Os resumos estão listados em ordem alfabética.
Maria Luiza Soares de Oliveira
A forma como a sociedade trata certas figuras históricas diz muito sobre suas próprias transformações. O que em um momento foi motivo de repúdio e exclusão, em outro pode se tornar objeto de celebração e reflexão. Nesse sentido, o escritor Oscar Wilde possui uma vasta produção literária que representa essa dualidade. Se, por um lado, sua própria vida representava uma dissidência em relação às normas vitorianas, encarnando as contradições de sua época, por outro, sua obra também expressava esse caráter dissidente. Não por acaso, seu romance The Picture of Dorian Gray foi utilizado como prova em seu julgamento. Nesse sentido, compreender de que maneira suas obras articulam essas dissidências, com foco nos contos “The Star-Child” e “The Happy Prince”, constitui um aspecto central desta pesquisa. Posto isso, esta pesquisa busca investigar de que modos os contos “The Happy Prince” e “The Star-Child” materializam dissidências da norma vitoriana à luz dos estudos queer. Partindo das contribuições teóricas de Annamarie Jagose (1996), Tamsin Spargo (2017), Michel Foucault (1988), Alan Sinfield (1992) e Ari Adut (2005), entre outros, essa pesquisa propõe analisar essas dissidências nos contos selecionados. Do ponto de vista metodológico, esta é uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e de cunho exploratório. Por se tratar de uma pesquisa em andamento, os resultados parciais indicam que, nas duas obras, há a presença da moral religiosa, da moral da sexualidade e da moral da família. Ademais, em ambos os contos, a dissidência é reprimida pelos dispositivos reguladores. Além disso, observa-se o uso de recursos simbólicos e linguísticos para representar e indicar a presença dessas moralidades nos contos.
Palavras-chave: “The Star-Child”; “The Happy Prince”; Oscar Wilde; Estudos queer; Dissidência as normas Vitoriana.
Laís Nunes de Norões
Em A casa na rua Mango (2020), o leitor é apresentado a Esperanza, uma garota adentrando a pré-adolescência em sua jornada de descobrimento do mundo desde a chegada com sua família ao endereço que dá o título ao romance. Por meio de uma narração autodiegética, isto é, em primeira pessoa, acessamos seus pensamentos, sonhos e expectativas de futuro e como os espaços que a mesma está inserida estão intrinsecamente ligados a suas experiências. Nessa premissa, este trabalho busca analisar o uso do elemento espaço como ferramenta de narrativa no romance. Partimos de uma breve revisão dos conceitos de teoria da narrativa propostos por Anatol Rosenfeld (1985), Angélica Soares (2007) e Terry Eagleton (2005), assim como definições da categoria de espaço teorizadas por Silvana Pessôa de Oliveira e Luis Alberto Brandão Santos (2001). Desenvolvemos uma análise bibliográfica com abordagem qualitativa e cunho exploratório. Nesse viés, em A casa na rua Mango (2020) por meio da narração autodiegética adentramos o espaço linguístico de Esperanza, e entendemos sua inexperiência e ingenuidade pela ausência de vocabulário diante de sentimentos e situações mais complexas vivenciadas. Verificamos ainda que há uma articulação entre categorias de espaço, no qual o físico passa a ocupar um lugar psicológico conforme Esperanza amadurece sua percepção de mundo observando dinâmicas familiares dentro da própria casa. Isto liga-se também ao espaço histórico e ao social, pois, no decorrer do romance, ela passa a entender que o mundo não a vê como um ser pertencente por descender de imigrantes latinos e por ser mulher, sendo esses os pontos de partida para sua busca por mudança. Observamos que, para além de simples pano de fundo onde transcorre a história de Esperanza, o espaço literário em A casa na rua Mango é apresentado em suas múltiplas dimensões, permitindo uma abordagem mais complexa dessa categoria.
Palavras-chave: A casa na rua Mango; Narração autodiegética; Espaços literários; Construção identitária; Literatura chicana.
Thiago de Araujo Santos
Em 2024, Carlinhos Maia, influenciador digital, utilizou pronomes masculinos para se referir à Liniker, travesti, cantora e posteriormente ironizou, em suas redes sociais, ao corrigir-se. Tal acontecimento é um retrato de como a identidade seria um traço irrelevante, nesse caso a de gênero, para a maioria da sociedade que ainda ignora as subjetividades alheias. Nesse sentido, traçamos um paralelo com a obra A palavra que resta (2021), do autor cearense Stênio Gardel, pois retrata, por meio de Raimundo, a construção da sua identidade sexual como um processo que não se fixa em termos preexistentes, tendo em vista que é um homem viado, nordestino, de 71 anos e semianalfabeto. Assim, a pesquisa foi construída em torno da construção identitária do protagonista do romance, com ênfase na sua sexualidade e tem como objetivo geral analisar a construção da identidade de Raimundo a partir de uma perspectiva queer. Com o fito de construir o arcabouço teórico dessa investigação bibliográfica, de abordagem qualitativa e de o cunho exploratório nos apoiamos nos conceitos abordados por teóricos como Richard Miskolci (2012), Gayle Rubin (2017), Tamsin Spargo (2017), Guacira Lopes Louro (2018), Michel Foucault (1996, 2021), Judith Butler (2019, 2022), Renan Quintalha (2022) elencando um percurso histórico-teórico sobre questões inquietantes sobre gênero e sexualidade, aliado à discussão dos conceitos de identidade, identificação, a partir da perspectiva de Stuart Hall (2006), diferença em Tomaz Tadeu Silva (2000), Annamarie Jagose (2017) e desidentificação com José Esteban Muñoz (1999). Com isso, percebemos que a identidade sexual de Raimundo é construída por constantes processos de identificação, desidentificação e por suas relações inter- (com o outro) e intrapessoais (consigo mesmo), que gera três movimentos na constituição identitária: a descoberta de si; o autoquestionamento gerado pelas relações familiares; e, por fim, a reprodução do padrão identitário socialmente imposto, que gera uma autonegação.
Palavras-chave: A palavra que resta; Stênio Gardel; identidade; teoria queer.
Maria do Socorro da Silva de Sousa
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta desafios específicos para o ensino de Língua Inglesa, especialmente devido ao perfil dos estudantes, que geralmente conciliam os estudos com trabalho e outras responsabilidades cotidianas. A partir das observações realizadas durante a disciplina de Prática Pedagógica VI no CETI Ozias Correia, em Parnaíba-PI, foi possível identificar que a participação dos estudantes ocorria principalmente quando estimulada pela professora e que os conteúdos eram trabalhados predominantemente por meio de atividades gramaticais. A partir dessas observações, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre o uso da música como estratégia pedagógica para promover maior participação e aprendizagem nas aulas de Língua Inglesa da EJA. Com base em Freire (1996) e Soares (1998), propõe-se uma intervenção pedagógica utilizando a música Count on Me, de Bruno Mars, como recurso para o desenvolvimento da compreensão auditiva, ampliação do vocabulário e interpretação textual. Para atingir o objetivo, desenvolveu-se uma pesquisa bibliográfica associada às observações realizadas no contexto escolar e à elaboração de uma proposta de intervenção pedagógica. Por se tratar de uma pesquisa em andamento, os resultados parciais sugerem que a utilização de recursos musicais pode contribuir para uma aprendizagem mais contextualizada, participativa e próxima das experiências vivenciadas pelos estudantes da EJA.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Ensino de Língua Inglesa; Música; Intervenção Pedagógica; Aprendizagem Significativa.
Francisco Fernandes da Rocha
Este trabalho apresenta uma tradução poética, autoral e inédita de “To Any Reader”, poema que abre A Child’s Garden of Verses (1885), de Robert Louis Stevenson. Reconhecida como obra fundamental da literatura infantil inglesa, a coletânea destaca-se pela construção de uma voz lírica marcada pela imaginação, musicalidade e sensibilidade diante do cotidiano. A pesquisa investiga como a tradução poética pode recriar, em língua portuguesa, os efeitos rítmicos, sonoros e expressivos que sustentam essa representação da infância. A metodologia articula análise literária, escansão métrica e prática tradutória comentada, fundamentando-se em conceitos como o ritmo de Meschonnic (2008), a transcriação de Haroldo de Campos (2013) e reflexões de teóricos como Berman (2007), Venuti (1995) e Bassnett (2003) sobre a ética e a natureza interpretativa da tradução. Os resultados indicam que recriar a voz infantil exige estratégias que superam a equivalência lexical, demandando a reconstrução de efeitos formais, imagéticos e afetivos. A tradução produzida demonstra que a permanência da infância poética em Stevenson pode ser preservada por meio de soluções tradutórias que equilibram fidelidade estética e recriação, contribuindo para a circulação da obra do autor em língua portuguesa e para o avanço dos estudos da tradução de poesia voltada ao público infantil.
Palavras-chave: Tradução poética; Robert Louis Stevenson; Literatura infantil; Voz infantil; Tradução comentada.
Vitor Hugo Sousa Oliveira
Os romances gráficos contemporâneos constituem práticas culturais potentes para compreender como a cultura materializa questões da realidade empírica vivenciada por sujeitos/as LGBTQIAPN+, como existências lésbicas. Entre essas produções, Pigmento, da quadrinista fluminense Aline Zouvi, e Nectarina (Stone Fruit), da quadrinista australiana Lee Lai, destacam-se por priorizarem experiências de mulheres que amam mulheres e os desafios que as atravessam. Em Pigmento, Clarice, tatuadora e pesquisadora de símbolos e imagens do inconsciente, vivencia uma inquietação constante: a tinta não se fixa em sua pele. Ao conhecer Lívia, restauradora de livros, e estabelecer um relacionamento amoroso com ela, inicia um processo de autocompreensão. Já em Nectarina, questões corporais, afetivas e econômicas atravessam a trajetória de Ray e Bron, marcadas pelo término do relacionamento, pelas dinâmicas familiares e pela transição de gênero de Bron. Diante disso, esta pesquisa visa investigar de que formas as existências lésbicas em Pigmento (2024) e Nectarina (2022) reproduzem e tensionam normas sociais dominantes sob as lentes de uma perspectiva comparatista de viés queer materialista. Para alcançar esse objetivo, desenvolve-se uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e de cunho exploratório, fundamentada nos estudos de Rich (1980), Ahmed (2014), Le Breton (2007), Coutinho e Carvalhal (1994). Por se tratar de uma investigação em andamento, os resultados parciais indicam que a comparação entre as obras revela os corpos e os afetos de Clarice, Lívia, Ray e Bron como espaços de disputa normativa, nos quais suas existências negociam movimentos de reprodução, mas também de tensionamento das normas sociais dominantes.
Palavras-chave: Pigmento; Nectarina; Existências lésbicas; Leitura comparatista de viés queer; Romance gráfico.
Francisco Ramires Sampaio Batista
As adaptações entre diferentes mídias têm ocupado um espaço cada vez mais significativo nas produções culturais contemporâneas, ampliando possibilidades de criação e recepção de narrativas. Nesse contexto, a novelização, entendida como a adaptação de um filme para o formato de romance, permanece relativamente pouco explorada pelos estudos literários, apesar de sua relevância para as discussões sobre intermidialidade e adaptação. Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de novelização do filme Interestelar (2014), dirigido por Christopher Nolan, a partir da obra homônima escrita por Greg Keyes, investigando os recursos narrativos empregados na transposição da linguagem cinematográfica para a literária. Em relação a metodologia, este trabalho é de caráter qualitativo e interpretativo, e ocorre por meio da visualização, leitura, e interpretação do filme e da novelização de Interestelar. Também foi feita a leitura para suporte teórico de textos de autoria de Linda Hutcheon (2013), Robert Stam (2006), George Bluestone (1957), entre outros, que se propõem a explorar o fenômeno da adaptação entre mídias. Para tratar dos processos e elementos que envolvem a novelização de Interestelar, foram considerados os conceitos sobre narrativa e composição de textos literários de Gérard Genette (1996; 2010) e Massaud Moisés (2006), bem como os trabalhos teóricos de Beata Mazurek-Przybylska (2019), Ricardo Sobreira (2023) e Raed Dakhil Kareem (2025), que investigam diretamente os objetos desta pesquisa. Os resultados evidenciam que a obra literária amplia e ressignifica elementos narrativos presentes no filme por meio da exploração da voz narrativa, da focalização, da representação da interioridade das personagens e da expansão de determinados acontecimentos, configurando-se como uma obra autônoma que dialoga com sua fonte filmica, ao mesmo tempo em que explora as potencialidades narrativas da linguagem literária.
Palavras-chave: Interestelar; Adaptação; Novelização; Romance; Narrativa.
Breno Almeida Brito Reis
Laís Nunes de Norões
Rayssa Santos Sousa
Rodrigo Lopes Freitas Filho
Trata-se de um relato de experiência de um grupo de discentes de Letras Inglês sobre a elaboração de uma atividade pedagógica aplicada em uma turma de 2º ano do ensino médio da rede pública de ensino na cidade de Parnaíba, no Piauí. A atividade tinha como objetivo geral abordar a presença de termos de origem anglófona na língua portuguesa: os anglicismos. Discutimos inicialmente, no âmbito do ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, as hipóteses da teoria de Stephen Krashen (2009) sobre aquisição e aprendizagem de segunda língua, com o propósito de aliar a organicidade do processo de aquisição da língua estrangeira à presença naturalizada dos anglicismos no português coloquial, integrando-as em uma abordagem pedagógica dialógica que aproveitasse a familiaridade dos estudantes do ensino básico com o uso de anglicismos. A elaboração da atividade foi precedida por uma etapa de observação participante em sala de aula, a partir da qual conseguimos registrar quais termos em inglês já eram utilizados na rotina daquela turma em específico, de modo a prepararmos uma abordagem adaptada. Nesse sentido, propomos efetuar a passagem da “curiosidade ingênua” dos alunos (Freire, 2014), ao abordarmos a experiência habitual do uso de anglicismos, para uma percepção mais crítica desses termos já incorporados espontaneamente. Por fim, a atividade, intitulada “English Around Us” (Inglês ao nosso redor), consistiu na análise coletiva, em roda de conversa, de frases coloquiais contendo anglicismos, a partir das quais solicitamos aos alunos que identificassem as expressões estrangeiras, definissem seus significados e propusessem traduções para elas.
Palavras-chave: Prática pedagógica; Anglicismo; Linguística Aplicada; Relato de experiência.
FABIOLA KELLY ARAUJO
Jinx, personagem da série Arcane (2021) da Netflix, sofre com um intenso conflito psíquico marcado por experiências traumáticas, instabilidade emocional e fragmentação identitária. Desde a infância, ainda como Powder, a personagem vivencia perdas significativas e situações de violência que impactam diretamente a constituição de sua subjetividade. Inserida em um contexto de desigualdade social e afetiva, Jinx desenvolve comportamentos impulsivos e autodestrutivos, que podem ser interpretados à luz da tensão entre as pulsões de vida e de morte. Nesse sentido, essa pesquisa visa responder à seguinte indagação: Qual a relação entre o trauma causado pela perda do objeto amado e as manifestações das pulsões de vida e de morte na personagem Jinx em Arcane (2021) da Netflix? A fim de responder a essa questão, foi estabelecido o seguinte objetivo geral: Investigar a relação do trauma causado pela perda do objeto amado e as manifestações das pulsões de vida e de morte na personagem Jinx em Arcane (2021) da Netflix. A fim de alcançar esse objetivo geral, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: Discutir os pressupostos teóricos dos estudos psicanalíticos freudianos, com ênfase nos conceitos de trauma, pulsão de vida e pulsão de morte; Caracterizar como os traumas vivenciados por Jinx causados pela perda do objeto amado se manifestam por meio da Pulsão de morte; descrever como e por que as pulsões de vida e de morte se manifestam na personagem Jinx. Para alcançar esses objetivos, está sendo realizada uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza exploratória, fundamentada nos estudos psicanalíticos freudianos, além de autores como Plon e Roudinesco (1998), Freud (1920) entre outros. Considerando que a pesquisa ainda está em andamento, os resultados preliminares indicam que Jinx se configura como uma personagem marcada pela predominância de conflitos internos, nos quais as pulsões de vida e de morte se manifestam de forma ambivalente, evidenciando comportamentos que oscilam entre a busca por vínculo afetivo e tendências destrutivas.
Palavras-chave: Estudos psicanalíticos freudianos; Pulsão de vida e de morte; Trauma pela perda do objeto amado; Jinx/Powder; Arcane (2021).
Yasmim Cantanhede Mesquita
Em nossa sociedade a violência doméstica contra as mulheres continua sendo um dos problemas que mais afeta esses indivíduos, causando consequências que vão muito além das agressões físicas e se estendem até a constituição da subjetividade dessas mulheres. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo analisar de que forma o ciclo de violência doméstica vivido pela personagem Lily Bloom, protagonista do livro It Ends With Us (2016), escrito por Colleen Hoover, influencia sua constituição de mulher, utilizando as ideias dos estudos feministas. Para alcançar o objetivo deste trabalho oi desenvolvido uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa de cunho exploratório e caráter interpretativista, através da análise do romance e de referenciais da Crítica Literária Feminista. Este estudo se fundamenta principalmente nas ideias de Simone de Beauvoir, bell hooks, Lois Tyson, Lenore Walker, entre outras. Por se tratar de uma pesquisa ainda em andamento, os resultados parciais indicam que a violência doméstica apresentada na obra It Ends With Us (2016) influencia a constituição da subjetividade da personagem Lily Bloom e expõe processos de resistência e de ruptura do ciclo de violência vivenciado por ela. Por fim, a obra auxilia para reflexões sobre patriarcado, violência contra mulheres e representação da experiência feminina na literatura nos dias atuais.
Palavras-chave: Crítica Feminista; Violência Doméstica; Ciclo de Violência; Patriarcado; It Ends With Us.
HIGOR DA SILVA VERAS
Este artigo busca responder a seguinte questão: quais as principais contribuições do Cristianismo para a formação do inglês durante o período do Old English. Para responder essa questão foi organizado o objetivo geral: fazer uma abordagem diacrônica do contexto histórico, que se inicia com o primeiro contato entre romanos e celtas na ilha que futuramente se tornaria a Inglaterra, por volta de 55 a.C., e se estende até as invasões vikings, intensificadas a partir do final do século VIII. Ademais, para atingir o objetivo geral, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: apresentar um panorama sociolinguístico que permita compreender como o processo de cristianização dos anglo-saxões favoreceu a expansão do vocabulário com influência do latim; e, sob uma perspectiva da linguística histórica, analisar as mudanças estruturais da língua, evidenciando o impacto duradouro da tradição cristã sobre o léxico e o sistema de escrita. Para alcançar estes objetivos, foi realizada uma pesquisa bibliográfico-exploratória com abordagem qualitativa, fundamentada em autores como: Baugh e Cable (2002), Mugglestone (2006), assim como outros. Portanto, esta análise permite compreender que, além de promover a conversão religiosa, o Cristianismo também exerceu profunda influência na incorporação de numerosos empréstimos lexicais do latim ao Old English, bem como na sistematização da escrita por meio do alfabeto latino.
Palavras-chave: Cristianismo; Old English; Linguagem; Língua Inglesa; Latim.
Daniel Oliveira
A diversidade linguística constitui um importante componente da diversidade cultural brasileira, expressando formas de pertencimento, memória social e produção de conhecimentos. Nesse contexto, o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), instituído pelo Estado brasileiro, surge como instrumento voltado ao reconhecimento, à documentação e à valorização das diferentes línguas presentes no território nacional. O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre as relações entre língua, cultura e patrimônio cultural a partir da experiência do INDL, discutindo sua contribuição para a preservação da diversidade cultural brasileira. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada na análise de normativas, publicações institucionais e literatura especializada sobre patrimônio cultural, diversidade linguística e políticas de salvaguarda. O trabalho dialoga com contribuições dos estudos antropológicos e culturais que compreendem a língua não apenas como meio de comunicação, mas como elemento constitutivo das identidades coletivas e dos modos de vida de diferentes grupos sociais. Os resultados indicam que o INDL representa um importante avanço na ampliação das políticas de patrimônio cultural no Brasil, ao reconhecer a pluralidade linguística como referência cultural e direito das comunidades falantes. Conclui-se que a valorização das línguas contribui para a preservação de memórias, saberes e formas de expressão que integram o patrimônio cultural brasileiro, fortalecendo a proteção da diversidade cultural em suas múltiplas dimensões. 1 Doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Técnico em Antropologia na
Palavras-chave: Diversidade linguística; Patrimônio cultural; Inventário Nacional da Diversidade Linguística; Identidade; Memória social.
ALYSSON SOUSA NEVES
Quando falamos de heróis, automaticamente pensamos em seus vilões. Afinal o que seria um herói sem um mal, um obstáculo, um antagonista a ser derrotado? É isso que o senso comum nos ensina: o herói representa a luta pelo bem e pela ordem, enquanto o vilão representa forças hostis que ameaçam esse equilíbrio. Nesse prisma, Medusa ocupa, tradicionalmente, o lugar do mal a ser vencido, da monstra que perturba a ordem e da vilã cujo olhar petrifica. Contudo, se, como afirma Roberto Acízelo (2007), teorizar é problematizar o senso comum, propomos uma complexificação dessa figura. Acreditamos que Medusa representa um tipo de anti-herói(na) na definição de Mesquita (1987): não busca restaurar uma ordem perdida, mas é moldada e definida pelas forças hostis de seu mundo, sem a chance ou o desejo de alterá-las. Nesse contexto, embora sua história tenha sido frequentemente narrada de forma a enfatizar um aspecto monstruoso, veremos, a partir dos conceitos de adaptação e apropriação como esse processo pode dar voz aquilo que um dia foi marginalizado ou questionar essas visões cristalizadas. Assim, a pesquisa busca analisar as questões de adaptação e apropriação da figura mitológica Medusa a partir das pinturas de Caravaggio Michelangelo (1597) e Alice Pike Barney (1892) e no poema de Carol Ann Duffy (1999). Partindo de nomes como Carvalhal (2006), Hutcheon (2013), Nitrini (2021) e Sanders (2006), interessamo-nos na perspectiva comparativista, com ênfase nos estudos sobre adaptação e apropriação. Os resultados parciais indicam que a figura da Medusa na pintura de Caravaggio representa um exercício de adaptação enquanto a pintura de Barney e o poema de Duffy evidenciam um movimento de apropriação, expressão política da adaptação, segundo Sanders (2006). Descrevemos, pois, essa pesquisa como um trabalho bibliográfico de abordagem qualitativa e cunho exploratório, além de ser um recorte de uma pesquisa de iniciação cientifica (PIBIC – UESPI) em andamento.
Palavras-chave: Medusa; Estudos comparados; Adaptação; Apropriação.
Cintia Vitória Veras Brito
Isaac Costa Veras
Isaac José Barreto e Silva
Sara Fernandes de Araujo
Tawane Damasceno Nunes
O que leva alguém a aprender uma segunda língua? Esse trabalho é um relato de experiência de linguística aplicada, formulado com as experiências dos discentes no colégio Epaminondas Castelo Branco em uma turma de ensino médio após observações de uma aula de português e criação de uma atividade relacionada. A atividade tinha como objetivo analisar o uso do inglês no espaço midiático apresentando aos alunos imagens e termos popularmente conhecidos na internet em uma variedade de atividades que abrangiam temas como: memes/redes sociais, propagandas, gírias e tecnologia. Com a finalidade de incentivar a análise textual, cada grupo recebeu materiais contendo elementos textuais em inglês e em português. Os alunos foram orientados a identificar esse vocabulário nas imagens oferecidas, bem como a explicar os motivos que justificam o uso dessas palavras. Tomando as teorias de Krashen como âncora pensamos sobre as consequências da globalização e tecnologias que possibilitam que os alunos interajam com outras línguas ao clique de um botão, fizemos dois questionários em relação a como eles reagem ao uso de línguas estrangeiras em jogos e ao seu redor para adquirir dados e opiniões sobre a influência do estrangeirismo no dia a dia deles e como isso afeta o seu processo de aprendizagem de uma segunda língua. Os resultados finais desta pesquisa foram catalogados e apresentados em formato de gráficos em sala de aula, indicando que o crescente uso de termos em inglês pela mídia pode ser apontado como uma razão na qual adolescentes estão usando mais e mais o inglês no dia a dia, sendo esse um aprendizado consciente ou uma aquisição subconsciente.
Palavras-chave: Estrangeirismo; Krashen; Inglês; Aprendizado; Mídia.
BRENO ALMEIRA BRITO REIS
Em “Especially Heinous”, Carmen Maria Machado (2017) reescreve as sinopses das 12 primeiras temporadas da série Law & Order: Special Victims Unit, reimaginando os detetives Olivia Benson e Elliot Stabler falhando em sua missão rotineira de solucionar casos de crimes sexuais, à medida que a realidade passa a ser invadida por elementos insólitos: (1) um misterioso som de batimentos; (2) os fantasmas das vítimas; e (3) Henson e Abler, os duplos das protagonistas. A lógica resolutiva que estrutura o enredo típico dos seriados procedimentais policiais é assim rompida, desencadeando uma crise de função das protagonistas, as quais, diante das circunstâncias insólitas, não conseguem desempenhar com eficácia o trabalho detetivesco que as caracterizava e que restituía um senso de ordem à realidade mediada pela narrativa policial. Articulando esses problemas formais e narrativos pela perspectiva dos Estudos Culturais (Williams, 2011; Cevasco, 2003), propomos analisar, na intrincada trama desestabilizadora de “Especially Heinous”, como os três elementos insólitos introduzidos no conto operam sobre a crise de função das protagonistas, compreendida como processo de alienação do trabalho (Williams, 1983; Konder, 1999; Grespan, 2021). A análise indica que os elementos insólitos em “Especially Heinous” realçam os aspectos intertextuais e metaficcionais do conto como maneira de criticar uma realidade social codificada por uma fórmula televisiva, revelando-a como uma construção instável, cujos desfechos protocolares mantêm-se alheios a aspectos menos evidentes da violência sexual e de gênero.
Palavras-chave: Insólito; Alienação; Intertextualidade; Literatura estadunidense; Televisão.
BÁRBARA NUNES RIBEIRO
As desigualdades de classe permanecem como um dos principais elementos estruturantes das relações sociais na contemporaneidade, influenciando as condições materiais de existência, as formas de interação e a constituição das experiências individuais. Nesse contexto, a literatura configura-se como um espaço privilegiado para representar e problematizar as dinâmicas sociais que atravessam a vida cotidiana, evidenciando como as relações de classe, a ideologia e a alienação se manifestam nas experiências dos sujeitos. Entre as obras contemporâneas que abordam essas questões, destaca-se Normal People (2018), de Sally Rooney, cuja narrativa explora os efeitos das desigualdades de classe sobre as relações interpessoais de Connell Waldron e Marianne Sheridan. O presente trabalho tem como objetivo investigar como as desigualdades de classe impactam as relações sociais entre os protagonistas do romance à luz da crítica literária marxista. Especificamente, discutimos os pressupostos teóricos do marxismo, com ênfase nos conceitos de classe social, ideologia e alienação; analisamos os processos de alienação que influenciam a formação identitária e as práticas sociais de Connell; e investigamos as formas pelas quais a ideologia estrutura a experiência de classe de Marianne e influencia sua percepção das relações sociais. Partindo das contribuições de Karl Marx (2013 [1867]; 2018 [1848]), Friedrich Engels (2018 [1848]), Terry Eagleton (2016 [1976]) e Lois Tyson (2023), desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, fundamentada na análise do romance e de sua fortuna crítica. Os resultados da pesquisa demonstram que Normal People constrói as relações entre Connell e Marianne a partir das desigualdades de classe, evidenciando que a alienação interfere na formação identitária e nas práticas sociais de Connell, enquanto a ideologia estrutura a percepção de Marianne sobre sua posição social e sobre as hierarquias de classe presentes na narrativa. Desse modo, a análise reafirma a contribuição da crítica literária marxista para a compreensão das relações entre condições materiais de existência, subjetividade e construção narrativa na literatura contemporânea.
Palavras-chave: Normal People; Crítica literária marxista; Desigualdades de classe; Ideologia; Alienação.
Isa Bruna Gomes Araujo
O quanto da identidade de uma pessoa é construída por ela mesma e o quanto é moldado pela cultura e o lugar e família o qual ela cresceu? Constantemente, a sociedade reforça quais são os papeis sociais tanto das mulheres como dos homens. Tais papeis de gênero são reproduzidos continuamente, na maioria das vezes de forma inconsciente. Essa reprodução é entrelaçada com a cultura: apesar de no senso comum, cultura ser associada à arte e coisas cultas, a cultura abrange todos os aspectos da sociedade, como a religião, normas e as relações sociais. Em “Sabrina & Corina” (2019), acompanhamos a história de duas primas que, apesar de serem próximas anteriormente, se afastaram ao decorrer dos anos. Quando Sabrina é vítima de uma morte violenta, Corina ajuda a família a preparar o funeral, o que a leva a relembrar e a refletir sobre sua vida e de sua prima, e é por meio disso que o conto trata questões de identidade, gênero e violência. Dessa forma, o objetivo geral deste trabalho é analisar cultura e gênero no conto “Sabrina & Corina” (2019), de Kali Fajardo-Anstine, partindo de nomes como Williams (2011), Butler (2019) e Cevasco (2003), entre outros. Em termos de metodologia, esta pesquisa é um trabalho bibliográfico, de abordagem qualitativa e cunho exploratório. Os resultados indicam a presença tanto de uma cultura dominante como alternativa, mostrando como a cultura dominante normaliza as violências sofridas na família das protagonistas e como esses papeis de gêneros são reproduzidos e passados de geração para geração.
Palavras-chave: Estudos Culturais; Cultura; Gênero; “Sabrina & Corina”.
Lilian Henrique Silva Candeira
As produções culturais contemporâneas têm evidenciado, de diferentes maneiras, os impactos das normas sociais que regulam a sexualidade. Nesse contexto, o filme japonês Monster (2023), dirigido por Hirokazu Kore-eda, apresenta uma narrativa que problematiza as expectativas sociais relacionadas à heteronormatividade por meio das experiências de Mugino Minato e Hoshikawa Yori. Partindo dessa perspectiva, esta pesquisa, desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), busca responder à seguinte questão: como as vivências de Mugino Minato e Hoshikawa Yori são atravessadas pela heteronormatividade no filme japonês Monster (2023)? Para responder a essa indagação, estabeleceu-se como objetivo geral investigar como as vivências de Mugino Minato e Hoshikawa Yori são atravessadas pela heteronormatividade no filme japonês Monster (2023). Como objetivos específicos, propõe-se discutir os pressupostos teóricos dos Estudos Queer, com ênfase no conceito de heteronormatividade e identificar como as relações familiares entre pais (Saori e Kiyotaka) e filhos (Minato e Yori) contribuem para a manutenção ou o rompimento de padrões heteronormativos. Quanto ao percurso metodológico, está sendo realizada uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, cunho exploratório e lentes interpretativistas, fundamentada em autores como Louro (2000, 2004), Tyson (2023), entre outros. Os resultados preliminares indicam que a narrativa evidencia a internalização de normas heteronormativas por Minato e Yori, influenciando como eles percebem e entendem a si mesmos e aos outros.
Palavras-chave: Estudos Queer; Heteronormatividade; Monster (2023); Hoshikawa Yori; Mugino Minato.