No último dia da 40ª Semana Científica do HCPA, uma banca de três jornalistas e divulgadores científicos escolheu o melhor trabalho do evento. Ao longo da semana, as centenas de trabalhos inscritos passam pela avaliação de uma comissão científica, e os quatro melhores foram indicados para avaliação dos profissionais da comunicação. Este ano, por causa da pandemia de covid-19, a sétima edição da atividade aconteceu pela primeira vez em formato totalmente virtual, assim como toda a programação da Semana Científica.
Para escolher o melhor estre os finalistas, os jornalistas André Azevedo da Fonseca (Universidade Estadual de Londrina e Science Vlogs Brasil), Alexandra Ozorio de Almeida (Revista Pesquisa Fapesp) e Mírian Barradas (Portal UFRGS Ciência) se basearam em critérios como a complexidade do tema para abordagem junto ao público leigo, clareza da apresentação, vocabulário empregado (“tradução” dos termos técnicos para o leigo, recursos utilizados para facilitar a compreensão do tema. Enfim, se a informação especializada foi traduzida para o universo do senso comum.
Apresentação e premiação dos melhores trabalhos da Semana Científica foi coordenada pela jornalista do HCPA Elisa Kopplin Ferraretto.
Melhor trabalho escolhido pela banca de jornalistas – edição 2020: Comparação entre as faixas de RNI em dispositivo microfluídico point of care e método laboratorial padrão ouro, de Melissa Daniele Alves.
Encerramento
O encerramento da 40ª Semana Científica do HCPA foi uma celebração do que a ciência brasileira já atingiu e um alerta sobre os desafios do cenário atual. Com um resgate histórico, o professor Luiz Davidovich, da Academia Brasileira de Ciências, evidenciou as transformações construídas na sociedade com a pluralidade da pesquisa, citando a influência da Embrapa, a consolidação do SUS e a extração de petróleo no pré-sal. “Poderíamos fazer muito mais, se não fossem os cortes (orçamentários) nos últimos anos”, refletiu. Traçando paralelos econômicos entre cadeias produtivas, o pesquisador alertou que a destruição ambiental dificulta ainda mais o país de encontrar alternativas de desenvolvimento harmonizado com natureza. Davidovich apontou caminhos para o futuro, entre os quais o aumento da inovação disruptiva, planos estratégicos com encomendas de estado, educação de qualidade e recuperação de universidades. Os trabalhos foram conduzidos pelo professor Jorge Guimarães.
Nesta quinta-feira, a mesa-redonda: Papel da Bioética no enfrentamento da pandemia por covid-19 debateu a relevância dos Direitos Humanos nas decisões frente à pandemia, o papel da bioética no relacionamento com os pacientes na crise e a gestão e governança no enfrentamento ao coronavírus. Além da professora da Universidade de Brasília Aline Sant’Anna de Oliveira, participaram da atividade o chefe do serviço de Bioética José Roberto Goldim e o representante do Conselho Nacional de Saúde Jorge Venâncio. A coordenação foi realizada pela professora do HCPA/UFRGS Lisiane Paskulin
Ainda pela manhã, a mesa-redonda sobre o papel do ensino no enfrentamento da pandemia fomentou a troca de ideias acerca dos desafios que a distância trouxe. A professora Cristina Neumann apresentou os mecanismos que foram utilizados no período, e reforçou que apesar do novo, a tradição do ensino próximo não pode ser descartada. Representando os estudantes, Mariana Spier Borges explicou as dificuldades percebidas, como a necessidade de ir além dos conteúdos. “Há um benefício duplo da inserção do aluno na telessaúde, pois ajuda a fazer o link entre teoria e prática e treina para algo que terá mais espaço no futuro” , destacou.
Durante a tarde, acontece o Simpósio 30 anos do Sistema Nacional de Informação sobre Teratógenos (Siat).
Open Science - dados abertos - na área da saúde e o desafio de equilibrar seu uso, respeitando o direto autoral dos pesquisadores, foi destacado pela professora da Universidade Europeia Cristina Caldeira. A mesa-redonda Ciência e o uso de dados pessoais sensíveis, no início da manhã desta quarta, 11, também apresentou os diversos aspectos da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, seu reflexo na governança e boas práticas na saúde, passando pela responsabilidade de gestores de instituições públicas e o uso de dados de pacientes na pesquisa. A atividade foi coordenada pela professora do HCPA Marcia Santana Fernandes.
Na segunda atividade do dia, Por que e como divulgar ciência no Brasil?, representantes do Ciência na Rua, UFRGS Ciência e Agência Bori trouxeram suas respostas para esta questão. O compromisso com o interesse público e a necessidade de aproximar a ciência e a população se mostraram consensos entre os palestrantes. “90% das pessoas não sabe nomear uma instituição que faça pesquisa no Brasil. Então, buscamos fazer essa aproximação através do jornalismo”, explicou Ana Paula Morales, da Agência Bori.
Além das palestras e oficinas, os temas livres apresentados na forma de pôster também têm sido o ponto alto desta edição do evento, podendo ser compartilhados e curtidos em uma plataforma interativa.
A necessidade de inovação e os legados que a pandemia irá deixar foram o tema central da discussão da segunda mesa-redonda do dia 10. O cenário acarretou mudanças profundas na sociedade, acelerou processos e alertou para questões que necessitam de atenção. O coordenador do Nitt, professor Hugo Oliveira, ressaltou que a saúde é a bola da vez em inovação. “A grande preocupação com a saúde e a segurança de pacientes e profissionais. Banco de dados, inteligência artificial, machine learning serão cada vez mais faladas. Instituições terão de investir muito nas suas informações”.
Anteriormente, a primeira mesa-redonda, tratou do papel da pesquisa no enfrentamento da pandemia. A coordenadora da atividade Temis Maria Félix (HCPA/UFRGS) abriu os trabalhos destacando que a área da pesquisa foi uma das que mais se mobilizou durante a pandemia do coronavírus. Só no HCPA foram submetidos 156 projetos relacionados à covid-19, até esta terça, 10 de novembro. Os temas apresentados no evento foram Estudos de intervenção terapêutica, Estudos sobre saúde mental e Epidemiologia molecular do Sars-Cov2.
Nesta tarde iniciam as oficinas de Design Thinking e de Press-Release.
A solenidade de abertura da 40ª Semana Científica do HCPA aconteceu na manhã desta segunda-feira, 9 de novembro. Após saudações das autoridades, a primeira conferência foi A transformação da ciência nos últimos 40 anos e o HCPA. José Roberto Goldim resgatou os principais momentos da história da pesquisa e do evento científico no hospital. Goldim também lembrou que iniciou sua carreira no Clínicas pouco antes da primeira edição da Semana Científica, sendo testemunha dessa trajetória.
Os desafios - e a alegria - de despertar o interesse científico de adolescentes de uma escola pública de Porto Alegre foram o assunto principal da mesa-redonda sobre o projeto Nono Sapiens. O professor Giovanni Salum destacou a relevância da iniciativa. “A ciência é uma forma de entender o mundo, a Semana Científica e o projeto Nono Sapiens celebram isto”. Nesta edição, três alunos realizaram estudos e apresentaram o resultado de seus trabalhos.
Durante à tarde, os destaques foram a apresentação de Temas Livres Orais. Este ano, o evento recebeu 1.039 trabalhos inscritos.