Professores(as)
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Parte 1 - Avaliações externas
Olá, educador(a)!
As avaliações externas são ferramentas elaboradas por institutos, fundações ou sistemas externos à escola. Nesse sentido, chamam-se avaliações em larga escala porque são aplicadas para um número expressivo de estudantes, de diferentes regiões do país, do estado, do município ou mesmo internacionais, em contextos escolares distintos.
O Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb, criado em 1990, é de responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais Anísio Teixeira - Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação. Já o Sistema de Avaliação da Educação Básica de Mato Grosso do Sul - SAEMS é de competência da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul - SED/MS, (Mato Grosso do Sul, 2021).
Esses dois exemplos de testes são aplicados na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul - REE/MS e são muito importantes, pois permitem que os(as) estudantes que realizam a prova, de cada ano avaliado, sejam situados em uma mesma escala de proficiência. Essa escala apresenta os níveis de proficiência cognitiva de forma ordenada e é construída a partir do desempenho dos(as) estudantes, (SAEMS, 2023).
A participação dos(as) discentes nessas avaliações é fundamental, pois além de ser um dos critérios de divulgação dos resultados, é a partir da presença e engajamento deles que os dados obtidos podem representar melhor o contexto escolar. No entanto, sabemos que muitas vezes esses testes podem ser recebidos com certa aversão por algumas escolas.
Isso acontece porque, frequentemente, essas provas são interpretadas de maneira equivocada, muitas vezes como forma de estabelecer rankings entre as escolas, em que o baixo desempenho pode levar a alguma forma de sanção, ou ainda que geram pressão para alcançar as metas estabelecidas. Por isso, é importante destacar, aqui, que essas avaliações podem ser observadas sob outra perspectiva, com a possibilidade de serem consideradas como aliadas do trabalho docente em sala de aula, como aponta Iza Locatelli:
“Quando os sistemas de avaliação incorporam elementos da cultura escolar e os professores entendem que as avaliações externas podem ajudá-los, e que não são realizadas para controlar seu trabalho, terminam por assimilá-las como um componente complementar ao seu próprio trabalho. Deve-se, portanto, insistir no caráter complementar dessas duas modalidades de avaliação, as avaliações de larga escala mais padronizadas e precisas e com condições de comparabilidade e as avaliações dos professores, de caráter mais formativo, que contemplam aspectos não observáveis por aquelas primeiras”.
(Locatelli, 2002, p. 6)
Conforme apontado pela autora, as avaliações externas e as avaliações elaboradas pelos(as) docentes não são excludentes, pelo contrário, podem ser complementares, uma vez que ambas avaliam a aprendizagem dos(as) estudantes, cada uma com seus objetivos. Dessa forma, as avaliações externas podem nos auxiliar no cuidado com a aprendizagem dos(as) estudantes, visto que podem ser um instrumento de diagnóstico das escolas e das redes de ensino.
Diante disso, podemos fazer uma leitura crítica e reflexiva dos resultados, para promover intervenções mais assertivas, visando fortalecer a aprendizagem dos(as) estudantes, em toda a rede. Assim, cada escola pode propor intervenções amplas que contemplem diferentes atores escolares. Um ponto que merece atenção é a necessidade de que essas ações não sejam centradas apenas nos componentes de Língua Portuguesa e Matemática, ou focadas apenas nas séries avaliadas em cada etapa, mas que envolvam todos(as) os(as) professores(as), pois todos(as) são corresponsáveis no processo de ensino e aprendizagem. Assim, estamos caminhando rumo à promoção de uma educação de qualidade, cujo foco é a formação integral dos(as) estudantes.
Parte 2 - Currículo, habilidades e descritores
O Currículo de Referência de Mato Grosso do Sul é um documento pedagógico desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação - SED/MS. Ele orienta o processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas estaduais, alinhando-se à Base Nacional Comum Curricular - BNCC e considerando as especificidades culturais e regionais do estado.
Construído de forma colaborativa, com a participação de profissionais da REE/MS, o currículo abrange todas as etapas da educação básica, a saber, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos - EJA. Ele organiza as aprendizagens essenciais, por áreas do conhecimento e etapas de ensino, estabelecendo competências e habilidades que os(as) estudantes devem desenvolver, ao longo de sua trajetória escolar.
Além de servir como referência para o planejamento pedagógico, o Currículo de Referência de MS também orienta a prática docente, promovendo um ensino com maior intencionalidade, coerente e alinhado às competências gerais previstas na BNCC.
Habilidades e descritores
Habilidades e descritores são elementos fundamentais no processo de ensino e aprendizagem, pois orientam tanto o trabalho pedagógico dos(as) professores(as) quanto a forma de avaliar o desempenho dos(as) estudantes. Nesse contexto, importa destacar que os descritores são enunciados que explicitam os objetos de conhecimento e competências que devem ser avaliadas em determinadas áreas do conhecimento. Já as habilidades se referem à capacidade do(a) aluno(a) de mobilizar conhecimentos, atitudes e valores para resolver situações-problema, interpretar textos, realizar cálculos, entre outras ações cognitivas, (BNCC, 2018)¹.
¹ BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
As habilidades e os descritores são essenciais para o processo de aprendizagem, porque definem, com clareza, quais conhecimentos os(as) estudantes devem consolidar, em cada etapa da educação. Eles funcionam como parâmetros que garantem a equidade no processo avaliativo, permitindo que os resultados reflitam, com mais precisão, o nível de aprendizagem dos(as) estudantes, em diferentes contextos e regiões. Além disso, facilitam a identificação de dificuldades de aprendizagem e orientam melhorias nas práticas pedagógicas e nas políticas educacionais.
Desse modo, para garantir coerência entre o que se ensina e o que se avalia, é importante compreender como as avaliações externas são estruturadas. Essas avaliações utilizam matrizes compostas por descritores, que derivam, diretamente, das habilidades previstas nos currículos de referências.
A importância desses dois elementos está diretamente ligada ao planejamento de aulas mais eficazes e direcionadas, que garantem uma aprendizagem significativa. Assim, quando o(a) professor(a) conhece bem os descritores e as habilidades associadas a cada etapa de ensino, ele(a) consegue definir objetivos claros, buscando selecionar estratégias adequadas para acompanhar a evolução do aprendizado dos(as) estudantes, com maior precisão.
Além disso, os descritores e as habilidades são a base de avaliações externas como o Saeb, a Prova Brasil e o Enem. Portanto, compreender esses elementos permite que os(as) estudantes estejam melhor preparados(as) para essas provas, pois desenvolvem competências exigidas nesses exames, como leitura crítica, resolução de problemas matemáticos e análise de informações, em diferentes formatos.
Parte 3 - Itens no contexto da interdisciplinaridade
Nesta 3ª parte, apresentaremos informações acerca das questões propostas nas avaliações externas, chamadas de itens. Agora que você já estudou sobre avaliações externas, descritores e habilidades, chegou o momento de conhecer um pouco mais sobre os itens, sua estrutura e como pensá-lo, a partir de uma perspectiva interdisciplinar.
O que são itens?
Nas partes anteriores, estudamos algumas características das avaliações externas, além de relembrar informações sobre currículo, habilidades e descritores. Aqui, vamos aprender um pouco sobre um ponto importante das avaliações externas, a citar, as questões que fazem parte desses testes. Você pode estar pensando: “Questão e item são a mesma coisa?”. A resposta simplória é: sim, o que é conhecido nas avaliações externas como item é muito parecido com o tipo de questão de múltipla escolha que o(a) professor(a) já está acostumado(a) a trabalhar. Os itens de múltipla escolha, aliás, são os mais presentes nas principais avaliações externas recentes. Isso não significa, porém, que não possamos nos deparar com itens de resposta construída em algum momento.
De acordo com o documento “SAEMS 2023: relatório pedagógico - Ciências Humanas e da Natureza” (Costa et al., 2024), os itens são construídos a partir de uma matriz de referência, pois visam mostrar uma situação na qual os(as) estudantes precisam mobilizar certa habilidade. Os itens de múltipla escolha são geralmente compostos por quatro (ensino fundamental) ou cinco alternativas (ensino médio), das quais uma é a correta (gabarito) e as demais são incorretas (distratores). Além disso, como explica Costa et al. (2024, p. 14), os itens do SAEMS também são formados por:
(i) enunciado, que é a parte de questão que direciona o(a) estudante à tarefa a ser realizada, uma vez que engloba a indicação do que será feito inicialmente (por exemplo, “leia o texto a seguir”); (ii) suporte ou texto-base, que é o material de referência para a resolução da questão (pode ser um texto, um gráfico, um diagrama, um mapa, uma imagem etc.) e (iii) comando, cuja função é direcionar o(a) estudante para responder ao item, a partir da habilidade que será mobilizada.
Essa estrutura e suas nomenclaturas podem variar um pouco de avaliação para avaliação. Na imagem abaixo podemos observar esses componentes aplicados em um exemplo de item fictício do SAEMS 2023:
Fonte: Costa et al., 2024, p. 14.
Interdisciplinaridade
Os itens podem ser elaborados utilizando componentes curriculares diversos. Por isso, pensar em desenvolver um trabalho com os descritores utilizados nas avaliações externas, em outros componentes curriculares, para além da Língua Portuguesa e da Matemática, pode ser uma potente opção para complementar a formação integral dos(as) estudantes. Nesse sentido, focando na corresponsabilidade com a aprendizagem discente, a abordagem interdisciplinar pode favorecer a prática do(a) educador(a) em sala de aula.
Nessa perspectiva, o documento “PCN + Ensino Médio: orientações complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais - Ciências Humanas e suas Tecnologias” afirma:
Um trabalho interdisciplinar, antes de garantir associação temática entre diferentes disciplinas – ação possível mas não imprescindível –, deve buscar unidade em termos de prática docente, ou seja, independentemente dos temas/assuntos tratados em cada disciplina isoladamente. Os educadores de determinada unidade escolar devem comungar de uma prática docente comum voltada para a construção de conhecimentos e de autonomia intelectual por parte dos educandos, (Brasil, 2002, p. 21).
Assim, no contexto escolar, a finalidade da interdisciplinaridade é a aprendizagem do(a) estudante. Como reforça Fazenda (2015, p. 13), na “interdisciplinaridade escolar, as noções, finalidades, habilidades e técnicas visam favorecer, sobretudo, o processo de aprendizagem, respeitando os saberes dos alunos e sua integração”, (Fazenda, 2015, p. 13). Nessa direção, uma possibilidade de estratégia, rumo à prática interdisciplinar, é a socialização constante de experiências entre o corpo docente, promovendo uma maior coesão do grupo de trabalho.
Agora que já exploramos o conceito de interdisciplinaridade, convidamos você, cursista, a acompanhar dois exemplos de atividades interdisciplinares.
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Atividade on-line
Professor(a),
Faça o download e realize a Atividade 4, referente ao 2º bimestre, conforme as orientações que estão no próprio arquivo, e entregue-a ao(à) coordenador(a) pedagógico(a) da escola em que você possui a maior carga horária de lotação para confirmar a sua participação na Jornada Formativa.