Pensamento Crítico e Análise de Dados
Pensamento Crítico e Análise de Dados
ANÁLISE EXPLORATÓRIA DE DADOS
Conhecer a origem e a história da Estatística.
Entender o que é população e amostra, bem como as suas relações.
Aplicar as fases de desenvolvimento de um trabalho estatístico.
Compreender a metodologia da coleta de dados.
Analise de dados estatísticos.
Compreensão de população estatística.
Compreensão de amostra estatística.
Aplicação de metodologias de coleta de dados.
Desenvolvimento de trabalhos estatísticos.
Nesta trilha, vamos estudar um pouco sobre a origem e a evolução da Estatística. Abordaremos a Fundação IBGE, que é a responsável por todas as estatísticas no Brasil, fornecendo dados importantes para as tomadas de decisão de nossos governantes.
Além de tratar do aspecto histórico, veremos nessa trilha que a estatística, na grande maioria dos casos, trabalha com dados originários de pesquisas e coleta de dados. Desse modo, discutiremos um pouco sobre a metodologia envolvida nesses eventos e como se processa a análise estatística dos dados, pensando nas principais fases, de coleta, crítica, apuração e exposição dos resultados.
Vamos lá!
Muito do que se fala hoje envolve estatísticas. Em algumas situações está evidente, mas em outras não; e mesmo que você não queira saber sobre o assunto, a estatística norteará cada vez mais a sua vida. Quer ver mais um exemplo simples?
Basta acessar o aplicativo do tempo no seu smartphone para ele mostrar qual a probabilidade de chover hoje, e você em instantes, decidir se vai levar guarda-chuva para o trabalho, ou mesmo se vai trocar aquela sua moto (que você comprou para driblar o trânsito) pelo carro, na chance de chegar menos molhado ao seu destino.
Mas esse é apenas um exemplo que você provavelmente usa no seu cotidiano, principalmente se mora em grandes cidades.
1. Análise exploratória de dados
1.1. Origem e história da estatística
A origem da palavra estatística está diretamente associada à palavra latina status (Estado). Desde a Antiguidade, realizavam-se coletas de informações com finalidades tributárias, e existem indícios, também, de que há 3.000a.C. já se faziam coletas de dados na Babilônia, China e Egito.
De acordo com Moreira (1981) e Vieira (2018), a Estatística pode ser dividida em três grandes períodos para caracterização de sua história e evolução. Vamos conhecê-los a seguir.
1.1.1. Período focado na obtenção de fatos
O primeiro período, focado na obtenção de fatos, abrange a Idade Antiga, a Idade Média e parte da Idade Moderna. Pelos registros encontrados, a estatística era conhecida como Estatística Administrativa, tendo em vista o interesse estatal dos dados. Vejamos alguns destaques:
Por meio do livro sacro Chou king, de Confúcio, têm-se notícias da preparação dos estados da China, no ano 2.238a.C.
Na Idade Média, no ano 721d.C., os árabes fizeram uma coleta numérica das cidades dominadas, computando a população e a produção para controle das conquistas territoriais.
Guilherme, o Conquistador, ordenou a elaboração de um cadastro da divisão do solo da Inglaterra das várias classes sociais existentes, para fins de arrecadação de impostos. Notamos que a origem da palavra faz jus às suas origens.
A evolução no processo de coleta e armazenamento dos dados e informações acabou por promover uma grande quantidade de estudos e pesquisas, no sentido de desenvolver técnicas mais apuradas para a análise dos dados.
1.1.2. Período de evolução das teorias estatísticas
No segundo período, surge a denominação "Estatística", que passa a ser uma disciplina autônoma. Vamos observar alguns destaques desse período:
Na Inglaterra, no século XVII, John Grant inicia as investigações sobre a estatística demográfica e estabelece algumas relações entre os nascimentos e as mortes.
Blaise Pascal e Pierre de Fermat descobrem os cálculos das probabilidades, instrumento muito útil hoje em dia para análise de fenômenos aleatórios.
Adolphe Quetelet, no século XVIII, aplica a Lei dos Grandes Números no estudo demográfico e social.
Com a evolução das técnicas de análise e a junção da estatística com a probabilidade, abriu-se caminho para a aplicação desses conhecimentos na análise de dados de muitas ciências naturais.
1.1.3. Período do aperfeiçoamento técnico-científico
O terceiro período é caracterizado pela aplicação dos conceitos estatísticos na ciência. Vejamos os destaques desse período:
Em 1853, ocorre o Primeiro Congresso de Estatística.
Francis Galton emprega a estatística metodológica nos problemas de hereditariedade.
James Maxwell emprega a Estatística na Teoria Cinética dos Gases.
Além da Europa e dos Estados Unidos, outras regiões apresentaram grande avanço na aplicação da Estatística nos mais diversos campos e instituíram a criação de cursos específicos na área, inclusive no Brasil.
1.2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
No Brasil, a estatística tem sua história associada à história do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujas raízes remontam ao Império.
É claro que a evolução da estatística como ciência foi promovida devido às suas aplicações nas mais diversas áreas do conhecimento. Assim como as ciências naturais e as ciências da saúde, as ciências sociais foram aprofundando-se; as metodologias de análise estatística foram estruturando-se e evoluindo naturalmente, especialmente após a utilização mais eficiente dos recursos computacionais.
É importante esclarecermos que, independentemente do cenário de aplicação da estatística, os conceitos básicos e os princípios analíticos são os mesmos. Algumas ferramentas servem para determinados propósitos, mas, para outros, não, embora a concepção da análise estatística seja a mesma. Veremos, a seguir, alguns desses importantes conceitos.
1.3. Conceitos importantes em estatística
Para entendermos a extensão da aplicação da estatística, é importante que tenhamos claros os principais conceitos que nela são aplicados.
Conforme Moreira (1981) e Toledo (2008), podemos dar à estatística diversas definições, seja como ciência, seja como ferramenta. Para efeito de nossa disciplina, a estatística como área de aplicação, podemos entender que ela é um conjunto de técnicas relacionadas com a coleta, representação, interpretação e análise de dados obtidos em processos investigativos referentes a experimentos de laboratório, experimentos de campo, simulações, pesquisas de mercado, pesquisas de opinião etc., ou seja, qualquer procedimento cuja finalidade seja coletar dados para análise.
Para entender de fato quais são os objetivos da estatística, considere, por exemplo, que você retirou uma fatia de um bolo inteiro. Ao experimentá-la, uma pessoa pede sua opinião sobre o bolo, perguntando se ele está bom. Em geral, a tendência das pessoas é responder algo do tipo: "o bolo está bom" ou, então, "o bolo não está bom".
É claro que as respostas apresentadas não estão totalmente de acordo com a situação, pois não temos como afirmar se o bolo está ou não está bom, uma vez que conhecemos apenas uma pequena parte dele. Então, por que as pessoas respondem dessa forma?
É simples: nós temos a tendência de generalizar o pedaço imediatamente para o bolo. Mas a generalização só tem sentido se o bolo for totalmente homogêneo, o que já não podemos afirmar. Avaliamos, portanto, da seguinte forma: quando você se serve de um pedaço de bolo, costuma optar pelos pedaços dos cantos ou prefere os pedaços que estão na região mais central?
Se sua resposta para qualquer uma das opções for "sim", você acaba de oferecer argumentos contrários à homogeneidade do bolo.
Se o bolo for homogêneo, a generalização será imediata, já que o pedaço veio do bolo, e, se o pedaço está bom, então, o bolo também está. Como não podemos afirmar se o bolo é ou não é homogêneo, não podemos afirmar se está bom ou não.
Se pudéssemos comer o bolo todo, certamente o nível de precisão da análise seria maior, já que, quanto mais informação, menor a chance de erro. Contudo, como o bolo não é homogêneo, mesmo se comêssemos todo ele, cada parte apresentaria um sabor diferente, não sendo possível, portanto, afirmar algo sobre ele, e o erro ainda ocorreria, em razão da heterogeneidade.
Nesse sentido, temos situações práticas em que a informação de interesse não é total, mas, sim, apenas uma parte dos dados, e ainda existe um fator de mudança não totalmente controlável. Em casos como esse, todas as conclusões não são totalmente corretas.
Desse modo, podemos dizer que a Estatística é uma ciência que analisa e caracteriza variáveis, considerando a presença de alterações e resultados parciais. Essas alterações presentes nas variáveis são naturais, visto que, no processo de coleta de qualquer tipo de variável, ocorre a particularidade de cada elemento estudado, mesmo em situações de alto controle. Sempre existirão componentes não controláveis e que acarretarão variações nos resultados, gerando, assim, probabilidades de acerto ou de erro nas análises.
1.4. População versus amostra
A amostra é definida como um subconjunto da população, isto é, uma parte representativa do todo, que necessariamente deve conservar todas as características dos elementos da população. Em geral, deve ser definida de forma finita e bem delineada para que consiga viabilizar a coleta dos dados. É por meio da amostra que chegamos ao conhecimento da população, e seu uso gera redução nos custos da coleta, redução no tempo de execução da coleta, maior facilidade na coleta, porém erros nas análises.
A população estatística é o conjunto total de elementos disponíveis com, pelo menos, uma característica em comum e de interesse, contendo n elementos (tendendo a ser muito grande). A população pode ser classificada como:
finita ou infinita, em relação ao número de elementos;
discreta ou contínua, em relação ao tipo de elemento.
Para não confundirmos o conceito de população estatística com o de população humana, vale esclarecer que a população estatística deve ser entendida como qualquer tipo de agrupamento, não só de pessoas, mas também de objetos, empresas, espécimes animais e vegetais, entre outros.
Quanto à parcialidade dos resultados, podemos melhorar o conceito, pensando o seguinte: em um processo de pesquisa ou de investigação, sempre temos um conjunto de fontes de informações, contendo, em geral, um grande número de elementos. Certamente, você já ouviu falar em pesquisas eleitorais; então, por exemplo, imagine uma pesquisa sobre candidatos ao cargo de prefeito de uma cidade que possua, aproximadamente, 42 mil eleitores. Poderíamos pesquisar todos eles?
Se pesquisarmos todas as fontes, teremos três problemas: o tempo e o custo gastos para a coleta, que tendem a ser significativos e podem inviabilizar a coleta, e a possibilidade do desconhecimento de parte dos elementos. Nesse sentido, torna- se inviável o estudo de toda a população de elementos.
Utilizando a população, garantimos benefícios importantes para a precisão dos resultados finais, já que toda informação disponível passa a ser conhecida. Contudo, permanece o problema da variação natural dos dados, que pode ser mais bem entendido com 100% da informação à disposição.
Quando a inviabilidade do estudo populacional se faz presente, a coleta de dados é feita com apenas uma parte representativa da população, conhecida como amostra.
Como não temos todos os elementos, existirá uma chance de os resultados não serem significativos a ponto de representarem a população. Assim, é fundamental estruturar corretamente a amostragem, a fim de minimizar a margem de erro dos dados. Nem toda amostra é útil para análises estatísticas. A amostra deve ser representativa, ou seja, deve ser um retrato em miniatura da população.
Como exemplo podemos ter as pesquisas eleitorais para presidência de um país. Como não é viável a consulta de todos os eleitores, serão selecionados grupos que responderão a pesquisa. A determinação destes grupos não é aleatória, sendo realizada em diversas localidades geográficas do país, com pessoas de todos os gêneros, situações sociais, econômicas, financeiras, educacionais, culturais, etc, a fim de que os respondentes da pesquisa reflitam o mais fidedignamente o resultado se houvesse viabilidade de realizá-la com toda a população nacional.
Garantindo-se um procedimento correto de amostragem, podemos analisar o comportamento das variáveis, por meio da análise estatística descritiva, e construir estimativas confiáveis e precisas a respeito das variáveis, por meio da análise estatística inferencial, que é o processo pelo qual tiramos conclusões sobre o comportamento populacional de uma variável, baseando-se no comportamento particular observado e estudado na amostra.
A composição de uma amostra deve considerar critérios rigorosos para possibilitar resultados mais confiáveis. Em Estatística, lidamos com amostras probabilísticas, que permitem trabalhar com estimativas e determinar de forma correta o erro amostral.
Suponha que a empresa que produz o Sabão em Pó Limpinho realize uma pesquisa para compreender qual sua fatia de mercado. Foram pesquisadas, em diversas regiões de atuação da empresa, 5.000 pessoas e a empresa obteve o resultado de consumo de seu produto estabelecido em 37%, com margem de erro de 2 pontos. Isso significa que pode haver variação entre o resultado da pesquisa e o consumo real de sabão em até 2%, ou seja, o consumo se concentra entre 35% (2 pontos para menos) e 39% (2 pontos para mais).
1.5. Métodos de amostragem
Para cada pesquisa realizada, devemos utilizar métodos científicos adequados, pois o pesquisador tem como principal preocupação verificar se os elementos da amostra são suficientemente representativos de toda a população, de forma a generalizá-la.
Assim, cada elemento da população deve ter uma probabilidade conhecida para fazer parte da amostra, sendo esta denominada amostra aleatória, ou amostra probabilística.
Para cada pesquisa realizada, devemos utilizar métodos científicos adequados, pois o pesquisador tem como principal preocupação verificar se os elementos da amostra são suficientemente representativos de toda a população, de forma a generalizá-la.
Assim, cada elemento da população deve ter uma probabilidade conhecida para fazer parte da amostra, sendo esta denominada amostra aleatória, ou amostra probabilística.
1.6. Amostra aleatória, ou amostra probabilística
O uso de amostragem probabilística, ou amostragem aleatória, permite a generalização dos resultados amostrais para a população, adotando medidas probabilísticas para o dimensionamento do erro amostral.
No entanto, por questões de conveniência e falta de interesse em estabelecer resultados populacionais, em alguns casos, são utilizadas amostragens não aleatórias, ou não probabilísticas, ou por cotas, que, na prática, não permitem uma análise estatística inferencial. Sendo assim, não detalharemos esse tipo de amostragem. Nosso foco ficará apenas em torno das amostras aleatórias, que são mais adequadas às análises estatísticas.
Como a amostra aleatória (ou probabilística) deve garantir que todos os elementos da população de origem tenham uma probabilidade diferente de zero de serem selecionados, a fim de tornar a amostra o mais representativa possível da população, podemos questionar como isso pode ser feito?
Existem diversas formas de se obter uma amostra aleatória, de acordo com os objetivos da coleta de dados e das características da população. Um tipo básico de amostra aleatória muito utilizada é a técnica de Amostragem Aleatória Simples, que possui como característica básica uma metodologia baseada em sorteio ou na utilização de tabelas de números aleatórios.
A Tabela 1 de números aleatórios permite uma simulação bastante prática de um sorteio. Utilizando essa tabela, vamos simular o sorteio de uma amostra de 10 elementos de uma população, que, por exemplo, possua 500 elementos. Para iniciar o sorteio, devemos sortear separadamente uma linha e uma coluna da tabela.
Por exemplo, suponhamos que foram selecionadas a linha 10 e a coluna 8. Veja que, na intersecção delas, encontramos o número 2. Partindo desse número e caminhando para a direita, consideraremos, para esse exemplo, três algarismos, já que a população possui 500 elementos. O primeiro número a se formar é o 275; assim, o primeiro elemento sorteado é o 275º. Procedendo dessa forma, seguindo a direita e continuando nas linhas logo abaixo, montaremos números com três algarismos, considerando apenas os que forem menores do que 500 e sem repetição. Assim, prosseguindo com a seleção, acharemos os 10 a serem considerados na amostra, que são os seguintes: 275º, 382º, 284º, 205º, 440º, 398º, 114º, 466º, 319º e 399º.
O procedimento de Amostragem Aleatória Simples é a base para a definição de diversos tipos de amostragem probabilísticas. Uma das mais utilizadas também é a chamada Amostragem Aleatória Estratificada, que deve ser usada sempre que a informação de interesse na população tenha relação com características da população. Por exemplo, ao realizar uma pesquisa de mercado com consumidores de uma população para verificar a aceitação de um novo modelo de aparelho celular, devemos considerar que a aceitação pode ser influenciada pelo gênero do consumidor, pela sua renda, pela sua condição profissional, entre outras características.
Assim, ao selecionar aleatoriamente os consumidores, devemos manter uma proporcionalidade dentro de cada característica (estrato) para garantir a representatividade. Trabalhando dentro dos estratos, facilita-se o processo de seleção ou sorteio.
Note que a diferença entre uma amostra estratificada (probabilística) e uma amostra por cotas (não probabilística) está na forma de seleção dos sujeitos.
Outra maneira de selecionar aleatoriamente os sujeitos da população é adotar a Amostragem Aleatória Sistemática, útil quando os elementos da população são definidos com base em listas, como, por exemplo, uma lista telefônica, um cadastro de clientes ou fornecedores, uma lista de endereços de e-mail etc. Com base em uma lista, podemos, em vez de proceder a um sorteio completo, subdividir a lista em listas menores e sortear apenas um sujeito de cada lista, sistematizando para as demais.
Por exemplo, suponhamos que a lista da população contenha 10.000 sujeitos e que nós necessitemos sortear 500 sujeitos. Dividindo 10.000 por 500, chegamos a 20; então, podemos imaginar 500 listas com 20 sujeitos cada.
Assim, sorteamos um número de 1 a 20, como, por exemplo, o número 12, e, dessa forma, escolhemos o 12º elemento de cada uma das 500 listas. Certamente, é bem mais simples do que sortear, diretamente, dos 10.000.
Independentemente do método utilizado, os três casos citados procedem da escolha aleatória (sortida) dos elementos, o que pode ser, em alguns casos, algo trabalhoso. Para minimizar esse trabalho, podemos utilizar a Amostragem por Conglomerados, útil quando temos uma população que pode ser subdividida geograficamente ou segundo algum critério de localidade. Assim, em vez de sortearmos sujeitos, utilizamos o sorteio das localidades. Esse tipo de amostragem é muito comum nas pesquisas populacionais, nas quais podemos identificar bairros com diversidades de pessoas (variabilidade dentro do bairro), mas não muito diferentes de outros bairros da mesma cidade. Assim, podemos simplesmente sortear um bairro e pesquisar toda a sua população.
Independentemente do método a ser utilizado na construção da amostra aleatória, uma coisa é certa: a presença do erro amostral. Assim, devemos considerar que a amostra possui uma chance de não gerar dados corretos sobre a população e, por esse motivo, devemos associar medidas probabilísticas nas amostras para dimensionar as chances de sucesso e fracasso da amostragem.
Exemplos:
1) Uma montadora de automóveis, por exemplo, possui uma taxa de ocorrência de defeitos em seus modelos de 0,35%, significando que a cada 10.000 unidade produzidas, 35 apresentarão defeito.
2) Em determinado período, em uma escola de Ensino Fundamental (1º ao 9º ano) com 820 alunos matriculados, foi verificada a taxa de evasão de 10%. Isso significa que do total de alunos matriculados, 82 abandonaram a escola.
3) No início de 2021, o Zoológico de Belo Horizonte registrou o nascimento de dois filhotes de Mico-Leão-Preto, uma espécie ameaçada de extinção, endêmica de uma região específica do oeste da Mata Atlântica paulista. Supondo que existam apenas 9 indivíduos remanescentes desta espécie, os nascimentos dos filhotes representam aproximadamente 22% da população total. Observe que a declaração de 22% contém uma aproximação, posto que o resultado matemático é de 1,98 indivíduo nascido, contudo, como não existem filhotes fracionados, há o arredondamento para representação de 2 indivíduos. Pensando percentualmente, em uma população de 9 indivíduos, a consideração de apenas 2 filhotes representa 22,22%, que considerando-se somente a percentagem integral é refletida por 22%
1.7. A coleta de dados
Como todas as análises serão feitas com base nos dados coletados, é importante que a metodologia utilizada na coleta seja cientificamente correta e que os instrumentos ou questionários utilizados sejam eficientes.
Assim, é fundamental que se conheça com detalhes os objetivos da pesquisa ou o objetivo que se deseja atingir com os dados, quais as hipóteses de interesse e o que se deseja testar e investigar.
Com base nos objetivos definidos, podemos pensar, de forma geral, nos seguintes procedimentos metodológicos:
Identificar a população de interesse e estruturar como será o procedimento amostral.
Construir os instrumentos para a coleta dos dados (questionários, formulários, roteiros etc.).
Para a elaboração dos instrumentos de coleta dos dados, devemos considerar os aspectos a seguir:
1) Questionário de dados: essa fase é a espinha dorsal de qualquer levantamento. Trata-se de reunir as informações necessárias para avaliar os objetivos definidos, utilizando uma linguagem adequada e de fácil compreensão, sem induzir a uma resposta. Podem-se mesclar questões abertas (dissertativas) e questões fechadas (múltipla escolha).
2) Pré-pesquisa de dados: nessa fase, realiza-se uma pré-pesquisa, tendo como propósito avaliar a eficácia dos instrumentos de coleta ou mesmo do processo amostral. Feita a pré-pesquisa, os resultados nela obtidos devem ser utilizados para efetuar as correções necessárias tanto nos instrumentos quanto no perfil da amostragem.
3) Coleta de dados: essa é a fase da obtenção de dados e deverá ser feita com muito cuidado, pois dela dependerá a veracidade dos resultados obtidos. Basicamente, é a aplicação dos instrumentos, já revisados, nos elementos selecionados na amostragem, que deve ser probabilística. Assim, o procedimento a ser aplicado para se efetivar a coleta dos dados deve respeitar as características probabilísticas da amostra.
4) Crítica de dados: essa fase tem por objetivo verificar possíveis ocorrências de dados equivocados tanto na coleta direta dos dados quanto na fase de digitação ou de registro dos dados.
5) Tabulação dos dados: é a fase de organização dos dados obtidos na amostragem. A tabulação, que pode ser feita com tabelas ou gráficos, permite uma visão inicial dos resultados e também serve para uma divulgação inicial dos dados.
6) Análise dos dados: é a fase em que de fato utilizamos os recursos da análise estatística, por meio das medidas descritivas e inferenciais, que permitirão a determinação das estimativas e dos testes das hipóteses de interesse.
O sucesso no processo metodológico representa o sucesso na coleta dos dados, ou seja, significa que teremos dados representativos para analisar e, assim, obtermos respostas significativas para avaliar os interesses estipulados no objetivo inicial.
Uma metodologia de coleta de dados que apresenta grande satisfação com relação aos resultados é a ferramenta questionário, que pode, por exemplo, ser elaborada digitalmente a partir do Google Forms, Survey Monkey e outras opções disponíveis na web, na modalidade gratuita ou por assinatura. O questionário pode contar com mensuração a partir de diversas escalas, como a escala Likert, que verifica, por suas características psicométricas (quando a subjetividade pode ser representada através de números), o grau de satisfação ou comprometimento do questionado sobre a temática em debate.
A escala Likert é amplamente utilizada por sua facilidade de reconhecimento por parte do respondente e de sua tabulação, podendo ser apresentada a partir de modelos de concordância, numéricos e até mesmo através de desenhos representativos (emoticons).
1.8. Tratamento numérico e classificação estatística dos questionários
Para o tratamento numérico e classificação estatística dos questionários é necessário dispor de recursos numéricos e estatísticos que deverão ser utilizados para segurança da avaliação, garantindo a objetividade e a imparcialidade na interpretação dos resultados.
A apresentação do instrumento a partir do qual se vai avaliar o desejado, segundo Bergamini e Beraldo (2018), também deve merecer atenção, não apenas no tocante à diagramação dos itens, mas também quanto à orientação sequencial de cada etapa.
De acordo com a ordem de apresentação, as principais partes que compõem o questionário, conforme Bergamini e Beraldo (2018), são:
a) Identificação do avaliado: é uma série de dados que identificam, da maneira mais adequada e completa, a pessoa que vai ser avaliada. Há casos nos quais este item é dispensado, tornando o respondente anônimo.
b) Instruções: é o resumo de regras a serem observados durante o preenchimento do questionário.
c) Esclarecimentos importantes: é uma espécie de continuação das instruções iniciais e têm como objetivo reforçar os principais critérios.
d) Características de avaliação: constituem o corpo principal da ficha de avaliação. São as características ou os prognosticadores já levantados, definidos e graduados.
e) Conclusões finais: constituem o fecho das informações até então fornecidas e devem ser planejadas para que sirvam como controle de validade de todas as fases anteriores.
Conforme as mesmas autoras, esse modelo de roteiro apresentado serve como orientação geral e pode, e deve, ser modificado conforme os padrões e os objetivos que visam construir seu próprio instrumento de avaliação.
1.9. Utilizando o Google Forms
Por ser um produto Google, apesar de gratuito, o acesso ao aplicativo Google Forms exige a conexão a partir de uma conta Gmail.
Após acessar sua conta, na parte superior direita escolha o ícone de exposição dos aplicativos disponíveis.
Para acessar o Google Forms é só clicar sobre seu ícone na janela que será aberta.
Agora, na página de Galeria de Modelos, clique no modelo em "Em branco".
No topo da tela à esquerda, dê nome ao arquivo. Somente os gestores do formulário irão visualizar.
Logo abaixo do cabeçalho, já é possível redigir a primeira pergunta ou solicitação. Escreva o que desejar. Note que, ao lado, está ativada uma opção pré-determinada, no caso de nosso modelo é “Múltipla Escolha”. Clique sobre ela para visualizar todas as alternativas de respostas disponíveis na ferramenta.
As opções são as seguintes:
Resposta curta: como o nome sugere, oferece um espaço limitado para o entrevistado responder textualmente à questão;
Parágrafo: permite uma resposta textual mais longa;
Múltipla escolha: lista na qual só é possível marcar um item como resposta;
Caixa de seleção: lista na qual é possível marcar quantos itens desejar;
Lista suspensa: lista com efeito drop down na qual só é possível escolher um item;
Upload de arquivo: permite que o usuário envie um arquivo como resposta. De acordo com o Google, é necessário que o participante faça login em sua conta do serviço. O envio é feito diretamente no Drive do criador do formulário;
Escala linear: possibilita a resposta em uma escala numérica, ideal para pesquisas de satisfação. O criador do questionário pode optar por qualquer escala de 1 a 10;
Grade múltipla escolha: cria uma espécie de tabela. Por exemplo, no topo da coluna, podem ter opções entre péssimo e excelente. Já as linhas contam com diferentes perguntas que podem ser respondidas com as mesmas opções: como foi sua experiência no site, como considera a navegabilidade do site, etc.
Grade caixa de seleção: funciona de maneira semelhante à grade de múltipla escolha, com a diferença que permite a marcação de várias opções em uma mesma linha;
Data: a resposta precisa ser uma data, como, por exemplo, data de nascimento;
Horário: a resposta inserida precisa ser um horário, como previsão da chegada em um evento ou consulta.
A opção a ser escolhida dependerá de suas intenções de pesquisa e coletas de dados.
Depois de escolher o modelo de pergunta, clique no ícone "três pontinhos", no canto inferior direito da caixa de perguntas. Se quiser inserir uma descrição à questão, para tornar mais fácil o entendimento, vá em Descrição.
Para cada tipo de modelo de resposta escolhido, aparecem opções de configuração diferentes ao clicar no ícone "três pontinhos". No caso de múltipla escolha, o usuário pode escolher que determinada pergunta encaminha para outra seção do formulário. Já na resposta curta, é possível exigir uma validação, e assim por diante.
Caso uma resposta seja imprescindível para seu levantamento, é possível torná-la obrigatória. Ou seja, o entrevistado precisa respondê-la para enviar a pesquisa. Para isso, ative a chave ao lado da palavra Obrigatória.
Com a finalização da modelagem da primeira questão, clique no ícone "+", no menu lateral à direita para formulação da próxima questão e assim sucessivamente, até que todas as questões estejam registradas.
Para ver as respostas, o usuário deve acessar a página de criação do formulário e clicar na aba “Respostas”.
O serviço disponibiliza o resumo dos resultados em forma de gráfico e o acesso às respostas dadas em cada formulário individualmente, podendo ser apresentado de três formas:
Resumo: a exposição das respostas é feita em um gráfico de setores.
Pergunta: a exposição das respostas é feita.
Individual: a exposição das respostas é feita.
Caso a opção seja a visualização no modo Individual, cada pergunta será apresentada em uma página com resposta única.
Por que Estatística é tão importante?
Raniere Ramos
Estatística é importante por vários motivos, e vou citar exemplos de como isso acontece:
1. Campanhas políticas: estamos em ano eleitoral, e mais uma eleição está por vir. Você provavelmente já conhece os estudos amostrais, a intenção de voto, e as margens de erro (noticiário). Os modelos estatísticos são capazes de prever qual candidato tem mais chance de ganhar, e em quais lugares.
2. Seguro do seu carro: você não é obrigado a ter um seguro, mas é bom ter. O valor que você paga é precificado baseado em estatísticas de outros clientes. A Seguradora se baseia em estatísticas de idade, estado civil, cidade, modelo do veículo, local onde mora e trabalha, estacionamento, e muitas outras variáveis, que geram resultados com probabilidades de acontecer.
3. Testes de medicamentos: qualquer droga que esteja à venda em farmácias e drogarias, já foi testada estatisticamente, e validada a sua eficácia. Portanto, se você toma ou já tomou algum medicamento, a estatística já influencia sua vida.
4. Consumo de produtos: um supermercado que controla seu estoque com uso de estatísticas, é capaz de calcular o tempo certo de quando e quanto comprar. E até mesmo de escolher um determinado local para colocar seu produto, onde aumente a probabilidade de venda. Você já ouviu a história de um supermercado que colocou cervejas do lado de fraldas? Quando as mães pediam para seus maridos comprar fraldas para os filhos, eles sempre voltavam com cervejas. Genial!
5. Mercado de ações: se você souber usar a estatística, a ponto de construir modelos, eles podem ajudar você a prever a economia, e quem sabe ser mais assertivo nas suas compras e vendas de ações daquelas empresas que você nunca sabe o que fazer com elas. O fato é: quando você aprende estatística, você passa a entender o mundo de outra forma. Quando você se baseia em dados, você começa a entender o significado mais profundo das coisas, que podem ser explicadas por meio de números. Você passa a questionar mais os fatos.
E agora, com a popularização do big data, a inserção do cientista de dados e o aumento gradativo da internet das coisas, a estatística nunca ficou tão ativa, como nos últimos anos.
Praticamente utilizada por todas as esferas da sociedade, passando desde políticos a empresários, de engenheiros a biólogos.
Adaptado de: RAMOS, R.. Por que Estatística é tão importante?. Disponível em: <https://oestatistico.com.br/por-que-estatistica-importante/>. Acesso em 18.01.2021.
Capítulo de livro da Biblioteca Virtual
VIEIRA, S. Fundamentos de Estatística. 6. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2018. Disponível em: <https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597019315/>. Acesso em 16.01.2021.
Capítulo 2: Questões de amostragem (p. 5-20).
URL: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597019315/cfi/6/22!/4@0:0
Capítulo 3: Organização dos dados (p. 21-40).
URL: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597019315/cfi/6/24!/4@0:0
Referências
BERGAMINI, C. W.; BERALDO, D. G. R. Avaliação de desempenho humano na empresa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
BUSSAB, O. W.; MORETTIN, P. A. Estatística Básica. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em 18.01.2021.
MENDONÇA, D.; ANDRÉ, M. Geometria espacial, Probabilidade e Estatística. Disponível em: <https://centrodemidias.am.gov.br/storage/lessons_content/19F9MAT035P2.pdf>. Acesso em 04.05.2021.
MOREIRA, J. S. Elementos de estatística. São Paulo: Atlas, 1981.
RAMOS, R. Por que Estatística é tão importante?. Disponível em: <https://oestatistico.com.br/por-que-estatistica-importante/>. Acesso em 18.01.2021.
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