por Cassio Sader
Com ou sem Alckmin como vice do Lula, com ou sem federação partidária dos partidos progressistas, as eleições proporcionais de 2022 se colocam como desafio fundamental tanto para a democracia brasileira, quanto para o sucesso de um governo democrático e popular. O golpe de 2016, os retrocessos trabalhistas, a porteira aberta da destruição ambiental e quetais fizeram parte de um grande acordo, com supremo, com tudo, mas só se consumaram através das maiorias parlamentares eleitas em 2014 e 2018. O desafio da conquista de uma hegemonia progressista no Congresso Nacional é, ao mesmo tempo, o mais difícil e o mais subestimado.
Neste momento, há empolgação natural em lideranças do PT com os resultados de pesquisas sobre preferência partidária que colocam o partido como líder inconteste do ranking, mas é preciso lembrar que nunca os resultados eleitorais proporcionais refletiram esses indicadores.
Em 2002, foram 91 Deputados Federais eleitos, em 2006, 83, em 2010, auge da aprovação do Lula, 86 eleitos, depois 69, em 2014, e 55 em 2018. Ou seja, o PT foi de 17% da Câmara dos Deputados, em 2002, a 10% em 2018. Isso demonstra que transformar preferência partidária em votos proporcionais demanda estudo, pesquisa e trabalho, e isso será fundamental para o sucesso de um provável novo governo Lula.
O maior partido atualmente, o PSL, que surgiu como um cometa, corre o risco de desaparecer igualmente, deixando uma quantidade enorme de eleitores que se empolgaram com a onda de 2018, e que agora, provavelmente, irão analisar outras opções de voto. A União Brasil, junção do PSL com o DEM em vias de se concretizar, junta 2 partidos que buscam fugir da decadência do tamanho das suas bancadas. PP, PR, PSB vêm conseguindo eleger bancadas com 30/40 parlamentares, e devem seguir assim, dadas as características do seu eleitorado.
Por sua vez, o PSD, o partido que cresceu consistentemente nas eleições proporcionais de 2014 e 2018, carrega expectativas de se tornar definitivamente um ator decisivo no próximo período, caso consiga manter a evolução no número de deputados.
A fragmentação partidária observada nos últimos 20 anos traz mais uma camada de dificuldades ao projeto de construir, juntamente com os demais partidos progressistas, uma maioria estável que permita ao futuro governo colocar em prática suas propostas. A novidade da Federação Partidária a cada dia apresenta mais entraves. O primeiro ponto em todas as negociações, as candidaturas para 2022, no limite 27 a governos estaduais, 27 ao senado, mais a candidatura presidencial, avançou em todos os casos, restando pequenas decisões. Quando se abriu o tema das eleições de 2024 o horizonte ficou nublado. Como construir agora (as Federações devem atuar em conjunto por 4 anos, no mínimo) os pactos municipais?
Nas eleições proporcionais de 2022, cada partido (ou cada federação partidária) deveria estar atento ao lançar seus candidatos, traçar suas estratégias de campanha e direcionar recursos para otimizar o potencial do conjunto das candidaturas, e não de cada uma individualizada, evitando assim a canibalização de votos, e um resultado aquém do potencial. Se é verdade que a composição da próxima legislatura do Congresso Nacional será decisiva para a vida e morte de milhões de brasileiros, é tempo das organizações políticas e sociais dedicarem tempo, investimento e inteligência às perspectivas oferecidas pelos os dados na estratégia eleitoral, no planejamento de campanha e até na produção de conteúdos para as peças publicitárias com conteúdo local. Cada voto conta, e com a utilização da inteligência de dados é possível localizar os eleitores e convencê-los com argumentos turbinados com informações locais.
por Cassio Sader
No campo da Ciência Política, o ramo dos Estudos Eleitorais vêm ganhando destaque, dentre outros motivos, pelas facilidades proporcionadas pelas ferramentas que lidam com grandes quantidades de dados, fazendo que o anteriormente realizado através de pesquisas restritas passe a ser feito com o conjunto dos dados eleitorais. As hipóteses da Ciência Política agora podem ser testadas analisando e comparando resultados eleitorais em detalhes, de diversas épocas e até de diferentes países. Isso abre novos horizontes para articular teoria e prática por estudiosos da academia e profissionais da comunicação política.
Dentre as publicações que difundem pesquisas na área, se destaca a Electoral Studies, que é uma revista acadêmica internacional bimestral, dedicada ao estudo de eleições e votações. Foi publicada pela primeira vez em 1982 por David Butler (Nuffield College, Oxford) e Bo Särlvik (Universidade de Essex) e é reconhecida como um importante periódico no campo da ciência política. Está abrigado na Royal Holloway, Universidade de Londres, e é publicado pela Elsevier (anteriormente Butterworths e Butterworth-Heinemann). Os atuais editores-chefes são Oliver Heath e Kaat Smets (ambos de Royal Holloway, Universidade de Londres). De acordo com o Journal Citation Reports, o periódico teve um fator de impacto de 2.070 em 2020, classificando-o em 88º entre 182 periódicos na categoria "Ciência Política". De acordo com o Google Scholar Metrics, a revista tem um índice h de 37, classificando-a em 23º na categoria "Ciência Política".
Uma fonte importante de dados e análise do tema é o Comparative Study of Electoral Systems (CSES), um programa colaborativo de pesquisa entre equipes de estudos eleitorais de todo o mundo. Cada Módulo do CSES consiste em uma pesquisa pós-eleitoral representativa nacionalmente e variáveis adicionais sobre o contexto geral do país e do sistema eleitoral em que os entrevistados se encontram. A cada cinco anos, um novo Módulo CSES é projetado com um tema substantivo diferente selecionado para abordar questões importantes em estudos eleitorais e ciências sociais.
Os países e províncias participantes incluem um conjunto comum de perguntas de pesquisa em seus estudos pós-eleitorais. Os dados resultantes são depositados juntamente com as variáveis eleitorais, demográficas, distritais e do sistema eleitoral. Os estudos são então mesclados em um único conjunto de dados público e gratuito para uso em estudos comparativos e análises cruzadas. A agenda de pesquisa, questionários e projeto de estudo são desenvolvidos por um comitê internacional de acadêmicos de política eleitoral, ciência política e de pesquisa. O projeto é então implementado em cada país e província por seus principais cientistas sociais.
Para dar uma amostra dos caminhos dos estudos desenvolvidos, segue uma seleção de textos publicados na Electoral Studies.
Este artigo contribui para o debate entre os adeptos dos modelos de proximidade e direcional de escolha do voto. Para o modelo de proximidade, é importante que o eleitor e o partido estejam próximos em termos absolutos. Para o modelo direcional, é importante que o eleitor e o partido estejam do mesmo lado da divisão política. Quanto mais um partido estiver do mesmo lado, melhor.
O autor fornece uma dupla contribuição: primeiro, utilizou uma série de testes críticos que permitem uma identificação direta dos eleitores de proximidade e direcionais, e a agregação das respectivas participações nos níveis partidário, eleitoral e nacional. Em segundo lugar, concentrou-se nas razões que reforçam esses modelos alternativos ou complementares. As conclusões revelam que, em comparação com o modelo de proximidade, os eleitores direcionais são menos instruídos e menos informados. Eles também são mais propensos a selecionar partidos de oposição e favorecer atores com plataformas ideológicas pouco claras. No nível eleitoral, o voto direcional também é impulsionado pela polarização do sistema partidário.
Um crescente corpo de literatura mostra que os eleitores tendem a votar em candidatos que compartilham seu próprio perfil sociodemográfico. Uma das principais razões para isso é porque eles acreditam que esses candidatos são mais propensos a promover suas preferências e interesses. Se a representação política é importante para os eleitores, podemos esperar que os jovens eleitores exijam uma melhor representação apoiando os políticos mais jovens. Estudos recentes descobriram uma afinidade de idade para participação e escolha de voto. No entanto, nenhum desses estudos é comparativo ou focado em líderes. Usando dados transnacionais do projeto Comparative Study of Electoral Systems (CSES), abrangendo cerca de 853.414 eleitores individuais, 51 países, 126 eleições e 639 líderes únicos, o autor testa as hipóteses de que um líder é mais popular entre os eleitores mais próximos em idade e que tais eleitores são mais propensos a votar neles, e encontra suporte para ambas as hipóteses.
Como o número de candidatos competindo em uma eleição afeta o comportamento eleitoral? Em teoria, à medida que o número de candidatos concorrendo a cargos públicos aumenta, a utilidade do voto para os cidadãos também aumenta. Com mais candidatos, é mais provável que os eleitores tenham candidatos próximos de seus pontos ideais. Na prática, no entanto, mais candidatos também significam uma carga cognitiva maior para os eleitores que precisam aprender mais durante as campanhas para encontrar seu candidato “ideal”. No artigo, o autor examina como o tamanho do conjunto de escolhas afeta o comportamento de votação. Usando um experimento de pesquisa, ele demonstra que os eleitores apresentados a muitas opções aprendem menos sobre os candidatos, são mais propensos a votar com base em heurísticas sem sentido, e são mais propensos a cometer erros de votação, quando comparados com indivíduos que escolhem entre apenas alguns candidatos.
Perguntar às pessoas sobre as preferências das pessoas em seus círculos sociais tende a produzir estimativas mais precisas das distribuições de preferência da população do que perguntar a cada entrevistado sobre sua própria preferência. Isso ocorre provavelmente porque a primeira abordagem explora o conhecimento das pessoas sobre outras e, assim, gera uma super amostra implícita. O estudo traz duas contribuições, primeiro, ele usa um conjunto de estudos de simulação para argumentar que se pode esperar que a superioridade das pesquisas de círculos sociais seja robusta diante de questões como não resposta e viés de cobertura, sendo as pessoas altamente influenciáveis em relação às opiniões de outras pessoas, e as pessoas se cercam daqueles que compartilham suas preferências (homofilia). Segundo, relata um experimento de pesquisa que oferece evidências preliminares de que o viés egocêntrico, em particular, pode ser reduzido significativamente por meio de uma simples pesquisa. Para encerrar, o artigo também discute a relação entre as questões dos círculos sociais e o tipo de questões de expectativa intimamente relacionadas (por exemplo, “Quem você espera que ganhe a eleição?”) normalmente encontradas em mercados de previsão – mercados para fazer apostas em futuros ou eventos de outra forma desconhecidos - que também tendem a superar as pesquisas tradicionais.
A teoria sociológica postula que a mudança social ocorre em primeiro lugar entre os jovens, que estabelecem tendências que podem eventualmente se estender aos cidadãos mais velhos. Este estudo examinou até que ponto essa proposição se aplica a mudanças eleitorais comparando os ganhos eleitorais dos partidos entre eleitores jovens (idade <25) e eleitores mais velhos (idade >24) em 21 democracias ocidentais estabelecidas entre 1948 e 2019. Uma análise de 219 pesquisas eleitorais nacionais revelou que os partidos vencedores normalmente ganharam desproporcionalmente entre os jovens eleitores. Esse bônus da juventude foi ainda mais forte para os novos partidos, cujos avanços eleitorais foram facilitados de maneira importante pelos jovens. Além disso, as mudanças eleitorais entre os jovens eleitores previram mudanças semelhantes entre os cidadãos mais velhos nas eleições subsequentes. Isso indica que os jovens não são apenas mais sensíveis às tendências eleitorais, mas também podem definir tendências que, eventualmente, são transmitidas aos cidadãos mais velhos. Os jovens eleitores devem, portanto, ser vistos como importantes impulsionadores da volatilidade eleitoral.
Pesquisas contemporâneas classificam o populismo como uma ideologia raquítica, que pode ser anexada a diferentes ideologias “hospedeiras”. Verificou-se que as atitudes populistas predizem o apoio eleitoral a candidatos populistas na Europa e nas Américas, embora ainda subsidiários a posições ideológicas “espessas”. Com a ascensão concomitante da direita radical, a questão persistente é o quanto as atitudes populistas realmente importam para o voto. Testamos os efeitos das atitudes e ideologias populistas na escolha do voto em um cenário de caso provável, as eleições presidenciais brasileiras de 2018, usando dados do Estudo Eleitoral Brasileiro. O apoio ao candidato populista de extrema direita, Jair Bolsonaro, é explicado pela ideologia de direita e atitudes iliberais, com atitudes populistas desempenhando um papel muito pequeno, se houver. Esses resultados reforçam a ideia de que as atitudes populistas podem não passar de uma embalagem extravagante, mas irrelevante, para explicar a ascensão global da extrema direita.
Este artigo investiga as consequências da incerteza do eleitor na congruência ideológica partido-eleitor. Com base na teoria do raciocínio motivado, argumenta que os sentimentos dos eleitores sobre os partidos políticos devem determinar se eles serão atraídos ou repelidos por posições políticas incertas. A análise empírica demonstra o seguintePrimeiro, os eleitores empregam uma heurística de “simpatia”: eles percebem mais (menos) proximidade ideológica do partido de que (não) gostam, independentemente da posição real do partido. Em segundo lugar, o efeito de simpatia aumenta à medida que a incerteza do eleitor aumenta. Diante de um partido com uma vaga posição ideológica, os eleitores que não gostam do partido exageram a distância ideológica, enquanto os que gostam do partido subestimam essa distância. Essas descobertas implicam que aumentar a incerteza do eleitor pode ajudar o partido na medida em que é apreciado, mas pode sair pela culatra se o partido não for popular o suficiente. De maneira mais geral, os resultados trazem implicações importantes para a literatura sobre incerteza do eleitor e estratégias partidárias.
Os estudiosos reconhecem que os indivíduos mudam a forma como se identificam racialmente ao longo do tempo e até mesmo de situação para situação. Os políticos, no entanto, são tipicamente considerados como tendo identidades raciais inatas e estáveis. Neste artigo, o autor afirma que os políticos mudam estrategicamente sua autoproclamada raça em resposta a incentivos eleitorais. Usando dados originais das eleições brasileiras, ele mostra que mais de um quarto dos candidatos políticos que concorreram nas eleições de 2014 e 2016 no Brasil mudaram sua raça declarada publicamente de uma eleição para outra. A análise indica que a composição racial do eleitorado e as regras eleitorais que governam a competição afetam os padrões de mudança racial. Esses resultados sugerem que os candidatos se “posicionam racialmente” como membros do grupo racial que oferece as maiores recompensas eleitorais. Esse comportamento estratégico questiona as teorias existentes que assumem que a participação em grupos raciais de elite é fixa e exógena aos resultados eleitorais.
Como se pode constatar, os estudos eleitorais oferecem um amplo espectro de pesquisa com aplicação prática para partidos e candidatos. Aqueles que mais cedo se prepararem para coletar, analisar e traçar estratégias a partir dos dados disponíveis terá certamente vantagem comparativa, e alcançará melhores resultados eleitorais. Cada vez menos se trata de confiar as campanhas políticas apenas a talentos da publicidade, e cada vez mais a integrar diferentes saberes, que consigam tirar proveito do conhecimento produzido pelas diversas áreas das ciências sociais.
Nas eleições brasileiras de 2022, quem largará na frente na utilização dessas ferramentas?
por Cassio Sader
A menos de 10 meses para o pleito de 2022, as articulações começam a tomar forma, definindo como cada agrupamento político vai enfrentar estas que prometem ser as eleições legislativas com maior importância e visibilidade da história. Se em 2014, assistimos à ação planejada, financiada e executada por Eduardo Cunha para ajudar a eleger dezenas de deputados de diversos partidos; e em 2018, a avalanche de deputados outsiders bolsonaristas eleitos, assim como a consolidação do centrão na Câmara dos Deputados, a pergunta é: o que testemunharemos em 2022?
Os resultados eleitorais para o parlamento em 2014 e em 2018 definiram o destino do país tanto ou mais do que os resultados para presidente. Se nos dois períodos o protagonismo se deslocou do Palácio do Planalto para o Congresso, os ciclos eleitorais guardam diferenças marcantes. Se em 2014 aconteceu a última eleição com financiamento privado de campanhas, 2018 comprovou a força cada vez maior das redes sociais, com seu ativismo característico, para destacarmos as diferenças mais relevantes.
Do cálculo político ao cálculo eleitoral, uma série de elementos devem ser levados em conta. Neste momento, as calculadoras eleitorais estão fazendo as contas: quantos votos são necessários para eleger um Deputado Federal ou Estadual? É mais eficiente fazer campanha em muitos municípios ou focar em uma região? Fazer um mesmo discurso de campanha em todos os lugares ou adaptar para cada local?
Mesmo que feito de modo intuitivo pelos candidatos e suas equipes, os cálculos, ponderações e análises políticas definem as diretrizes das campanhas eleitorais aliando uma série de conhecimentos, mais ou menos sistematizados. Por um lado, existem os livros manuais de campanha eleitoral, guias acessíveis, com informações práticas relevantes, hierarquizadas, planejadas, mas vazias de conteúdo político, justamente por serem manuais.
Por outro lado, temos os dados das eleições passadas, do perfil do eleitorado, dos registros financeiros das campanhas e dos resultados. Quem - falou de que maneira - para quem - investindo quanto - e onde isso se refletiu em votos, para explicar a grosso modo. No entanto, os dados disponíveis não estão prontos para subsidiar análises, eles necessitam passar por um processamento para que se transformem em informação, que por sua vez, se formata em diversos conteúdos.
Mas tanto no caso dos guias como no caso dos dados, o sentido político, a análise de conjuntura e a experiência são determinantes, desde a primeira página de leitura, ou desde o primeiro download de arquivo, para que sejam verdadeiramente relevantes para os candidatos. Porque a política, e a comunicação, sua cara metade, necessitam ter conteúdo, motivação e objetivos. E no caso dos dados, trata-se de construir um saber novo, sob medida, conjugando tecnologia, conhecimento e experiência.
Alex Santana, Félix Mendonça, Jorge Solla e Prof. Dayane Pimentel foram os únicos candidatos a Deputado Federal nas eleições de 2018 a receberem votos em todos os municípios baianos. Alex se elegeu por média, os demais por quociente próprio.
Marcos Medrado, com votos em 99% dos municípios da Bahia não foi eleito. Pastor Isidório, o mais votado no estado, obteve votos em 95,92% dos municípios.
Dos 417 municípios baianos, em 57 os eleitores depositaram seus votos em favor dos 39 eleitos. Enquanto isso, Guajeru, no Centro Sul Baiano, e Lajedão, no Centro Norte, 22 dos 39 eleitos receberam votos no município.
Nos municípios baianos, existem 6.280 bairros registrados como locais de votação. Destes, são 97 os bairros, localizados em 22 municípios, que votaram em todos os eleitos pela Bahia para o Congresso Nacional.
Dos 154 bairros de Salvador, 62 votaram nos 39 Deputados Federais eleitos.
A Pituba, em Salvador, é o bairro com mais votos registrados para Deputado Federal. Quem recebeu mais votos no bairro foi Priscila Chammas, com 2.967. Não foi eleita. Os 52.657 eleitores do bairro votaram em 430 dos 509 candidatos a Deputado Federal.
Como são muitos eleitores, se justifica a quantidade de candidatos votados, mas e o bairro de Lagoa Salgada, Feira de Santana, onde os 99 votos foram para 43 candidatos diferentes? Ou no Alto do São Francisco, Santo Amaro, em que 42 eleitores escolheram 19 candidatos diferentes? (Igor Kannario e Antônio Brito receberam 2 votos cada. Mário Negromonte e Raimundo Costa, dentre os eleitos, assim como outros 15, receberam 1 voto cada.)
por Cassio Sader
O Congresso se pretende o espelho da nação, para usar um chavão da política brasileira, o que é uma mistificação. Na prática, os partidos políticos e as principais forças organizadas da sociedade se mobilizam - ou deveriam - para eleger seus representantes. Como serão as eleições para o Congresso Nacional em 2022? Quais setores organizados da sociedade estão trabalhando e como para garantir sua influência na próxima legislatura? Qual o papel que os sindicatos e movimentos sociais podem desempenhar?
2014 foi a última eleição com financiamento privado (e mais facilidade para o caixa 2). A eleição da bancada de deputados financiada e articulada pelo Eduardo Cunha naquele ano desembocou no golpe de 2016, deixando clara a importância que a sociedade deveria dar ao Congresso Nacional.
2018, a primeira com financiamento público, foi uma eleição marcada pela onda bolsonarista, apoiada pelas igrejas evangélicas e calcada nas redes sociais, com seus baixos custos e vínculos fracos ou inorgânicos, característicos do meio. Do lado derrotado, dentre outros aspectos, apesar da grande visibilidade alcançada pelas temáticas identitárias, poucos candidatos vieram a ser eleitos apenas com suas bandeiras. O mesmo ocorreu com movimentos sociais e sindicatos.
2022 será a primeira eleição para deputados após a reforma eleitoral mais recente, que nas eleições municipais apontou para a redução do número de partidos, tanto entre candidatos quanto entre eleitos.
Em 1998, a soma dos 285 deputados dos 3 maiores partidos, PFL, PSDB e PMDB, garantia com sobras a maioria simples na Câmara. Vinte anos depois, na Casa eleita em 2018, a soma dos 3 maiores partidos é 145. A fragmentação partidária foi a tendência dominante no período.
É nesse contexto que se insere o desafio do fortalecimento da bancada no Congresso como estratégia fundamental para governar.
Nas últimas 6 eleições, o PT lançou 2280 candidaturas, de 1754 candidatos, conquistando 443 mandatos, com 225 nomes diferentes, refletindo o fenômeno da reeleição, principal fator para um candidato ser bem sucedido.
Nas suas candidaturas, os candidatos declararam 124 ocupações diferentes. No grupo das 443 eleitas, o número de ocupações diferentes cai para 40, com destaque para "Senador, Deputado ou Vereador", que aparece 187 vezes.
O fenômeno se repete no âmbito estadual, onde os que já são parlamentares obtêm os melhores índices de sucesso, sugerindo que, em uma estratégia de médio e longo prazo, é fundamental aumentar o número de eleitos nas Câmaras Municipais, para que uma parte deles alcance as Assembleias Legislativas e em seguida a Câmara dos Deputados.
Candidatos a Deputado Federal
Candidatos a Deputado Estadual
Nas ocupações declaradas dos eleitos, a soma das que possuem organizações sindicais, que são marcadas por vínculos fortes entre seus associados, como bancários (16) e professores (46), é suplantada pela soma dos profissionais liberais, como médicos (26) e advogados (43).
Em 2019, eram 10,6 milhões de trabalhadores sindicalizados, 67,3% (7,1 milhões) tinham pelo menos o ensino médio completo, enquanto 31,7% (3,4 milhões) tinham ensino superior completo.
Considerando a concentração dos sindicalizados em determinadas regiões, o voto associado a sindicatos teria potencial para lançar e eleger mais candidatos, principalmente se houver articulação entre diferentes categorias e movimentos sociais.
Outros setores, mais ou menos organizados da sociedade, também têm importante papel a desempenhar nesse contexto, mobilizando a população em torno dos temas fundamentais como emprego, saúde e educação.
O desafio é impedir que todos disputem os mesmos votos que já são do PT, inclusive colocando em risco a reeleição de parlamentares.
Onde concorrer, como otimizar recursos e quais mensagens serão questões centrais para que o máximo de candidaturas à Câmara dos Deputados sejam eleitas. O acesso aos dados públicos disponíveis, às conexões entre os conjuntos de dados, e a maneira como os dados são usados ajudam a compreender melhor o desafio, planejar as ações e comunicar-se com o eleitorado com conteúdos relevantes para cada eleitor.
Histórico do perfil do eleitorado
O perfil do eleitorado, os padrões de votação - quem vota e como votou no passado - são esclarecedores. Outras bases de dados oferecem informações sobre a realidade local: estruturas de saúde e educação, servidores públicos, empresas e atividades econômicas, por exemplo. E os dados de mídia social, o comportamento de potenciais eleitores em plataformas como Facebook e Twitter, são cruciais.
Os avanços na tecnologia, por sua vez, agora permitem que as campanhas coletem, gerenciem e acionem todos esses dados com mais rapidez do que nunca.
Programas Sociais e indicadores, em Juazeiro, Bahia
É o processo de organizar informações e integrá-las a sistemas de softwares para que sejam melhor analisadas e interpretadas e possam contribuir para tomadas de decisões.
A abordagem da inteligência de dados é multidisciplinar e envolve ciências de dados, análise social, política e econômica, e insights para a criação e difusão de conteúdos.
O objetivo aqui é apresentar as possibilidades da abordagem de dados públicos para subsidiar estratégias eleitorais e campanhas de comunicação política.
A partir de dados públicos do TSE, Portal da Transparência, IBGE, dentre outros, se constrói uma base de dados informativa.
Perfil do eleitorado por mesorregião, microrregião, município, bairro e local de votação;
Resultados eleitorais por mesorregião, microrregião, município, bairro e local de votação, por partido e candidato.
Projeção da população, benefícios sociais e dados sócio econômicos.
Votação detalhada por bairro
Agregando, segmentando e cruzando os dados se buscam elementos que revelem e expliquem tendências e excepcionalidades.
Evolução do perfil do eleitorado.
Histórico dos resultados eleitorais.
Correlações entre indicadores e resultados.
Através da ferramenta de geração de linguagem natural, a informação analisada se transforma em comunicação, com grande capacidade de produção a baixo custo.
Textos informativos e analíticos para consumo interno gerados sob demanda automaticamente.
Conteúdos para comunicação segmentados produzidos e distribuídos automaticamente.
Otimização dos recursos de campanha.
Produção automática de conteúdo local a partir de dados