No contexto do ORIGEM-BC, o termo terroir é utilizado como analogia ao território. Ele não se restringe ao sentido clássico associado ao vinho, mas expressa a relação indissociável entre ambiente, cultura, história, modos de fazer e sistemas produtivos que conferem identidade singular aos produtos de uma região.
A Baixada Cuiabana constitui um território singular de Mato Grosso, formado pelos municípios de Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Várzea Grande. Nessa região, os biomas Cerrado e Pantanal se encontram e moldam paisagens, práticas produtivas, saberes tradicionais e expressões culturais profundamente conectadas ao ambiente.
O terroir — entendido aqui como território vivido — resulta da interação histórica entre fatores naturais, como clima, solo, rios e biodiversidade, e fatores humanos, como técnicas produtivas, tradições alimentares, agroextrativismo, agricultura familiar e modos de vida cuiabanos. Essa combinação dá origem a produtos e saberes com forte identidade territorial, ainda pouco reconhecidos formalmente nas cadeias de valor.
Apesar de sua riqueza cultural e produtiva, a Baixada Cuiabana enfrenta desafios que dificultam a valorização desse território-terroir, como a fragmentação das cadeias produtivas, a ausência de diagnósticos sistematizados e a baixa visibilidade nos mercados. A falta de instrumentos de reconhecimento, como as Indicações Geográficas, contribui para a perda de valor simbólico e econômico desses produtos.
O ORIGEM-BC 1.0 parte do entendimento de que o terroir, enquanto território, é um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável. Ao mapear produtos, comunidades e modos de fazer, o projeto busca tornar visível essa relação entre território e identidade, criando bases técnicas, sociais e institucionais para processos futuros de certificação, inovação e valorização da origem na Baixada Cuiabana.