Beatriz M. M. Dias e Ana Clara A. Vargas
Em termos populacionais, o iorubá é uma das maiores etnias do continente africano. Os iorubás constituem populações diferentes que, além de possuírem a mesma história e cultura, possuem o mesmo nome e língua.
A maioria dos iorubás viviam na Nigéria. Benin, Gana, Togo e Costa do Marfim também têm comunidades importantes. Como o tráfico de escravos era muito ativo na região, muitos traços de cultura, língua, música e outros costumes se espalharam por vastas áreas do continente americano, com destaque para Brasil, Cuba, Trinidad e Tobago e Haiti.
Existente há séculos no Benin e na Nigéria, a história moderna iorubá é marcada pelo surgimento do império oceânico, que nasceu com a ajuda de portugueses interessados no comércio local. Além disso, Lagos é a cidade mais importante e populosa da Nigéria, situada nas terras iorubás, cujo nome atual deriva do armazém construído pelos portugueses, que é a abreviatura da cidade no sul de Portugal.
Os africanos contam apenas com o poder verbal. No que diz respeito à tradição iorubá, o poder verbal foi mantido nos hinos Ifá por séculos. Esses povos extraíram de lá os fundamentos básicos para preservar sua herança, mesmo longe, nas Américas.
As palavras têm um peso sagrado, porque têm o mistério de adorar dimensões que são invisíveis aos olhos humanos. Não só isso, é um tecido estrutural que constitui todos os aspectos da experiência do povo africano, especialmente a experiência do povo iorubá. Permite a uma geração transmitir a sua herança ancestral para herdar o seu património, preservando assim a sua cultura original.
O verso sagrado de Ifá é a ciência da compreensão do universo, da cultura, das crenças religiosas, da educação, da poética, da dança, do patrimônio musical, da estrutura política e social, da interação social, do entorno urbano, do meio ambiente, da relação com os ancestrais e da prática do povo iorubá.
Entre os elementos presentes nesta obra-prima da oralidade iorubá estão os Oriki – evocações; os Orin – cantos; os Orin-Esa – cantigas em louvor aos ancestrais masculinas; os Orin-Efe – canções dirigidas às ancestrais femininas; as Aduras – orações; os Ibás – saudações. Nos poemas maiores, os Iremoje e os Ijala, estão preservados os elementos mais significativos da trajetória mitológica deste povo.
• Comércio forte, seus comerciantes (homens e mulheres) circulavam por terra e pelos rios da região em canoas carregadas de produtos da floresta (pele de leopardo, pimenta, marfim, noz de-cola), objetos de couro, metal e marfim confeccionados por seus artesãos.
• Na cidade de Oió, havia bairros especializados em curtume, serralheria e fundição. • Ifé, era a cidade sagrada dos iorubás, capital religiosa.
• Em Ifé, o poder político e religioso era exercido pela mesma pessoa, o oni; ele administrava a cidade, distribuía a justiça e era o responsável pelos cultos religiosos visando às boas colheitas.
• Era o oni quem confirmava a autoridade dos líderes de outras cidades iorubás, como Keto e Oió.
• Apesar de compartilharem uma mesma língua e possuírem uma base cultural comum, os iorubás não chegaram a compor um Estado centralizado, as suas cidades eram cidades-Estado ou cidades-reino. ,
• Os iorubás foram trazidos para o Brasil como escravos, após 1830, quando os muçulmanos destruíram a cidade de Oió.
• Entraram em grande número pelo porto de Salvador. Entre eles havia muitos sacerdotes, príncipes, líderes políticos e artistas, que foram empregados, sobretudo, em trabalhos urbanos e domésticos, na cidade de Salvador e no Recôncavo Baiano.
• Fizeram história e arte em solo brasileiro.
• A Bahia é o principal polo de irradiação da arte de matriz iorubá; lá nasceram ou vivem alguns dos grande nomes da música e das artes plásticas de matriz iorubá.
• Na música: os blocos Olodum e Ilê Aiyê e a cantora Margareth Menezes. • Nas artes plásticas: Emanoel Araújo e Mestre Didi (escultores) e Carybé e Menelaw Sete, conhecido como Picasso do Brasil (pintores).
curiosidades
Alguns estudiosos acreditam que o povo Iorubá provavelmente está associado à cultura egípcia, enquanto outros acreditam que ele está mais intimamente relacionado à herança núbia. Esses pesquisadores também estudaram a possibilidade de as crenças iorubá se tornarem herdeiras das ideias helenísticas. Até agora, nenhuma especulação foi comprovada.
Sofia Abib, Beatriz Ferreira e Sophia Comaneti
Os bantos foram povos que se desenvolveram na região ao sul do deserto do Saara. Este povo era isolado, economicamente falando, pois não tinham saída para o mar.
Os bantos não constituem toda a população africana nativa ao sul do Saara. ... Ao contrário dos khoisan, caçadores nômades, os bantos já desde o início praticavam a agricultura, caça e a pesca. Além disso, conheciam a metalurgia, o que deu grande vantagem na conquista dos povos vizinhos.
Nos bantos as seitas religiosas e sociedades sagradas que controlam o acesso aos espíritos e a Deus, controlam também as instituições políticas. ... No que tange à política, pode-se constatar que no mundo banto o poder era concentrado nas mãos dos chefes religiosos e militares.
Eles viviam da caça , pesca e coleta de alimentos.
Cristianismo, islamismo, religiões tradicionais africanas. Os bantos compõem um grupo etnolinguístico que está localizado principalmente na África subsariana e que abrange aproximadamente quatrocentos diferentes subgrupos étnicos.
Os bantos foram um dos grupos mais numerosos a chegar ao Brasil na época da escravidão, trazidos de Angola, do Congo e de Moçambique. No Brasil, eram levados principalmente para o Maranhão, o Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.