípio para treinar os seus dedos. 

Numa escala, imagine que cada dedo tem um horário diferente para chegar em cada uma das chaves da flauta, e que se você der o comando para ele começar a se movimentar no momento exato, ele não precisará “correr” para chegar na hora certa. Quanto mais rápido você quiser tocar a escala, mais cedo deverá dar o comando para cada dedo se movimentar, e terá que fazer isto de forma sequencial, para que todos os dedos cheguem no momento certo. Numa escala em velocidade bem rápida, cada dedo deverá iniciar seu movimento uma fração de segundo após o outro, e assim talvez tenhamos dois ou três dedos se movimentando ao mesmo tempo. 

Um outro fator que também pode contribuir para a velocidade da digitação é a altura dos dedos em relação às chaves. Como no exemplo que usei para ilustrar anteriormente, quanto mais perto estivermos do local do ensaio, mais tarde poderemos sair sem chegarmos atrasados. Da mesma maneira, quanto mais perto da chave estiver nosso dedo, menor o percurso e menor o tempo para que ele chegue até a chave. Não levantar muito os dedos pode então ajudar na velocidade e também na sincronização. Mas cuidado, porque aqui existe um outro problema: dedos excessivamente baixos e muito próximos das chaves acabam por perder seu “impulso de movimento” e consequentemente a sua velocidade. Devemos equilibrar e equacionar todas estas varáveis para obter o melhor resultado possível.

Experimente fazer um trinado de fá-sol da seguinte maneira: no início levante bastante o indicador da chave e depois, sem pensar em aumentar a velocidade do dedo, vá gradativamente diminuindo a altura do movimento, levantando o dedo cada vez menos e você verá que o trinado ficará cada vez mais rápido. Ou seja, você aumentou a velocidade do trinado sem precisar mudar a velocidade do dedo!

A altura dos dedos também é uma importante maneira de equilibrar a técnica e a igualdade da digitação de uma escala. Controlar a altura que nossos dedos levantam das chaves poderá aumentar ou diminuir a duração das notas digitadas, fazendo com que uma nota seja tocada mais curta ou mais longa. 


É comum que desigualdades na digitação sejam causadas por movimentos muito rápidos ou deslocamentos muito pequenos dos dedos, então nestes casos devemos nos esforçar para que o dedo se levante um pouco mais alongando aquela nota.

Experimente tocar o exemplo seguinte o mais rápido que puder:

É provável que você sinta uma certa irregularidade na digitação porque o polegar da mão esquerda tende a se afastar muito pouco da chave do si. Desta forma o polegar voltará cedo demais para a chave, fazendo com que a nota dó fique mais curta que o necessário, causando um desequilíbrio na passagem. Pense então em afastá-lo um pouco mais da chave e com isso irá controlando conseguir um ótimo resultado.


Procure praticar desta forma, sempre observando que seus dedos façam movimentos calmos e coordenados, sempre antecipando os movimentos. Quando sentir alguma desigualdade, procure ver se não é uma questão de aumentar ou diminuir a altura que os dedos estão levantando. Além de tudo isso, uma boa postura do corpo e das mãos e uma maneira equilibrada de segurar a flauta também são imprescindíveis para uma boa digitação.


Bons estudos!

Autor: por Marcos Kiehl - www.marcoskiehl.com





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