:: AIDS ::
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Assim como em relação a outras DSTs, as lésbicas não são imunes à AIDS. Nos países industrializados, já existem pesquisas e relatos feitos com lésbicas e por lésbicas descrevendo casos de transmissão do HIV na relação sexual entre mulheres. Pondera-se que o baixo índice de casos públicos de AIDS, entre lésbicas, pode dever-se, por um lado, ao fato das lésbicas serem incluídas estatisticamente na categoria "mulher", em geral, permanecendo, portanto invisíveis, e por outro, às próprias vias de transmissão do vírus, mais limitadas nas relações entre mulheres (haveria menor quantidade de HIV nas secreções vaginais, por exemplo).
Seja como for, é essencial saber que o risco pequeno não significa nenhum risco. Como você sabe, o HIV é transmitido através de sêmen, sangue (incluindo o menstrual), secreção vaginal e leite materno contaminado por alguma "porta aberta" no corpo das pessoas.
Essa "porta aberta ou de entrada" pode ser uma microfissura na região genital, produzida durante uma transa ou por um problema ginecológico, um arranhão ou eczema nas mãos, alguma feridinha na boca ou irritação na gengiva, ou seja, por qualquer via que permita ao vírus entrar na corrente sangüínea.
Assim, na relação genital-genital (chana com chana) ou oral-genital (chupar chana ou ânus) ou mesmo na penetração manual ou com instrumentos sexuais, havendo contato de secreção vaginal ou sangue menstrual contaminados, na presença de alguma porta de entrada, uma mulher pode sim passar o HIV para a outra.
Embora a AIDS também seja uma doença sexualmente transmissível, nós preferimos abordá-la em separado, pois além, de tratar-se de uma síndrome, originando uma série de sintomas, permanece incurável e fatal até hoje.
De fato, a AIDS, sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, sigla também em inglês) que ataca o sistema de defesa de nossos corpos contra as doenças. A partir do momento em que a pessoa é contaminada, inicia-se uma batalha entre seu sistema imunológico e o HIV, uma batalha que pode durar até mais de 10 anos. Em outras palavras, algumas pessoas vivem mais de 10 anos sem apresentar sintomas, isto é, podem ter o HIV sem desenvolver a AIDS.
E os sintomas? Cansaço, diarréia e gripes permanentes, fôlego curto, gânglios inchados, lesões na pele, candidíase oral, demência, sangramentos repentinos, emagrecimento acentuado e coma. Na mulher, o emagrecimento é pequeno e são raros os casos de câncer de pele. Por outro lado, são comuns os problemas ginecológicos relacionados ao acometimento de outras DSTs, como candidíase vaginal, gonorréia, clamídia, herpes, e ao aparecimento de tumores cervicais e uterinos e de doença inflamatória pélvica.
:: HIV ::
Vírus da Imunodeficiência Humana
Ele ataca e destrói as defesas do corpo, levando a pessoa à morte.
Uma das maiores dúvidas das Mulheres que fazem sexo com Mulheres acaba de ser esclarecida, mesmo que não seja da forma mais agradável. Se os grupos ativistas, inclusive brasileiros, já vinham alertando há muito tempo sobre o risco de uma mulher contrair o HIV através de sua parceira, agora são os médicos americanos que atestam um caso real.
Médicos da Pensilvânia divulgaram o que parece ser o primeiro caso comprovado cientificamente de transmissão de HIV entre parceiras sexuais femininas. Uma mulher bissexual HIV+ infectou sua parceira através do compartilhamento de acessórios sexuais. Ela teria usado um dildo de forma tão vigorosa que acabou sangrando durante o intercurso.
No contato com a parceira, a infecção. O relatório médico sobre o caso foi publicado dia 1 de fevereiro, no jornal americano Doenças Clínicas Infecciosas.
A parceira que foi infectada é uma estudante universitária de 20 anos de idade. Ela declarou que só fazia sexo lésbico há dois anos, sempre com a mesma mulher, nunca usou drogas injetáveis nem sofreu transfusão de sangue. Há seis meses, seu teste de HIV deu negativo. Testes genéticos nos vírus de cada uma das namoradas mostram que a mulher bissexual infectou a outra.
As mulheres geralmente deixam de lado este tipo de preocupação por vários motivos: alegam que isto diminui o romantismo, pode afastar a outra pessoa, o risco é muito baixo, só transam entre elas, nunca houve ninguém nem haverá. Mas vale o recado: vá ao ginecologista, procure uma mulher se achar mais confortável e fale sobre seus hábitos sexuais, e isto inclui o fato de você transar com mulheres; antes de começar um relacionamento sexual com alguém, peça os testes, ou use proteção; se já tem o relacionamento e nenhuma das duas nunca fez exame de HIV nem exames ginecológicos comuns, esta é a hora. O assunto é cercado de tabus, mas superá-los vale a sua vida.
A mulher bissexual sabia que era HIV+ e tomava precauções quando fazia sexo com homens, orientada por seu médico. Ela também tinha o cuidado de não compartilhar escovas de dentes nem aparelhos de raspar, de acordo com o relatório da Dra. Helena Kwakwa, do Philadelphia's Mercy Hospital e do Dr. M.W. Ghobrial, do Mercy Fitzgerald Hospital. Mas, ao que parece, não tomava precauções quando o assunto era o sexo com sua namorada.
Embora já se tivesse notícias de transmissão de HIV de mulher para mulher em uma relação sexual desde o final da década de 80, nenhum caso tinha sido comprovado de forma científica. Os médicos tinham que se basear somente no que as mulheres diziam sobre sua vida sexual. Sendo assim, uma mulher HIV+ poderia dizer que não transava com homens, e teria sido infectada por sua parceira, quando a verdade poderia ser bem diferente. A diferença agora é que houve um teste do DNA dos vírus. A Dra. Jeanne Marrazzo, especialista em doenças sexualmente transmissíveis entre lésbicas, da Universidade de Washington, declarou: "Nunca houve tanta certeza da transmissão de HIV entre mulheres como neste caso. É extremamente improvável que o vírus HIV fosse tão similar em ambas as mulheres se uma não o tivesse transmitido à outra".
A transmissão pode ocorrer pelos fluidos vaginais, se contaminados com sangue, como foi o caso. Marazzo diz que é muito importante que as mulheres saibam dos riscos de transmissão de HIV: "É uma boa idéia conhecer sua parceira de todas as formas. Ela tem HIV? Já foi testada? Fez sexo com alguém que tenha o vírus, ou que tivesse grande risco de se contaminar? Já usou drogas injetáveis ou crack?", diz ela. Outro problema apontado é o fato de a maioria das mulheres ainda não falar sobre sua orientação sexual com o ginecologista. Quando falam, alguns profissionais não se mostram preparados para lidar com a prevenção nem com o assunto em si.
As lésbicas também estão vulneráveis a uma grande gama de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) além do HIV, mas podem não estar cientes do risco, é o que dizem os especialistas. Entre elas estão a clamídia e herpes, para as quais as mulheres também deveriam fazer testes antes de começar uma relação sexual. Se isto não for possível, deve-se praticar sexo seguro, que é basicamente o uso de barreiras de proteção, como luvas, geralmente cortadas e colocadas na região da vulva, para o sexo oral, ou na mão mesmo para a penetração, e uso de camisinha no caso de acessórios. Neste caso, a camisinha deve ser trocada a cada uso.