20/05/2026
Escola FM - Passa a Palavra
20/05/2026
Escola FM – Passa a Palavra
Vozes Contra o Silêncio
No dia 20 de maio de 2026, o programa “Escola FM – Passa a Palavra” dedicou uma emissão de 60 minutos a um dos temas mais urgentes do universo escolar: o bullying. Intitulada “Vozes Contra o Silêncio”, a emissão contou com a apresentação de Matilde e João, ambos do 11.º C, e reuniu um painel de convidados para uma conversa franca e informada.
Produzida pelo Agrupamento de Escolas em parceria com a Rádio Campanário, a emissão estruturou-se em quatro blocos, combinando música, testemunhos gravados e intervenções especializadas. Logo no início, uma gravação esclareceu a definição essencial de bullying: um comportamento agressivo, intencional e repetido, baseado num desequilíbrio de poder. Ficou claro que o bullying não é uma brincadeira, mas sim uma violação do direito à dignidade, ao respeito e à segurança, podendo assumir formas físicas, verbais, sociais ou digitais — estas últimas prolongando-se para além do espaço escolar, através do telemóvel e das redes sociais (Podcast).
Ao longo do debate, os apresentadores contaram com a participação de quatro convidados com diferentes responsabilidades no contexto escolar e comunitário:
Cabo Vítor Barradas (GNR – Escola Segura): explicou quais as situações de bullying mais reportadas à GNR no contexto escolar, esclareceu em que momento estas condutas deixam de ser uma questão disciplinar e passam a constituir crime punível por lei, e descreveu as medidas de proteção disponíveis para garantir a segurança da vítima no percurso entre casa e escola. Abordou ainda o papel dos pais na articulação com as autoridades e deixou uma mensagem clara aos alunos que testemunham situações de bullying mas temem denunciar.
Professor José Padilha (responsável pelo Projeto Escola sem Bullying, Escola sem Violência): falou sobre a origem do projeto no Agrupamento, os desafios encontrados na sua implementação e a reação de alunos e professores. Apresentou ainda as estratégias práticas utilizadas na mediação de conflitos e respondeu a uma questão central: é possível reabilitar um agressor? A sua resposta apontou para a esperança e para o papel transformador da escola.
Professora Elisabete Frade: partilhou exemplos marcantes de pequenos gestos quase invisíveis que protegem os alunos mais vulneráveis. Refletiu sobre o que faz a diferença quando uma turma consegue virar a página e recordou momentos em que foram os próprios alunos a resolver conflitos de forma inesperada, surpreendendo os adultos. Deixou ainda uma palavra de esperança no caminho que as escolas estão a percorrer.
Psicóloga Angélica Lopes (Gabinete de Apoio ao Aluno e Família – GAAF): identificou os sinais precoces nas vítimas de bullying e descreveu as marcas psicológicas que este comportamento pode deixar a longo prazo, tanto em quem sofre como em quem agride. Explicou os fatores de risco que levam uma criança ou jovem a adotar comportamentos de bullying, nomeadamente o papel do ambiente familiar e social. Abordou ainda a relação direta entre bullying e depressão juvenil, a possibilidade de reabilitar um agressor e deixou uma mensagem de apoio aos jovens em sofrimento: a culpa nunca é deles.
Testemunhos reais e reflexão sobre o silêncio
A meio da emissão, foram divulgados dois testemunhos em áudio. O primeiro deu voz a uma vítima de bullying;(Podcast) o segundo, a alguém que reconheceu os seus erros e decidiu mudar — uma escolha que sublinhou a ideia de que há sempre esperança, mesmo depois de se ter estado do lado de quem agride (podcast) .
Num dos momentos mais impactantes, os apresentadores encadearam uma sequência de pequenas situações do quotidiano escolar: o aluno que come sozinho todos os dias, a jovem que apaga os seus perfis nas redes sociais para se proteger, o miúdo que ouve o seu nome transformado numa alcunha humilhante repetida até entrar dentro dele. Cada exemplo repetia a mesma ideia: o bullying não é uma fase, não é uma brincadeira de crianças. É violência. E acontece agora, em alguma escola, muitas vezes em silêncio e em frente a todos.
Alertas finais e mensagem de encerramento
A emissão terminou com um conjunto de apelos claros. Os apresentadores reforçaram que quem vê e não age também faz parte do problema. Foram deixadas orientações práticas para as vítimas — falar com alguém de confiança, guardar provas, procurar ajuda — e um alerta jurídico: o bullying pode configurar crimes como injúria, ameaça ou ofensa à integridade física, estando previstas na lei portuguesa medidas educativas e disciplinares. O respeito, recordou-se, não é opcional, é obrigatório.
Matilde e João despediram-se com uma mensagem final: que aquela conversa não terminasse ali. O bullying só existe enquanto o silêncio persistir. Falar, apoiar e respeitar são os primeiros passos para o fazer desaparecer.